{"id":306206,"date":"2019-12-30T16:33:17","date_gmt":"2019-12-30T19:33:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=306206"},"modified":"2019-12-30T16:33:17","modified_gmt":"2019-12-30T19:33:17","slug":"o-ano-de-scorsese-contra-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-ano-de-scorsese-contra-o-mundo\/","title":{"rendered":"O ano de Scorsese contra o mundo"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\"><em>O cineasta nova-iorquino marca o ano cinematogr\u00e1fico com \u2018O Irland\u00eas\u2019, produzido pela Netflix, e por suas cr\u00edticas contra os filmes de super-her\u00f3is. Almod\u00f3var e Bong Joon-ho demonstram sua vitalidade criativa<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/NSsbi3KwJkn3e02joA-S94ZpRLE=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/XTAYWCB5RYYOR7HQWL2MEEK4VE.jpg\" alt=\"Martin Scorsese dirige Robert De Niro e Joe Pesci em \u2018O Irland\u00eas\u2019\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Martin Scorsese dirige Robert De Niro e Joe Pesci em \u2018O Irland\u00eas\u2019<\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Gregorio Belinch\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/gregorio_belinchon\/a\/\">GREGORIO BELINCH\u00d3N<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<section class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Se fosse uma partida de mus, um jogo de cartas bastante popular na Espanha, 2019 obteve quase as mesmas cartas que 2018, mas a cada\u00a0<i>envido<\/i>\u00a0(aposta) do ano passado, o atual lhe respondeu com mais apostas. E se a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/netflix\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Netflix<\/a>\u00a0tiver problemas? Mais duas. E se os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/superheroes\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">filmes de super-her\u00f3is<\/a>\u00a0devorarem os outros? Mais sete. E\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2019\/08\/27\/actualidad\/1566907535_797816.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">se o Le\u00e3o de Veneza for pol\u00eamico<\/a>? Mais 17. E se uma obra de alguma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_oscar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">plataforma\u00a0<i>online<\/i>\u00a0ganhar o Oscar<\/a> de melhor filme? Aposta total&#8230; as cartas ser\u00e3o reveladas em 9 de fevereiro.<\/p>\n<p class=\"\">Outro debate significativo, sobre se aquilo que uma plataforma digital produz \u00e9 cinema, j\u00e1 foi conclu\u00eddo. Independentemente da forma (assim como nas salas de exibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 apenas cinema, o cinema n\u00e3o \u00e9 feito apenas para as salas de exibi\u00e7\u00e3o), o conte\u00fado triunfa: o importante \u00e9 a linguagem. Pelo menos \u00e9 isso que os criadores j\u00e1 entenderam:\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/martin_scorsese\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Martin Scorsese<\/a>, protagonista por duplo motivo deste 2019, foi produzido pela Netflix, e suas cr\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o por isso, e sim pelo efeito avassalador dos filmes da Marvel \u2015 em geral, de super-her\u00f3is \u2015 sobre as demais obras cinematogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2019\/11\/06\/opinion\/1573066880_833386.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">No\u00a0<i>The New York Times<\/i>, o cineasta afirmou<\/a>: \u201cEm muitos filmes de franquias trabalham artistas aut\u00eanticos, pessoas de talento. Sei que, se eu fosse mais jovem, se tivesse amadurecido numa \u00e9poca posterior, possivelmente me apaixonaria por esses filmes e talvez at\u00e9 quisesse fazer um. Mas cresci quando cresci, e desenvolvi um sentido sobre o cinema t\u00e3o distante do universo Marvel quanto n\u00f3s, na Terra, estamos de Alpha Centauri [&#8230;]. Para mim, para os cineastas que passei a amar e respeitar, o cinema consistia em uma revela\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, emocional e espiritual. A chave estava a\u00ed: era uma forma art\u00edstica. Nos filmes de Marvel n\u00e3o h\u00e1 revela\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio nem aut\u00eantico perigo emocional. N\u00e3o h\u00e1 nenhum risco\u201d. Ele alertou sobre o perigo real: o pouco espa\u00e7o que o cinema de franquia deixa para os demais filmes nas salas de exibi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Um longo inciso: pela primeira vez, infelizmente, a Espanha est\u00e1 na vanguarda da cinematografia mundial. Devido \u00e0 forma como a ind\u00fastria est\u00e1 concebida, s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para as com\u00e9dias produzidas pelas emissoras de TV e para o cinema autoral de menor or\u00e7amento, que n\u00e3o pode superar 1,8 milh\u00e3o de euros (8,1 milh\u00f5es de reais) para ter acesso a subs\u00eddios governamentais. A classe m\u00e9dia do cinema espanhol, assim como na Espanha real, est\u00e1 a ponto de desaparecer. E agora isso ocorre no cinema mundial.<\/p>\n<p class=\"\">Voltando a Scorsese, seu artigo foi publicado dois meses depois que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/07\/cultura\/1567872270_290208.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Coringa<\/i>, de Todd Philips, ganhou o Le\u00e3o de Ouro<\/a>\u00a0no festival de Veneza. Ou seja, uma franquia ganhou o principal pr\u00eamio de um festival de autor, decis\u00e3o no m\u00ednimo surpreendente, ainda mais porque o j\u00fari era presidido pela argentina Lucrecia Martel. Esse Le\u00e3o de Ouro despertou muitas d\u00favidas. Foi merecido? Ser\u00e1 que um filme desses precisa ganhar um festival de primeira categoria? Ser\u00e1 que Veneza precisa reverenci\u00e1-lo tanto? A verdade \u00e9 que em muitos pa\u00edses o cartaz do filme da Warner n\u00e3o inclui o logotipo do trof\u00e9u&#8230; Ser\u00e1 que espantaria seu p\u00fablico em potencial? Para outros filmes, esse logotipo seria sua porta de entrada nos cinemas do resto do mundo \u2015 pelo menos (voltando a Scorsese) naqueles em que Batman deixasse algum espa\u00e7o para eles. Da\u00ed, a passagem para a TV e as plataformas digitais.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/PNU_hRshYpjWMnl5WFSWAAr2RRg=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/ZMC5VD2XYQS6U6TAWPJRFQHKJI.jpg\" alt=\"Trailer de \u2018Parasita\u2019.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Trailer de \u2018Parasita\u2019.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">No eterno bramido midi\u00e1tico que cerca a Netflix,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2019-11-26\/hollywood-descobre-o-elixir-da-juventude.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a opera\u00e7\u00e3o\u00a0<i>O Irland\u00eas<\/i>\u00a0tem v\u00e1rios paralelos com a estrat\u00e9gia usada<\/a>\u00a0na temporada passada com\u00a0<i>Roma<\/i>, embora aumentando a aposta. No drama do mexicano Alfonso Cuar\u00f3n, a plataforma n\u00e3o foi a principal produtora, mas ajudou no lan\u00e7amento do filme e foi sua distribuidora mundial. Com Scorsese,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2019\/10\/13\/actualidad\/1570918726_301539.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a Netflix efetivamente colocou dinheiro desde o come\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o<\/a>, depois que a Paramount pulou fora, assustada com um or\u00e7amento de 144 milh\u00f5es de euros (651 milh\u00f5es de reais), obrigat\u00f3rios devido \u00e0 tecnologia necess\u00e1ria para reconstruir os rostos de protagonistas ao longo de quatro d\u00e9cadas. Em um ano de muito bom cinema, s\u00e3o ainda mais interessantes os movimentos subterr\u00e2neos que provocaram grandes terremotos na ind\u00fastria. Se na Europa ainda h\u00e1 diverg\u00eancias quanto \u00e0 Netflix, em Hollywood a plataforma foi aceita pela todo-poderosa MPAA, a associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane os grandes est\u00fadios, Sony, Universal, Paramount, Warner, Disney&#8230; E agora Netflix. Outro frenesi tel\u00farico: o apetite empresarial da Disney, que devorou a Fox e em 2020 chegar\u00e1 a todos os cantos do mundo com o Disney +, sua pr\u00f3pria plataforma, com um cat\u00e1logo composto por obras da pr\u00f3pria Disney, al\u00e9m da Marvel, Lucasfilms, Pixar, Fox \u2014 incluindo, entre outras joias, uma enorme atra\u00e7\u00e3o no universo digital, a s\u00e9rie\u00a0<i>Os Simpsons<\/i>\u00a0\u2014 e National Geographic. Se nos Estados Unidos for aberta a discuss\u00e3o sobre uma fus\u00e3o entre a Academia de Televis\u00e3o e a de Cinema, ser\u00e1 preciso abra\u00e7ar a palavra favorita dos novos messias: audiovisual. Ser\u00e1 que nos\u00a0<i>tablets<\/i>\u00a0poderemos apreciar a atual aposta audiovisual no som imersivo, que alcan\u00e7ou s\u00e9ries como\u00a0<i>Chernobyl<\/i>\u00a0e document\u00e1rios como\u00a0<i>La Ciudad Oculta<\/i>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/title\/tt9106444\/?ref_=fn_al_tt_1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>El Cuarto Reino: El Reino de los Pl\u00e1sticos<\/i><\/a>?<\/p>\n<p class=\"\">Se Michael Bay, Noah Baumbach e Scorsese filmaram para a Netflix, quem vai rejeitar a oferta na Espanha? O mesmo vale para as s\u00e9ries. Qualquer criador ansioso para filmar experimentar\u00e1 gravar uma, animado com os tempos de produ\u00e7\u00e3o televisiva, muito mais curtos que os cinematogr\u00e1ficos. Cria-se um magma no qual tudo se mistura. \u00c9 revelador que na mesma temporada tenha acabado\u00a0<i>Game of Thrones<\/i>\u00a0e sido conclu\u00edda a saga\u00a0<i>Star Wars<\/i>, os dois novel\u00f5es fant\u00e1sticos criados para unir v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es diante da tela \u2014 seja esta qual for. Serviram pelo menos para refletir em parte \u2015 apenas em parte, ainda h\u00e1 um longo caminho pela frente \u2015 as queixas da metade da humanidade que n\u00e3o se v\u00ea refletida nas hist\u00f3rias audiovisuais: as mulheres. Adeus \u00e0s Anas e bem-vindas as Elsas (parafraseando\u00a0<i>Frozen<\/i>) com poder e autonomia, aqui tomam posi\u00e7\u00e3o personagens femininas proativas. Mulheres como as que protagonizam tr\u00eas das melhores s\u00e9ries desta temporada:\u00a0<i>Boneca Russa<\/i>,\u00a0<i>Fleabag<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Vida Perfecta<\/i>.<\/p>\n<figure class=\"article_image | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/UAa-ny3NTyfA0Oe20Fmye4oNJ6k=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/T47KA74HRZVGPLLVIGVEZRKVXE.jpg\" alt=\"Antonio Banderas, em \u2018Dor e Gl\u00f3ria\u2019.\" \/><figcaption class=\"caption | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Antonio Banderas, em \u2018Dor e Gl\u00f3ria\u2019.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Esse reflexo da sociedade machista atrapalha bastante o cinema espanhol atual. Um cinema que neste ano deve ter feito a felicidade dos\u00a0<i>haters<\/i>\u00a0que defendem a teoria de que \u201cfazem filmes demais sobre a Guerra Civil\u201d, uma mentira demolida pelas estat\u00edsticas. Filmam-se poucos, mas os de 2019 tiveram uma enorme repercuss\u00e3o:\u00a0<i>Mientras Dure la Guerra<\/i>, de Alejandro Amen\u00e1bar, foi, com justi\u00e7a, um enorme sucesso de bilheteria, arrecadando mais de 10 milh\u00f5es de euros (45,2 milh\u00f5es de reais), e tanto\u00a0<i>La Trinchera Infinita<\/i>, de Aitor Arregi, Jose Mari Goenaga e Jon Gara\u00f1o, obra-prima do sil\u00eancio e da dor, como\u00a0<i>Longa Noite<\/i>, de Eloy Enciso, refletem o sofrimento silenciado pelas inst\u00e2ncias oficiais de grande parte dos espanh\u00f3is. Por esse caminho, o da dor oculta das pessoas comuns, passam tr\u00eas filmes\u00a0<i>a priori<\/i>\u00a0muito diferentes:\u00a0<i>Bu\u00f1uel en el Laberinto de las Tortugas<\/i>, de Salvador Sim\u00f3;\u00a0<i>Lo que Arde<\/i>, de Oliver Laxe, e\u00a0<i>La Hija de un Ladr\u00f3n<\/i>, de Bel\u00e9n Funes.<\/p>\n<p class=\"\">Para o final,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2019\/12\/16\/actualidad\/1576451662_659031.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">o tango do ano<\/a>: aquele que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pedro_almodovar\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Pedro Almod\u00f3var<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/joon_ho_bong\/a\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Bong Joon-ho<\/a>\u00a0dan\u00e7am desde maio em Cannes, com seus filmes\u00a0<i>Dor e Gl\u00f3ria<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Parasita<\/i>\u00a0\u2014 este, o ganhador da Palma de Ouro. As duas obras-primas dividiram os trof\u00e9us ao longo desta temporada de premia\u00e7\u00f5es, que acaba em fevereiro com o Oscar. O espanhol\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/23\/cultura\/1553348331_684765.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">encontrou em si mesmo um fascinante artista doente<\/a>\u00a0ao qual Antonio Banderas adicionou sua fragilidade e uma interpreta\u00e7\u00e3o repleta de riscos. Fazendo fic\u00e7\u00e3o, Almod\u00f3var encontrou sua maior verdade. Agora, ultrapassada essa fronteira, abandonado o pudor em prol da realiza\u00e7\u00e3o de um de seus melhores filmes, qual ser\u00e1 o pr\u00f3ximo passo do cineasta? Abrir-se a outras vozes, a outros formatos? Quanto ao coreano Bong, sua obra usa os g\u00eaneros mais odiados pelo cinema de autor \u2014 o fant\u00e1stico, o terror, o\u00a0<i>thriller\u00a0<\/i>\u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/11\/03\/opinion\/1572796043_676744.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">para falar da sociedade atual<\/a>, para analisar a baixeza que o triunfo do capitalismo liberal traz consigo. E isso o transformou na voz, ao lado de Guillermo del Toro, de toda uma gera\u00e7\u00e3o mundial de diretores (com ampla representa\u00e7\u00e3o espanhola; Bong diz que n\u00e3o conhece um pa\u00eds mais parecido com sua Coreia do Sul do que a Espanha) que entendem o g\u00eanero como uma arma poderosa de sedu\u00e7\u00e3o. Bong \u00e9 um dos nossos.<\/p>\n<\/section>\n<div class=\"trust_project\">\n<div class=\"content | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"claim | flex align_items_center justify_center\" style=\"text-align: justify;\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cineasta nova-iorquino marca o ano cinematogr\u00e1fico com \u2018O Irland\u00eas\u2019, produzido pela Netflix, e por suas cr\u00edticas contra os filmes de super-her\u00f3is. Almod\u00f3var e Bong Joon-ho demonstram sua vitalidade criativa<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":306207,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-306206","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/robert-de-niro.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=306206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/306206\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/306207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=306206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=306206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=306206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}