{"id":303115,"date":"2019-11-29T10:38:37","date_gmt":"2019-11-29T13:38:37","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=303115"},"modified":"2019-11-29T10:38:37","modified_gmt":"2019-11-29T13:38:37","slug":"a-peste-bubonica-pode-voltar-a-ameacar-o-mundo-e-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-peste-bubonica-pode-voltar-a-ameacar-o-mundo-e-o-brasil\/","title":{"rendered":"A peste bub\u00f4nica pode voltar a amea\u00e7ar o mundo (e o Brasil)?"},"content":{"rendered":"<header class=\"article-header\">\n<h1 class=\"article-title\"><\/h1>\n<h2 class=\"article-subtitle\"><em>Ap\u00f3s tr\u00eas casos da doen\u00e7a na \u00c1sia, falamos com experts para saber se a bact\u00e9ria por tr\u00e1s de uma das mais mortais epidemias da hist\u00f3ria gera preocupa\u00e7\u00e3o<\/em><\/h2>\n<div class=\"article-author\">\n<div class=\"article-author-name\">Por\u00a0<strong>Chlo\u00e9 Pinheiro<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<section class=\"share\"><\/section>\n<section class=\"article-content\">\n<div class=\"featured-image\">\n<div class=\"image\"><img decoding=\"async\" class=\"abril-image optimized lazyloaded\" src=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg\" sizes=\"(min-width: 991px) 680px, (max-width: 420px) 420px, (max-width: 360px) 360px, \" srcset=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" alt=\"peste negra sintomas\" data-src=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/abrilsaude.files.wordpress.com\/2019\/11\/peste-bubonica.jpg?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" data-pin-nopin=\"true\" \/><\/div>\n<p class=\"caption\">No passado, a peste bub\u00f4nica causou milh\u00f5es de mortes e era tratada por pessoas que usavam roupas fantasmag\u00f3ricas.\u00a0(Wikimedia Commons\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/div>\n<p>Faz pouco tempo, o notici\u00e1rio internacional registrou tr\u00eas casos de\u00a0<strong>peste bub\u00f4nica ou pneum\u00f4nica<\/strong>\u00a0na China. Transmitida por uma bact\u00e9ria que vive em roedores selvagens e suas pulgas, a doen\u00e7a matou cerca de 50 milh\u00f5es de pessoas no s\u00e9culo 14, quando era chamada de Peste Negra (um termo que caiu em desuso atualmente).<\/p>\n<p>\u201cOs tr\u00eas casos rec\u00e9m-diagnosticados ocorreram ap\u00f3s a ca\u00e7a de um coelho silvestre no interior da Mong\u00f3lia\u201d, comenta Eduardo Medeiros, infectologista e presidente da\u00a0<a href=\"http:\/\/infectologiapaulista.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sociedade Paulista de Infectologia<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de transmiss\u00f5es isoladas em \u00e1reas rurais, essa infec\u00e7\u00e3o causada pela bact\u00e9ria\u00a0<em>Yersinia pestis<\/em>\u00a0\u00e9\u00a0<strong>end\u00eamica em pa\u00edses com saneamento b\u00e1sico prec\u00e1rio<\/strong>. Entre eles, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) destaca Peru, Congo e Madagascar, ilha africana que registrou a epidemia mais recente de peste bub\u00f4nica. Em 2017, 2 417 pessoas contra\u00edram a doen\u00e7a por l\u00e1, e 209 morreram.<\/p>\n<p>Felizmente, hoje h\u00e1 um tratamento eficaz e simples, o que reduziu demais as taxas de mortalidade. E os surtos s\u00e3o raros, geralmente associados ao contato com roedores silvestres.<\/p>\n<h3>A peste pode voltar a virar uma pandemia?<\/h3>\n<p>A OMS chegou a classific\u00e1-la como uma infec\u00e7\u00e3o re-emergente em 2018, depois de registrar 3 248 casos no mundo entre 2010 e 2015, com 584 \u00f3bitos. A entidade alertava, contudo, que o n\u00famero poderia ser maior, pois h\u00e1 uma tend\u00eancia de subnotifica\u00e7\u00e3o \u2014 e animais que carregam a\u00a0<em>Yersinia pestis<\/em>\u00a0existem em todos os continentes, com exce\u00e7\u00e3o da Oceania.<\/p>\n<p>No Brasil, o \u00faltimo registro em seres humanos \u00e9 de 2005. Por\u00e9m, como a infec\u00e7\u00e3o persiste nos roedores silvestres, a peste deve ser considerada um \u201cperigo em potencial\u201d, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Aqui existem dois focos naturais da bact\u00e9ria: a regi\u00e3o Nordeste e o munic\u00edpio de Teres\u00f3polis, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Mesmo os Estados Unidos lidam com casos eventuais. Em 2015, foram 11, com tr\u00eas mortes.<\/p>\n<p>Em resumo, o cen\u00e1rio chama a aten\u00e7\u00e3o das autoridades, mas n\u00e3o \u00e9 o caso de gerar p\u00e2nico. \u201cHoje, al\u00e9m da quest\u00e3o do tratamento, o diagn\u00f3stico \u00e9 r\u00e1pido, o que diminui muito a mortalidade da doen\u00e7a\u201d, aponta Paulo Olzon, infectologista pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Universidade Federal de S\u00e3o Paulo<\/a>. \u201cQuando ela fez estragos no passado, n\u00e3o t\u00ednhamos nada disso\u201d, completa.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 a peste e quais seus sintomas e tratamentos?<\/h3>\n<p>A bact\u00e9ria\u00a0<em>Yersinia pestis<\/em>\u00a0pode provocar diferentes consequ\u00eancias. A manifesta\u00e7\u00e3o mais comum \u00e9 a\u00a0<strong>peste bub\u00f4nica<\/strong>, chamada assim por causa do bub\u00e3o, um aglomerado de n\u00f3dulos inflamados que se forma geralmente na virilha depois que a pulga abandona o roedor e pica o ser humano.<\/p>\n<p>Agora, alguns sintomas pipocam antes dessas erup\u00e7\u00f5es. S\u00e3o eles: febre alta, dores de cabe\u00e7a e corporais intensas, falta de apetite, n\u00e1usea e v\u00f4mitos.<\/p>\n<p>Menos comum e mais perigosa, a\u00a0<strong>peste pneum\u00f4nica<\/strong>\u00a0ocorre em pacientes que j\u00e1 sofreram com a bub\u00f4nica. Ou pode ser transmitida de pessoa para pessoa, por secre\u00e7\u00f5es e got\u00edculas no ar. \u201cA\u00ed, desencadeia uma pneumonia grave, que evolui r\u00e1pido\u201d, diferencia Medeiros. Entre os sinais, surgem dor no t\u00f3rax, dificuldade para respirar e tosse com sangue.<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o mais grave, a peste septic\u00eamica, h\u00e1 necrose nas m\u00e3os e nos p\u00e9s. O risco de morte \u00e9 grande.<\/p>\n<p>Supondo que algu\u00e9m apare\u00e7a no hospital com sintomas da peste, o primeiro passo \u00e9 isol\u00e1-la completamente. A enfermidade \u2014 seja pela respira\u00e7\u00e3o, pelo sangue ou pela secre\u00e7\u00e3o que sai do bub\u00e3o \u2014 \u00e9 bastante contagiosa.<\/p>\n<p>\u201cO paciente com suspeita fica numa unidade separada, e os profissionais que lidar\u00e3o com ele devem usar roupa especial, \u00f3culos de prote\u00e7\u00e3o e m\u00e1scaras especiais que filtram pequenas part\u00edculas\u201d, ensina Medeiros.<\/p>\n<p>O tratamento \u00e9 feito com antibi\u00f3ticos, que s\u00e3o mais eficazes se aplicados at\u00e9 15 horas depois de surgirem os sintomas.<\/p>\n<h3>A pr\u00f3xima pandemia<\/h3>\n<p>Para os especialistas, h\u00e1 outras amea\u00e7as mais palp\u00e1veis do que a peste. \u201cComo\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/o-que-e-sarampo-saiba-mais-sobre-a-doenca-por-tras-de-surtos-no-brasil\/\">o pr\u00f3prio sarampo, por exemplo, que retornou depois de ter sido erradicado do pa\u00eds e tamb\u00e9m mata<\/a>\u201d, destaca Medeiros.<\/p>\n<p>Outro v\u00edrus que deve ser vigiado constantemente \u00e9 o\u00a0<em>influenza<\/em>, respons\u00e1vel pela\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/gripe\">gripe<\/a>. Ele sofre muta\u00e7\u00f5es importantes com frequ\u00eancia e, a cada uma, tem potencial para criar uma nova epidemia at\u00e9 que o sistema imune aprenda a se defender. Esse \u00e9 um dos motivos pelos quais\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/cientistas-explicam\/virus-da-gripe-por-que-todo-ano-temos-uma-luta-e-uma-vacina-diferente\/\">a composi\u00e7\u00e3o das vacinas contra essa encrenca muda anualmente<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m destacaria as infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias que s\u00e3o transmitidas por aves e causadas por agentes que ainda n\u00e3o conhecemos\u201d, comenta Olzon. A OMS inclusive conta com uma categoria chamada \u201cdoen\u00e7a X\u201d em seu radar. Ela serve para alertar profissionais de sa\u00fade sobre a possibilidade de um micr\u00f3bio in\u00e9dito fazer estrago.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, Medeiros cita as bact\u00e9rias e fungos multirresistentes. \u201cEssas s\u00e3o um problema ser\u00edssimo e que tem aumentado\u201d, alerta o m\u00e9dico. Este ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/bacterias-multirresistentes-sao-identificadas-fora-do-ambiente-hospitalar\/\">pesquisadores brasileiros identificaram uma delas fora do ambiente hospitalar<\/a>, onde costumam residir.<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s tr\u00eas casos da doen\u00e7a na \u00c1sia, falamos com experts para saber se a bact\u00e9ria por tr\u00e1s de uma das mais mortais epidemias da hist\u00f3ria gera preocupa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":303116,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-303115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/peste-bubonica-1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303115\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/303116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}