{"id":299587,"date":"2019-10-27T11:06:46","date_gmt":"2019-10-27T14:06:46","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=299587"},"modified":"2019-10-27T11:06:46","modified_gmt":"2019-10-27T14:06:46","slug":"juazeiro-do-norte-segue-movida-pela-fe-e-pela-prosperidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/juazeiro-do-norte-segue-movida-pela-fe-e-pela-prosperidade\/","title":{"rendered":"Juazeiro do Norte segue movida pela f\u00e9 e pela prosperidade"},"content":{"rendered":"<header class=\"c-article__header\">\n<div class=\"c-article__inner\">\n<div class=\"c-article__group\">\n<h1 class=\"c-article__heading\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"c-article__info\" style=\"text-align: justify;\">Por Ant\u00f4nio Rodrigues<\/div>\n<h2 class=\"c-article__subheading\" style=\"text-align: justify;\"><em>Mestra da cultura pelo Cear\u00e1, empres\u00e1rio ga\u00facho e professor pernambucano partilham percep\u00e7\u00f5es sobre a maior cidade do Cariri cearense que, mesmo ap\u00f3s os 130 anos do suposto &#8220;Milagre da H\u00f3stia&#8221;, continua em plena expans\u00e3o<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"c-article__group\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"c-tools c-tools--editorial c-tools--editorial-article c-tools--editorial-regiao\">\n<div class=\"c-tools__item\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"l-content l-content--sidebar\">\n<div class=\"l-column\">\n<div class=\"c-article__main\">\n<div class=\"c-article__photo-featured\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media media--wide\">\n<div class=\"media__box\">\n<div class=\"media__container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-299589 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-620x349.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-620x349.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-300x169.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-768x432.png 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-160x90.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-480x270.png 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero-640x360.png 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero.png 1440w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"media__caption\">Mestre Margarida chegou a Juazeiro do Norte ainda crian\u00e7a, e logo criou um grupo de reisado<span class=\"media__credit\">Foto: Samuel Macedo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"c-article-tools c-article-tools--aside\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"c-article-tools__actions\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"c-article-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1889 aconteceu um fen\u00f4meno que transformou a vida de milhares de sertanejos nordestinos. Movidos pela f\u00e9, no &#8220;Milagre da H\u00f3stia&#8221;, muitos deixaram seus estados para conhecer os panos manchados de sangue pela beata Maria de Ara\u00fajo, logo ap\u00f3s a comunh\u00e3o celebrada pelo Padre C\u00edcero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse encontro, de diferentes vidas no Sul do Estado, tornou Juazeiro do Norte, considerada a &#8220;Nova Jerusal\u00e9m&#8221;, um verdadeiro caldeir\u00e3o cultural. Com o passar dos anos, al\u00e9m da cren\u00e7a no &#8220;Padim&#8221;, essa terra de 270 mil habitantes tamb\u00e9m est\u00e1 atraindo pela prosperidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mais pr\u00f3xima rela\u00e7\u00e3o do Cariri com outros estados sempre foi Pernambuco. Desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, muitas fam\u00edlias enviavam seus filhos para estudar em Recife. Esta influ\u00eancia fez com que, historicamente, a regi\u00e3o participasse de movimentos importantes, como a Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana, de 1817.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o suposto milagre em Juazeiro do Norte, surgiu o maior fen\u00f4meno de migra\u00e7\u00e3o do interior do Nordeste. As primeiras romarias, em torno da beata, foram duramente combatidas pela Igreja, e o padre C\u00edcero perdeu suas ordens. Sua estrat\u00e9gia foi direcionar a f\u00e9 romeira \u00e0 Nossa Senhora das Dores. Rapidamente, os fi\u00e9is come\u00e7aram a migrar para a &#8220;Terra Santa&#8221;. Como cidade de &#8220;ora\u00e7\u00e3o e trabalho&#8221;, Juazeiro cresceu nas m\u00e3os de ferreiros, artes\u00e3os, agricultores e comerciantes. Ap\u00f3s a morte do santo popular, em 1934, contrariando a cren\u00e7a de intelectuais e da imprensa da \u00e9poca, a cidade cresceu e se tornou o que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a f\u00e9 que moveu, por exemplo, o casal Jos\u00e9 Efig\u00eanio da Silva e Cordulina Maria da Concei\u00e7\u00e3o, deixando Macei\u00f3 (AL), para tentar a sorte em Juazeiro do Norte. Os devotos chegaram a conhecer o sacerdote, mas mudan\u00e7a s\u00f3 aconteceu 10 anos ap\u00f3s a morte de Padre C\u00edcero. &#8220;De mala e cuia&#8221;, eles vieram a p\u00e9 com seis filhos. As roupas, talheres e pequenos objetos foram trazidos no lombo de cavalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3ria de mestra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os filhos estava Maria Margarida da Concei\u00e7\u00e3o, a mestra Margarida, reconhecida como Tesouro Vivo da Cultura Cearense. Com apenas nove anos, ela foi respons\u00e1vel por criar no quintal da sua casa, na Rua Todos os Santos, o Guerreiro Santa Joana D&#8217;arc, grupo de reisado formado, quase que exclusivamente, por mulheres. At\u00e9 hoje, v\u00e1rios grupos do folguedo popular s\u00e3o &#8220;herdeiros&#8221; da cultura alagoana trazida pela brincante. Atualmente, \u00e9 o Estado que leva maior n\u00famero de romeiros a Juazeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 85 anos, mestra Margarida conta que nunca brincou de reisado na sua terra natal, mas ficava observando os grupos em seus barrac\u00f5es. &#8220;Mateu, palha\u00e7o, boi, jaragu\u00e1, zabel\u00ea, era uma por\u00e7\u00e3o de bichos&#8221;, lembra. Foi com a Mestra Cajuru que ela aprendeu a costurar as roupas usadas na brincadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s 15 dias da chegada a Juazeiro, decidiu &#8220;brincar de guerreiro&#8221;, como ela mesma chama, e tornou-se &#8220;mestre&#8221; com apenas nove anos. Conseguiu reunir 22 mulheres. Apenas os m\u00fasicos, o mateu e o palha\u00e7o eram homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela formava um &#8220;cord\u00e3o encarnado&#8221; e outro &#8220;cord\u00e3o azul&#8221;, que eram as fileiras de brincantes, vestidas de saia vermelha, saia azul e blusas brancas. Na \u00e9poca, a terra do Padre C\u00edcero tamb\u00e9m possu\u00eda outros grupos de tradi\u00e7\u00e3o popular vindos de estados vizinhos e formava esta ebuli\u00e7\u00e3o cultural. Desta mistura, ainda hoje, no Dia de Reis, 6 de janeiro, mais de 50 grupos colorem as ruas da cidade. Margarida \u00e9 parte importante desta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Prosperidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acostumado com o frio da serra ga\u00facha, o empres\u00e1rio Valdenor Pereira Bueno, 43, deixou o Sul do Pa\u00eds para se aventurar pelo Cear\u00e1. &#8220;Criado na ro\u00e7a&#8221;, trabalha no ramo de frutas e legumes desde crian\u00e7a. Da pequena cidade de Cacique Doble (RS), com cerca de 5 mil habitantes, teve que se adaptar a Juazeiro do Norte, 54 vezes maior, al\u00e9m do calor. &#8220;Quando desembarquei aqui parecia que estava num vulc\u00e3o. Sofremos muito. Come\u00e7amos a vida do zero&#8221;, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &#8220;col\u00f4nia ga\u00facha&#8221; cresceu no Cariri h\u00e1 alguns anos. Donos de restaurantes, ind\u00fastrias e produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, encontraram na terra do Padre C\u00edcero uma alternativa econ\u00f4mica. Valdenor estima que s\u00e3o mais de 300 conterr\u00e2neos morando na terra do Padre C\u00edcero. &#8220;Nunca passou por minha cabe\u00e7a que viria para c\u00e1. A gente via pela televis\u00e3o como uma regi\u00e3o decadente, com falta de \u00e1gua, fome, mas \u00e9 totalmente diferente quando se coloca os p\u00e9s aqui&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para matar a saudade do Rio Grande do Sul, os ga\u00fachos celebram em Juazeiro do Norte, h\u00e1 quatro anos, a tradicional Semana Farroupilha, que inicialmente reuniu 80 conterr\u00e2neos.<\/p>\n<div class=\"media__container\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<figure class=\"media media--responsive\" style=\"text-align: justify;\"><figcaption class=\"media__caption\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-299588 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/gaucha-cearense.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/gaucha-cearense.png 512w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/gaucha-cearense-300x259.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/gaucha-cearense-160x138.png 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><br \/>\nGa\u00fachos que adotaram o Cariri Cearense mesclam a cultura local com a festa da Semana Farroupilha<span class=\"media__credit\">Foto: Ara\u00fajo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gradualmente, o evento foi crescendo e, na edi\u00e7\u00e3o deste ano, realizada no m\u00eas passado, contou com cerca de 350 pessoas. A mistura entre as culturas dos pampas e a cearense estava na culin\u00e1ria, com o tradicional churrasco acompanhado do bai\u00e3o-de-dois, e tamb\u00e9m na m\u00fasica, colocando o &#8220;gaiteiro&#8221; no palco ao lado do m\u00fasico caririense F\u00e1bio Carneirinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valdenor, que n\u00e3o larga sua cuia de chimarr\u00e3o, \u00e9 sincero: &#8220;Sinto muita diferen\u00e7a no tempero daqui. Por isso n\u00e3o posso dizer que estou totalmente adaptado. Tem umas coisas muito boas, outras n\u00e3o. Aqui, se usa muito coentro, mas n\u00e3o consigo me acostumar. L\u00e1, a gente usa salsinha&#8221;. Por outro lado, ele se apaixonou pela galinha caipira cearense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No seu cotidiano, a cultura ga\u00facha est\u00e1 presente com a m\u00fasica ga\u00facha, o churrasco e as roupas t\u00edpicas que costuma usar em certas ocasi\u00f5es. As c\u00e2maras frias, onde armazena as frutas que distribui pela regi\u00e3o, tamb\u00e9m deixam Valdenor mais &#8220;pr\u00f3ximo&#8221; da temperatura de sua terra natal. Ali\u00e1s, neste ramo, conseguiu ampliar de quatro para 70 distribuidores. Por isso, a estadia no Cariri deve ser mais longa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viv\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Andr\u00e9 Moraes, 37, deixou Recife, em janeiro do ano passado para dar aula de Arquitetura. Financeiramente, a proposta era interessante. Apesar de morar no estado vizinho, o pouco que conhecia do Cariri era sobre o Padre C\u00edcero. &#8220;N\u00e3o tinha nenhuma refer\u00eancia&#8221;, admite. Ao atravessar o Pernambuco e chegar na Chapada do Araripe ficou surpreso. &#8220;Vi o cen\u00e1rio real de rela\u00e7\u00e3o cidade\/natureza. Acho muito forte. Essa Chapada meio que abra\u00e7a todo mundo que chega&#8221;, define.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sozinho em terra desconhecida, Andr\u00e9 se aproximou da cultura popular do bairro Jo\u00e3o Cabral. &#8220;Me encantei. Isso mostrou como estava afastado da cultura popular do Pernambuco, do frevo, maracatu, caboclinho. Sempre vivenciei, mas aqui senti a pot\u00eancia que era&#8221;, narra. A similaridade com sua terra natal est\u00e1 presente em uma das festas mais tradicionais do Cariri: o Pau da Bandeira de Santo Ant\u00f4nio, em Barbalha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mestra da cultura pelo Cear\u00e1, empres\u00e1rio ga\u00facho e professor pernambucano partilham percep\u00e7\u00f5es sobre a maior cidade do Cariri cearense que, mesmo ap\u00f3s os 130 anos do suposto &#8220;Milagre da H\u00f3stia&#8221;, continua em plena expans\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":299589,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-299587","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/cearense-padrecicero.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299587","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299587"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299587\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/299589"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299587"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299587"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299587"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}