{"id":303789,"date":"2019-12-05T10:32:45","date_gmt":"2019-12-05T13:32:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=303789"},"modified":"2019-12-05T10:41:24","modified_gmt":"2019-12-05T13:41:24","slug":"poesia-viva-de-rachel-de-queiroz-no-sertao-do-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/poesia-viva-de-rachel-de-queiroz-no-sertao-do-ceara\/","title":{"rendered":"Poesia viva de Rachel de Queiroz no sert\u00e3o do Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \"><em>A fam\u00edlia Pereira vive na fazenda da escritora desde sua constru\u00e7\u00e3o, h\u00e1 65 anos. Ali, abre as portas da casa grande aos visitantes e desenha com a pr\u00f3pria mem\u00f3ria uma nova imagem de \u201cdona Rachel\u201d<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art | \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/dHS15WYZ-TDtjLb_XdAjhCo1E3c=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/7NTTZVDWZFGCXJTIYG52RTC7FA.jpg\" alt=\"Nize Pereira Tavares e o filho esperam visitantes na fazenda N\u00e3o Me Deixes.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Nize Pereira Tavares e o filho esperam visitantes na fazenda N\u00e3o Me Deixes.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex justify_space_between relative\">\n<div class=\"flex container_row social-icons horizontal \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg \">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\">BEATRIZ JUC\u00c1<\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter \"><span class=\"capitalize | color_black\">Quixad\u00e1<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Uma longa estrada de terra, ladeada por muitos galhos retorcidos pela seca, desemboca na fazenda N\u00e3o me Deixes, em pleno sert\u00e3o central cearense \u2014onde a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rachel_de_Queiroz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">escritora Rachel de Queiroz<\/a>\u00a0passava longas temporadas todos os anos. Nascida em Fortaleza em 1910, Rachel se mudou com a fam\u00edlia para o Sudeste brasileiro depois de uma grande seca. Retornou ao Cear\u00e1 ainda crian\u00e7a. Ali terminou os estudos e escreveu o livro\u00a0<i>O Quinze<\/i>, um retrato social da seca que a consagrou quando tinha apenas 18 anos de idade.<\/p>\n<p class=\"\">Saiu de l\u00e1 para se instalar no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Rio de Janeiro<\/a>, onde foi ampliando os espa\u00e7os para a mulher na literatura brasileira: foi a primeira a ganhar o Pr\u00eamio Cam\u00f5es e a primeira a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Embora tenha vivido em terras cariocas at\u00e9 morrer aos 93, nunca cortou v\u00ednculos com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/20\/cultura\/1566328403_365611.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sert\u00e3o<\/a>. Voltava \u00e0 sua fazenda todos os anos, sempre no simb\u00f3lico be-erre-o-br\u00f3, a \u00e9poca mais quente no ano, dos meses terminados em br\u00f3. O dia da chegada da escritora era um acontecimento na regi\u00e3o, e o alpendre da casa grande se enchia de gente de todas as idades, a maioria afilhada de Rachel, para receb\u00ea-la.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cDona Rachel, do jeito que acolhia o rico, acolhia o pobre\u201d, conta a agricultora Maria Alzenir Pereira, de 76 anos, enquanto observa o mesmo alpendre agora esvaziado. Vez por outra, ela co\u00e7a a cabe\u00e7a coberta por um chap\u00e9u de pano rosa e pergunta para a filha Nize, atual gerente da fazenda, se um grupo que marcou visita j\u00e1 est\u00e1 pra chegar. Parece ansiosa. De tanto ouvir Rachel de Queiroz dizer que a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fazenda_N%C3%A3o_Me_Deixes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">fazenda N\u00e3o me Deixes<\/a>\u00a0n\u00e3o podia acabar, quer ver a casa cheia. E conta da fartura de caf\u00e9, cuscuz e bolos colocados na ampla mesa de madeira da sala. Estas s\u00e3o cenas que pelo menos tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia dela se esfor\u00e7am para manter vivas, trabalhando ali no ro\u00e7ado e na conta\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria que \u00e9 tamb\u00e9m delas, mais de quinze anos depois da morte da escritora. \u201cPra mim a dona Rachel n\u00e3o morreu, n\u00e3o. \u00c9 como se ela tivesse feito s\u00f3 uma viagem, como fazia sempre\u201d, diz Alzenir.<\/p>\n<p class=\"\">Para a fam\u00edlia Pereira,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/17\/cultura\/1510917108_045442.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Rachel de Queiroz<\/a>\u00a0\u00e9 como um personagem marcante que se espalhou por aquela terra e agora n\u00e3o se acaba mais. Est\u00e1 no chal\u00e9 ao lado do a\u00e7ude, onde escrevia seus textos sentada em uma pequena escrivaninha de madeira que segue ali tal qual deixou. Na cabeceira da mesa da sala, onde dava a merenda aos amigos e onde discutiu tantas vezes seus escritos com a irm\u00e3 dela, Maria Luiza. Est\u00e1 na sua pr\u00f3pria obra, acomodada em uma estante de madeira e vidro regularmente limpa por seus afilhados. Est\u00e1 at\u00e9 na certid\u00e3o de nascimento que Nize, filha de Alzenir, que se recusa a tirar uma segunda via pra n\u00e3o perder no documento a assinatura da madrinha escritora, testemunha de sua exist\u00eancia oficial. Nize \u00e9 m\u00e3e de Daniel Victor, hoje guia tur\u00edstico na fazenda, e a terceira gera\u00e7\u00e3o que ajuda a desenhar a mem\u00f3ria da escritora com as suas pr\u00f3prias.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/pEMSevNycxtlzeNtaL0lDeEdVls=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/R35VET2T4JEBJCHOII4YV2RS6I.jpg\" alt=\"Estante com livros de Rachel de Queiroz, na fazenda N\u00e3o me Deixes.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Estante com livros de Rachel de Queiroz, na fazenda N\u00e3o me Deixes.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Rachel segue mais pulsante mesmo \u00e9 na cabe\u00e7a de Alzenir, que depois de idosa come\u00e7ou a escrever\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/12\/cultura\/1562962566_242859.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">versinhos de cordel<\/a>. \u201cAqui e acol\u00e1 dona Rachel dizia uns versinhos pra gente achar gra\u00e7a. Eu tenho pra mim que esses versinhos que eu decoro hoje \u00e9 ela quem sopra no meu ouvido\u201d, diz, enquanto folheia alguns cadernos nos quais anota com dificuldade algumas estrofes. A maioria delas Alzenir guarda \u00e9 na mem\u00f3ria mesmo e, sem qualquer papel por perto, recita as hist\u00f3rias da fazenda que virou \u00e1rea protegida pelo Ibama pela diversidade vegetal da caatinga, ref\u00fagio da autora de\u00a0<i>O Quinze<\/i>\u00a0e pilar da sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEscreveu Rachel de Queiroz na consci\u00eancia da vida \/ que a fazenda N\u00e3o me Deixes n\u00e3o pode ser destru\u00edda \/ Falou logo com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ibama_instituto_brasileiro_meio_ambiente_recursos_naturais_renovaveis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Ibama<\/a>\u00a0pra n\u00e3o ser invadida \/ Eu amo minha fazenda \/ amo meu im\u00f3vel estimado \/ as madeiras vegetais \/ as melhores, de qualidade \/ cumaru, pau branco e preto, pau d\u2019arco e a violeta \/ Das plantas medicinais, n\u00e3o posso me esquecer, l\u00e1 nas margens do meu a\u00e7ude \/ Nem da flor do mo\u00e7ambique \/ Ela era poderosa no mandado e no poder \/ Foi ser Rachel de Queiroz \/ Seu nome ficou no mapa pra ningu\u00e9m mais esquecer\u201d.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/ehDxwxbbbomPxNMBWvojEoZnW9w=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/OCDQBWXDUFF4TFVBNS53FUXD3U.jpg\" alt=\"Fazenda N\u00e3o me Deixes.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Fazenda N\u00e3o me Deixes.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA \/ FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Alzenir conheceu Rachel de Queiroz aos nove anos de idade, quando via a mo\u00e7a que estudava em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fortaleza\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Fortaleza<\/a>\u00a0chegar de trem na cidade de Quixad\u00e1 enquanto brincava com as amigas pr\u00f3ximo aos trilhos. Uma imensa desigualdade dividia a hist\u00f3ria delas duas. Alzenir cresceu ajudando os pais na ro\u00e7a, acostumada a ver a falta de chuva ressecar o mato e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/08\/politica\/1546980554_464677.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">amea\u00e7ar a sobreviv\u00eancia dos seus<\/a>. \u201cMeu saber \u00e9 pouco. N\u00e3o estudei muito porque era da ro\u00e7a, n\u00e9? N\u00e3o tinha tempo\u201d, ela diz. Nunca conseguiu ler um livro completo de Rachel de Queiroz, mas da varanda de casa (vizinha \u00e0 casa grande da fazenda) vai enumerando, um a um, os t\u00edtulos da amiga. \u201cCostume mesmo com dona Rachel eu s\u00f3 peguei quando vim morar na fazenda aqui, nos anos 1970\u201d, conta. Alzenir passava com frequ\u00eancia pelas terras da fam\u00edlia Queiroz enquanto tangia o gado na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. Viu os trabalhadores erguerem os primeiros alicerces para construir a N\u00e3o me Deixes e foi ali, naquelas passagens di\u00e1rias e pequenas paradas para conversar, que ela conheceu o marido, Manoel, trazido da fazenda dos Queiroz de Fortaleza para cuidar do terreno onde a escritora construiu seu ref\u00fagio.<\/p>\n<p class=\"\">Rachel de Queiroz havia ganhado aquelas terras do pai ainda na inf\u00e2ncia e, seguindo as instru\u00e7\u00f5es dele, construiu, muitos anos depois, uma casa voltada para o nascente, um a\u00e7ude e um curral. Uma realidade social distante da de Alzenir, que lembra emocionada da multid\u00e3o que se reuniu na inaugura\u00e7\u00e3o da fazenda em uma festa t\u00e3o farta que entrou pro imagin\u00e1rio da regi\u00e3o. \u201cTinha gente que chorava de tanta fartura. Era carne assada, tacho de doce, tudo\u201d, conta. E diz que n\u00e3o podia imaginar que, anos depois se apaixonaria pelo gerente e criaria naquelas terras suas duas filhas, ambas afilhadas da escritora. \u201cCasei no poder dos Queiroz igual os pais do meu marido\u201d, ela diz.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/CpLcdmA_CKLHeXwCGy5Ticwgp0M=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/BSPASUMWT5HIFDWXTD2AWDHKMY.jpg\" alt=\"Maria Alzenir recita versos de cordel na varanda de sua casa.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Maria Alzenir recita versos de cordel na varanda de sua casa.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Alzenir perdeu as contas de quantas vezes precisou deixar o ro\u00e7ado mais cedo para percorrer 30 quil\u00f4metros para levar os artigos escritos por Rachel de Queiroz para os jornais do Sudeste at\u00e9 os Correios em Quixad\u00e1. Lembra que \u201cdona Rachel\u201d costumava chamar suas filhas, crian\u00e7as, e depois o neto para se deitar com ela em uma rede armada do alpendre. Ali, lia para eles e mostrava ilustra\u00e7\u00f5es dos livros. \u201cEla dizia que meu neto Daniel Victor era a s\u00e9tima gera\u00e7\u00e3o da nossa fam\u00edlia com a fam\u00edlia dela\u201d, diz. Isso porque o tatarav\u00f4 de Manoel j\u00e1 trabalhava para a fam\u00edlia Queiroz em Fortaleza.<\/p>\n<p class=\"\">Aos 21 anos, Daniel Victor lembra vagamente dessas cenas. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/escritores\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">escritora<\/a>\u00a0morreu quando ele tinha apenas cinco anos, e ele cresceu sem conseguir entender direito a rever\u00eancia exagerada que os familiares nutriam pela ex-patroa. &#8220;Eu n\u00e3o tive muito o contato direto com ela, mas cresci no ambiente onde ela viveu e gostava. E a rever\u00eancia da minha fam\u00edlia foi despertando em mim uma vontade de conhecer melhor essa hist\u00f3ria\u201d, conta. Daniel foi ent\u00e3o fazendo perguntas aos av\u00f3s, pais e tios. Descobriu uma Rachel de Queiroz que tinha influ\u00eancia na sociedade brasileira, mas que preservava a ess\u00eancia do sert\u00e3o. Ouviu tantas vezes que ela conseguiu transformar o cotidiano duro da seca em poesia, especialmente pelo livro\u00a0<i>O Quinze<\/i>, que lhe despertou admira\u00e7\u00e3o. \u201cRachel de Queiroz pra mim \u00e9 sin\u00f4nimo de inspira\u00e7\u00e3o e coragem\u201d, define.<\/p>\n<p class=\"\">Daniel acabou virando guia, quando os dois sobrinhos e \u00fanicos herdeiros de Rachel de Queiroz aceitaram abrir a propriedade privada para visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ali n\u00e3o h\u00e1 programa\u00e7\u00e3o definida. \u00c9 preciso marcar com anteced\u00eancia com os pr\u00f3prios caseiros, que cobram uma taxa de 50 a 120 reais por ve\u00edculo. Daniel ent\u00e3o deixa sua casa em Quixad\u00e1, onde agora cursa Engenharia, e vai contar aos turistas as hist\u00f3rias que ouviu a vida toda. Acaba por narrar tamb\u00e9m as pr\u00f3prias ra\u00edzes. &#8220;Meu bisav\u00f4 por parte de pai nasceu na fazenda dos Queiroz, em Fortaleza. A gente tem o dever de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/memorias\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">manter viva a hist\u00f3ria<\/a>\u00a0da Rachel, e acho que n\u00f3s estamos inseridos nela\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">A m\u00e3e dele, Nize, gerencia a fazenda desde que o pai Manoel morreu, h\u00e1 dois anos, e se preocupa em garantir alguns quitutes \u00e0 venda para os visitantes. Enquanto organiza a merenda, conta dos tempos em que seus pais eram acordados de madrugada com a chegada de famosos em pleno sert\u00e3o. \u201cMeu pai contava que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/03\/opinion\/1488566896_395775.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Luiz Gonzaga<\/a>\u00a0chegou uma vez meia-noite tocando Asa Branca porque era uma m\u00fasica que a madrinha Rachel gostava. Ela nunca se incomodou com visita, e a gente aprendeu com ela a receber\u201d, diz. Nize ent\u00e3o pede desculpas porque, especialmente naquele dia, n\u00e3o teve tempo de fazer um bolo que era receita de sua av\u00f3 e que Rachel de Queiroz gostava tanto que incluiu no livro \u201cN\u00e3o me Deixes: suas hist\u00f3rias, sua cozinha\u201d. \u201cEu sempre trago em dia de visita. O bolo \u00e9 escuro porque tem rapadura. Tem gente que faz cara feia, mas quando eu falo que a madrinha Rachel gostava, todo mundo quer\u201d, diz, aos risos.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/3wC4otp97J2CrJk7V-vr9MU39Bc=\/1500x0\/smart\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/LU26POTNG5AXNB7DTPJEJATEVI.jpg\" alt=\"Nize mostra sua certid\u00e3o de nascimento, com a assinatura de Rachel de Queiroz.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Nize mostra sua certid\u00e3o de nascimento, com a assinatura de Rachel de Queiroz.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fam\u00edlia Pereira vive na fazenda da escritora desde sua constru\u00e7\u00e3o, h\u00e1 65 anos. Ali, abre as portas da casa grande aos visitantes e desenha com a pr\u00f3pria mem\u00f3ria uma nova imagem de \u201cdona Rachel\u201d<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":303790,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-303789","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/casa-de-raquel-de-queiroz.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303789"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303789\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/303790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}