{"id":304433,"date":"2019-12-11T07:22:55","date_gmt":"2019-12-11T10:22:55","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=304433"},"modified":"2019-12-11T07:22:55","modified_gmt":"2019-12-11T10:22:55","slug":"evangelicos-podem-prejudicar-proposta-de-plantio-da-cannabis-para-tratamento-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/evangelicos-podem-prejudicar-proposta-de-plantio-da-cannabis-para-tratamento-de-saude\/","title":{"rendered":"Evang\u00e9licos podem prejudicar proposta de plantio da Cannabis para tratamento de sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<div class=\"col s12\">\n<section class=\"box-featured full-size header\">\n<h1><\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"header-information\">\n<p><strong>Por: FolhaPE<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"col m6 l6 s12 medium-matler\">\n<figure>\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Deputados da comiss\u00e3o especial que analisa a proposta de ampliar o acesso no Brasil a medicamentos a base de Cannabis querem dar o aval ao plantio da erva que a Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) vetou na semana passada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-303250 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha-620x349.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha-620x349.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha-160x90.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha-480x270.jpg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/maconha-folha.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O esfor\u00e7o, por\u00e9m, pode ser travado pela bancada evang\u00e9lica, contr\u00e1ria ao cultivo da maconha por empresas. A comiss\u00e3o foi criada em junho pelo presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para reunir projetos sobre o uso medicinal da planta.<\/p>\n<p>Relator da comiss\u00e3o, o deputado Luciano Ducci (PSB-PR) afirma que pretende colocar a proposta de aval ao plantio em seu parecer. &#8220;Vamos apresentar ao Brasil um marco regulat\u00f3rio da Cannabis&#8221;, diz. &#8220;Queremos trabalhar em uma regulamenta\u00e7\u00e3o que permita plantar, produzir medicamentos, fazer pesquisas, al\u00e9m de exportar e importar rem\u00e9dios e mat\u00e9ria-prima&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para ele, a decis\u00e3o tomada pela maioria dos diretores da Anvisa em vetar o plantio foi equivocada. &#8220;\u00c9 uma grande bobagem inviabilizar o plantio para fins medicinais. Se vai plantar, vai ser monitorado.&#8221;<\/p>\n<p>Ducci diz que a proposta ainda ser\u00e1 discutida, mas a ideia inicial \u00e9 elaborar na comiss\u00e3o um modelo que inclua regras de seguran\u00e7a e restri\u00e7\u00f5es a quem pode cultivar, como algumas empresas. O objetivo final \u00e9 diminuir o custo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 para qualquer pessoa. Vai ter que dizer para que, para quem, para qual destino e por que aquela quantidade.&#8221;<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que o relat\u00f3rio seja apresentado em mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano. Na \u00faltima semana, um grupo ligado \u00e0 comiss\u00e3o fez visitas ao Uruguai, pa\u00eds onde o cultivo \u00e9 permitido.<\/p>\n<p>A bancada evang\u00e9lica, uma das maiores do Congresso, com 203 parlamentares, re\u00fane deputados contr\u00e1rios a pautas de liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de maconha, ainda que para fins medicinais.<\/p>\n<p>&#8220;Somos contra o cultivo e a comercializa\u00e7\u00e3o da maconha. Somos a favor do medicamento, e ainda mais a favor agora porque existe a possibilidade de fazer sinteticamente o canabidiol&#8221;, diz o presidente da Frente Parlamentar Evang\u00e9lica, Silas C\u00e2mara (Republicanos-AM).<\/p>\n<p>Para ele, a comiss\u00e3o n\u00e3o conseguir\u00e1 aprovar a proposta caso a inclua em seu relat\u00f3rio. &#8220;N\u00e3o vamos deixar passar na comiss\u00e3o e no Congresso.&#8221;<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o segue as declara\u00e7\u00f5es da chamada ala ideol\u00f3gica do governo Jair Bolsonaro, como o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que pressionaram a Anvisa para que a proposta fosse derrubada.<\/p>\n<p>O ministro chegou a fazer reuni\u00f5es com ind\u00fastrias interessadas em pesquisar a produ\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica, mas disse acreditar que o cultivo acabaria legalizando a maconha.<\/p>\n<p>Ducci rebateu. &#8220;N\u00e3o vamos em nenhum momento tratar do uso recreativo, mas, sim, do uso medicinal&#8221;, disse em audi\u00eancia na comiss\u00e3o. &#8220;Se a pessoa quer comprar maconha, compra ali na esquina.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 deputados conservadores a favor da medida, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Ela diz que acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel aprovar em plen\u00e1rio o aval ao plantio.<\/p>\n<p>&#8220;Sou a favor para este fim exclusivo&#8221;, diz ela, que tamb\u00e9m diz ser favor\u00e1vel ao uso dos medicamentos \u00e0 base de Cannabis no SUS.<\/p>\n<p>O deputado Capit\u00e3o Augusto (PL-SP) diz acreditar que a maioria da ala ligada \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, que tem 306 deputados, \u00e9 a favor do uso medicinal da Cannabis.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa preocupa\u00e7\u00e3o na bancada de seguran\u00e7a \u00e9 que isso n\u00e3o chegue na m\u00e3o do consumidor para uso de drogas, mas, sim, que seja utilizado para fazer o medicamento. O grande problema \u00e9 quem vai controlar isso&#8221;, diz ele, que defende que haja aval ao plantio de esp\u00e9cies com menor teor de THC, componente da maconha que &#8220;d\u00e1 barato&#8221;.<\/p>\n<p>Para ele, apesar da inten\u00e7\u00e3o inicial em autorizar o plantio, a Anvisa n\u00e3o teria compet\u00eancia para regular o tema, o que caberia apenas ao Congresso.<\/p>\n<p>Esse, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico ponto em que a proposta a ser discutida deve divergir da aprovada pela Anvisa.<\/p>\n<p>O presidente da comiss\u00e3o, Paulo Teixeira (PT-SP), contesta a decis\u00e3o de permitir que produtos que tenham concentra\u00e7\u00f5es acima de 0,2% de THC sejam indicados apenas a pacientes terminais e sem outras alternativas terap\u00eauticas.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que discutir a possibilidade de plantio no Brasil, mas um plantio seguro. E discutir a possibilidade de um teor de THC maior. Definir que o teor de 0,2% \u00e9 s\u00f3 para paciente terminal \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 a Anvisa diz que prop\u00f4s estabelecer o limite de 0,2% devido ao risco de depend\u00eancia vinculado ao THC, mas n\u00e3o deixou de oferecer a alternativa terap\u00eautica para quem precisa.<\/p>\n<p>MACONHA MEDICINAL<\/p>\n<p>Como era<br \/>\nLei 11.343, de 2006, pro\u00edbe plantio, cultura, colheita e explora\u00e7\u00e3o de Cannabis, &#8220;ressalvada hip\u00f3tese de autoriza\u00e7\u00e3o legal&#8221; para fins medicinais e cient\u00edficos, em local e prazo predeterminados e mediante fiscaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAtualmente, pacientes que fazem tratamento com \u00f3leos e extratos \u00e0 base de canabidiol, subst\u00e2ncia encontrada na Cannabis e conhecida pelos seus efeitos terap\u00eauticos, precisam de aval da Anvisa para importar os produtos, o que ocorre a custo alto.<\/p>\n<p>Sem a regulamenta\u00e7\u00e3o, universidades que desejam ter acesso \u00e0 planta, por exemplo, precisam obter por importa\u00e7\u00e3o ou doa\u00e7\u00e3o previamente autorizadas. Empresas que t\u00eam autoriza\u00e7\u00e3o para pesquisas tamb\u00e9m reclamam de entraves e custos altos.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, h\u00e1 apenas um medicamento \u00e0 base de Cannabis com autoriza\u00e7\u00e3o para venda no Brasil. \u00c9 o Mevatyl, indicado para tratar espasmos em pacientes com esclerose m\u00faltipla, e cujo pre\u00e7o fica acima de R$ 2.000.<\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u200bPrincipais doen\u00e7as apontadas nos pedidos de importa\u00e7\u00e3o de canabidiol: epilepsia, autismo, dor cr\u00f4nica, doen\u00e7a de Parkinson e neoplasia maligna.<\/p>\n<p>O que estava em discuss\u00e3o<br \/>\nAnvisa discutiu duas propostas de resolu\u00e7\u00e3o: uma que trata de registro de rem\u00e9dios \u00e0 base de Cannabis e seu monitoramento e outra com requisitos t\u00e9cnicos e regras para cultivo de Cannabis para pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos.<br \/>\nO cultivo por empresas foi vetado.<\/p>\n<p>LINHA DO TEMPO<br \/>\n&#8211; Novembro de 2013: ap\u00f3s ver informa\u00e7\u00f5es na internet sobre testes com canabidiol, um dos derivados da maconha, a fam\u00edlia da brasileira Anny Fischer, que sofre de uma s\u00edndrome rara, decide importar dos Estados Unidos um \u00f3leo rico na subst\u00e2ncia para a crian\u00e7a;<\/p>\n<p>&#8211; Mar\u00e7o de 2014: uma das tentativas de importa\u00e7\u00e3o falha e o canabidiol \u00e9 barrado na alf\u00e2ndega. A fam\u00edlia conta sua hist\u00f3ria a um jornalista, que lan\u00e7a o document\u00e1rio &#8220;Ilegal&#8221; sobre o caso;<\/p>\n<p>&#8211; Abril de 2014: a fam\u00edlia de Anny consegue laudo m\u00e9dico da USP de Ribeir\u00e3o Preto e entra na Justi\u00e7a para conseguir importar o produto. O pedido \u00e9 aprovado. Ap\u00f3s o caso, Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) passa receber mais pedidos de autoriza\u00e7\u00e3o para importa\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base de canabidiol;<\/p>\n<p>&#8211; Outubro de 2014: Conselho Regional de Medicina de S\u00e3o Paulo autoriza a prescri\u00e7\u00e3o de canabidiol no Estado;<\/p>\n<p>&#8211; Dezembro de 2014: Conselho Federal de Medicina autoriza m\u00e9dicos a prescreverem o canabidiol, mas somente para crian\u00e7as com epilepsia e que n\u00e3o tenham tido sucesso em outros tratamentos;<\/p>\n<p>&#8211; Janeiro de 2015: Anvisa libera uso medicinal de produtos \u00e0 base de canabidiol, um dos derivados da maconha, retirando-o de uma lista de subst\u00e2ncias proibidas e colocando-o em uma lista de subst\u00e2ncias controladas;<\/p>\n<p>&#8211; Mar\u00e7o de 2015: cresce volume de decis\u00f5es judiciais que obrigam a Uni\u00e3o a fornecer o canabidiol a pacientes com diferentes tipos de crises convulsivas, n\u00e3o apenas as epil\u00e9ticas;<\/p>\n<p>&#8211; Abril de 2015: Anvisa simplifica regras para importa\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base de canabidiol e cria lista de produtos que podem ter facilitado processo de autoriza\u00e7\u00e3o para importar;<\/p>\n<p>&#8211; Agosto e setembro de 2015: STF come\u00e7a a discutir se \u00e9 crime portar drogas para uso pr\u00f3prio. Julgamento, no entanto, foi suspenso ap\u00f3s pedido de vistas do ministro Teori Zavascki;<\/p>\n<p>&#8211; Mar\u00e7o de 2016: ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o judicial, Anvisa publica resolu\u00e7\u00e3o que autoriza prescri\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o de medicamentos com THC, um dos princ\u00edpios ativos da maconha. Antes, essa subst\u00e2ncia fazia parte da lista daquelas que n\u00e3o poderiam ser objeto de prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e manipula\u00e7\u00e3o de medicamentos no pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; Novembro de 2016: Anvisa aprova crit\u00e9rios para uso de medicamento \u00e0 base de maconha e abre espa\u00e7o para que rem\u00e9dios \u00e0 base da planta possam obter registro para venda no pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; Novembro e dezembro de 2016: tr\u00eas fam\u00edlias, duas do RJ e uma de SP, conseguem habeas corpus que as permitem plantar e extrair \u00f3leo de maconha para uso medicinal e pr\u00f3prio; n\u00famero ir\u00e1 crescer nos anos seguintes;<\/p>\n<p>&#8211; Janeiro de 2017: 1\u00ba medicamento \u00e0 base de maconha, Mevatyl, composto por THC e canabidiol e indicado para espasticidade, ganha registro na Anvisa para chegar ao mercado brasileiro;<\/p>\n<p>&#8211; 2017: Anvisa inicia miss\u00f5es internacionais para pa\u00edses que regulamentam cultivo de Cannabis para pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e come\u00e7a a planejar medida semelhante no Brasil;<\/p>\n<p>&#8211; 2018: cresce n\u00famero de pacientes com autoriza\u00e7\u00e3o para importar medicamentos \u00e0 base de canabidiol;<\/p>\n<p>&#8211; Junho de 2019: Anvisa avalia colocar em consulta p\u00fablica duas propostas de resolu\u00e7\u00e3o: uma com regras para cultivo de Cannabis para pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e outra com regras de registro e p\u00f3s-registro desses produtos.<\/p>\n<p>Fonte: Anvisa<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 para qualquer pessoa. Vai ter que dizer para que, para quem, para qual destino e por que aquela quantidade.&#8221;<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que o relat\u00f3rio seja apresentado em mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano. 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