{"id":307208,"date":"2020-01-10T19:20:39","date_gmt":"2020-01-10T22:20:39","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=307208"},"modified":"2020-01-10T19:20:39","modified_gmt":"2020-01-10T22:20:39","slug":"no-the-guardian-lula-defende-dialogo-entre-os-estados-unidos-e-ira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/no-the-guardian-lula-defende-dialogo-entre-os-estados-unidos-e-ira\/","title":{"rendered":"No \u2018The Guardian\u2019, Lula defende di\u00e1logo entre os Estados Unidos e Ir\u00e3"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<div class=\"addtoany_share_save_container addtoany_content addtoany_content_top\">\n<div class=\"a2a_kit a2a_kit_size_32 addtoany_list\" data-a2a-url=\"https:\/\/www.esmaelmorais.com.br\/2020\/01\/no-the-guardian-lula-defende-dialogo-entre-os-estados-unidos-e-ira\/\" data-a2a-title=\"No \u2018The Guardian\u2019, Lula defende di\u00e1logo entre os Estados Unidos e Ir\u00e3\"><\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-236415 lazyloaded\" src=\"https:\/\/controle.esmaelmorais.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lula-amorim.jpeg\" alt=\"\" width=\"529\" height=\"330\" data-src=\"https:\/\/controle.esmaelmorais.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/lula-amorim.jpeg\" \/><br \/>\nO ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e o ex-ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, celso Amorim, publicaram artigo no jornal ingl\u00eas \u201cThe Guardian\u201d nesta sexta-feira (10) em que defendem o di\u00e1logo como a \u00fanica sa\u00edda para impedir uma escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Ir\u00e3, ap\u00f3s o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, no Iraque.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-8\">\n<div>\n<div id=\"esmaelmorais_post_1\" data-google-query-id=\"CJet44aI-uYCFSQFuQYdkHUDrA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21622511100\/esmaelmorais_post\/esmaelmorais_post_1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cComo presidente e ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, sempre defendemos a paz. Na guerra, todas as vit\u00f3rias s\u00e3o \u201cvit\u00f3rias de Pirro\u201d, escreveram Lula e Amorim.<\/p>\n<p>No texto, o ex-presidente Lula e Celso Amorim lembram do acordo costurado pelo Brasil em 2010 sobre a quest\u00e3o nuclear com Ir\u00e3 e a comunidade internacional. \u201cJuntamente com a Turquia negociamos com o Ir\u00e3 a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Teer\u00e3\u201d, a partir de uma solicita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Presidente Barack Obama, feita em encontro \u00e0 margem de uma C\u00fapula do G8 ampliado em 2009 na It\u00e1lia\u201d, afirmam.<\/p>\n<p>Confira a \u00edntegra do artigo:<\/p>\n<p><strong>Brasil ajudou os EUA e o Ir\u00e3 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz. Di\u00e1logo \u00e9 a \u00fanica resposta<\/strong><\/p>\n<p>O assassinato do general iraniano Qasem Soleimani por meio de bombas lan\u00e7adas a partir de um drone, por ordem expressa do presidente dos Estados Unidos, lan\u00e7ou o Oriente M\u00e9dio \u2013 e o mundo \u2013 na mais grave crise para a seguran\u00e7a global desde o fim da Guerra Fria, no final do s\u00e9culo passado. Ao ordenar unilateralmente a execu\u00e7\u00e3o de um militar da mais alta hierarquia do Ir\u00e3 em solo iraquiano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump violou o Direito Internacional e deu, de forma perigosa e irrespons\u00e1vel, um passo temer\u00e1rio na escalada de um conflito com potencial impacto em todo o planeta.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o conhecemos exatamente qual ser\u00e1 extens\u00e3o da rea\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 a esse ato de guerra n\u00e3o declarada. Mas j\u00e1 vemos preju\u00edzos para a paz e a seguran\u00e7a na regi\u00e3o com o previs\u00edvel ressurgimento da do Estado isl\u00e2mico no Iraque e o retraimento de Teer\u00e3 em rela\u00e7\u00e3o aos compromissos sobre limites de enriquecimento de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Podemos, tamb\u00e9m, apontar com certeza quem ganhar\u00e1 e quem perder\u00e1 com um novo conflito b\u00e9lico, tenha ele as propor\u00e7\u00f5es que tiver.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem sempre lucre com a guerra: os fabricantes de armas, os governos interessados em pilhar as riquezas de outros Estados (sobretudo o petr\u00f3leo), as megaempresas contratadas a peso de ouro para reconstruir o que foi destru\u00eddo pela insensatez e cobi\u00e7a dos senhores da guerra.<\/p>\n<p>E h\u00e1 os que sempre perdem: as popula\u00e7\u00f5es civis, mulheres, crian\u00e7as, idosos e, sobretudo, os mais pobres, condenados \u00e0 morte, \u00e0 fome, \u00e0 perda de suas moradias e \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada para terras desconhecidas, onde enfrentar\u00e3o a mis\u00e9ria, a xenofobia, a humilha\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio.<\/p>\n<p>Como presidente e chanceler do Brasil, na primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo, mantivemos di\u00e1logos com presidentes norte-americanos e altas autoridades iranianas, na tentativa de construir a paz, que acredit\u00e1vamos ser o que mais importava aos povos do Ir\u00e3 e dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Juntamente com a Turquia negociamos com o Ir\u00e3 a \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Teer\u00e3\u201d, a partir de uma solicita\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Presidente Barack Obama, feita em encontro \u00e0 margem de uma C\u00fapula do G8 ampliado em 2009 na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Este acordo, celebrado em 2010, saudado por especialistas em desarmamento de diversas partes do mundo, inclusive o ex- Diretor da Ag\u00eancia de Energia At\u00f4mica e Pr\u00eamio Nobel da Paz, Mohammed El Baradei, tinha o potencial de encaminhar uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica para a complexa quest\u00e3o do programa nuclear iraniano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tornar o mundo um lugar mais seguro, est\u00e1vamos contribuindo para que os dois pa\u00edses, inimigos ferrenhos desde a revolu\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica de 1979, pudessem desenvolver um conv\u00edvio pac\u00edfico e mutuamente respeitoso, conforme desejo expressado pelo pr\u00f3prio presidente norte-americano.<\/p>\n<p>Infelizmente, fatores de pol\u00edtica interna e externa nos Estados Unidos impediram sua ado\u00e7\u00e3o naquele momento. Alguns anos mais tarde, por\u00e9m, Obama firmou acordo de sentido semelhante com o governo iraniano, posteriormente abandonado por Donald Trump<\/p>\n<p>Somos e seremos sempre defensores intransigentes da paz. H\u00e1, sim, uma guerra urgente que precisa ser travada por todas as na\u00e7\u00f5es: a guerra contra a fome, que amea\u00e7a um em cada nove habitantes deste planeta. O que se gasta num \u00fanico dia de guerra aliviaria o sofrimento de milh\u00f5es de crian\u00e7as famintas no mundo. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o nos indignarmos com isso.<\/p>\n<p>Antes mesmo da nossa posse, em novembro de 2002, em visita \u00e0 Casa Branca, tivemos o primeiro encontro com o ent\u00e3o presidente George W. Bush. Havia por parte do governante norte-americano uma obsess\u00e3o em atacar o Iraque, com base em alega\u00e7\u00f5es, que se revelaram falsas, sobre posse de armas qu\u00edmicas e apoio a terrorismo. Dissemos ao Presidente que o a nossa obsess\u00e3o era outra: acabar com a fome e reduzir a pobreza em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos envolvemos na coaliz\u00e3o contra o Iraque e condenamos o uso unilateral da for\u00e7a. Apesar disso (ou, mesmo, por causa disso), Bush respeitou o Brasil. Cooperamos em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, como a cria\u00e7\u00e3o do Grupo de Amigos da Venezuela e as negocia\u00e7\u00f5es comerciais da OMC. Mantivemos boas rela\u00e7\u00f5es e contatos frequentes sobre temas regionais e mundiais, mesmo com nossas diverg\u00eancias. O Brasil foi um dos pouqu\u00edssimos pa\u00edses em desenvolvimento convidados para a Confer\u00eancia de Annapolis, convocada pelos Estados Unidos para discutir a retomada do processo de paz no Oriente M\u00e9dio, em 2007.<\/p>\n<p>Temos a convic\u00e7\u00e3o profunda, lastreada na experi\u00eancia, de que a paz e o di\u00e1logo entre as na\u00e7\u00f5es s\u00e3o, n\u00e3o apenas desej\u00e1veis, mas poss\u00edveis, desde que haja boa vontade e persist\u00eancia. Sabemos que solu\u00e7\u00f5es obtidas pelo di\u00e1logo s\u00e3o muito mais justas e duradouras do que aquelas impostas pela for\u00e7a. A triste situa\u00e7\u00e3o em que o Iraque ainda vive, dezessete anos ap\u00f3s o fat\u00eddico ataque de 2003, \u00e9 a prova mais eloquente da fragilidade dos resultados obtidos por meio de a\u00e7\u00f5es militares unilaterais.<\/p>\n<p>Na paz, os pa\u00edses desenvolvem suas economias, superam diferen\u00e7as e aprendem uns com os outros, promovendo o com\u00e9rcio, a cultura, o contato humano, a pesquisa cient\u00edfica e a coopera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Na guerra, os pa\u00edses trocam m\u00edsseis, bombas e mortes, degradam a qualidade de vida de seus povos, provocam a destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e de ricos patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos e culturais. A realidade tem demonstrado, de forma cada vez mais clara, que, na guerra, todas as vit\u00f3rias s\u00e3o \u201cvit\u00f3rias de Pirro\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 profundamente lament\u00e1vel que o presidente do Brasil Jair Bolsonaro, movido por uma ideologia belicista de extrema direita e por uma vergonhosa subservi\u00eancia ao atual mandat\u00e1rio norte-americano, adote uma postura que contraria a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira e \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es da nossa diplomacia, coonestando o ato de guerra de Donald Trump, justamente no in\u00edcio do ano em que este concorrer\u00e1 \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 que faz pouco caso dos preju\u00edzos humanit\u00e1rios provocados pela guerra, Bolsonaro deveria levar em considera\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es comerciais entre Brasil e Ir\u00e3, pa\u00eds com quem temos um super\u00e1vit de mais de US$ 2 bilh\u00f5es por ano. Acima de tudo, deveria preocupar-se com a seguran\u00e7a do nosso pa\u00eds e do nosso povo, empurrado a apoiar uma guerra que n\u00e3o \u00e9 sua.<\/p>\n<p>Neste momento cr\u00edtico que vive a humanidade, o Brasil tem que voltar a demonstrar o que verdadeiramente \u00e9: um pa\u00eds soberano, defensor da paz e da coopera\u00e7\u00e3o entre os povos, admirado e respeitado no mundo.<\/p>\n<p>Lula \u00e9 ex-presidente do Brasil<\/p>\n<p>Celso Amorim \u00e9 ex-ministro da Rela\u00e7\u00f5es Exteriores<\/p>\n<p>*<em>Artigo publicado originalmente no The Guardian em 10\/1\/2020<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cComo presidente e ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, sempre defendemos a paz. 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