{"id":305603,"date":"2019-12-23T10:19:25","date_gmt":"2019-12-23T13:19:25","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=305603"},"modified":"2019-12-23T10:19:25","modified_gmt":"2019-12-23T13:19:25","slug":"por-que-os-primeiros-humanos-pintavam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-os-primeiros-humanos-pintavam\/","title":{"rendered":"Por que os primeiros humanos pintavam?"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Descoberta da obra de arte figurativa mais antiga do mundo acende debate sobre as motiva\u00e7\u00f5es de seus autores<\/h2>\n<\/div>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n              justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Manuel Ansede\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/manuel_ansede_vazquez\/a\/\">MANUEL ANSEDE<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"place_and_time | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/ZF3mxh6yHiE9Ir9s5gHf6iTTdQs=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/O5G4XSI5BVS7V3BKWKKDOSX4WM.jpg\" alt=\"Os arque\u00f3logos Maxime Aubert e Adam Brumm.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Os arque\u00f3logos Maxime Aubert e Adam Brumm.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">KINEZ RIZA<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Nas gavetas que Bego\u00f1a S\u00e1nchez Chill\u00f3n abre h\u00e1 um mundo que j\u00e1 n\u00e3o existe, o \u00faltimo testemunho de uma aventura memor\u00e1vel. Entre 1912 e 1936, dois artistas, Juan Cabr\u00e9 e Francisco Ben\u00edtez, percorreram a Espanha de burro em busca das primeiras\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/obras_arte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">obras de arte<\/a>\u00a0da humanidade, feitas h\u00e1 dezenas de milhares de anos em telas de pedra. \u201cMuitas das pinturas rupestres desapareceram. A \u00fanica testemunha \u00e9 essa cole\u00e7\u00e3o\u201d, explica a bi\u00f3loga nos arquivos do Museu Nacional de Ci\u00eancias Naturais, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/madrid\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Madri<\/a>. Cabr\u00e9 e Ben\u00edtez arriscaram suas vidas em penhascos para decalcar as pinturas diretamente dos originais, com l\u00e1pis e papel vegetal. \u201cAqui temos 2.200 decalques feitos por eles. Alguns deles ainda tinham terra das paredes das cavernas\u201d, conta S\u00e1nchez Chill\u00f3n.<\/p>\n<p class=\"\">H\u00e1 apenas uma semana, uma equipe de arque\u00f3logos australianos anunciou a descoberta em uma caverna na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/indonesia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Indon\u00e9sia<\/a>\u00a0da mais antiga obra de arte figurativa do mundo: uma pintura de oito silhuetas humanas ca\u00e7ando javalis e b\u00fafalos. O autor, a autora ou os autores pintaram a cena h\u00e1 pelo menos 43.900 anos. Eram pessoas que j\u00e1 tinham a capacidade de inventar hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o e talvez tamb\u00e9m um pensamento m\u00e1gico. Ou inclusive\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/religion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">religioso<\/a>. Talvez j\u00e1 tivessem seus pr\u00f3prios deuses. A nova pintura da Indon\u00e9sia levanta muitas quest\u00f5es. E nos decalques centen\u00e1rios de Cabr\u00e9 e Ben\u00edtez pode haver algumas respostas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pintura_rupestre\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">A arte rupestre<\/a>\u00a0\u00e9 a primeira linguagem, a primeira forma de transmitir conceitos, com voca\u00e7\u00e3o de perdurar. A grande quest\u00e3o \u00e9 quais eram esses conceitos\u201d, explica o arque\u00f3logo Marcos Garc\u00eda Diez, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ucm.es\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Universidade Complutense de Madri<\/a>. Os pr\u00e9-historiadores lan\u00e7am hip\u00f3teses desde 1879, quando a menina Mar\u00eda Sanz de Sautuola, de oito anos, descobriu os espantosos animais pintados na caverna de Altamira, na regi\u00e3o da Cant\u00e1bria. \u201cParecia que as pedras bramiam. L\u00e1, em vermelho e preto, amontoados, brilhantes por causa das infiltra\u00e7\u00f5es de \u00e1gua, estavam os bisontes, enfurecidos ou em repouso. Um tremor milenar estremecia a sala\u201d, escreveu o poeta Rafael Alberti meio s\u00e9culo mais tarde.<\/p>\n<p class=\"\">Depois da pol\u00eamica inicial sobre sua autenticidade, Altamira \u2013pintada de 35.000 a 15.000 anos atr\u00e1s\u2013 ficou conhecida como a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Capela Sistina<\/a>\u00a0paleol\u00edtica. Em 1903, o arque\u00f3logo franc\u00eas Salomon Reinach lan\u00e7ou uma das primeiras teorias: os habitantes das cavernas pintavam animais para propiciar a ca\u00e7a, em uma esp\u00e9cie de ritual de vodu. A ideia durou d\u00e9cadas, mas hoje destoa, como adverte Garc\u00eda Diez com um exemplo: a espetacular caverna de Ekain, na prov\u00edncia de Guip\u00fascoa, parece um templo dedicado aos cavalos, com dezenas deles pintados h\u00e1 cerca de 15.000 anos nas paredes de rocha. Mas em seu solo n\u00e3o foram encontrados ossos de equinos ca\u00e7ados, mas de veados e cabras.<\/p>\n<p class=\"\">No meio de seus p\u00e9riplos de burro pela Espanha, em 1915, o artista Juan Cabr\u00e9 tamb\u00e9m elucubrava sobre o poss\u00edvel significado daquelas pinturas que decalcava de rocha em rocha. \u201cO que essas pessoas faziam l\u00e1 e durante dias multiplicados? Pois viviam da ca\u00e7a: pensar nela, nos meios de consegui-la e prepar\u00e1-la\u201d, escreveu. Essa ideia de decora\u00e7\u00e3o por causa do t\u00e9dio tamb\u00e9m morreu. \u201cA arte pela arte foi outra das primeiras teorias e hoje \u00e9 rejeitada\u201d, explica Garc\u00eda Diez, que est\u00e1 prestes a publicar o livro El Arte \u2013 Las Primeiras Im\u00e1genes (Diario de Atapuerca), sobre o surgimento da iconografia.<\/p>\n<p class=\"\">Bego\u00f1a S\u00e1nchez Chill\u00f3n abre outra gaveta, com a ajuda de M\u00f3nica Verg\u00e9s, diretora do Arquivo do Museu Nacional de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciencias_naturales\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Ci\u00eancias Naturais<\/a>. Imediatamente surgem figuras esquem\u00e1ticas de mulheres com uma vulva gigante e homens com um grande p\u00eanis pendurado. \u201cEsta \u00e9 uma das primeiras cenas de parto da pr\u00e9-hist\u00f3ria\u201d, diz S\u00e1nchez Chill\u00f3n apontando para uma das formas femininas, com outra figura entre as pernas.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/QHPL1Klbt4EEsF0OI6LIsPJn_Zs=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/O7DUVQS26ZQ55KS3E6WAMIZPVQ.jpg\" alt=\"Cavalos pintados h\u00e1 15.000 anos na gruta de Ekain, Guip\u00fazcoa.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Cavalos pintados h\u00e1 15.000 anos na gruta de Ekain, Guip\u00fazcoa.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">FUNDACI\u00d3N EKAIN<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">O que a bi\u00f3loga mostra \u00e9 um desenho feito um s\u00e9culo atr\u00e1s durante uma das expedi\u00e7\u00f5es de burro de Francisco Ben\u00edtez, mas o original foi feito h\u00e1 cerca de 6.000 anos em Pe\u00f1a Escrita, um abrigo de rocha situado a mais de 900 metros de altitude em Fuencaliente (Ciudad Real), em plena Serra Morena. L\u00e1 est\u00e3o as primeiras pinturas rupestres documentadas na Espanha, um s\u00e9culo antes de Altamira. Um padre, Fernando L\u00f3pez de C\u00e1rdenas, as encontrou durante uma expedi\u00e7\u00e3o em busca de minerais em 1783. As habilidades art\u00edsticas dos humanos pr\u00e9-hist\u00f3ricos eram t\u00e3o inesperadas que o padre classificou esses rabiscos de vulvas e p\u00eanis como \u201chier\u00f3glifos de gentios\u201d, possivelmente fen\u00edcios ou cartagineses.<\/p>\n<p class=\"\">Em Pe\u00f1a Escrita, as enigm\u00e1ticas figuras costumam se dividir em pares formados por uma mulher e um homem. Essa dualidade tamb\u00e9m est\u00e1 por tr\u00e1s de uma das hip\u00f3teses mais ousadas e inquietantes sobre o significado da arte paleol\u00edtica: a teoria estruturalista, defendida pelo pr\u00e9-historiador franc\u00eas Andr\u00e9 Leroi-Gourhan na segunda metade do s\u00e9culo XX. Segundo suas estat\u00edsticas, as pinturas rupestres n\u00e3o se distribu\u00edam de maneira aleat\u00f3ria, mas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/25\/album\/1564070987_505955.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">formavam estruturas bin\u00e1rias<\/a>, com o par cavalo-bisonte representando a dualidade masculino\/feminino. Seus trabalhos abriram a porta para interpretar as pinturas como as mesmas hist\u00f3rias\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mitologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mitol\u00f3gicas<\/a>\u00a0repetidas em diferentes cavernas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cTodas essas hip\u00f3teses podem ser parcialmente v\u00e1lidas em alguns casos. A arte rupestre \u00e9 uma linguagem visual que teria um significado contingente em fun\u00e7\u00e3o da conjuntura\u201d, diz o arque\u00f3logo Roberto Onta\u00f1\u00f3n, diretor das Cavernas Pr\u00e9-hist\u00f3ricas da Cant\u00e1bria. \u201cO que est\u00e1 claro \u00e9 que n\u00e3o pintavam o que viam. Apenas seis ou sete esp\u00e9cies animais representam 90% do pante\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/paleolitico\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">paleol\u00edtico<\/a>. N\u00e3o s\u00e3o retratos do natural. S\u00e3o s\u00edmbolos. S\u00e3o os princ\u00edpios estruturantes de uma cosmogonia\u201d, conclui. \u201cMas seu significado continua sendo a pergunta do milh\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">A arque\u00f3loga In\u00e9s Domingo, da Universidade de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/barcelona\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Barcelona<\/a>, busca novas abordagens. Os primeiros pr\u00e9-historiadores, explica, foram para a Austr\u00e1lia no final do s\u00e9culo XIX em busca de popula\u00e7\u00f5es abor\u00edgines, ent\u00e3o consideradas \u201cf\u00f3sseis vivos\u201d que poderiam confessar finalmente o sentido da arte rupestre. Assim nasceu a teoria do totemismo, que postulava que as pinturas serviam para se identificar com um animal e absorver sua energia.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cPoucos questionavam na \u00e9poca que essas premissas eram claramente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/racismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">racistas<\/a>\u00a0e negavam a evolu\u00e7\u00e3o e a hist\u00f3ria de grupos humanos que atualmente vivem no presente tanto quanto n\u00f3s, e que evolu\u00edram ao longo de mais de 50.000 anos\u201d, indicou Domingo em um artigo cient\u00edfico em 2017. A equipe da arque\u00f3loga, no entanto, n\u00e3o renuncia \u00e0 chamada etnoarqueologia. Sua equipe trabalha com duas comunidades abor\u00edgenes do norte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/australia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Austr\u00e1lia<\/a>, os Kunwinjku e os Jawoyn da Terra de Arnhem, que ainda mant\u00eam conex\u00f5es com as pinturas rupestres pintadas por seus ancestrais.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cNesses grupos, a arte \u00e9 usada como meio de comunica\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplos contextos. Pode ter um valor sagrado. Ou pode servir para que um cl\u00e3 se identifique com um animal, assim como o touro de Osborne pode representar os espanh\u00f3is. Tamb\u00e9m vimos que pintavam esp\u00edritos malignos nas minas de ur\u00e2nio para assinalar que eram \u00e1reas perigosas. Ou que pintavam para contar hist\u00f3rias, como o momento da Cria\u00e7\u00e3o, e as mostravam \u00e0s crian\u00e7as, assim como n\u00f3s pintamos os Reis Magos\u201d, diz Domingo, que entrevista \u00edndios australianos desde 2001.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cSe existe algo que o estudo etnoarqueol\u00f3gico da arte rupestre da Terra de Arnhem nos revela \u00e9 a impossibilidade de decifrar o significado da arte de outra cultura sem os conhecimentos dos autores\u201d, alertou em seu artigo. \u201cNunca chegaremos a entender a arte do paleol\u00edtico\u201d, confirma agora, com uma voz resignada do outro lado da linha.<\/p>\n<p class=\"\">Resta um homem vivo que pintou a caverna de Altamira: Pedro Saura, professor em\u00e9rito de Belas Artes da Universidade Complutense de Madri. Entre 1998 e 2001, Saura e sua esposa \u2013Matilde M\u00fazquiz, j\u00e1 falecida\u2013 pintaram com carv\u00e3o e \u00f3xidos de ferro uma r\u00e9plica do teto policromado que est\u00e1 exposto junto \u00e0 caverna original. \u201cOs autores eram artistas. Alguns deles estavam \u00e0 altura de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rembrandt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Rembrandt<\/a>, Vel\u00e1zquez ou Picasso. Depois de 50 anos dentro de cavernas, acredito que os autores eram muito profissionais, personagens relevantes\u201d, opina o professor. Outra das teorias cl\u00e1ssicas sugere que os pintores eram xam\u00e3s, em transe depois de dan\u00e7as rituais ou da ingest\u00e3o de subst\u00e2ncias alucin\u00f3genas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cN\u00e3o existe uma Altamira, existem muitas\u201d, diz o arque\u00f3logo Marcos Garc\u00eda Diez, que datou as pinturas da caverna. Ao longo de 20.000 anos, explica, houve uma primeira Altamira de sinais. Depois, outra fase dos cavalos vermelhos. A terceira fase foi de cerv\u00eddeos. E a \u00faltima, de bisontes, h\u00e1 cerca de 15.000 anos. O que vemos agora s\u00e3o essas fases sobrepostas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cH\u00e1 cerca de 15.000 anos, as cavernas no norte da Espanha e do sul da Fran\u00e7a estavam cheias de bisontes. S\u00e3o linguagens narrativas. E linguagens narrativas s\u00e3o ideologias. E as ideologias se distinguem nos territ\u00f3rios\u201d, afirma Garc\u00eda Diez. \u00c9 sua hip\u00f3tese favorita: a cria\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos para identificar o grupo e marcar seu territ\u00f3rio. \u201c\u00c9 a explica\u00e7\u00e3o mais natural\u201d, concorda Bego\u00f1a S\u00e1nchez Chill\u00f3n enquanto fecha uma de suas gavetas.<\/p>\n<\/section>\n<section class=\"tags | border_top border_1 margin_vertical width_full\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o existe uma Altamira, existem muitas\u201d, diz o arque\u00f3logo Marcos Garc\u00eda Diez, que datou as pinturas da caverna. Ao longo de 20.000 anos, explica, houve uma primeira Altamira de sinais. Depois, outra fase dos cavalos vermelhos. A terceira fase foi de cerv\u00eddeos. 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