{"id":29718,"date":"2013-11-21T14:00:56","date_gmt":"2013-11-21T17:00:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=29718"},"modified":"2013-11-21T08:44:46","modified_gmt":"2013-11-21T11:44:46","slug":"peregrinacao-a-local-onde-viveu-zumbi-dos-palmares-e-tradicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/peregrinacao-a-local-onde-viveu-zumbi-dos-palmares-e-tradicao\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o a local onde viveu Zumbi dos Palmares \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-29719\" alt=\"ImageProxy (4)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/ImageProxy-410-300x61.jpg\" width=\"300\" height=\"61\" \/><\/p>\n<p>Desde 1981 intelectuais negros v\u00e3o ao munic\u00edpio de Uni\u00e3o dos Palmares (AL), no dia 20 de novembro, para subir a Serra da Barriga e visitar o local onde existiu o Quilombo dos Palmares e viveu um dos maiores l\u00edderes negros, Zumbi dos Palmares. O movimento cresceu e hoje o topo de um dos montes da serra atraiu, este ano, cerca de 10 mil peregrinos para a chamada Meca negra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=pNlBGNEwH%2fzNclGe9%2baWrIrxxmlrGymzgTy6I8vaJtQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fagenciabrasil.ebc.com.br%2fsites%2f_agenciabrasil%2ffiles%2fimagecache%2f300x225%2fgallery_assist%2f3%2fgallery_assist639716%2fprev%2fDSC09394.JPG\" \/>A programa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com a limpeza espiritual do quilombo. Religiosos de matriz africana deram um banho de cheiro no local e depois receberam dezenas de capoeiristas para um caf\u00e9 da manh\u00e3. Reunidos em um cortejo sagrado, levaram uma coroa de flores amarelas e brancas at\u00e9 a est\u00e1tua de Zumbi.<\/p>\n<p>A rever\u00eancia ao her\u00f3i nacional vinha de todos os lados. \u201cEu n\u00e3o poderia ser uma pessoa resistente se n\u00e3o existisse Zumbi dos Palmares. Toda gente negra brasileira tem nele aquele marco da resist\u00eancia contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a segrega\u00e7\u00e3o\u201d, destacou o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, Hilton Cobra.<\/p>\n<p>Para a religiosa Cintia Santana, Zumbi come\u00e7ou a reconstruir a autoestima negra, perdida na travessia dos navios negreiros abarrotados de africanos escravizados. \u201cO Zumbi, para n\u00f3s que somos negros, foi uma quebra para sabermos hoje que temos identidade. N\u00f3s somos o que somos porque pessoas como ele lutaram pela nossa identidade, pela nossa cor, pela nossa ra\u00e7a\u201d, diz. \u201cChegamos aqui no<br \/>\nBrasil for\u00e7ados e come\u00e7amos a trabalhar para os engenhos. N\u00e3o t\u00ednhamos valor e ele mostrou que o negro tem valor.\u201d<\/p>\n<p>O mestre de capoieira Juscenildo Barreto da Silva, conhecido como mestre Veneno, aproveitou o dia fazer o que sabe. Na roda, entre um golpe e outro, deu seu depoimento: \u201co rei Zumbi \u00e9 praticamente o nosso advogado, que lutou pela gente e morreu pela gente. Isso \u00e9 muito importante para n\u00f3s capoeiristas. Todos os dias, nas nossas escolas de capoeira, nas nossas viv\u00eancias, a gente fala no rei Zumbi&#8221;.<\/p>\n<p>Foi no dia 20 de novembro de 1695 que morreu Zumbi, her\u00f3i nacional perseguido por tropas do governo por lutar pela liberdade dos negros escravizados, trazidos da \u00c1frica para o Brasil. O Quilombo dos Palmares \u00e9 um s\u00edmbolo hist\u00f3rico dessa luta. Com mais de 200 quil\u00f4metros de extens\u00e3o, ocupou uma \u00e1rea que ia de Pernambuco a Alagoas. Ali, negros e negras que n\u00e3o suportavam as regras da chibata se refugiaram desde o fim do s\u00e9culo 16. Os historiadores acreditam que o Quilombo dos Palmares durou mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria desse local um tanto m\u00edstico, um tanto s\u00edmbolo de resist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 totalmente clara. O pouco que se sabe foi contado na vers\u00e3o dos colonizadores. O pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, Zezito de Ara\u00fajo, explica que a imagem de Zumbi como her\u00f3i \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o recente. \u201cZumbi tem v\u00e1rios momentos no escrever da hist\u00f3ria brasileira. Primeiro ele n\u00e3o existia. Quando ele come\u00e7ou a existir, ele passou a ser considerado um suicida. Com isso, voc\u00ea descaracteriza esse grande her\u00f3i que ele \u00e9, porque o desqualifica como tal\u201d, refor\u00e7a.<\/p>\n<p>A partir da d\u00e9cada de 1970, em consequ\u00eancia da milit\u00e2ncia do movimento negro, Zumbi passou a ter uma nova conota\u00e7\u00e3o: ele se tornou um her\u00f3i, um guerreiro que liderou a revolta dos quilombolas. Para a professora Clara Suassuna, diretora do N\u00facleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Alagoas, a simbologia do her\u00f3i Zumbi \u00e9 muito forte.<\/p>\n<p>Ela conta uma hist\u00f3ria que ouviu na Serra da Barriga, o local onde fica o Quilombo dos Palmares. \u201cEu entrevistei uma senhora na serra da barriga e ela disse que o negro Zumbi toda noite batia na porta da casa dela\u201d. Por mais que o filho mostrasse a m\u00e3e que o barulho na porta era provocado por uma coruja, a m\u00e3e n\u00e3o se conformava: \u201ceu sei a diferen\u00e7a entre coruja e Zumbi\u2019\u201d, conta. Com isso na cabe\u00e7a, foi conversar com o professor Kabengele Munanga, da Faculdade de Filosofia Letras e Ci\u00eancias Humanas, da Universidade de S\u00e3o Paulo. \u201cEle me lembrou que os grandes esp\u00edritos se incorporam nos animais. Isso \u00e9 uma pr\u00e1tica de diversos lugares da \u00c1frica, da cultura ind\u00edgena e isso tem um poder simb\u00f3lico muito grande\u201d, resumiu Munanga.<\/p>\n<p>Clara Suassuna destacou que a hist\u00f3ria de Zumbi precisa ser tratada com mais respeito. \u201cA gente n\u00e3o tem relatos escritos pelos pr\u00f3prios negros. Eu acho que ainda precisa muito estudo para a gente poder esclarecer e montar uma hist\u00f3ria de Zumbi de forma mais respeitosa, porque durante muito tempo ele foi machucado e s\u00f3 agora est\u00e1 sendo recuperado com a dignidade que merece\u201d, diz.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1981 intelectuais negros v\u00e3o ao munic\u00edpio de Uni\u00e3o dos Palmares (AL), no dia 20 de novembro, para subir a Serra da Barriga e visitar o local onde existiu o Quilombo dos Palmares e viveu um dos maiores l\u00edderes negros, Zumbi dos Palmares. 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