{"id":301943,"date":"2019-11-18T08:50:28","date_gmt":"2019-11-18T11:50:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=301943"},"modified":"2019-11-18T08:50:28","modified_gmt":"2019-11-18T11:50:28","slug":"a-pequena-comunidade-na-bosnia-que-fala-o-idioma-quase-perdido-dos-judeus-expulsos-da-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-pequena-comunidade-na-bosnia-que-fala-o-idioma-quase-perdido-dos-judeus-expulsos-da-espanha\/","title":{"rendered":"A pequena comunidade na B\u00f3snia que fala o idioma quase perdido dos judeus expulsos da Espanha"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><strong><span class=\"byline__name\">Susanna Zaraysky<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/B211\/production\/_109558554_p06p3npf.jpg\" alt=\"Parte interna de sinagoga em Sarajevo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Sinagoga em Sarajevo \u00e9 hoje o \u00faltimo reduto em que o ladino pode ser escutado na capital<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Est\u00e1vamos a caminho da sinagoga Ashkenazi, em Sarajevo, capital da B\u00f3snia e Herzeg\u00f3vina. Naquela noite de sexta-feira, haveria um culto de shabat (dia sagrado para os judeus que come\u00e7a na noite de sexta-feira e vai at\u00e9 o anoitecer do s\u00e1bado), para o qual eu e minha amiga Paula Goldman nos desloc\u00e1vamos \u2014 passando sobre as ruas de paralelep\u00edpedos de Ba\u0161\u010dar\u0161ija, a antiga \u00e1rea otomana da cidade, onde h\u00e1 mesquitas, lojas e uma madrassa (escola isl\u00e2mica).<\/p>\n<p>Era o ano de 2000 e a capital ainda expunha as cicatrizes da Guerra Civil Iugoslava. Um tanque da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) passou quando atravessamos o rio Miljacka.<\/p>\n<p>Quando entramos no segundo andar do pr\u00e9dio de pedra cor de salm\u00e3o, com seus quatro domos em forma de cebola, a luz iluminou os vitrais com imagens da Estrela de Davi. Tomamos nossos lugares entre a congrega\u00e7\u00e3o, enquanto o\u00a0<i>chazan\u00a0<\/i>(aquele encaregado na religi\u00e3o de recitar ora\u00e7\u00f5es) David Kamhi ocupava o seu em frente \u00e0 arca que continha a Tor\u00e1 (um pergaminho contendo os Cinco Livros de Mois\u00e9s). Logo, a sinagoga se inundou com as harmonias de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paula e eu nos entreolhamos com estranhamento quando ouvimos &#8220;Adonaj es mi pastor. No mankare de nada&#8221; (&#8220;O Senhor \u00e9 meu pastor, e nada me faltar\u00e1&#8221;, em uma das tradu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis) do Salmo 23 recitado no que pens\u00e1vamos ser espanhol. Ap\u00f3s o culto, perguntei a Blanka Kamhi, esposa do chazan, por que a congrega\u00e7\u00e3o estava orando em espanhol.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o era espanhol&#8221;, ela respondeu. &#8220;Est\u00e1vamos rezando em ladino.&#8221;<\/p>\n<p>Como muitos judeus b\u00f3snios, Kamhi e sua mulher s\u00e3o descendentes dos judeus sefarditas que foram expulsos da Espanha em 1492. Durante a Inquisi\u00e7\u00e3o, judeus que n\u00e3o se converteram voluntariamente ao catolicismo foram expulsos do pa\u00eds, for\u00e7adamente convertidos ou mortos. O sult\u00e3o do Imp\u00e9rio Otomano Bajazeto 2\u00ba convidou ent\u00e3o os judeus sefarditas a se instalarem nos B\u00e1lc\u00e3s, onde eles foram autorizados a manter sua religi\u00e3o e costumes. Muitos escolheram se mudar para o Imp\u00e9rio Otomano, enquanto outros foram para o norte da \u00c1frica, os Pa\u00edses Baixos e as Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Quando os judeus deixaram a Espanha, levaram consigo sua l\u00edngua. Nos \u00faltimos 500 anos, o\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/31777b10-9008-49e0-a9c0-9dd6f6e7c7fb\">idioma<\/a>\u00a0manteve a estrutura do espanhol medieval e soa mais como formas de espanhol latino-americano do que o espanhol europeu.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o pod\u00edamos ter contato com a Espanha e a l\u00edngua espanhola e, portanto, temos uma l\u00edngua especial&#8221;, explica Kamhi.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10031\/production\/_109558556_p06p3ndk.jpg\" alt=\"Sinagoga de Sarajevo vista do lado de fora\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A escritora Susanna Zaraysky conheceu o idioma ladino durante um culto de shabat na sinagoga de Sarajevo<\/figure>\n<p>Hoje, o idioma \u00e9 conhecido por v\u00e1rios nomes diferentes: ladino, judaico-espanhol, judezmo, spanyolit, djidi\u00f3 (na B\u00f3snia e Herzeg\u00f3vina) e haketia (no norte da \u00c1frica). E, de acordo com a Unesco, ele \u00e9 um dos 6 mil idiomas do mundo em risco de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes da Segunda Guerra Mundial, a popula\u00e7\u00e3o judaica de Sarajevo era de cerca de 12 mil pessoas, e a comunidade at\u00e9 publicava seu pr\u00f3prio jornal em ladino.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Holocausto, apenas cerca de 2.500 judeus retornaram a Sarajevo, com muitos deles restringindo o uso do ladino ao lar, para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como ap\u00f3s a Segunda Guerra essa comunidade era muito pequena, os judeus sefarditas tinham que compartilhar a sinagoga \u2014 aquela onde Kamhi liderou os servi\u00e7os at\u00e9 2017 \u2014 com a comunidade judaica dos asquenazes, cujos ancestrais haviam se mudado da Alemanha e Fran\u00e7a para pa\u00edses eslavos ap\u00f3s as Cruzadas.<\/p>\n<p>Como os judeus asquenazes falavam principalmente i\u00eddiche, a comunidade mista usou a l\u00edngua servo-croata para se comunicar, limitando ainda mais o uso do ladino.<\/p>\n<p>Como poliglota e fluente em espanhol, fiquei fascinada pelo uso dessa l\u00edngua de 500 anos. Quando morei em Sarajevo, no in\u00edcio dos anos 2000, onde trabalhei em projetos de desenvolvimento econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra, muitas vezes fui ao centro comunit\u00e1rio na sinagoga na hora do almo\u00e7o para conhecer os poucos falantes restantes de ladino e aprender sobre sua hist\u00f3ria enquanto eles estavam ali, socializando com x\u00edcaras de\u00a0<i>rakia\u00a0<\/i>(conhaque de frutas) e caf\u00e9.<\/p>\n<p>Eu tinha que ouvir atentamente para entender palavras como &#8220;<i>fazer<\/i>&#8221; e &#8220;<i>lavorar<\/i>&#8221; (trabalhar), que pareciam mais portugu\u00eas e italiano do que espanhol moderno.<\/p>\n<p>Antes de serem expulsos da Espanha, os judeus sefarditas j\u00e1 usavam algumas palavras em \u00e1rabe e hebraico, uma vez que liam textos\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/fbcd47f3-d67a-4b69-b15c-d4b6c270adbf\">religiosos<\/a>\u00a0em hebraico e muitos viviam sob dom\u00ednio \u00e1rabe. O ladino tamb\u00e9m foi fortemente influenciado pelas diferentes regi\u00f5es da Espanha onde os judeus moraram.<\/p>\n<p>&#8220;Essa l\u00edngua que falamos \u00e9 uma mistura dos dialetos da Espanha da \u00e9poca, antes da expuls\u00e3o&#8221;, explicou Kamhi.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14E51\/production\/_109558558_p06p3n7j.jpg\" alt=\"Desenho mostra imigrantes desembarcando de navio\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Depois de expulsos da Espanha em 1492, muitos judeus sefarditas foram para os B\u00e1lc\u00e3s<\/figure>\n<p>Depois que os judeus espanh\u00f3is fugiram para os B\u00e1lc\u00e3s, o idioma foi moldado pelas regi\u00f5es pelas quais eles passaram \u2014 incorporando palavras e sons do italiano, turco e outros idiomas aos quais foram expostos. Hoje, o ladino possui um profundo significado de pertencimento e sobreviv\u00eancia cultural para quem ainda o fala.<\/p>\n<p>No document\u00e1rio espanhol\u00a0<i>El \u00daltimo Sefard\u00ed<\/i>\u00a0(Os \u00daltimos Sefarditas), Yusuf Altinash, um judeu sefardita em Istambul, disse: &#8220;N\u00e3o importa onde a pessoa sefardita mora, em Sofia [Bulg\u00e1ria], no Adri\u00e1tico ou em Istambul. Sua casa \u00e9 a l\u00edngua judaico-espanhola&#8221;.<\/p>\n<p>Voltei a Sarajevo em 2012 com o professor Bryan Kirschen para filmar\u00a0<i>Saved by Language<\/i>, um document\u00e1rio sobre os \u00faltimos quatro falantes ladinos de Sarajevo: David Kamhi, Ester (Erna) Kaveson Debevec, Jakob Finci e Moris Albahari. Enquanto convers\u00e1vamos, senti como se estivesse em um jogo de amarelinha lingu\u00edstica, pulando do espanhol do s\u00e9culo 21 para o espanhol do s\u00e9culo 15, passando por casas com palavras emprestadas do turco e de outras l\u00ednguas.<\/p>\n<p>&#8220;O ladino salvou minha vida na Segunda Guerra Mundial&#8221;, disse Albahari, um sobrevivente do Holocausto na B\u00f3snia, enquanto est\u00e1vamos sentamos na sinagoga de Sarajevo.<\/p>\n<p>Em 1941, aos 14 anos, Albahari usou o ladino para se comunicar com um coronel italiano que o ajudou a escapar do trem que levava judeus da B\u00f3snia ao campo de concentra\u00e7\u00e3o de Jasenovac, na Cro\u00e1cia. Uma vez que o ladino, assim como o espanhol, tem muitas semelhan\u00e7as com o idioma italiano, falantes desses idiomas conseguem se entender bem em uma conversa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o foi a \u00fanica vez que o ladino salvou a vida de Albahari na Segunda Guerra. Ele conheceu um piloto hispano-americano em Drvar, na B\u00f3snia e Herzeg\u00f3vina, que pensava que Albahari era inimigo.<\/p>\n<p>&#8220;Perguntei se ele falava espanhol. Ele disse que sim. Falei com ele em ladino. Era a \u00fanica maneira de se comunicar.&#8221;<\/p>\n<p>O ladino tamb\u00e9m ajudou os judeus sefarditas a se comunicarem com oficiais do ex\u00e9rcito italiano quando foram colocados em um campo controlado por italianos em uma ilha na costa da Cro\u00e1cia durante a Segunda Guerra Mundial. Os pais de Kamhi usaram o idioma para falar com oficiais do ex\u00e9rcito italiano no campo.<\/p>\n<p>Para o pr\u00f3prio Kamhi, falar ladino facilitou suas idas \u00e0 escola na ilha.<\/p>\n<p>&#8220;Como as duas l\u00ednguas [ladino e italiano] s\u00e3o semelhantes, logo aprendi italiano&#8221;, lembra.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/19B9\/production\/_109558560_p06p3nmc.jpg\" alt=\"Os quatro falantes restantes de ladino em Sarajevo sentados: David Kamhi, Ester (Erna) Kaveson Debevec, Jakob Finci e Moris Albahari\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Hoje, restam apenas quatro falantes de Ladino em Sarajevo: David Kamhi, Ester (Erna) Kaveson Debevec, Jakob Finci e Moris Albahari<\/figure>\n<p>Apesar de m\u00fasicos sefarditas como Yasmin Levy, Sarah Aroeste e Liliana Benveniste tocarem can\u00e7\u00f5es em ladino ao redor do mundo, os jovens judeus sefarditas n\u00e3o costumam querer aprender o idioma. E quando o governo espanhol anunciou h\u00e1 v\u00e1rios anos que permitiria que descendentes de judeus expulsos durante a Inquisi\u00e7\u00e3o solicitassem a cidadania espanhola, os jovens judeus sefarditas come\u00e7aram a optar por aprender o espanhol moderno em vez da l\u00edngua de seus ancestrais.<\/p>\n<p>Agora, nos anos 70 e 80, os quatro \u00faltimos falantes de ladino de Sarajevo lamentam que o uso do idioma na cidade provavelmente termine com eles, para quem a l\u00edngua representa sua hist\u00f3ria, identidade e intimidade familiar.<\/p>\n<p>&#8220;Comecei a falar nesta l\u00edngua&#8221;, declara Kamhi. &#8220;Era o idioma que eu usava quando queria dizer algo para minha m\u00e3e para que outros n\u00e3o entendessem.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, o \u00fanico lugar em que se pode ouvir ladino em Sarajevo \u00e9 dentro da sinagoga, onde o chazan Igor Ko\u017eemjakin agora lidera a congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sei qual ser\u00e1 o futuro dessa l\u00edngua em Sarajevo ou no mundo sefardita&#8221;, diz Albahari. &#8220;Mas essa l\u00edngua \u00e9 um tesouro. \u00c9 uma mem\u00f3ria. \u00c9 vida. E \u00e9 necess\u00e1rio preserv\u00e1-la.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de expulsos da Espanha em 1492, muitos judeus sefarditas foram para os B\u00e1lc\u00e3s<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":301944,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-301943","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/povo-bosnio.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/301944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}