{"id":297096,"date":"2019-10-03T09:25:45","date_gmt":"2019-10-03T12:25:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=297096"},"modified":"2019-10-03T09:25:45","modified_gmt":"2019-10-03T12:25:45","slug":"a-vida-de-churchill-charutos-coragem-e-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-vida-de-churchill-charutos-coragem-e-lagrimas\/","title":{"rendered":"A vida de Churchill: charutos, coragem e l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \">Andrew Roberts publica uma monumental biografia do estadista brit\u00e2nico que enfatiza seu lado passional e aprofunda suas motiva\u00e7\u00f5es pessoais. Chorava com facilidade, era devoto de Shakespeare e teria sido partid\u00e1rio do \u2018Brexit\u2019<\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n    \"><\/div>\n<div class=\"\n      social-icons\n      flex container_row\n      horizontal\n\n      right-links\n    \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/w7nqxDoT1f2k65xmzZOOVWxEJ9c=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/TH4A3CZRZ5AZ7Y7VRKCJG5SAAA.jpg\" alt=\"Winston Churchill em 1946 em Miami Beach, com sua mulher, Clementine, e sua filha, Sarah.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Winston Churchill em 1946 em Miami Beach, com sua mulher, Clementine, e sua filha, Sarah.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Anton de vez Ayala duarte\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto_anton\/a\/\">JACINTO ANTON DE VEZ AYALA DUARTE<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\">A imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/winston_churchill\" data-link-track-dtm=\"\">Winston Churchill<\/a>\u00a0como primeiro-ministro corpulento, apoiado numa bengala, fazendo o sinal da vit\u00f3ria e com um charuto na boca \u00e9 a mais emblem\u00e1tica do grande pol\u00edtico brit\u00e2nico, mas apenas uma face de um personagem realmente poli\u00e9drico, a ponto de ser n\u00e3o s\u00f3 inesperado como tamb\u00e9m desconcertante. Uma nova biografia escrita pelo reconhecido historiador Andrew Roberts, intitulada em espanhol\u00a0<em>Churchill, La Biograf\u00eda<\/em>, como que salientando seu car\u00e1ter \u201cdefinitivo\u201d\u00a0\u2014 e assim foi saudada em diferentes meios \u2014, mostra um Churchill muit\u00edssimo mais complexo e humano, com detalhes sobre sua personalidade, como o fato de ter sofrido de abandono quando crian\u00e7a, e como isso o marcou decisivamente, e como era propenso ao choro, um tra\u00e7o muito pouco brit\u00e2nico.<\/p>\n<p class=\"\">Esteve a ponto de morrer v\u00e1rias vezes, incluindo epis\u00f3dios b\u00e9licos, acidentes de avi\u00e3o e um atropelamento em Nova York, e sobreviver reafirmou sua ideia de ter sido chamado pelo destino. Foi amigo de gente t\u00e3o diversa como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/charles_chaplin\" data-link-track-dtm=\"\">Chaplin<\/a>, Rupert Brooke, Noel Coward e Lawrence da Ar\u00e1bia (cujo obitu\u00e1rio escreveu). Antecipou-se \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos animais (embora tenha ca\u00e7ado um rinoceronte branco e le\u00f5es quando jovem), adorava-os e nunca comia nenhum que pudesse chamar pelo nome. Tamb\u00e9m era expert em borboletas. Supersticioso, acreditou que o naufr\u00e1gio do Royal Oak em Scapa Flow, no norte da Esc\u00f3cia, teria a ver com o fato de ele naquele dia ter usado gravata preta, e n\u00e3o uma de bolinhas.<\/p>\n<p class=\"\">O monumental livro de Roberts, com 1.300 p\u00e1ginas, sem contar notas, bibliografia e \u00edndices, cheio de detalhes como rastrear sua afei\u00e7\u00e3o pelo conhaque e por roupas \u00edntimas de seda (e onde as comprava), \u00e9 uma prodigiosa investiga\u00e7\u00e3o sobre uma das figuras fundamentais da hist\u00f3ria, que se l\u00ea com a mesma paix\u00e3o com que foi escrita e que era, segundo seu bi\u00f3grafo, o tra\u00e7o caracter\u00edstico de Churchill. Roberts (1963) utilizou numerosas fontes novas, como os di\u00e1rios particulares do rei George VI. \u201c\u00c9 uma obra resultante de 30 anos de estudo do personagem, cuja vida foi um verdadeiro decatlo, pela variedade, e que levei quatro anos para escrever\u201d, conta o historiador, autor de biografias de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/napoleon_bonaparte\" data-link-track-dtm=\"\">Napole\u00e3o<\/a>, Salisbury, Halifax e dos Windsor, e que j\u00e1 abordara Churchill num livro sobre ele e Hitler, no qual analisava a forma como ambos exerciam a lideran\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"\">Dotado de um senso de humor muito brit\u00e2nico, tamb\u00e9m caracter\u00edstico do carism\u00e1tico primeiro-ministro, Roberts admite de sa\u00edda que h\u00e1 pouco sexo na biografia, pois Churchill n\u00e3o se interessava muito pelo tema, e aparentemente n\u00e3o teve grandes romances nem aventuras fora do matrim\u00f4nio com sua esposa Clementine, a tal ponto que as tr\u00eas mulheres mais importantes para ele eram esta, sua bab\u00e1 e sua m\u00e3e. O\u00a0<em><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/movimiento_metoo\/a\/\" data-link-track-dtm=\"\">Me Too<\/a><\/em>\u00a0n\u00e3o o pegaria. \u201cN\u00e3o tem muito sexo, mas espero que isso seja compensado com as grandes quantidades de viol\u00eancia\u201d, brinca. \u201cDaria para fazer um filme do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/quentin_tarantino\" data-link-track-dtm=\"\">Tarantino<\/a>.\u201d Roberts se refere a que a vida de Churchill foi insepar\u00e1vel da guerra, da sua participa\u00e7\u00e3o como soldado em campanhas no Sud\u00e3o e \u00c1frica do Sul at\u00e9 as duas Guerras Mundiais, passando por sua atividade militar menos conhecida em outras frentes, como em Cuba e na fronteira norte da \u00cdndia.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/MMT1-Egi4llja7EsCQsBMItcvqc=\/450x600\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/PAT5LSWM3T7RLTHEI3OHHX44KQ.jpg\" alt=\"Winston Churchill na \u00c1frica do Sul em 1899.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Winston Churchill na \u00c1frica do Sul em 1899.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Sobre que s\u00edntese pode fazer de Churchill ap\u00f3s seu herc\u00faleo encontro liter\u00e1rio com ele, medita: \u201cEsperava encontrar muitos defeitos em sua personalidade, e certamente h\u00e1, e que cometeu gafe atr\u00e1s de gafe, mas capturou toda a minha simpatia pela forma como aprendeu com seus erros, e acabei me afei\u00e7oando muito. N\u00e3o se deduza disso que o livro seja uma hagiografia, absolutamente. Churchill \u00e9 uma pessoa para quem eu n\u00e3o gostaria de ter tido que trabalhar.\u201d Estar\u00edamos \u00e0 vontade com ele numa dist\u00e2ncia mais curta? \u201cSim, se ele quisesse que nos sent\u00edssemos assim. Tinha a habilidade pol\u00edtica de fazer voc\u00ea se sentir o mais importante de uma sala. Mas tamb\u00e9m era muito f\u00e1cil para ele fazer voc\u00ea se sentir espantosamente mal com a engenhosidade e mordacidade dele.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Na cabe\u00e7a de muita gente \u00e9 dif\u00edcil unir a imagem do jovem Churchill com a do Churchill maduro. \u201cFoi diferentes pessoas ao longo de sua vida, como todos n\u00f3s, e ele viveu 90 anos, fumou 190.000 charutos e bebeu muit\u00edssimo. Virou uma imagem completamente diferente daquele soldado e jornalista magrinho que atacava os mahdistas como lanceiro em Omdurman (Sud\u00e3o)\u00a0\u2014 ali\u00e1s, matou v\u00e1rios de pr\u00f3prio punho\u00a0\u2014 e escapava audazmente dos b\u00f4eres. Na \u00e9poca era um grande esportista, campe\u00e3o de polo e esgrima (florete), e estava muito em forma. Mas h\u00e1 caracter\u00edsticas em Churchill que, como o fio de uma tape\u00e7aria, podemos acompanhar. Uma \u00e9 a coragem. Sua coragem f\u00edsica misturada com sua coragem moral. Muitos pol\u00edticos t\u00eam um ou outro, mas ter ambos \u00e9 algo extraordin\u00e1rio. Outra \u00e1rea central \u00e9 sua paix\u00e3o: o motor de Churchill eram suas emo\u00e7\u00f5es, algo raro em um brit\u00e2nico, pois costumamos ocult\u00e1-las, e ainda mais um aristocrata ingl\u00eas como ele. N\u00e3o se importava de chorar em p\u00fablico, coisa que os brit\u00e2nicos custaram a fazer inclusive quando morreu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/princesa_de_gales_diana\" data-link-track-dtm=\"\">Diana de Gales<\/a>, e nisso ele, t\u00e3o vitoriano em tantos aspectos, era muito de uma \u00e9poca anterior, da reg\u00eancia, andava com o cora\u00e7\u00e3o na m\u00e3o, como os rom\u00e2nticos ingleses, como um Shelley\u201d. Outra caracter\u00edstica \u201c\u00e9 a sinceridade de sua amizade, em que ali\u00e1s nunca teve preconceitos com a homossexualidade\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">A falta de carinho quando crian\u00e7a aparece no livro como um condicionante essencial. \u201cSeus pais eram profundamente ego\u00edstas e praticamente o abandonaram aos cuidados alheios, isso o marcou, mas nunca o fez pagar: continuou adorando seu pai\u00a0\u2014 que tinha anexado a Birm\u00e2nia ao Imp\u00e9rio\u00a0\u2014 e amava loucamente \u00e0 sua m\u00e3e (amante de Eduardo VII, entre outros), a quem dedica palavras maravilhosas em sua autobiografia. Em todo caso, \u00e9 um espet\u00e1culo muito triste ver um menino t\u00e3o sens\u00edvel largado por seus pais, pouqu\u00edssimas vezes foram visit\u00e1-lo em seus anos escolares, praticamente s\u00f3 uma vez quando estava \u00e0 beira da morte por doen\u00e7a\u201d. Foi ent\u00e3o, aponta Roberts, que ele come\u00e7ou a se afei\u00e7oar pelo conhaque, e isso porque o m\u00e9dico o aplicava como rem\u00e9dio por ambas as vias. \u201cAssim \u00e9\u201d, ri o bi\u00f3grafo, \u201cdepois disso algu\u00e9m poderia achar que ele abominaria o conhaque, mas n\u00e3o, embora pouqu\u00edssimas vezes em sua vida tenha se mostrado \u00e9brio\u201d. H\u00e1 um lado histri\u00f4nico em Churchill. Vem de um desejo de menino ansioso por chamar a aten\u00e7\u00e3o? \u201cNa verdade, acho que voc\u00ea n\u00e3o se mete em pol\u00edtica se n\u00e3o tem interesse em chamar a aten\u00e7\u00e3o. Gente sem ego n\u00e3o entra na pol\u00edtica. A ambi\u00e7\u00e3o sem talento \u00e9 ruim, mas em Churchill, como em Napole\u00e3o, a quem admirava (como a Clemenceau), outro tra\u00e7o pouco brit\u00e2nico, essa ambi\u00e7\u00e3o estava justificada.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">A egolatria do personagem, sua vaidade, a f\u00e9 em seu sino, a cren\u00e7a em que era um homem predestinado, afastam um pouco. \u201cSim, o tornam antip\u00e1tico, \u00e9 justo que se diga. Todos ao seu redor deviam girar em sua \u00f3rbita, era tremendamente exigente com sua fam\u00edlia, secret\u00e1rios, colegas do Parlamento\u2026\u201d. Tamb\u00e9m seu af\u00e3 por ganhar dinheiro e pelo luxo s\u00e3o censur\u00e1veis. \u201cSempre estava na pinda\u00edba, seus pais foram esbanjadores terr\u00edveis, mas a boa not\u00edcia \u00e9 que gra\u00e7as a isso escreveu tantos livros, porque os pagavam bem. Incorrig\u00edvel, quando teve dinheiro aos 73 anos pela venda de sua obra sobre a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\/a\/\" data-link-track-dtm=\"\">Segunda Guerra Mundial<\/a>, dedicou-se a comprar cavalos de corrida.\u201d<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>Churchill n\u00e3o chegou a conhecer Hitler. O alem\u00e3o cancelou um encontro em Munique, em 1932, alegando que n\u00e3o estava barbeado<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\">Quanto \u00e0 cara roupa \u00edntima de seda\u2026 \u201cJustificava que era porque tinha a pele muito fina\u201d. Muito brit\u00e2nicas, em todo caso, as duas coisas: a pele e a cueca de seda. O bi\u00f3grafo ri com gosto. Roberts considera quais virtudes e defeitos de Churchill, como seu militarismo (sua grande frustra\u00e7\u00e3o foi n\u00e3o ser general) ou sua propens\u00e3o ao verbo inflamado que passou a ser sublime, funcionaram muito bem em uma situa\u00e7\u00e3o de crise brutal como a Segunda Guerra Mundial, sua melhor hora. Haveria outro ju\u00edzo hist\u00f3rico a respeito de Churchill sem aquele conflito? \u201cSim, se tivesse morrido em 1939 poderia ter sido considerado um brilhante fracasso. Mas os erros que cometeu antes, o fato de aprender com eles, o transformaram num grande l\u00edder para uma guerra. Por exemplo, o fracasso nos Dardanelos, na Primeira Guerra Mundial. L\u00e1 aprendeu que n\u00e3o devia interferir no alto comando militar, usar sua posi\u00e7\u00e3o para usurpar a deles\u201d. Nisto foi o contr\u00e1rio de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\" data-link-track-dtm=\"\">Hitler<\/a>. \u201cJustamente. Na Toca do Lobo, Hitler escutava seus grandes generais por uma hora e depois fazia o que queria desde o come\u00e7o. Curiosamente St\u00e1lin foi mais como Churchill no sentido de deixar cada vez mais os militares conduzirem a guerra.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Roberts explica que Churchill e Hitler, que nunca se conheceram pessoalmente, estiveram a ponto de se encontrarem uma vez. \u201cAssim \u00e9, em Munique, em 1932. Havia um encontro marcado para tomarem caf\u00e9, Hitler n\u00e3o se apresentou, alegando que n\u00e3o estava barbeado e tinha muita coisa para fazer. N\u00e3o tinham nenhuma simpatia m\u00fatua, \u00e9 \u00f3bvio. Hitler depois se encolerizava cada vez que lhe mencionavam o nome de Churchill, e este detestava o antissemitismo, o que era tamb\u00e9m um tra\u00e7o incomum na classe alta brit\u00e2nica\u201d. Hitler e Churchill, esses dois grandes pintores\u2026 \u201cN\u00e3o, s\u00f3 um: Churchill, artista vocacional de verdade; Hitler deixou de pintar assim que teve um sal\u00e1rio fixo do partido\u201d.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/SRjDuCsumMcHelNYRcmhpdIs05Q=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/TYILDXS4V5FJ4FHWSDTO4CCHBU.jpg\" alt=\"O bi\u00f3grafo de Winston Churchill, nesta ter\u00e7a-feira em Madri.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">O bi\u00f3grafo de Winston Churchill, nesta ter\u00e7a-feira em Madri.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">\u00d3SCAR CA\u00d1AS (EP)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">N\u00e3o se entende Churchill, mestre da an\u00e1fora, sem sua capacidade orat\u00f3ria. \u201cTinha mem\u00f3ria fonogr\u00e1fica, que \u00e9 o equivalente em sons \u00e0 fotogr\u00e1fica. Recordava fragmentos de poesias do col\u00e9gio, era capaz de recitar 1.200 linhas das Leis da Antiga Roma, de Macaulay, sabia grandes partes das obras de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/william_shakespeare\" data-link-track-dtm=\"\">Shakespeare<\/a>. Venerava-o. H\u00e1 a hist\u00f3ria de quando assistiu na primeira fila a uma representa\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Hamlet<\/em>\u00a0de Richard Burton e passou a obra antecipando-se \u00e0s falas do ator, para exaspera\u00e7\u00e3o deste. Polia seus discursos treinando-os durante horas. As pessoas entendiam que eram excepcionais. Isso acentuou seu carisma.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Perdeu-se um grande poeta com Churchill? \u201cEscreveu muitos livros, embora s\u00f3 um romance, e ganhou o Nobel de Literatura, ent\u00e3o n\u00e3o o perdemos de todo\u201d, ri o bi\u00f3grafo. Eram, como oradores, luz e sombra Churchill e Hitler? \u201cParece-me que sim, h\u00e1 uma dicotomia manique\u00edsta. Em Hitler existe um orador carism\u00e1tico sem d\u00favida, e tamb\u00e9m ensaiava muito, mas sua mensagem de \u00f3dio e ressentimento, somado aos traumas alem\u00e3es, criou uma f\u00f3rmula de sucesso orat\u00f3rio perversa\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">No h\u00e1lito \u00e9pico e l\u00edrico da prosa churchilliana h\u00e1 ecos de Lawrence da Ar\u00e1bia de\u00a0<em>Os Sete Pilares da Sabedoria<\/em>. \u201cInfluenciou-o, era o tipo de her\u00f3i militar que Churchill desejaria ser\u201d. O que Churchill acharia do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/24\/internacional\/1569310581_155927.html\" data-link-track-dtm=\"\">Brexit<\/a>? \u201cSua filha Mary me advertiu para que nunca supusesse nada sobre o que seu pai poderia ter achado de coisas que ocorreram ap\u00f3s sua morte. Dito isto, sabemos que n\u00e3o fez nenhum gesto para aproximar a Gr\u00e3-Bretanha do projeto europeu. Muito provavelmente teria sido favor\u00e1vel ao Brexit\u201d. Roberts ironiza a biografia de Churchill escrita por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/boris_johnson\/a\/\" data-link-track-dtm=\"\">Boris Johnson<\/a>, tamb\u00e9m fascinado pelo personagem. \u201cA minha vendeu s\u00f3 um pouquinho a mais, mas \u00e9 bom que os pol\u00edticos escrevam sobre hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Aos erros de Churchill\u00a0\u2014 Dardanelos (\u201co pior, 147.000 baixas\u201d), sua machista desqualifica\u00e7\u00e3o das sufragistas, acreditar que a hist\u00f3ria de Wallis Simpson n\u00e3o era a s\u00e9rio&#8230; \u2014, Roberts acrescenta o retorno do padr\u00e3o-ouro. Por outro lado, n\u00e3o lhe parece que sua atitude sobre a independ\u00eancia da \u00cdndia e sobre Gandhi tenha sido um erro. \u201cGandhi queria destruir o imp\u00e9rio, \u00e9 l\u00f3gico que Churchill fosse contra.\u201d O melhor discurso para o bi\u00f3grafo \u00e9 o de 5 de outubro de 1938, &#8220;uma argumenta\u00e7\u00e3o sublime em que mostrou a insuper\u00e1vel dist\u00e2ncia entre a democracia brit\u00e2nica e os nazistas, e se iguala a qualquer um dos mais famosos durante a guerra, como o de \u2018lutaremos nas praias&#8230;\u2019, o do \u2018sangue, suor e l\u00e1grimas\u2019 e o de \u2018nunca tantos deveram tanto a t\u00e3o poucos\u2019. E o melhor par\u00e1grafo est\u00e1 no que pronunciou no funeral de Chamberlain, em novembro de 1940. Cheio de express\u00f5es maravilhosas, como: \u2018A hist\u00f3ria que nos ilumina com luz intermitente&#8217; ou \u2018marchemos sempre nas fileiras da honra\u2019. De novo percebemos a influ\u00eancia de Shakespeare\u201d.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esteve a ponto de morrer v\u00e1rias vezes, incluindo epis\u00f3dios b\u00e9licos, acidentes de avi\u00e3o e um atropelamento em Nova York, e sobreviver reafirmou sua ideia de ter sido chamado pelo destino. 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