{"id":302504,"date":"2019-11-23T14:20:16","date_gmt":"2019-11-23T17:20:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=302504"},"modified":"2019-11-23T14:20:16","modified_gmt":"2019-11-23T17:20:16","slug":"encantado-com-a-natureza-e-indignado-com-a-corrupcao-o-que-charles-darwin-achou-do-brasil-do-seculo-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/encantado-com-a-natureza-e-indignado-com-a-corrupcao-o-que-charles-darwin-achou-do-brasil-do-seculo-19\/","title":{"rendered":"Encantado com a natureza e indignado com a corrup\u00e7\u00e3o: o que Charles Darwin achou do Brasil do s\u00e9culo 19"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Andr\u00e9 Bernardo<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/1208D\/production\/_104496837_gettyimages-1065861824.jpg\" alt=\"Charles Darwin\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>&#8216;Darwin ficou encantado com a nossa biodiversidade. A Mata Atl\u00e2ntica foi o bioma mais rico que ele conheceu. Por outro lado, ficou revoltado com a escravid\u00e3o. Sua fam\u00edlia lutava contra o com\u00e9rcio de escravos&#8217;, afirma o bi\u00f3logo N\u00e9lio Bizzo<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">No dia 29 de agosto de 1831, o jovem Charles Robert Darwin, ent\u00e3o com 22 anos, recebeu uma carta que mudaria sua vida. Um de seus professores na Universidade de Cambridge, o bot\u00e2nico John Stevens Henslow, indicara seu nome para participar de uma expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao redor do mundo.<\/p>\n<p>O governo brit\u00e2nico, explicava a carta, faria um levantamento cartogr\u00e1fico da costa da Am\u00e9rica do Sul e pedira a ele que recomendasse algu\u00e9m para atuar como naturalista. Sua miss\u00e3o a bordo seria observar, registrar e coletar tudo o que achasse interessante, incluindo fauna, flora e geologia, nas terras visitadas pelo navio.<\/p>\n<p>Henslow escolheu Darwin por ser quatro anos mais novo que o capit\u00e3o Robert FitzRoy, de 26. &#8220;Darwin n\u00e3o tinha aptid\u00e3o para a medicina, nem interesse pelo sacerd\u00f3cio. Mas, depois de ler a obra do naturalista alem\u00e3o Alexander Von Humboldt, adotou a hist\u00f3ria natural como &#8216;hobby&#8217; e aceitou embarcar na miss\u00e3o&#8221;, explica a f\u00edsica Silvia Moreira Goulart, doutora em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil convencer o pai do rapaz, Robert, a deix\u00e1-lo viajar. Mas, com a ajuda de um tio, Josiah, o patriarca da fam\u00edlia n\u00e3o s\u00f3 reconsiderou sua decis\u00e3o, como aceitou custear as despesas do filho. Consentimento dado, o navio ingl\u00eas H.M.S. Beagle zarpou de Devonport, no distrito de Plymouth, no sul da Inglaterra, em 27 de dezembro de 1831.<\/p>\n<p>&#8220;A viagem do Beagle foi, de longe, o acontecimento mais importante na minha vida&#8221;, escreveu o pai da Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o na autobiografia editada por seu filho, Francis, em 1887. &#8220;As maravilhas dos tr\u00f3picos erguem-se hoje em minha lembran\u00e7a de maneira mais v\u00edvida do que qualquer outra coisa&#8221;.<\/p>\n<p>Prevista para durar pouco mais de tr\u00eas anos, a viagem de circum-navega\u00e7\u00e3o levou quase cinco. Nesse per\u00edodo, a tripula\u00e7\u00e3o do Beagle enfrentou abalo s\u00edsmico no Chile, doen\u00e7a misteriosa na Argentina \u2014 alguns especialistas cogitam a hip\u00f3tese de Doen\u00e7a de Chagas \u2014 e tempestade tropical no Brasil.<\/p>\n<p>Sim, o Brasil estava entre os mais de dez pa\u00edses, como Austr\u00e1lia, Nova Zel\u00e2ndia e \u00c1frica do Sul, visitados pelo navio de pesquisa da Marinha Real Brit\u00e2nica \u2014 o HMS, a prop\u00f3sito, significa His Majesty&#8217;s Ship (&#8220;Navio de Sua Majestade&#8221;) \u2014, ao longo de quatro anos e nove meses.<\/p>\n<p>&#8220;Por um lado, Darwin ficou encantado com a nossa biodiversidade. A Mata Atl\u00e2ntica foi o bioma mais rico que ele conheceu. Por outro, ficou revoltado com a escravid\u00e3o. Sua fam\u00edlia lutava contra o com\u00e9rcio de escravos&#8221;, afirma o bi\u00f3logo N\u00e9lio Bizzo, doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e autor de\u00a0<i>Darwin &#8211; Do Telhado das Am\u00e9ricas \u00e0 Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0(2009).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Tem ingl\u00eas no samba<\/h2>\n<p>O navio chegou a Salvador (BA) em 28 de fevereiro de 1832. Antes de ancorar na Bahia, passou pelos arquip\u00e9lagos de S\u00e3o Pedro e S\u00e3o Paulo, a 1.000 km de Natal (RN), e de Fernando de Noronha, a 345 km de Recife (PE). J\u00e1 no primeiro dia de sua estadia no Brasil, Darwin encantou-se com a exuber\u00e2ncia da floresta tropical. &#8220;Luxuriante&#8221; foi um dos adjetivos que usou para descrever a paisagem local.<\/p>\n<p>&#8220;O dia passou deliciosamente&#8221;, escreveu no di\u00e1rio que levou a bordo. &#8220;Del\u00edcia, no entanto, \u00e9 um termo vago para exprimir os sentimentos de um naturalista que, pela primeira vez, se viu perambulando por uma floresta brasileira.&#8221;<\/p>\n<p>Em terra firme, o jovem cientista gostava de embrenhar-se pelas matas \u00famidas e coletar bichos, plantas e rochas. A cada novo porto onde o Beagle atracava, Darwin enviava suas amostras, desidratadas ou conservadas em \u00e1lcool, aos cuidados de seu tutor, John Henslow, em Londres. Ao todo, catalogou mais de 5,4 mil pe\u00e7as, entre esp\u00e9cies f\u00f3sseis e esp\u00e9cimes preservados.<\/p>\n<p>&#8220;Seus professores em Cambridge recebiam o material e distribu\u00edam-no entre os maiores especialistas da \u00e9poca. Resultado: ao voltar \u00e0 Inglaterra, em 1836, Charles Darwin j\u00e1 era um cientista famoso&#8221;, observa a ge\u00f3loga K\u00e1tia Leite Mansur, doutora em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do projeto tur\u00edstico-cient\u00edfico Caminhos de Darwin, que mapeou a regi\u00e3o por onde o naturalista passou em sua expedi\u00e7\u00e3o pelo interior do Rio de Janeiro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0297\/production\/_109736600_bbc_beagle1.jpg\" alt=\"Gravura do navio ingl\u00eas H.M.S. Beagle\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>O navio ingl\u00eas H.M.S. Beagle zarpou da Inglaterra em dezembro de 1831 e dois meses depois chegou a Salvador<\/figure>\n<p>Na Bahia, a estadia foi relativamente curta: 18 dias. Tempo suficiente para Darwin testemunhar uma tromba d&#8217;\u00e1gua, sofrer um corte no joelho \u2014 que lhe deixou de molho por seis dias \u2014 e brincar de carnaval pelas ruas de Salvador. Bem, brincar n\u00e3o \u00e9 exatamente a palavra.<\/p>\n<p>Hospedado no Hotel do Universo, no antigo Largo do Theatro (atual Pra\u00e7a Castro Alves), Darwin teve, no dia 4 de mar\u00e7o de 1832, uma segunda-feira de Carnaval, a infeliz ideia de passear pela cidade.<\/p>\n<p>Infeliz porque um dos passatempos dos foli\u00f5es era arremessar &#8220;bolas de cera cheias de \u00e1gua&#8221;, apelidadas de &#8220;lim\u00f5es de cheiro&#8221;, nos incautos transeuntes. De quebra, ainda lambuzavam suas roupas com sacos de farinha. &#8220;Dif\u00edcil manter nossa dignidade&#8221;, resmungou, em seu di\u00e1rio.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">O desagrado com a burocracia \u2013 e com os brasileiros<\/h2>\n<p>De Salvador, o capit\u00e3o FitzRoy seguiu para o Rio de Janeiro, onde chegou no dia 4 de abril. Dessa vez, passou mais tempo: 93 dias. &#8220;Em maio de 1832, Darwin escapou da morte ao se recusar a participar de uma ca\u00e7ada no rio Macacu, que des\u00e1gua na Ba\u00eda de Guanabara. Tr\u00eas dos marinheiros que participaram da ca\u00e7ada morreram v\u00edtimas de uma febre fulminante&#8221;, relata o f\u00edsico Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>Na cidade, o naturalista fixou resid\u00eancia em Botafogo, aos p\u00e9s do Corcovado. Apenas dois dias depois de sua chegada, n\u00e3o disfar\u00e7ou seu aborrecimento ao tecer cr\u00edticas \u00e0 burocracia local. Segundo consta em suas anota\u00e7\u00f5es, Darwin levou um dia inteiro at\u00e9 conseguir autoriza\u00e7\u00e3o para excursionar pelo interior fluminense.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca \u00e9 agrad\u00e1vel submeter-se \u00e0 insol\u00eancia de homens de escrit\u00f3rio, mas aos brasileiros, que s\u00e3o t\u00e3o desprez\u00edveis mentalmente quanto s\u00e3o miser\u00e1veis as suas pessoas, \u00e9 quase intoler\u00e1vel&#8221;, reclamou, em 6 de abril de 1832. &#8220;Contudo, a perspectiva de florestas selvagens zeladas por lindas aves, macacos e pregui\u00e7as far\u00e1 um naturalista lamber o p\u00f3 da sola dos p\u00e9s de um brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ao desembarcar em Salvador, a rela\u00e7\u00e3o de Darwin com o Brasil era positiva. Mas, ao chegar ao Rio, pareceu azedar. Darwin reclama muito da burocracia e chega a dizer que \u00e9 intermin\u00e1vel&#8221;, diz o bi\u00f3logo Charbel El-Hani, coordenador do Laborat\u00f3rio de Ensino, Filosofia e Hist\u00f3ria da Biologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n<p>A cavalo, Darwin e uma comitiva de seis homens empreenderam uma viagem de 16 dias, entre 8 e 24 de abril, at\u00e9 Concei\u00e7\u00e3o de Macabu, a 227 km da capital. De maneira geral, a impress\u00e3o deixada pelos donos de pousada n\u00e3o foi das melhores. Alguns demoravam at\u00e9 duas horas para servir a refei\u00e7\u00e3o. &#8220;A comida estar\u00e1 pronta quando estiver&#8221;, respondiam os mais atrevidos. Outros, sequer, tinham garfos, facas ou colheres para oferecer.<\/p>\n<p>Na Fazenda Campos Novos, em Cabo Frio, os viajantes deram pela falta de uma bolsa com alguns de seus pertences. &#8220;Por que n\u00e3o cuidam do que levam?&#8221;, retrucou o hospedeiro, mal-humorado. &#8220;Talvez tenha sido comida pelos cachorros&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Escravid\u00e3o, nunca mais<\/h2>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/50B7\/production\/_109736602_bbc_charlesdarwin1.jpg\" alt=\"Retrato de Charles Darwin quando jovem\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\">Darwin tinha 22 anos quando recebeu uma carta que mudaria sua vida: era um convite para uma viagem \u00e0 Am\u00e9rica do Sul<\/figure>\n<p>Darwin tinha 22 anos quando recebeu uma carta que mudaria sua vida: era um convite para uma viagem \u00e0 Am\u00e9rica do Sul<\/p>\n<p>Em sua travessia pelo norte fluminense, Darwin deparou-se tamb\u00e9m com os horrores da escravid\u00e3o. Dois epis\u00f3dios lhe marcaram profundamente. Um deles aconteceu na Fazenda Itaocaia, em Maric\u00e1, a 60 km do Rio, no dia 8 de abril, quando um grupo de ca\u00e7adores saiu no encal\u00e7o de alguns escravos. A certa altura, os foragidos se viram encurralados em um precip\u00edcio.<\/p>\n<p>Uma escrava, de certa idade, preferiu atirar-se no abismo a ser capturada pelo capit\u00e3o do mato. &#8220;Praticado por uma matrona romana, esse ato seria interpretado como amor \u00e0 liberdade&#8221;, relatou Darwin. &#8220;Mas, vindo de uma negra pobre, disseram que tudo n\u00e3o passou de um gesto bruto&#8221;.<\/p>\n<p>O outro epis\u00f3dio ocorreu na Fazenda Sossego, em Concei\u00e7\u00e3o de Macabu, no dia 18. Um capataz amea\u00e7ou separar 30 fam\u00edlias de escravos e, em seguida, vend\u00ea-los separadamente como forma de puni\u00e7\u00e3o. Darwin ficou t\u00e3o indignado com a cena que a descreveu como &#8220;infame&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Os av\u00f3s de Darwin participaram ativamente dos movimentos abolicionistas do s\u00e9culo 17. Desembarcar em um pa\u00eds onde ainda vigorava o com\u00e9rcio de escravos foi um choque para ele. Darwin chegou a se desentender com o capit\u00e3o do Beagle sobre o assunto e, por muito pouco, n\u00e3o voltou mais cedo para a Inglaterra&#8221;, explica a bi\u00f3loga Maria Isabel Landim, doutora em Biologia pela USP e organizadora de\u00a0<i>Charles Darwin &#8211; Em um Futuro N\u00e3o T\u00e3o Distante<\/i>\u00a0(2009).<\/p>\n<p>N\u00e3o bastassem os maus-tratos aos escravos, Darwin tamb\u00e9m se escandalizou com a corrup\u00e7\u00e3o. No dia 3 de julho, chegou a rotular os brasileiros de &#8220;ignorantes&#8221;, &#8220;covardes&#8221; e &#8220;indolentes&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 onde posso julgar, possuem apenas uma fra\u00e7\u00e3o daquelas qualidades que d\u00e3o dignidade ao homem&#8221;, queixou-se. &#8220;N\u00e3o importa o tamanho das acusa\u00e7\u00f5es que possam existir contra um homem de posses, \u00e9 seguro que, em pouco tempo, ele estar\u00e1 livre. Todos aqui podem ser subornados.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Adeus tamb\u00e9m foi feito pra se dizer<\/h2>\n<p>A primeira parte da passagem de Darwin pelo Brasil chegou ao fim em 5 de julho de 1832. Daqui, a expedi\u00e7\u00e3o seguiu para o Uruguai e, de l\u00e1, para a Argentina. Em setembro de 1835, chegou \u00e0s Ilhas Gal\u00e1pagos, no Oceano Pac\u00edfico, o ponto mais famoso da viagem.<\/p>\n<p>Darwin n\u00e3o teria colocado mais os p\u00e9s no Brasil se, em agosto de 1836, ventos contr\u00e1rios n\u00e3o tivessem obrigado o capit\u00e3o FitzRoy a atracar novamente no pa\u00eds: de 1 a 6 de agosto em Salvador e de 7 a 12 no Recife. Apesar de agn\u00f3stico, Darwin deu &#8220;gra\u00e7as a Deus&#8221; por estar, finalmente, deixando as costas do Brasil. &#8220;Espero nunca mais visitar um pa\u00eds de escravos&#8221;, escreveu no dia 19 de agosto.<\/p>\n<p>O Beagle retornou \u00e0 Inglaterra no dia 2 de outubro de 1836. Vinte e tr\u00eas anos depois, em 24 de novembro de 1859, seu tripulante mais ilustre publicaria\u00a0<i>A Origem das Esp\u00e9cies<\/i>. Mas, ser\u00e1 que a viagem exerceu algum tipo de influ\u00eancia sobre a obra?<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dos especialistas, a passagem de Darwin pelo Brasil foi mais importante para a Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies do que podemos imaginar. O pr\u00f3prio Darwin \u00e9 o primeiro a admitir isso. Logo no primeiro par\u00e1grafo da introdu\u00e7\u00e3o, reconhece a import\u00e2ncia da expedi\u00e7\u00e3o para a elabora\u00e7\u00e3o de uma das mais revolucion\u00e1rias teorias da ci\u00eancia moderna.<\/p>\n<p>&#8220;A natureza brasileira, com sua grandeza e diversidade, teve um impacto muito grande sobre Darwin e sua Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural&#8221;, afirma a bi\u00f3loga Magali Romero S\u00e1, vice-diretora de pesquisa e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Fiocruz, e curadora da exposi\u00e7\u00e3o Darwin &#8211; Origens &amp; Evolu\u00e7\u00e3o, que re\u00fane 295 pe\u00e7as, entre fotos, documentos e f\u00f3sseis. Ildeu de Castro Moreira assina embaixo: &#8220;A passagem de Darwin pelo Brasil foi o passo inicial que o levou, anos depois, a desenvolver A Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural&#8221;.<\/p>\n<p>O di\u00e1rio de bordo e as anota\u00e7\u00f5es de viagem de Darwin, ricos tanto em descri\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas quanto em coment\u00e1rios sociol\u00f3gicos, n\u00e3o se perderam no caminho. Em 1839, viraram livro,\u00a0<i>Viagem de Um Naturalista ao Redor do Mundo<\/i>, e, em 2015, ganharam uma edi\u00e7\u00e3o brasileira,\u00a0<i>O\u00a0<\/i><i>Di\u00e1rio do Beagle<\/i>, um calhama\u00e7o de 528 p\u00e1ginas lan\u00e7ado pela Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR).<\/p>\n<p>J\u00e1 o capit\u00e3o FitzRoy, que comandou o Beagle em duas de suas tr\u00eas viagens, teve um fim tr\u00e1gico. Aos 59 anos, endividado e sofrendo de um transtorno mental, tirou a pr\u00f3pria vida, cortando a garganta com uma navalha.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Bahia, a estadia foi relativamente curta: 18 dias. Tempo suficiente para Darwin testemunhar uma tromba d&#8217;\u00e1gua, sofrer um corte no joelho \u2014 que lhe deixou de molho por seis dias \u2014 e brincar de carnaval pelas ruas de Salvador. Bem, brincar n\u00e3o \u00e9 exatamente a palavra<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":302505,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-302504","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/navio-de-darvin.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=302504"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/302504\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/302505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=302504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=302504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=302504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}