{"id":305392,"date":"2019-12-20T18:30:07","date_gmt":"2019-12-20T21:30:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=305392"},"modified":"2019-12-20T18:30:07","modified_gmt":"2019-12-20T21:30:07","slug":"chiclete-de-6-000-anos-conserva-o-dna-da-garota-que-o-mascava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/chiclete-de-6-000-anos-conserva-o-dna-da-garota-que-o-mascava\/","title":{"rendered":"\u2018Chiclete\u2019 de 6.000 anos conserva o DNA da garota que o mascava"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \">Resina de b\u00e9tula permitiu identificar as bact\u00e9rias orais e o que ela havia comido antes de mastig\u00e1-la<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/NFd-BuI-KYVCPNHi30ZKhXW0IvU=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/UI6ZOYOFZEPXBL6XV6GXW4JJ5E.jpg\" alt=\"O 'chiclete' vem do cozimento da casca de b\u00e9tula.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">O &#8216;chiclete&#8217; vem do cozimento da casca de b\u00e9tula.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">THEIS JENSEN<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Miguel \u00c1ngel Criado\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/miguel_angel_criado_asien\/a\/\">MIGUEL \u00c1NGEL CRIADO<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\">Uma esp\u00e9cie de chiclete de 6.000 anos ainda conserva a marca dos dentes de quem o mascava. Com isso, um grupo de pesquisadores p\u00f4de obter\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adn\" data-link-track-dtm=\"\">DNA<\/a>\u00a0humano, mas tamb\u00e9m o das bact\u00e9rias que tinha na boca. E mais, conseguiram identificar um v\u00edrus que portava e at\u00e9 o que havia comido antes de mastigar a goma de mascar milenar. A garota (puderam determinar seu sexo gra\u00e7as \u00e0 gen\u00e9tica) tinha pele e cabelos morenos e olhos claros. Os pesquisadores a chamam de Lola.<\/p>\n<p class=\"\">A ideia de obter DNA antigo era quase imposs\u00edvel at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s e, ainda menos, se n\u00e3o fosse de algum osso e dente quebrado pela deteriora\u00e7\u00e3o do material org\u00e2nico com o passar do tempo. Mas o avan\u00e7o das t\u00e9cnicas de leitura e sequenciamento est\u00e1 permitindo aos cientistas localizar, como os forenses atuais, informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica humana registrada em coisas e objetos que estiveram em contato \u00edntimo com algu\u00e9m. E o que h\u00e1 de mais \u00edntimo do que colocar um objeto na boca e mastig\u00e1-lo?<\/p>\n<p class=\"\">\u00c9 o que comprovaram com uma estranha pedra encontrada na jazida arqueol\u00f3gica de Syltholm, no sul da Dinamarca. Enterrado sob uma camada de lodo que ajudou em sua preserva\u00e7\u00e3o, os arque\u00f3logos identificaram um peda\u00e7o de breu ou alcatr\u00e3o de b\u00e9tula de 5.858 a 5.660 de idade. J\u00e1 no Paleol\u00edtico, os antigos humanos usavam essa resina obtida da queima da casca dessa \u00e1rvore. Por sua presen\u00e7a nas juntas de armas e ferramentas, deviam us\u00e1-la como cola. Em v\u00e1rias dessas pedras negras encontradas no norte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/europa\" data-link-track-dtm=\"\">Europa<\/a>\u00a0descobriram marcas de mordidas, de modo que deviam masc\u00e1-la para amolec\u00ea-la.<\/p>\n<p class=\"\">A an\u00e1lise dessas marcas permitiu ver que continham muita informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Em uma pesquisa publicada na revista\u00a0<em>Nature Communications<\/em>, os cientistas que estudaram essa goma de mascar encontraram quantidade suficiente de DNA humano para sequenciar o genoma completo do indiv\u00edduo. De sua leitura, conclu\u00edram que a pessoa que mastigava a resina de b\u00e9tula devia ser uma mulher e, por seu perfil gen\u00e9tico, teria a tez e o cabelo escuros, enquanto os olhos seriam claros.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cO breu de b\u00e9tula era usado principalmente na manufatura de ferramentas de pedra, mas tamb\u00e9m poderia ter sido utilizado para aliviar dor de dente, j\u00e1 que tem propriedades antiss\u00e9pticas e antibacterianas\u201d, diz o professor da Universidade de Copenhague e coautor do estudo Hannes Schroeder.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top pull_left width_half\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/RrrCXGSvnEa3upzAqsJZErXTWcU=\/450x600\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/JI5PB2L3G6GLNHFTLLCPVZE6S4.jpg\" alt=\"Recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Lola, como chamaram a garota que mascava o chiclete. Seus tra\u00e7os, o fen\u00f3tipo, foram deduzidos do sequenciamento de seu genoma. (TOM BJ\u00d6RKLUND)\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Lola, como chamaram a garota que mascava o chiclete. Seus tra\u00e7os, o fen\u00f3tipo, foram deduzidos do sequenciamento de seu genoma. (TOM BJ\u00d6RKLUND)<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">No genoma sequenciado n\u00e3o encontraram a muta\u00e7\u00e3o que permite que a maior parte dos humanos modernos beba leite animal sem sofrer indigest\u00e3o. Tal muta\u00e7\u00e3o apareceu h\u00e1 10.000 anos e deve ter se propagado de maneira paulatina desde ent\u00e3o. Toda essa informa\u00e7\u00e3o permite aos autores do estudo identificar a garota como membro de algum grupo de ca\u00e7adores-coletores que ainda n\u00e3o havia entrado na nova era do Neol\u00edtico europeu trazido por novos povoadores do leste e sudeste do continente. Mas o chiclete ainda tinha muito mais para contar.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cTamb\u00e9m obtivemos DNA de micr\u00f3bios bucais e v\u00e1rios pat\u00f3genos humanos importantes\u201d, diz Schroeder. No microbioma oral encontraram bact\u00e9rias comensais ben\u00e9ficas, como a\u00a0<em>Neisseria subflava<\/em>, mas tamb\u00e9m prejudiciais, como a\u00a0<em>Porphyromonas gingivalis<\/em>\u00a0e a\u00a0<em>Treponema denticola<\/em>, o que indica que a mulher tinha uma s\u00e9ria periodontite, o que refor\u00e7aria o uso do chiclete como calmante. Al\u00e9m disso, a an\u00e1lise das marcas tamb\u00e9m permitiu identificar o rastro do v\u00edrus de Epstein-Barr, que ataca as c\u00e9lulas das gl\u00e2ndulas salivares. Por \u00faltimo, os pesquisadores tamb\u00e9m encontraram genes que n\u00e3o eram humanos e bacterianos: uns eram de origem animal, os de um pato-real, e outros de proced\u00eancia vegetal, mais concretamente avel\u00e3s. Deve ter sido o que a garota comeu pouco antes de mascar o chiclete de b\u00e9tula.<\/p>\n<p class=\"\">Esse chiclete de 6.000 anos atr\u00e1s n\u00e3o \u00e9 primeiro encontrado nessa regi\u00e3o do planeta. Em 2007, uma pesquisadora brit\u00e2nica encontrou na Finl\u00e2ndia uma amostra dessa resina de b\u00e9tula com marcas de dentes humanos, mas \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o existia a tecnologia para analisar a presen\u00e7a de DNA humano. Tamb\u00e9m foi encontrado por um grupo de pesquisadores suecos em tr\u00eas peda\u00e7os, cujo rastro gen\u00e9tico pertencia a dois homens e uma mulher, em uma jazida arqueol\u00f3gica de Huseby-Klev, na costa oeste da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/suecia\" data-link-track-dtm=\"\">Su\u00e9cia<\/a>, cujos resultados foram publicados em abril.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/zoc_OQd6SfwQqyMQvLhUHB4q9dE=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/AD6ENEREYEEUL5DK2KOO5DJWDM.jpg\" alt=\"Vista parcial das escava\u00e7\u00f5es do s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Lolland, na Dinamarca. O barro permitiu que se conservassem armas, utens\u00edlios e at\u00e9 chicletes em perfeito estado.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Vista parcial das escava\u00e7\u00f5es do s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Lolland, na Dinamarca. O barro permitiu que se conservassem armas, utens\u00edlios e at\u00e9 chicletes em perfeito estado.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">MUSEO LOLLAND-FALSTER<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Tal concentra\u00e7\u00e3o de chicletes com marcas humanas n\u00e3o parece extraordin\u00e1ria \u00e0 pesquisadora da Universidade de Uppsala (Su\u00e9cia) e principal autora da descoberta do primeiro semestre de 2019 Natalija Kashuba: \u201cAt\u00e9 agora encontramos um total de 4 amostras de DNA, nosso trabalho com tr\u00eas amostras de chiclete (e 3 indiv\u00edduos) e essa da Dinamarca. Acho que simplesmente tem ocorrido tanto um interesse por parte da comunidade arqueol\u00f3gica como a disponibilidade de laborat\u00f3rios de DNA antigo para realizar a an\u00e1lise dessas gomas de mascar pr\u00e9-hist\u00f3ricas. Foi uma combina\u00e7\u00e3o de amostras bem conservadas, curiosidade cient\u00edfica e, claro, um pouco de sorte\u201d.<\/p>\n<\/section>\n<div class=\"trust_project\">\n<div class=\"content | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"claim | flex align_items_center justify_center\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Lola, como chamaram a garota que mascava o chiclete. Seus tra\u00e7os, o fen\u00f3tipo, foram deduzidos do sequenciamento de seu genoma. (TOM BJ\u00d6RKLUND)<\/p>\n<p>No genoma sequenciado n\u00e3o encontraram a muta\u00e7\u00e3o que p<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":305393,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-305392","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/menina-do-chiclete.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305392","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=305392"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/305392\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/305393"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=305392"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=305392"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=305392"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}