{"id":303311,"date":"2019-12-01T09:27:18","date_gmt":"2019-12-01T12:27:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=303311"},"modified":"2019-12-01T09:27:18","modified_gmt":"2019-12-01T12:27:18","slug":"os-duros-ultimos-dias-de-oscar-wilde-em-romance-grafico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-duros-ultimos-dias-de-oscar-wilde-em-romance-grafico\/","title":{"rendered":"Os duros \u00faltimos dias de Oscar Wilde, em romance gr\u00e1fico"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>O ilustrador Javier de Isusi recria o doloroso fim da vida do escritor irland\u00eas, que morreu h\u00e1 exatos 119 anos<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Eduardo Bravo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/eduardo_bravo_jaime\/a\/\">EDUARDO BRAVO<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<figure class=\"lead_art |   pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/6uF8MWtLYqqWkbwX4VFx7KuW2OQ=\/450x337\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/7WWCYGVOEB2XDPPFPS7KOXGDPA.jpg\" alt=\"Um desenho de 'La Divina Comedia de Oscar Wilde'.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Um desenho de &#8216;La Divina Comedia de Oscar Wilde&#8217;.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em 2017, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwi7ieDPnZLmAhWbD7kGHYEPCLQQFjAAegQIAhAB&amp;url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Ftag%2Freino_unido&amp;usg=AOvVaw1ueYHjKbPc6NBR0kPoFQkF\" data-link-track-dtm=\"\">Governo brit\u00e2nico<\/a>\u00a0concedeu o indulto p\u00f3stumo a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwjVx_aNnZLmAhWAELkGHWSAAMIQFjAAegQIAhAB&amp;url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Ftag%2Foscar_wilde&amp;usg=AOvVaw3zV5lOZdyxL_55WbfUQvmn\" data-link-track-dtm=\"\">Oscar Wilde<\/a>. Em 1895, o escritor irland\u00eas havia sido condenado a dois anos de trabalhos for\u00e7ados por sodomia e corrup\u00e7\u00e3o da juventude \u2013 acusa\u00e7\u00e3o esta \u00faltima que o equiparava ao seu admirado S\u00f3crates. \u201cWilde sempre disse que era um grego nascido em outra \u00e9poca. Al\u00e9m disso, como aconteceu com o fil\u00f3sofo, quando foram det\u00ea-lo ele se negou a fugir. Seu amigo Robert Ross havia preparado um barco para que fosse \u00e0 Fran\u00e7a, mas ele n\u00e3o aceitou. Algu\u00e9m como Wilde, com um conceito da vida t\u00e3o teatral, assumiu que seu personagem tinha que viver esse castigo, embora nunca imaginasse at\u00e9 que ponto seria dif\u00edcil\u201d, relata Javier de Isusi, ilustrador espanhol que acaba de publicar\u00a0<em>La Divina Comedia de Oscar Wilde\u00a0<\/em>(A divina com\u00e9dia de Oscar Wilde), um trabalho de mais de 300 p\u00e1ginas ao qual dedicou cinco anos, entre tarefas de pesquisa, roteiro e desenho. Neste s\u00e1bado, 30 de novembro, a morte do g\u00eanio irland\u00eas completa 119 anos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A origem da publica\u00e7\u00e3o remonta \u00e0 inf\u00e2ncia do desenhista, quando sofrendo de caxumba, ele recebeu de presente um livro de contos de Wilde. A partir de ent\u00e3o, o autor de\u00a0<em>O Fantasma de Canterville\u00a0<\/em>se tornou um de seus autores favoritos. Por mais que lesse, por\u00e9m, o Isusi adulto era incapaz de reconhecer nas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=2ahUKEwjUxISFnpLmAhX5HbkGHYwpCq0QFjAAegQIBBAB&amp;url=https%3A%2F%2Fbrasil.elpais.com%2Ftag%2Fteatro&amp;usg=AOvVaw2xiEejc2QOrnqo5PdhnfRu\" data-link-track-dtm=\"\">obras de teatro<\/a>, nos ensaios e no seu \u00fanico romance aquele escritor que o havia ajudado a suportar melhor a doen\u00e7a. \u201cTive que esperar at\u00e9 ler\u00a0<em>De Profundis<\/em>\u00a0para entender muitas das coisas de Wilde que sempre me intrigaram. S\u00f3 ent\u00e3o pude fazer a correspond\u00eancia entre o autor dos contos e o das obras de teatro e de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/O_Retrato_de_Dorian_Gray\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><em>O Retrato de Dorian Gray<\/em><\/a>. No final compreendi que, como qualquer pessoa, em Wilde cabem facetas muito diversas. Do escritor moralista de\u00a0<em>O Pr\u00edncipe Feliz<\/em>\u00a0e de\u00a0<em>O Gigante Ego\u00edsta<\/em> at\u00e9 o personagem hedonista ou, se preferirmos o termo com o qual o qualificaram em seu tempo, imoral.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de toda essa riqueza e variedade de matizes, a obra de Wilde \u00e9 surpreendentemente breve e foi escrita em apenas oito anos. Um\u00a0<em>corpus<\/em>\u00a0liter\u00e1rio que, em algumas ocasi\u00f5es, foi eclipsado pela intensa e escandalosa vida do autor, sobretudo a relativa a esses \u00faltimos anos recriados em\u00a0<em>A divina com\u00e9dia de Oscar Wilde<\/em>\u00a0e nos quais a pris\u00e3o, a ru\u00edna econ\u00f4mica, a censura social e o alcoolismo transformaram o escritor numa sombra do que havia sido.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando foi libertado e chegou a Paris, Oscar Wilde expressou sua vontade de come\u00e7ar uma nova vida. Esse desejo foi justamente a origem do meu trabalho. Ele sempre dissera que sua vida tinha sido como\u00a0<em>A Divina Com\u00e9dia<\/em>, que havia passado pelo inferno que era a pris\u00e3o e que, nesse momento, estava no purgat\u00f3rio. Por isso, eu me perguntei se durante sua estada em Paris ele vivenciou realmente essa mudan\u00e7a pessoal que lhe permitisse ter um pouco de para\u00edso.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tudo indica que essa transforma\u00e7\u00e3o nunca ocorreu, mas Isusi aproveita sua privilegiada posi\u00e7\u00e3o de autor para levar Wilde at\u00e9 o lugar desejado, mesmo que apenas no plano simb\u00f3lico. Desse modo, numa das cenas mais emotivas do livro, o ilustrador situa o escritor e seu amigo Robert Ross numa carruagem que percorre justamente os Campos El\u00edseos \u2013 nome que os gregos deram ao c\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa cena \u00e9 real. Wilde e Ross realizaram esse trajeto parando em todos os caf\u00e9s que encontravam no caminho para beber absinto. Inventei somente a conversa, embora muitas frases que incluo tenham sido do pr\u00f3prio Wilde. No fundo o livro inteiro \u00e9 assim, uma mistura de realidade e fic\u00e7\u00e3o. Ou melhor, de realidade e mentira, porque acredito que ele teria preferido esse termo, j\u00e1 que o defendeu em seu ensaio \u2018A Decad\u00eancia da Mentira\u2019.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Esse jogo entre a verdade, a mentira, a fic\u00e7\u00e3o e os fatos documentados proposto por Isusi se articula atrav\u00e9s de brilhantes\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/comic\" data-link-track-dtm=\"\">solu\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas<\/a>\u00a0e narrativas. Por exemplo: alucina\u00e7\u00f5es, passagens on\u00edricas, o di\u00e1logo com o espectro de um juven\u00edssimo e insolente Rimbaud e at\u00e9 as entrevistas com diferentes personagens que, como Andr\u00e9 Gide, Reginald Turner e Lorde Alfred Douglas, conheceram o escritor e d\u00e3o testemunho sobre isso. \u201cS\u00e3o entrevistas feitas na \u00e9poca atual, mas nas quais os entrevistados aparecem com o aspecto f\u00edsico que tinham no momento em que conheceram Wilde. Pensei se devia faz\u00ea-lo assim ou n\u00e3o, mas percebi que o romance gr\u00e1fico permite coisas desse tipo, que eram muito frequentes nos primeiros autores dos quadrinhos, como Winsor McCay e seu Little Nemo e que abandonamos pouco a pouco. S\u00e3o recursos que, embora possam n\u00e3o ter sentido se analisados de uma perspectiva racional, funcionam muito bem do ponto de vista narrativa.\u201d<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de toda essa riqueza e variedade de matizes, a obra de Wilde \u00e9 surpreendentemente breve e foi escrita em apenas oito anos. 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