{"id":304704,"date":"2019-12-13T09:44:00","date_gmt":"2019-12-13T12:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=304704"},"modified":"2019-12-13T09:44:00","modified_gmt":"2019-12-13T12:44:00","slug":"clint-eastwood-altera-uma-historia-real-de-forma-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/clint-eastwood-altera-uma-historia-real-de-forma-machista\/","title":{"rendered":"Clint Eastwood altera uma hist\u00f3ria real de forma machista"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Um jornal de Atlanta protesta contra \u2018Richard Jewell\u2019, o novo filme do diretor, que d\u00e1 como certo que uma rep\u00f3rter de sua equipe obteve informa\u00e7\u00f5es em troca de sexo<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/resizer\/gidDXMqNVP2hbUp7UEA5OifNp3g=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/RRGAGIHXCNHUJVD7UNP2KZUEZ4.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Pablo Xim\u00e9nez de Sandoval\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/pablo_ximenez_de_sandoval\/a\/\">PABLO XIM\u00c9NEZ DE SANDOVAL<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 preconceitos sobre as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mujeres\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mulheres<\/a>, preconceitos sobre jornalistas e preconceitos sobre as mulheres jornalistas.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/clint_eastwood\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Clint Eastwood<\/a>\u00a0parece cair em todos eles em seu novo filme,\u00a0<i>Richard Jewell<\/i>, que estreia nesta sexta-feira nos EUA e ainda n\u00e3o tem data de estreia no Brasil. Pelo menos \u00e9 o que considera um jornal de Atlanta, o\u00a0<i>Atlanta Journal-Constitution (AJC<\/i>), que protestou contra Eastwood e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/warner_bros_entertainment\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Warner Bros<\/a>\u00a0em defesa de uma de suas jornalistas, que aparece de modo negativo no filme baseado em fatos ocorridos mais de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s. A pol\u00eamica surge em uma Hollywood transformada nos \u00faltimos dois anos pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/movimiento_metoo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">movimento feminista Me Too.<\/a><\/p>\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Richard Jewell foi um personagem muito conhecido nos Estados Unidos durante alguns meses de 1996. Trabalhava como seguran\u00e7a nas Olimp\u00edadas de Atlanta. Um dia, observou uma mochila suspeita e chamou a pol\u00edcia. Era um explosivo. Jewell ajudou a esvaziar o complexo rapidamente. Embora a bomba tenha explodido e matado uma mulher, sua interven\u00e7\u00e3o salvou muitas pessoas. No entanto, alguns dias depois ele come\u00e7ou a ser investigado como suspeito, o que teve graves consequ\u00eancias para sua reputa\u00e7\u00e3o e a recorda\u00e7\u00e3o que se tem daquele incidente. Jewell nunca foi indiciado. O verdadeiro assassino confessou em 2003 e est\u00e1 cumprindo senten\u00e7a de pris\u00e3o perp\u00e9tua. O roteiro do filme, escrito por Billy Ray, \u00e9 baseado em artigos da \u00e9poca sobre o calv\u00e1rio de Jewell na opini\u00e3o p\u00fablica e em um novo livro sobre o caso.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O filme d\u00e1 um papel fundamental a Kathy Scruggs, a rep\u00f3rter do jornal\u00a0<i>Atlanta Journal-Constitution (AJC)<\/i>\u00a0que obteve o furo de que o FBI estava investigando Jewell como suspeito. A cobertura jornal\u00edstica dessa investiga\u00e7\u00e3o teve repercuss\u00e3o nacional e afundou Jewell, que at\u00e9 ent\u00e3o era o her\u00f3i dos Jogos. O filme assume que Scruggs obteve aquelas informa\u00e7\u00f5es em troca de sexo com o agente que investigava o caso. Scruggs n\u00e3o pode se defender. Morreu em 2001 de uma overdose de analg\u00e9sicos, aos 42 anos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Na segunda-feira passada, a\u00a0<i>AJC<\/i>\u00a0e a editora Cox Enterprises enviaram por meio de seus advogados uma carta \u00e0 Warner Bros,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/11\/03\/cultura\/1478166968_990837.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Clint Eastwood<\/a>\u00a0e Billy Ray, protestando que \u201ca vers\u00e3o de Scruggs no filme, interpretada por Olivia Wilde, a apresenta como algu\u00e9m que recorre a rela\u00e7\u00f5es il\u00edcitas para obter informa\u00e7\u00f5es&#8221;. \u201cA rep\u00f3rter da\u00a0<i>AJC<\/i>\u00a0\u00e9 reduzida a um objeto que se vende por sexo\u201d, diz a carta, acrescentando que o filme d\u00e1 a impress\u00e3o de que o jornal aceita que o sexo seja oferecido em troca de reportagens. \u201cIsso \u00e9 totalmente falso e malicioso, e extremamente prejudicial e difamat\u00f3rio.\u201d A editora e o jornal exigem que a Warner Bros reconhe\u00e7a publicamente que \u201calguns fatos s\u00e3o imaginados com uma inten\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica\u201d e que, ao representar certos fatos e personagens foram tomadas \u201clicen\u00e7as art\u00edsticas\u201d. A carta tamb\u00e9m exige que se coloque uma advert\u00eancia aos espectadores sobre isso.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O personagem da rep\u00f3rter que dorme com sua fonte n\u00e3o \u00e9 incomum em Hollywood. O exemplo mais recente \u00e9\u00a0<i>House of Cards<\/i>. As raz\u00f5es pelas quais os roteiristas acham f\u00e1cil presumir que jovens rep\u00f3rteres podem obter sucesso com sexo e as raz\u00f5es pelas quais o p\u00fablico acredita nisso s\u00e3o temas para outro debate. Mas o fato \u00e9 que Eastwood e Ray decidiram fazer essa suposi\u00e7\u00e3o com uma pessoa real, que, al\u00e9m do mais, n\u00e3o pode se defender. Donald Johnson, o agente do FBI que teria sido a fonte de Scruggs, tamb\u00e9m n\u00e3o pode dar sua vers\u00e3o. Morreu em 2003.<\/p>\n<div class=\"raw_html\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gSMxBLlA8qY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A Warner Bros respondeu na segunda-feira mesmo com uma declara\u00e7\u00e3o na qual defende o filme. &#8220;O roteiro se baseia em muito material altamente confi\u00e1vel&#8221;, diz o comunicado citado pela\u00a0<i>Variety<\/i>. \u201c\u00c9 triste que o\u00a0<i>Atlanta Journal-Constitution<\/i>, que fez parte do julgamento apressado contra Jewell, agora tente prejudicar nossos cineastas e nosso elenco.\u00a0<i>Richard Jewell<\/i>\u00a0se concentra na verdadeira v\u00edtima, procura contar sua hist\u00f3ria, confirmar sua inoc\u00eancia e restaurar seu bom nome.\u201d A empresa n\u00e3o entra no ponto-chave da disputa, que n\u00e3o \u00e9 a inoc\u00eancia de Jewell, mas, sim, o preconceito sobre o trabalho de Scruggs.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Aos 89 anos, Eastwood vem dedicando os anos recentes de sua carreira a fazer filmes em homenagem a her\u00f3is comuns. Seus personagens favoritos s\u00e3o pessoas simples a quem o destino coloca em circunst\u00e2ncias extremas onde d\u00e3o o melhor de si e, simplesmente fazendo o que sabem fazer, se arriscam pelos outros. Filmes como\u00a0<i>Sully: o Her\u00f3i do Rio Hudson<\/i>,\u00a0<i>15:17 \u2013 Trem para Paris<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Sniper Americano<\/i>\u00a0s\u00e3o tributos a pessoas reais com hist\u00f3rias extraordin\u00e1rias publicadas nos jornais. Com\u00a0<i>Richard Jewell<\/i>\u00a0ele volta a esse tema. &#8220;Gostaria que lhe dedicassem uma rua\u201d, disse Eastwood sobre Jewell no American Film Festival no final de novembro. \u201cEle merece isso e muito mais.\u201d<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 89 anos, Eastwood vem dedicando os anos recentes de sua carreira a fazer filmes em homenagem a her\u00f3is comuns. 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