{"id":297916,"date":"2019-10-11T09:07:07","date_gmt":"2019-10-11T12:07:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=297916"},"modified":"2019-10-11T09:07:07","modified_gmt":"2019-10-11T12:07:07","slug":"literatura-e-memoria-politica-no-recife","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/literatura-e-memoria-politica-no-recife\/","title":{"rendered":"Literatura e Mem\u00f3ria Pol\u00edtica no Recife"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-header\">\n<header class=\"td-post-title\">\n<h1 class=\"entry-title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"td-post-sub-title\" style=\"text-align: justify;\">Existe um fato, que j\u00e1 disse inclusive \u00e0 filha de Soledad Barrett: existe um livro que me segue e me for\u00e7a a dar continuidade a ele e vai para onde eu for: \u00e9 o livro \u201cSoledad no Recife\u201d.<\/p>\n<div class=\"td-module-meta-info\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"td-post-author-name\">\n<div class=\"td-author-by\">Por <a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/author\/urariano-mota\/\">Urariano Mota<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-sharing-top\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"td_social_sharing_article_top\" class=\"td-post-sharing td-ps-bg td-ps-notext td-post-sharing-style1 \">\n<div class=\"td-post-sharing-visible\">\n<div class=\"td-social-sharing-button td-social-sharing-button-js td-social-handler td-social-share-text\">\n<div class=\"td-social-but-text\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td-social-but-icon\"><\/div>\n<div class=\"td-social-but-icon\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td-post-content\">\n<div class=\"td-post-featured-image\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"td-modal-image\" href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/2019\/10\/literatura-e-memoria-politica-no-recife-por-urariano-mota-fotorsoledadbarret.jpg\" data-caption=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"entry-thumb\" title=\"FotorSoledadBarret\" src=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/2019\/10\/literatura-e-memoria-politica-no-recife-por-urariano-mota-fotorsoledadbarret.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 690px) 100vw, 690px\" srcset=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/2019\/10\/literatura-e-memoria-politica-no-recife-por-urariano-mota-fotorsoledadbarret.jpg 690w, https:\/\/jornalggn.com.br\/sites\/default\/files\/2019\/10\/literatura-e-memoria-politica-no-recife-por-urariano-mota-fotorsoledadbarret-300x152.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"350\" \/><\/a><\/div>\n<div class=\"td-a-rec td-a-rec-id-content_top  td_uid_2_5da06dd887a83_rand td_block_template_10\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta sexta-feira, tentarei falar na Bienal do Livro de Pernambuco sobre o tema \u201cLiteratura e Mem\u00f3ria \u2013 A ditadura no Recife\u201d. A partir das 13 horas, no audit\u00f3rio C\u00edrculo das Ideias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como veem, tenho que cuidar da palestra daqui a pouco e tenho que escrever ao mesmo tempo a coluna. \u00c9 muito dif\u00edcil. Ent\u00e3o a sa\u00edda \u00e9 recuperar as palavras que falei para estudantes na Escola T\u00e9cnica da Encruzilhada, no anivers\u00e1rio da Anistia. Elas t\u00eam a ver com o tema da fala na bienal \u00e0s 13 horas. Acompanhem as pr\u00f3ximas linhas, por favor. A fala aos estudantes foi esta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sempre procuro retomar a mem\u00f3ria pol\u00edtica do Recife quando escrevo. E, seguramente, eu n\u00e3o fa\u00e7o isso como uma coisa planejada, digamos assim, como um projeto pr\u00e9vio. N\u00e3o. Desde o meu primeiro romance, \u201cOs cora\u00e7\u00f5es futuristas\u201d, e depois com \u201cSoledad no Recife, mais adiante com \u201cO filho renegado de Deus\u201d, e no mais recente, \u201cA mais longa dura\u00e7\u00e3o da juventude\u201d, essa \u00e9 a minha caminhada na literatura. Quero dizer, nesses livros que\u00a0 tenho escrito, procuro retomar a nossa juventude, a nossa adolesc\u00eancia, quando n\u00f3s t\u00ednhamos a idade de voc\u00eas, quando \u00e9ramos alunos iguais a voc\u00eas, de farda e angustiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um fato, que j\u00e1 disse inclusive \u00e0 filha de Soledad Barrett: existe um livro que me segue e me for\u00e7a a dar continuidade a ele e vai para onde eu for: \u00e9 o livro \u201cSoledad no Recife\u201d. Quando eu penso que n\u00e3o, que estou liberado, vem uma ou outra pessoa me dizer: \u201cOlha, em Soledad no Recife voc\u00ea escreveu aquilo\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No projeto mais ambicioso de romance, \u201cA mais longa dura\u00e7\u00e3o da juventude\u201d, eu retomo a pessoa de Soledad Barrett como personagem, a partir de depoimentos de pessoas que a\u00a0viram e viveram com ela. Nele,\u00a0 utilizo momentos da encena\u00e7\u00e3o do mon\u00f3logo bel\u00edssimo sobre Soledad, que o talento da atriz Hilda Torres levou para o teatro. E levo \u00e0s p\u00e1ginas do romance tamb\u00e9m a pessoa da filha \u00fanica de Soledad, \u00d1asaindy Barrett. Ent\u00e3o elas v\u00eam para o romance \u201cA mais longa dura\u00e7\u00e3o da juventude\u201d, porque \u00e9 chamada de volta a pessoa de Soledad, quando narro aqueles anos terr\u00edveis de pesadelo que n\u00f3s vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma hora, quando eu vinha de \u00f4nibus para esta escola, eu vinha refletindo, olhando as ruas, os pr\u00e9dios, e comentei com a minha esposa: \u201cOlhe, aqui era um col\u00e9gio onde n\u00f3s t\u00ednhamos um centro cultural, aqui perto deste col\u00e9gio, no bairro de Campo Grande, n\u00f3s nos encontr\u00e1vamos\u201d. E eu venho notando, e este \u00e9 o salto da observa\u00e7\u00e3o do \u00f4nibus e de quando eu ando pelas ruas do Recife: a fun\u00e7\u00e3o do escritor termina sendo o de fazer falar a mem\u00f3ria. Percebem? Se a gente n\u00e3o fala essa mem\u00f3ria, ela se perde. Voc\u00eas, estudantes, n\u00e3o t\u00eam essa mem\u00f3ria da ditadura no Recife. \u00c9 imposs\u00edvel que voc\u00eas tenham, at\u00e9 em raz\u00e3o da idade. E, pior: n\u00e3o h\u00e1 uma continuidade da experi\u00eancia hist\u00f3rica na escola, nem nos livros did\u00e1ticos, e muito menos na televis\u00e3o, no r\u00e1dio, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-1\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"jornalggn_horizontal_2\" class=\"ggnads adv-dfp-google\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda h\u00e1 pouco, quando eu publiquei l\u00e1 no Face de Bruno Albertim\u00a0 um trecho de artigo que escrevi sobre o artista Tonfil, que al\u00e9m de cantor \u00e9 um escultor que faz grande trabalho com esculturas das m\u00e3os que seriam dos escravos em Pernambuco, que ele p\u00f5e como a representa\u00e7\u00e3o do trabalho dos escravos, eu observei: os mais jovens n\u00e3o sabem o quanto era dif\u00edcil ter fotos. Na era do selfie, a coisa mais comum do mundo \u00e9 tirar uma foto. Hoje, se perdeu completamente a no\u00e7\u00e3o de que, na minha inf\u00e2ncia por exemplo, os pobres s\u00f3 tinham o direito \u00e0 foto, e quando tinham esse privil\u00e9gio, no dia do anivers\u00e1rio. Quando podiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero dizer, h\u00e1 uma larga vida no passado sem fotografia. E sem registro. Ent\u00e3o o escritor \u00e9 obrigado a ser a mem\u00f3ria que d\u00e1 continuidade \u00e0 hist\u00f3ria, que mostra a voc\u00eas, que mostra para mim mesmo quando escrevo, de onde n\u00f3s viemos. E quando n\u00f3s procuramos saber de onde n\u00f3s viemos, terminamos por saber quem somos. Por mais modernos, por mais jovens que voc\u00eas estejam, voc\u00eas falam a l\u00edngua portuguesa. E esta l\u00edngua n\u00e3o nasceu agora. Ela veio antes de voc\u00eas, bem antes de mim, ela veio bem antes dos nossos av\u00f3s\u2026 Isto \u00e9, n\u00f3s temos ao falar o portugu\u00eas uma continuidade da hist\u00f3ria da qual n\u00e3o temos consci\u00eancia. E o escritor est\u00e1 chamado a revelar a hist\u00f3ria com esta l\u00edngua, que em si \u00e9 mem\u00f3ria tamb\u00e9m. E se torna a consci\u00eancia expressa para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o \u00e9 este o princ\u00edpio do meu trabalho: procurar falar dessa hist\u00f3ria, da bel\u00edssima cidade do Recife, da imortal cidade do Recife, a partir das pessoas deste lugar, e dos seus personagens. Entre eles est\u00e1 Soledad Barrett, que entregou a pr\u00f3pria vida e juventude\u00a0 aqui na cidade do Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito obrigado.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sempre procuro retomar a mem\u00f3ria pol\u00edtica do Recife quando escrevo. 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