{"id":300742,"date":"2019-11-06T11:18:38","date_gmt":"2019-11-06T14:18:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=300742"},"modified":"2019-11-06T11:18:38","modified_gmt":"2019-11-06T14:18:38","slug":"o-que-um-marinheiro-capturado-em-1522-tem-a-contar-sobre-a-primeira-volta-ao-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-que-um-marinheiro-capturado-em-1522-tem-a-contar-sobre-a-primeira-volta-ao-mundo\/","title":{"rendered":"O que um marinheiro capturado em 1522 tem a contar sobre a primeira volta ao mundo"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>Tr\u00eas historiadores redescobrem em Lisboa a declara\u00e7\u00e3o do jovem marinheiro da nau \u2018Victoria\u2019 capturado por portugueses, revelando dados at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/cm3HN70VvWV8NauRw5-D3XiuL5g=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/ZNGFD2DNXLNQIH5P2UKPSHYFKU.jpg\" alt=\"A obra 'Primus circumdedisti me', de Augusto Ferrer-Dalmau. \u00c0 direita, o relato de Mart\u00edn Ayamonte.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">A obra &#8216;Primus circumdedisti me&#8217;, de Augusto Ferrer-Dalmau. \u00c0 direita, o relato de Mart\u00edn Ayamonte.<\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Vicente Olaya \" href=\"https:\/\/elpais.com\/autor\/vicente_olaya\/a\/\">VICENTE OLAYA<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, o relato intitulado A Primeira Viagem ao Redor do Mundo, do italiano Antonio Pigafetta, era a principal fonte de informa\u00e7\u00e3o sobre a fa\u00e7anha protagonizada por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/juan_sebastian_elcano\/a\/\" data-link-track-dtm=\"\">Juan Sebasti\u00e1n Elcano<\/a>\u00a0e outros 17 marinheiros, do total de 247 que partiram de Sevilha em 10 de agosto de 1519. Mas a redescoberta, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/04\/elviajero\/1515072432_714377.html\" data-link-track-dtm=\"\">Lisboa<\/a>, da declara\u00e7\u00e3o do grumete da nau Victoria, comandada por Juan Sebasti\u00e1n Elcano, traz novos e surpreendentes detalhes sobre a aventura. O jovem Mart\u00edn de Ayamonte, que foi capturado e interrogado pelos portugueses quando estava escondido em Timor ap\u00f3s desertar da embarca\u00e7\u00e3o, revela em seu depoimento a for\u00e7a de car\u00e1ter de Elcano, as t\u00e1ticas dos nativos para matar os espanh\u00f3is e a origem exata de alguns dos tripulantes. \u201c\u00c9 um documento indispens\u00e1vel para entender a fa\u00e7anha e \u00e9 incompreens\u00edvel que tenha passado despercebido na historiografia\u201d, afirma ao EL PA\u00cdS Tom\u00e1s Maz\u00f3n, um dos tr\u00eas especialistas que encontraram o documento e o traduziram para o espanhol.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em 5 de fevereiro de 1522, o jovem Mart\u00edn de Ayamonte e o soldado Bartolom\u00e9 de Salda\u00f1a abandonaram \u201csem ser sentidos\u201d a nau Victoria na ilha de Timor, onde estava ancorada. Desertaram porque temiam morrer na tentativa de dar a volta ao mundo. Esconderam-se na selva esperando uma oportunidade de voltar \u00e0s Molucas, onde estava sendo consertada outra das naus da expedi\u00e7\u00e3o, a Trinidad. Ayamonte queria se reunir com um familiar que viajava nesta embarca\u00e7\u00e3o e que ia voltar para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/espana\" data-link-track-dtm=\"\">Espanha<\/a>\u00a0n\u00e3o pelo oeste, como a Victoria, mas sim pelo leste, em dire\u00e7\u00e3o ao M\u00e9xico.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Mas, sempre segundo o relato do grumete, em pouco tempo eles foram descobertos por um navio portugu\u00eas e levados para a fortaleza de Malaca (atual Mal\u00e1sia), onde o marinheiro foi interrogado em 1\u00ba de junho de 1522 e onde um escriv\u00e3o tomou nota de sua declara\u00e7\u00e3o. Este documento, que terminou em Lisboa, foi encontrado pelo historiador Ant\u00f3nio Bai\u00e3o em 1933 e traduzido para o portugu\u00eas moderno. Mas os historiadores espanh\u00f3is desconheciam totalmente sua exist\u00eancia at\u00e9 que Maz\u00f3n, diretor do site rutaelcano.com, localizou-o no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O especialista comunicou sua descoberta aos respons\u00e1veis pelo Arquivo Geral das \u00cdndias, em Sevilha, que o traduziram pela primeira vez para o espanhol, em parceria com o arquivista Braulio V\u00e1zquez Campos e com Crist\u00f3bal Bernal Chac\u00f3n, especialista em paleografia.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/chjXNl8OBIjc4v7gpzLvUsyXwwQ=\/450x600\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/OPXO2OO7FUDUWTZDS2BUPZJT2Q.jpg\" alt=\"Relato de Mart\u00edn Ayamonte, grumete do \u2018Victoria\u2019, para as autoridades portuguesas.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Relato de Mart\u00edn Ayamonte, grumete do \u2018Victoria\u2019, para as autoridades portuguesas.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o de Ayamonte cont\u00e9m \u201cum relato de suma import\u00e2ncia da expedi\u00e7\u00e3o, por vir de um de seus tripulantes e pela quantidade e qualidade das informa\u00e7\u00f5es fornecidas\u201d, explica Maz\u00f3n. \u201cA hist\u00f3ria da expedi\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 ser contada sem esse documento, no qual, por exemplo, soubemos pela primeira vez que Juan Sebasti\u00e1n de Elcano fez prevalecer seu crit\u00e9rio para a escolha do caminho de volta, contrariando a posi\u00e7\u00e3o de seus principais oficiais\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o depoimento de Ayamonte, a tripula\u00e7\u00e3o da Victoria desejava voltar para a Espanha costeando os territ\u00f3rios portugueses do Pac\u00edfico, mas Elcano rejeitou a ideia, alegando que podiam ser capturados e que as mon\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam favor\u00e1veis. Imp\u00f4s seu crit\u00e9rio com determina\u00e7\u00e3o. \u201cContra a opini\u00e3o geral, afastou-se da costa porque entendia perfeitamente o ciclo das mon\u00e7\u00f5es, o que permitiu que desse a volta ao mundo.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O relato do grumete revela, al\u00e9m disso, como na Batalha de Mactan, onde morreu Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es, os ind\u00edgenas colocaram armadilhas com estacas para espetar os espanh\u00f3is. Aponta tamb\u00e9m o lugar de origem de alguns tripulantes, como o capit\u00e3o da nau Santiago, Juan Serrano (conhecido tamb\u00e9m pelo nome portugu\u00eas de Jo\u00e3o Serr\u00e3o), que era da localidade espanhola de Fregenal de la Sierra, na Estremadura, ou Juan de Cartagena, confirmando que era natural de Burgos, na Espanha.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o sabemos o que aconteceu com o grumete\u201d, afirma Maz\u00f3n. S\u00f3 se conhecem as \u00faltimas palavras dele que foram registradas ao responder \u00e0s perguntas do capit\u00e3o portugu\u00eas que o interrogou, Jorge de Albuquerque: \u201cE a nau [Victoria], quando partiu de Timor [sem ele nem Salda\u00f1a], acionava a bomba doze vezes de dia e doze vezes de noite, e o mestre e o piloto, que eram gregos, queriam vir por Malaca [territ\u00f3rio portugu\u00eas], e o capit\u00e3o [Elcano], que era vizca\u00edno [na verdade, era natural de Guetaria, na prov\u00edncia de Guip\u00fascoa, no Pa\u00eds Basco], n\u00e3o quis, e a inten\u00e7\u00e3o deles era ir \u00e0s ilhas Maldivas para corrigir [consertar] sua nau, e dali seguiriam seu caminho para essas partes [Espanha]. E n\u00e3o diz mais nada\u201d.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas historiadores redescobrem em Lisboa a declara\u00e7\u00e3o do jovem marinheiro da nau \u2018Victoria\u2019 capturado por portugueses, revelando dados at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":300743,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-300742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/navio-portugues.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/300743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=300742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=300742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}