{"id":302794,"date":"2019-11-27T04:52:57","date_gmt":"2019-11-27T07:52:57","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=302794"},"modified":"2019-11-27T04:52:57","modified_gmt":"2019-11-27T07:52:57","slug":"criancas-finlandesas-em-idade-escolar-decidem-como-e-o-que-aprendem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/criancas-finlandesas-em-idade-escolar-decidem-como-e-o-que-aprendem\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as finlandesas em idade escolar decidem como e o que aprendem"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Novo curr\u00edculo deste pa\u00eds muito bem colocado no PISA insiste que os alunos s\u00e3o respons\u00e1veis por seu progresso. Tanta autonomia preocupa um pouco as fam\u00edlias<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/sCgQNr8h3ZUkpz4nxKEFPDq2AZY=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/UK5YHQ7AWDGUGP4XKMSD7CAA24.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as em uma sala de aula de um col\u00e9gio p\u00fablico de Helsinque (Finl\u00e2ndia).\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Crian\u00e7as em uma sala de aula de um col\u00e9gio p\u00fablico de Helsinque (Finl\u00e2ndia).<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">JUSSI HELLSTEN\u00a0(HUNDRED.ORG)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Elisa Sili\u00f3\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/elisa_silio\/a\/\">ELISA SILI\u00d3<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em finland\u00eas, os verbos n\u00e3o se conjugam no futuro, o que d\u00e1 uma ideia de sua atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. Seu lema \u00e9 \u201cEu posso fazer e vou fazer\u201d. Como o finland\u00eas \u00e9 um povo resistente, o pa\u00eds foi primeiramente dominado durante 650 anos pelos suecos e depois 110 pelos russos. Seus habitantes internalizaram que devem ser autossuficientes e as crian\u00e7as em idade escolar o s\u00e3o gra\u00e7as a um modelo com quase nenhuma li\u00e7\u00e3o de casa e avalia\u00e7\u00f5es \u2014invejado por seus brilhantes resultados acad\u00eamicos\u2014 que passam por uma constante transforma\u00e7\u00e3o e que agora lhes d\u00e1 mais poder na sala de aula e responsabilidade em sua progress\u00e3o educacional. Elas decidem o que querem aprender e como. Por que mexer em um modelo de sucesso? \u201cO mundo n\u00e3o para e n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o\u201d, se surpreendem com a pergunta a pedagoga Ilona Taimela e Pia Pakarinen, vice-prefeita de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/helsinki\" data-link-track-dtm=\"\">Helsinque<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel por fornecer meios e professores aos centros educacionais da capital. \u201cAs fam\u00edlias questionam que mudamos algo que n\u00e3o est\u00e1 deteriorado, mas \u00e9 preciso se acomodar \u00e0s necessidades. Helsinque tem melhores resultados do que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/singapur\" data-link-track-dtm=\"\">Cingapura<\/a>, embora 20% dos estudantes venham de outro pa\u00eds\u201d, orgulha-se Pakarinen.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O mundo do qual falam est\u00e1 em constante reconvers\u00e3o e \u00e9 preciso preparar as crian\u00e7as para um futuro incerto, em que haver\u00e1 outras profiss\u00f5es \u2014<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/23\/tecnologia\/1566551575_254488.html\" data-link-track-dtm=\"\">as m\u00e1quinas deslocar\u00e3o o humano<\/a>\u2014, outras tecnologias e problemas hoje inimagin\u00e1veis. Os finlandeses experimentam e n\u00e3o parecem preocupados com o fato de que em 3 de dezembro ser\u00e1 publicado o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/informes_pisa\" data-link-track-dtm=\"\">Relat\u00f3rio PISA<\/a>\u00a0(Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes, que mede o conhecimento em Matem\u00e1tica, Leitura e Ci\u00eancias dos adolescentes de 15 anos) que os levou \u00e0 fama no ano 2000. \u201cIsso n\u00e3o nos importou antes e nem agora\u201d, afirma a vice-prefeita com certo desd\u00e9m.<\/p>\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/finlandia\" data-link-track-dtm=\"\">Finl\u00e2ndia<\/a>\u00a0compartilha nos \u00faltimos anos a lideran\u00e7a no PISA com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estonia\" data-link-track-dtm=\"\">Est\u00f4nia<\/a>\u00a0e os pa\u00edses asi\u00e1ticos (Cingapura, Jap\u00e3o e Taip\u00e9). Estes \u00faltimos obtiveram sucesso \u00e0 custa das longas jornadas de estudo e de li\u00e7\u00f5es de casa \u2014muitos voltam das escola \u00e0s 10 da noite\u2014, a ant\u00edtese do modelo n\u00f3rdico, que defende o tempo livre, e que tamb\u00e9m \u00e9 95% p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Na Espanha, cada vez mais escolas, especialmente as prim\u00e1rias, trabalham como na Finl\u00e2ndia, por projetos, abordando um t\u00f3pico de maneira multidisciplinar, mas agora os n\u00f3rdicos est\u00e3o indo muito mais longe em uma aposta que alguns consideram arriscada pelo protagonismo do aluno. Temem que tanta autonomia diminua sua progress\u00e3o. \u201cEles t\u00eam que ser respons\u00e1veis pelo pr\u00f3prio aprendizado para que sejam autossuficientes como trabalhadores\u201d, enfatiza Taimela.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada de 1970, a Finl\u00e2ndia foi o primeiro pa\u00eds da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico) que exigiu que todos os estudantes cumprissem altos padr\u00f5es que antes eram exigidos apenas dos estudantes de elite. E desde ent\u00e3o n\u00e3o parou de inovar. A cada 10 anos o pa\u00eds n\u00f3rdico aprova um novo curr\u00edculo de escola prim\u00e1ria (de sete a 16 anos, desde 2015 \u00e9 obrigat\u00f3rio um ano de pr\u00e9-escola) e agora est\u00e1 implementando o de 2016, que d\u00e1 mais uma volta \u00e0 sua original abordagem. Em 2021 come\u00e7ar\u00e3o com o da escola secund\u00e1ria (de 16 a 18 anos). Anos atr\u00e1s, muitos professores optaram por trocar os livros por computadores port\u00e1teis,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/17\/actualidad\/1531826084_917865.html\" data-link-track-dtm=\"\">eliminar exames e notas<\/a>\u00a0e trabalhar com projetos, banindo as mat\u00e9rias em voga. Uma pr\u00e1tica que impactou a imprensa internacional por seus brilhantes resultados. Mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o particular. \u00c9 exigida por lei a aplica\u00e7\u00e3o da \u201caprendizagem baseada em fen\u00f4menos\u201d, criando um plano para cada aluno.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>Por que mexer em um modelo de sucesso? \u201cO mundo n\u00e3o para\u201d, responde uma especialista<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/18\/internacional\/1531902520_544390.html\" data-link-track-dtm=\"\">Priorizamos que, diante dos conte\u00fados tradicionais, adquiram habilidades<\/a>: aprender a se comunicar, pensamento cr\u00edtico, trabalhar em equipe e resolver problemas\u201d, diz Taimela, coordenadora da Semana de Educa\u00e7\u00e3o de Helsinque, \u00e0 qual este jornal foi convidado. Embora depois, ciente de que \u00e9 um assunto espinhoso, precisa: \u201c\u00c9 preciso encontrar o equil\u00edbrio. Algumas coisas se aprendem como antes\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Nesse processo, os professores se organizam. \u201cNingu\u00e9m \u00e9 especialista em tudo e cada um tem uma fun\u00e7\u00e3o na equipe. Precisamos de profissionais que aprendam constantemente\u201d, comenta a vice-prefeita. \u201cAs crian\u00e7as \u00e0s vezes v\u00e3o mais r\u00e1pido do que voc\u00ea e estimulamos os mais adiantados a ensinar\u201d, diz o professor Tommi Tittalar, especialista em criar espa\u00e7os de aprendizagem. Aproveita a conversa para esclarecer entre risos: \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade que na Finl\u00e2ndia jogamos fora todas as divis\u00f3rias. Precisamos de lugares grandes para determinados momentos, como pela manh\u00e3, quando planejamos juntos o dia, mas tamb\u00e9m outros mais reduzidos\u201d.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/CdutE6tGwnA14fmmoHIC5EmMuzU=\/450x337\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/J46IO4GUAZYJM4L77UVA5KICFI.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cDe tr\u00eas anos para c\u00e1 s\u00e3o as crian\u00e7as que decidem o que querem aprender nos projetos. No primeiro ano, n\u00f3s as deixamos trabalhar sobre o tema que mais as apaixonasse na vida \u2014algumas escolheram\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/justin_bieber\" data-link-track-dtm=\"\">Justin Bieber<\/a>\u2014, mas foi ca\u00f3tico e pouco pr\u00e1tico. Ent\u00e3o agora elas mesmas entram em um acordo sobre o tema\u201d, conta orgulhosa Tintti Hohti, vice-diretora da Roihuvuori Comprehensive School, um imponente centro educacional de concreto que acolhe 420 alunos, muitos mais do que os previstos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No final do projeto, os alunos compartilham esse conhecimento com outras turmas. \u201cAs crian\u00e7as se interessam mais quando quem lhes conta as coisas \u00e9 um colega\u201d, diz a vice-diretora. \u201cA crian\u00e7a tende a ser pregui\u00e7osa, \u00e9 preciso despertar curiosidade nela.\u201d Ela faz isso com textos, imagens e v\u00eddeos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Hohti percorre a Roihuvuori, cercada por uma id\u00edlica floresta nevada, para mostrar que suas crian\u00e7as aprendem atrav\u00e9s dos fen\u00f4menos a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/desarrollo_sostenible\" data-link-track-dtm=\"\">levar uma vida sustent\u00e1vel<\/a>. Um grupo de alunos de 10 anos concordou experimentar viver sem eletricidade e est\u00e3o metidos nisso. Naquele dia, na aquecida sala de trabalhos manuais, foram divididos em equipes. Alguns constroem uma pir\u00e2mide de lenha, outros fazem lascas com uma faca enorme, enquanto no fundo colocam cogumelos para secar no telhado, enquanto a professora ensina a fazer geleias e conservas para passar o inverno. Cada escola decide como aplica o modelo e esta imp\u00f4s um m\u00ednimo de dois projetos de fen\u00f4menos \u2014com dura\u00e7\u00e3o de seis semanas\u2014 em cada curso. Um m\u00ednimo para os professores mais receosos. Nas mat\u00e9rias mais tradicionais as crian\u00e7as tamb\u00e9m decidem o que e como aprendem.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Valent\u00edn, de 10 anos, filho de equatoriana e finland\u00eas, mostra em seu computador port\u00e1til como, quando come\u00e7ou a unidade sobre a hist\u00f3ria do Egito, expressou por escrito ao professor que queria fazer um trabalho coral, consultando a Internet e editando um v\u00eddeo com as conclus\u00f5es. O professor o guiou em seu aprendizado com perguntas e os pais acompanharam seu progresso semanal, questionando o professor quando o consideravam pertinente. A escola espera que ele autorregule a aprendizagem e se autoavalie. Mas os especialistas n\u00e3o se cansam de observar que n\u00e3o desprezam os meios tradicionais. \u201cQuando come\u00e7amos um projeto, eles n\u00e3o consultam a Internet, mas os livros em papel\u201d, ressalta a vice-diretora da Roihuvuori.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/4mkW8hcA3maKnGp50dzr9wOJKRM=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/HTKSUTWKSTUHU2LAPM2DHYGU7Q.jpg\" alt=\"V\u00e1rias crian\u00e7as em uma sala de aula de um col\u00e9gio p\u00fablico de Helsinque.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">V\u00e1rias crian\u00e7as em uma sala de aula de um col\u00e9gio p\u00fablico de Helsinque.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">JUSSI HELLSTEN\u00a0(HUNDRED.ORG)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Cada pai ou m\u00e3e tem um aplicativo, desenvolvido pela Prefeitura, que o informa sobre quais s\u00e3o as tarefas do filho (normalmente o prazo de entrega de um trabalho, n\u00e3o as li\u00e7\u00f5es di\u00e1rias), quais mat\u00e9rias est\u00e1 cursando naquele trimestre e tamb\u00e9m permite que se comunique com os professores.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O sucesso finland\u00eas reside, de acordo com especialistas em educa\u00e7\u00e3o, em que os professores est\u00e3o convencidos de que todo aluno pode atingir altos padr\u00f5es e transmitem isso. E acreditam que este em algum momento ter\u00e1 necessidades especiais. \u201cUma das coisas de que mais nos orgulhamos \u00e9 que as diferen\u00e7as sociais se igualam. E isso \u00e9 poss\u00edvel com uma discrimina\u00e7\u00e3o positiva, investindo mais dinheiro em centros educacionais desfavorecidos\u201d, explica Liisa Pohjolainen, diretora-executiva de Educa\u00e7\u00e3o de Helsinque.<\/p>\n<blockquote class=\"quote quote_block | font_secondary border border_1 border_solid border_gray_dark border-box pull_right\">\n<div>\u201cAs crian\u00e7as se interessam mais quando quem lhes conta as coisas \u00e9 um colega\u201d<\/div>\n<\/blockquote>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A partir das oito da manh\u00e3 costuma haver atividades extracurriculares, mas as aulas come\u00e7am \u00e0s dez e terminam \u00e0 uma da tarde. A jornada curta coloca \u00e0 prova a autonomia dos pequenos desde que retiram os cal\u00e7ados na porta. As crian\u00e7as, em turnos e vestidas com um avental, recolhem o almo\u00e7o (todo mundo come l\u00e1 e de gra\u00e7a) e limpam a mesa. Existem atribui\u00e7\u00f5es para todas elas. Na Suomenlinna\u2019s Elementary School, localizada na ilha hom\u00f4nima, crian\u00e7as de oito anos deixam a li\u00e7\u00e3o para se aproximar do embarcadouro da balsa e atuar como ciclones dos visitantes (entre eles este jornal) para aprender a socializar.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O pilar b\u00e1sico desse \u201caprendizado pelos fen\u00f4menos\u201d s\u00e3o os professores, que gozam de grande reputa\u00e7\u00e3o e historicamente da confian\u00e7a dos pais. Embora as fam\u00edlias estejam temerosas em rela\u00e7\u00e3o ao resultado do curr\u00edculo que estreia com seus filhos. Mas este n\u00e3o \u00e9 um salto no vazio. Durante a implementa\u00e7\u00e3o, os professores recebem muita forma\u00e7\u00e3o, em todas as escolas existem v\u00e1rios tutores tecnol\u00f3gicos e o apoio da universidade, que avalia todo o processo.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Para cada vaga no curso de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pedagogia\" data-link-track-dtm=\"\">Pedagogia<\/a>\u00a0se apresentam nove candidatos. O hist\u00f3rico escolar \u00e9 avaliado e h\u00e1 um exigente exame de ingresso, mas a parte mais dif\u00edcil \u00e9 uma entrevista e uma aula pr\u00e1tica, porque \u00e9 vital ter excelentes habilidades para a doc\u00eancia, n\u00e3o apenas demonstrar sabedoria.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/NoWSb2d0zLqeX24WxzdmzNZ6Qzo=\/450x337\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/2OF7V7I7NQ4HQG7P2PEBSQC6AY.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que esse conhecimento tampouco escasseia. Como no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/japon\" data-link-track-dtm=\"\">Jap\u00e3o<\/a>, um professor finland\u00eas m\u00e9dio possui maiores conhecimentos de matem\u00e1tica do que a m\u00e9dia dos universit\u00e1rios, o contr\u00e1rio das vizinhas Su\u00e9cia e Dinamarca, de acordo com o relat\u00f3rio PIAAC (sigla em ingl\u00eas para avalia\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias de adultos) da OCDE. Com tudo isso, sua autonomia did\u00e1tica \u00e9 plena, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o sejam supervisionados por outros colegas. A sala de aula n\u00e3o \u00e9 considerada como algo particular.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Os professores reconhecem que o desafio \u00e9 como examinar esse aprendizado por meio de projetos. \u201cTemos avalia\u00e7\u00f5es com diferen\u00e7as entre as crian\u00e7as, \u00e9 claro. N\u00e3o s\u00e3o para dar uma nota, mas para verificar que n\u00e3o h\u00e1 problemas de compreens\u00e3o e, se houver, tomar medidas\u201d, conta a diretora de Educa\u00e7\u00e3o. \u201cS\u00e3o avaliadas a progress\u00e3o, a motiva\u00e7\u00e3o e, no final do curso, podem ter uma nota com o resultado do aprendizado\u201d, continua. A partir da nona s\u00e9rie (15 anos), \u00e9 obrigat\u00f3rio dar notas e, contra o mito da falta de press\u00e3o e competi\u00e7\u00e3o, no final da escola secund\u00e1ria s\u00e3o submetidos a um duro exame final. Entrar na Universidade (gratuita) tamb\u00e9m \u00e9 uma corrida de fundo e muitos se esfor\u00e7am mais de uma vez.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Arremata o projeto o fato de que toda a cidade \u00e9 considerada como lugar de aprendizagem. Durante o hor\u00e1rio escolar, o transporte p\u00fablico \u00e9 gratuito para as crian\u00e7as e elas tomam as ruas. Na Prefeitura de Helsinque surpreende ter de contornar dezenas de casacos de crian\u00e7as de cinco anos que visitam o edif\u00edcio. O prefeito, Jan Vapaavouri, agradece as visitas. \u201cA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o passaporte para o futuro\u201d, disse na c\u00fapula do HundrED.org, onde foram apresentadas 100 inova\u00e7\u00f5es educacionais.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a cidade toma decis\u00f5es que afetam as crian\u00e7as, ela ouve o que n\u00f3s temos a dizer. Conhecemos os pol\u00edticos, escrevemos declara\u00e7\u00f5es&#8230; Podemos contribuir e fazer com que se torne realidade\u201d, conta Milja, de 15 anos. Helsinque tem um conselho consultivo de jovens e os menores com mais de 12 anos podem votar aonde ir\u00e1 parte do or\u00e7amento destinado a eles. Porque na Finl\u00e2ndia as crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o o futuro, elas t\u00eam o presente em suas m\u00e3os.<\/p>\n<div class=\"inset | background_gray_ultra_light margin_bottom_lg \">\n<h4 class=\"title | color_gray_ultra_dark font_secondary uppercase\" style=\"text-align: justify;\">AT\u00c9 O DOUTORADO \u00c9 GRATUITO, MAS COM AUSTERIDADE LUTERANA<\/h4>\n<figure class=\"inset_image | margin_bottom_lg\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/DA4SIBLJ65UA4LY5QB6NUCU4YE.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"margin_bottom_sm\" style=\"text-align: justify;\">Em 2016, segundo dados do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/banco_mundial\" data-link-track-dtm=\"\">Banco Mundial<\/a>, a Finl\u00e2ndia investiu 6,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em Educa\u00e7\u00e3o \u2014inclu\u00eddo o que \u00e9 destinado \u00e0 Universidade\u2014, tr\u00eas d\u00e9cimos a menos que quatro anos antes, como consequ\u00eancia da crise econ\u00f4mica. Em um pa\u00eds criado no luteranismo, a opul\u00eancia n\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel. Os meios materiais n\u00e3o impressionam, mas n\u00e3o falta nada: em um instante o gin\u00e1sio com sof\u00e1s se transforma em uma sala de reuni\u00f5es ou o sagu\u00e3o se torna a sala de refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias; as crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam o \u00faltimo\u00a0<i>tablet<\/i>\u00a0no mercado, mas um computador port\u00e1til pr\u00e1tico e muito usado; ou jogam pingue-pongue sozinhos porque n\u00e3o cabem no espa\u00e7o em que colegas praticam futsal.<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\" style=\"text-align: justify;\">\u201cPol\u00edticos de outros pa\u00edses me perguntam o que podem fazer para melhorar a educa\u00e7\u00e3o e eu sempre respondo: aumentem os impostos, \u00e9 a \u00fanica maneira. Aqui, pagar \u00e9 uma tradi\u00e7\u00e3o e as pessoas est\u00e3o acostumadas\u201d, diz a vice-prefeita de Helsinque.<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\" style=\"text-align: justify;\">A Finl\u00e2ndia n\u00e3o apenas investe muito, mas o faz bem. Os dados do PISA mostram que a partir do momento em que um pa\u00eds destina mais de 50.000 d\u00f3lares (cerca de 210.000 reais) para a educa\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a entre 6 e 15 anos n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica entre o gasto e a melhoria dos resultados. N\u00e3o \u00e9 tanto quanto, mas como se investe. Luxemburgo, que destina a cada aluno quatro vezes mais dinheiro que a Hungria, sem grandes resultados, sabe bem disso.<\/p>\n<p class=\"margin_bottom_sm\" style=\"text-align: justify;\">\u201cOs professores pediam toda a tecnologia que era lan\u00e7ada e n\u00f3s colocamos um freio nisso, agora eles precisam argumentar por que precisam dessas ferramentas\u201d, explica Liisa Pohjolainen, diretora da Divis\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da Prefeitura de Helsinque. E para onde mais vai o dinheiro? A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita desde a pr\u00e9-escola e flex\u00edvel at\u00e9 o doutorado, as crian\u00e7as da escola prim\u00e1ria n\u00e3o pagam os materiais e almo\u00e7am gratuitamente, e a partir de 2021 os alunos da escola secund\u00e1ria tamb\u00e9m n\u00e3o pagar\u00e3o nada porque esse ciclo ser\u00e1 obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPol\u00edticos de outros pa\u00edses me perguntam o que podem fazer para melhorar a educa\u00e7\u00e3o e eu sempre respondo: aumentem os impostos, \u00e9 a \u00fanica maneira. 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