{"id":303317,"date":"2019-12-01T09:40:55","date_gmt":"2019-12-01T12:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=303317"},"modified":"2019-12-01T09:41:58","modified_gmt":"2019-12-01T12:41:58","slug":"desemprego-derruba-qualidade-de-vida-da-classe-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/desemprego-derruba-qualidade-de-vida-da-classe-media\/","title":{"rendered":"Desemprego derruba qualidade de vida da classe m\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"titulo-materia\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"mg_sutia\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Parcela da popula\u00e7\u00e3o empobreceu vertiginosamente nos \u00faltimos anos em Pernambuco<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"noticia_dataautor\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"data-materia\">\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"bordaimg imgnoticia\" title=\"Jana\u00edna e as duas filhas precisaram mudar de endere\u00e7o para ajustar o aluguel ao novo or\u00e7amento. A uni\u00e3o da fam\u00edlia ajuda a enfrentar as dificuldades financeiras \/ Foto: Brenda Alc\u00e2ntara\/JC Imagem\" src=\"https:\/\/jconlineimagem.ne10.uol.com.br\/imagem\/noticia\/2019\/12\/01\/normal\/628f199352e6947b150660dbaa2f2854.jpg\" alt=\"Jana\u00edna e as duas filhas precisaram mudar de endere\u00e7o para ajustar o aluguel ao novo or\u00e7amento. A uni\u00e3o da fam\u00edlia ajuda a enfrentar as dificuldades financeiras \/ Foto: Brenda Alc\u00e2ntara\/JC Imagem\" \/><\/p>\n<div class=\"legenda-foto\" style=\"text-align: justify;\">Jana\u00edna e as duas filhas precisaram mudar de endere\u00e7o para ajustar o aluguel ao novo or\u00e7amento. A uni\u00e3o da fam\u00edlia ajuda a enfrentar as dificuldades financeiras<\/div>\n<div class=\"credito-foto\" style=\"text-align: justify;\">Foto: Brenda Alc\u00e2ntara\/JC Imagem<\/div>\n<div class=\"campo-subassinatura\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><span class=\"nome-subassinatura\">Ciara Carvalho<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"noticia_corpodanoticia\" class=\"t13 manipularFonte\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Renda mensal de R$ 15 mil, empresa com oito empregados, viagens com a fam\u00edlia pelo Brasil nas f\u00e9rias de janeiro e julho, plano de sa\u00fade, gastos com restaurantes nos fins de semana. A vida confort\u00e1vel que o ent\u00e3o empres\u00e1rio Cleverson Lopes Pereira, 53 anos, levava at\u00e9 2014 evaporou-se em menos de um ano. No final de 2015, em plena recess\u00e3o econ\u00f4mica, ele havia perdido todos os clientes, fechado a empresa, dado adeus ao plano de sa\u00fade e amargava uma d\u00edvida com bancos, cart\u00f5es de cr\u00e9dito e agiotas no valor de R$ 200 mil. Desempregado, a sa\u00edda foi virar motorista de aplicativo. Era isso ou nada. Dirigindo o pr\u00f3prio carro, o ex-empres\u00e1rio hoje trabalha 10 horas por dia para conseguir uma renda de R$ 2.500. S\u00f3 n\u00e3o teve as contas de casa cortadas, como luz e \u00e1gua, porque a esposa assumiu as despesas. Cleverson \u00e9 o retrato de uma popula\u00e7\u00e3o que empobreceu vertiginosamente nos \u00faltimos anos em Pernambuco. Ele mora na regi\u00e3o, no Estado e na cidade cujas taxas de desemprego ent\u00e3o entre as mais altas do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o pior dos cen\u00e1rios. O Nordeste n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 o peda\u00e7o do Pa\u00eds com o maior percentual de pessoas sem emprego, como \u00e9 a regi\u00e3o onde se pagam os menores sal\u00e1rios. Tanto que Cleverson, nesses \u00faltimos quatro anos, at\u00e9 conseguiu arrumar um trabalho, mas a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegava a R$ 1.500. \u201cEra invi\u00e1vel pra mim ganhar t\u00e3o pouco. Se j\u00e1 vivo no sufoco hoje, imagina recebendo R$ 1 mil a menos. Prefiro continuar me virando com as corridas de aplicativo, enquanto n\u00e3o aparece uma oportunidade de trabalho melhor\u201d, afirma. Os tr\u00eas filhos do casal s\u00f3 n\u00e3o precisaram deixar a escola particular porque a esposa de Cleverson \u00e9 professora e tem direito \u00e0 gratuidade das crian\u00e7as na escola onde trabalha. \u201cA renda que ganho hoje n\u00e3o conseguiria pagar sequer a mensalidade dos tr\u00eas\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os desempregados no Nordeste somam 12,8% da popula\u00e7\u00e3o, taxa bem acima da m\u00e9dia brasileira, que ficou em 11,8%, no terceiro trimestre deste ano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Pernambuco tamb\u00e9m n\u00e3o aparece bem no mapa do emprego. \u00c9 o terceiro Estado com maior percentual de pessoas sem ocupa\u00e7\u00e3o, com quase 16% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa sem trabalho. Pior desempenho teve o Recife, que ficou com o maior \u00edndice de desemprego entre as capitais brasileiras. No terceiro trimestre de 2019, a taxa da cidade chegou a 17,4%. Quando o recorte \u00e9 metropolitano, o quadro se agrava ainda mais. O Grande Recife tem o pior \u00edndice de desempregados, em compara\u00e7\u00e3o com todas as regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds. S\u00e3o 595,67 mil pessoas, o que equivale a 18,1% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa da RMR.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">QUEDA NA RENDA<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a renda m\u00e9dia do pernambucano encolheu nos \u00faltimos anos, a do recifense caiu mais ainda. Levantamento feito para o\u00a0<strong>Jornal do Commercio<\/strong>\u00a0pelo Grupo de M\u00e9todos de Pesquisa em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, ligado \u00e0 Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mostra que a renda na capital sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 20% no comparativo entre os anos de 2012 e 2018. \u201cDesemprego e taxa de informalidade em alta e renda em baixa s\u00e3o os indicativos mais fortes da fragilidade econ\u00f4mica que estamos atravessando. Quadro que se observa de forma ainda mais acentuada no Recife, o que s\u00f3 refor\u00e7a a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas setorizadas para enfrentar esse problema\u201d, afirma Dalson Figueiredo, que comanda o grupo de estudo da UFPE.<br \/>\nUtilizando um modelo estat\u00edstico, os pesquisadores projetaram a taxa de desemprego para 2020. Apesar de varia\u00e7\u00f5es positivas pontuais, o cen\u00e1rio n\u00e3o chega a ser promissor, j\u00e1 que aponta para uma estabilidade das altas taxas de desemprego no pr\u00f3ximo ano. \u201cDe acordo com as nossas estimativas, a falta de emprego no Brasil deve chegar ao m\u00ednimo em dezembro (11,34%) deste ano e retornar para um patamar pr\u00f3ximo de 12% em janeiro de 2012\u201d, explica Dalson Figueiredo, destacando que a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 feita levando em considera\u00e7\u00e3o que o atual cen\u00e1rio n\u00e3o sofrer\u00e1 mudan\u00e7as bruscas na economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A queda no padr\u00e3o econ\u00f4mico das fam\u00edlias, especialmente na classe m\u00e9dia, tem provocado uma crescente deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida dos pernambucanos. Diante da perda do emprego ou submetidos a sal\u00e1rios muito baixos, os trabalhadores s\u00e3o obrigados a fazer cortes no or\u00e7amento que impactam diretamente os investimentos em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo caso de Janaina Melo, 41, a queda na renda obrigou a fam\u00edlia a mudar at\u00e9 de endere\u00e7o. Ela e as duas filhas adolescentes moravam numa casa grande, com quintal e churrasqueira e, h\u00e1 cerca de um ano, precisaram reduzir o custo com aluguel. Resultado: foi preciso trocar de bairro e hoje a fam\u00edlia mora numa resid\u00eancia pequena, numa comunidade da Zona Oeste do Recife.<\/p>\n<div id=\"smartIntxt\" class=\"publicidade-entre-texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"player_dynad_tv\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi um baque muito grande. Ainda estamos nos recuperando, tentando nos adaptar a essa nova realidade\u201d, diz Janaina, que atua no servi\u00e7o p\u00fablico. Os percal\u00e7os come\u00e7aram em 2015, quando ela ficou desempregada pela primeira vez. Depois, ao conseguir um novo emprego, o sal\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o acompanhou o antigo padr\u00e3o. Novamente veio o desemprego e ela ficou sem renda durante nove meses. De volta ao mercado de trabalho, novo baque de sal\u00e1rio. \u201cO \u00fanico jeito foi sair cortando tudo. N\u00e3o s\u00f3 para manter as despesas da casa, como tamb\u00e9m para conseguir ir saldando d\u00edvidas que foram adquiridas no per\u00edodo em que fiquei desempregada\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio aos tantos ajustes na fam\u00edlia, as duas filhas tiveram que deixar o col\u00e9gio particular onde sempre estudaram. Primeiro Juliana, 15, que est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos numa escola de refer\u00eancia da rede estadual. Depois, no ano passado, foi a vez de Julia, 16. As jovens confessam que sentiram um grande impacto no in\u00edcio, mas hoje avaliam at\u00e9 de forma positiva a mudan\u00e7a de col\u00e9gio. \u201cLogo de cara, eu fiquei muito assustada. Por sorte, outra amiga que estudava no meu col\u00e9gio tamb\u00e9m entrou na mesma escola p\u00fablica. Hoje vejo que a gente vivia numa bolha, numa condi\u00e7\u00e3o social que n\u00e3o nos deixava enxergar bem a realidade. Eu percebi que era uma privilegiada\u201d, afirma Juliana. Julia, a irm\u00e3 mais velha, diz que a nova condi\u00e7\u00e3o financeira da fam\u00edlia despertou uma consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos gastos, o que terminou unindo ainda mais as tr\u00eas. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia. A gente aprende a lidar melhor com as contas. E descobre tamb\u00e9m que n\u00e3o somos os \u00fanicos que estamos passando por isso. S\u00e3o muitos os que enfrentam essa mesma situa\u00e7\u00e3o. E fazem isso de cabe\u00e7a erguida\u201d, ressalta a jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, contam-se aos milhares os pernambucanos que, diante da crise econ\u00f4mica, tiveram que abrir m\u00e3o de servi\u00e7os privados de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, al\u00e9m de gastos com lazer e bens de consumo. S\u00f3 nos \u00faltimos quatro anos, cerca de 160 mil pessoas deixaram de ter acesso a planos de sa\u00fade no Estado. O impacto \u00e9 sentido diretamente no atendimento prestado no servi\u00e7o p\u00fablico. \u201cA demanda no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) cresceu em todas as \u00e1reas. Por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, como o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e o aumento da pr\u00f3pria oferta da rede. Mas \u00e9 certo que a perda de usu\u00e1rios de plano de sa\u00fade contribuiu muito para esse aumento do n\u00famero de atendimentos\u201d, avalia o secret\u00e1rio estadual de Sa\u00fade, Andr\u00e9 Longo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conta n\u00e3o \u00e9 diferente na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o. Desde 2013, a m\u00e9dia de alunos matriculados na rede estadual de ensino, oriundos das escolas privadas, gira em torno de 22,5 mil estudantes por ano. No Recife a migra\u00e7\u00e3o j\u00e1 soma, nos \u00faltimos sete anos, mais de 16 mil alunos. Para se ter uma ideia, o total de estudantes vindos da rede privada matriculados este ano nas escolas da capital \u00e9 sete vezes maior do que o observado em 2013. Pulou de 627 alunos para 4.558. Um n\u00famero que n\u00e3o para de crescer.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A conta n\u00e3o \u00e9 diferente na \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o. 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