{"id":308643,"date":"2020-01-26T11:31:42","date_gmt":"2020-01-26T14:31:42","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=308643"},"modified":"2020-01-26T11:31:42","modified_gmt":"2020-01-26T14:31:42","slug":"centenario-de-joao-cabral-de-melo-neto-e-marcado-por-descoberta-de-obras-ineditas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/centenario-de-joao-cabral-de-melo-neto-e-marcado-por-descoberta-de-obras-ineditas\/","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto \u00e9 marcado por descoberta de obras in\u00e9ditas"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\"><em>Um dos mais importantes poetas da literatura brasileira, o pernambucano segue mais atual que nunca<\/em><\/h2>\n<div class=\"details-bar\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Nara Lacerda<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436418142_2094cec4e9_z.jpg\" alt=\"O escritor completaria cem anos em janeiro de 2020 - Cr\u00e9ditos: Foto: Arquivo Nacional\/Fundo Correio da Manh\u00e3\" \/><\/div><figcaption>O escritor completaria cem anos em janeiro de 2020 \/ Foto: Arquivo Nacional\/Fundo Correio da Manh\u00e3<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria ideia de homenagem ao centen\u00e1rio de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto pareceria estranha ao escritor ou, pelo menos, \u00e0 imagem constru\u00edda em torno da figura de um dos grandes \u00edcones da cultura brasileira. Avesso \u00e0 fama e ao culto \u00e0 personalidade, Jo\u00e3o Cabral dizia que preferia n\u00e3o ser popular e que o fato de n\u00e3o precisar viver da escrita o permitia dar pouca aten\u00e7\u00e3o ao assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido no Recife, em 1920, ele publicou seu primeiro livro,\u00a0<em>Pedra do Sono<\/em>\u00a0em 1942.\u00a0Se mudou para o Rio de Janeiro, aos 22\u00a0anos\u00a0e aos 25 anos ingressou no servi\u00e7o diplom\u00e1tico. Na \u00e9poca lan\u00e7ou a obra\u00a0<em>O engenheiro<\/em>. Ao longo da carreira no Itamaraty, passou por pa\u00edses como Senegal, Portugal, Espanha, Inglaterra e Su\u00ed\u00e7a, mas nunca deixou de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1950, Jo\u00e3o Cabral publicou\u00a0<em>O C\u00e3o Sem Plumas<\/em>, obra que viria a ser considerada a consolida\u00e7\u00e3o de um estilo criterioso, objetivo e rigoroso, completamente avesso a inspira\u00e7\u00f5es subjetivas, sentimentais e on\u00edricas. Essas caracter\u00edsticas o levaram ainda mais a um caminho de cr\u00edtica ao culto \u00e0 individualidade. Em entrevista ao jornalista e escritor\u00a0Geneton Moraes Neto, o poeta \u00e9 taxativo quanto a essa postura:<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cN\u00e3o gosto de carta. (\u2026)\u00a0 Ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o interessante para falar de si mesmo o tempo todo.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sem motivo, \u00e9 de\u00a0<em>C\u00e3o sem Plumas<\/em>\u00a0que saem alguns dos poemas que hoje inspiram artistas muito conectados a uma linguagem extremamente atual das artes. Em 2017, a coreografa Deborah Colker criou um espet\u00e1culo que leva o mesmo nome do livro e de um dos poemas da obra. A banda Cordel do \u00a0Fogo Encantado incluiu no disco\u00a0<em>O Palha\u00e7o do Circo sem Futuro<\/em>\u00a0versos do poema\u00a0<em>Os Tr\u00eas Mal Amados,\u00a0<\/em>que tamb\u00e9m est\u00e1 no livro. A declama\u00e7\u00e3o visceral do vocalista Lirinha ficou famosa durante a turn\u00ea da banda\u00a0e era gritada em coro pelo p\u00fablico sempre emocionado.<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cO amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certid\u00e3o de idade, minha genealogia, meu endere\u00e7o. O amor comeu meus cart\u00f5es de visita. O amor veio e comeu todos os pap\u00e9is onde eu escrevera meu nome.<\/p>\n<p>O amor comeu minhas roupas, meus len\u00e7os, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o n\u00famero de meus sapatos, o tamanho de meus chap\u00e9us. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos<\/p>\n<p>(\u2026)<\/p>\n<p>O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu ver\u00e3o. Comeu meu sil\u00eancio, minha dor de cabe\u00e7a, meu medo da morte.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">O Meu nome \u00e9 Severino<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se\u00a0<em>C\u00e3o sem Plumas<\/em>\u00a0deu\u00a0in\u00edcio \u00e0 linguagem que marcou\u00a0a identidade liter\u00e1ria objetiva de Jo\u00e3o Cabral, foi\u00a0anos depois, com\u00a0<em>Morte e Vida Severina<\/em>\u00a0(1955), que o autor experimentou\u00a0sua maior popularidade. Com o subt\u00edtulo\u00a0<em>Auto de Natal Pernambucano<\/em>, o texto conta a trajet\u00f3ria de um imigrante\u00a0que foge da seca no sert\u00e3o e busca a sobreviv\u00eancia na capital\u00a0Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Severino \u00e9 um personagem que nada tem de individual,\u00a0representa a saga de uma vida em condi\u00e7\u00f5es quase sub-humanas e, j\u00e1 no in\u00edcio da obra, se apresenta como tantos outros. Por ser t\u00e3o igual a muitos com a mesma hist\u00f3ria e o mesmo nome, o personagem finaliza sua introdu\u00e7\u00e3o avisando ao\u00a0p\u00fablico que ser\u00e1 \u201co\u00a0severino que em vossa presen\u00e7a emigra\u201d. Um retrato de um povo, de um pa\u00eds e de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o tiveram fim nas palavras de Jo\u00e3o Cabral e seguem atuais para o Brasil e os brasileiros, 65 anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento.<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cE se somos Severinos<\/p>\n<p>iguais em tudo na vida,<\/p>\n<p>morremos de morte igual,<\/p>\n<p>mesma morte severina:<\/p>\n<p>que \u00e9 a morte de que se morre<\/p>\n<p>de velhice antes dos trinta,<\/p>\n<p>de emboscada antes dos vinte,<\/p>\n<p>de fome um pouco por dia.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Morte e Vida Severina<\/em>\u00a0n\u00e3o era a obra preferida de Jo\u00e3o Cabral, que chegou a dizer que n\u00e3o relia o texto, porque sentia vontade de mudar boa parte do original. Apesar disso, \u00e9 o tom objetivo caracter\u00edstico do poeta que levou o auto\u00a0\u00e0 fama, encenado para o cinema, a TV e em in\u00fameras pe\u00e7as de teatro. O autor, no entanto, n\u00e3o considerava que conseguia atingir a simplicidade que almejava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA coisa simples que quero n\u00e3o \u00e9 fazer uma coisa boboca. O simples que almejo \u00e9 chegar a uma forma que os outros entendam. Consigo raramente. Minha luta \u00e9 esta: tentar botar uma coisa mais complexa numa linguagem mais simples poss\u00edvel. Confesso que geralmente eu fracasso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista concedida ao programa Os M\u00e1gicos, da\u00a0<em>TVE<\/em>\u00a0do Rio de Janeiro, no ano de 1977, Jo\u00e3o Cabral relata a busca quase obsessiva pela simplicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMinha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 definir as coisas. N\u00e3o vamos dizer descrever, porque descrever d\u00e1 mais uma ideia de prosa. Eu diria que seria definir as coisas. Eu gostaria que meus poemas,\u00a0em vez de serem prega\u00e7\u00e3o, de recomendar, de dar conselho, que eles apenas dessem a ver. Eu me considero muito mais visual do que auditivo, de forma que se eu n\u00e3o fosse escritor eu gostaria de ser pintor. Minha preocupa\u00e7\u00e3o sobretudo \u00e9 definir as coisas e dar a ver as coisas. Ser o menos subjetivo poss\u00edvel e dar a ver as coisas\u201d, sentenciou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Z-ASVx9PU8k\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Obras in\u00e9ditas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a paix\u00e3o por\u00a0<em>Morte e Vida Severina<\/em>\u00a0que levou\u00a0Edneia Rodrigues Ribeiro, pesquisadora e professora do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, a estudar a obra de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. O auto foi a primeira obra do autor com a qual a pesquisadora teve contato. Natural do munic\u00edpio de Capit\u00e3o En\u00e9as, ela encontrou na hist\u00f3ria do personagem Severino\u00a0n\u00e3o s\u00f3 a inspira\u00e7\u00e3o para sua pesquisa, mas um paralelo pessoal com a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de sujeito que migra.<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cO Severino do Jo\u00e3o Cabral emigrou para trabalhar. Eu tamb\u00e9m sou uma emigrante.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDuas coisas me motivaram no Jo\u00e3o Cabral. A primeira delas \u00e9 essa quest\u00e3o do homem. O Jo\u00e3o Cabral pode n\u00e3o ter tido um alinhamento pol\u00edtico do ponto de vista partid\u00e1rio, mas tanto a trilogia da d\u00e9cada de 1950, que come\u00e7a com o\u00a0<em>C\u00e3o sem Plumas<\/em>, passa por\u00a0<em>O Rio<\/em>\u00a0e termina em\u00a0<em>Morte e Vida Severina<\/em>, quanto as obras mais elaboradas, aparece uma preocupa\u00e7\u00e3o com o homem e sobretudo com esse homem \u00e0 margem da sociedade. Que \u00e9 o trabalhador dos engenhos de Pernambuco, o sujeito que emigra em busca de condi\u00e7\u00f5es melhores, mas que representa qualquer sujeito que vive \u00e0 margem de uma sociedade, tanto na zona rural quanto urbana\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm66.staticflickr.com\/65535\/49436287471_647a3895e5_o.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De admiradora da obra, a estudiosa do assunto \u2013 inspirada pelo processo de emigra\u00e7\u00e3o de um dos personagens mais marcantes do autor \u2013 Edneia relata que o seu trabalho leva muito do rigor, da disciplina e da objetividade, caracter\u00edsticas de Jo\u00e3o Cabral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO segundo ponto \u00e9 o perfeccionismo. \u00c9 um trabalho, um primor. Uma coisa que me faz pensar em como algu\u00e9m conseguiu criar algo com tanta dedica\u00e7\u00e3o, tanta perfei\u00e7\u00e3o e tanta coer\u00eancia ao projeto que ele mesmo tra\u00e7ou. Concilia aspectos est\u00e9ticos com conte\u00fado. Eu fui movida por uma paix\u00e3o e continuo movida por essa paix\u00e3o pela cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dele.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Egressa do doutorado em estudos liter\u00e1rios da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com orienta\u00e7\u00e3o do poeta e professor S\u00e9rgio Alcides, Edneia chegou a uma descoberta hist\u00f3rica por meio de sua pesquisa. Durante a busca de material para o doutorado, em que analisava poemas do livro\u00a0<em>Museu de Tudo<\/em>, ela encontrou 40 poemas in\u00e9ditos, um texto de 30 laudas sobre o panorama da literatura brasileira da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Al\u00e9m do achado acad\u00eamico surpreendente, o material traz um simbolismo emocional para a pesquisadora.<\/p>\n<blockquote><p>\n\u201cTalvez o pr\u00f3prio Cabral se sentisse bem em ter uma descoberta dessas vinculada a uma pesquisadora Severina. Digo Severina porque precisei emigrar para continua estudando\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta de Edneia estar\u00e1 no projeto de reedi\u00e7\u00e3o das obras completas do autor de\u00a0<em>Morte e Vida Severina<\/em>, que comemora os cem anos de nascimento de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto. As duas obras \u00a0re\u00fanem poesia e prosa e est\u00e3o sendo organizadas por Antonio Carlos Secchin e S\u00e9rgio Martag\u00e3o Gesteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto \u00e9 mais um elemento na busca por traduzir e perpetuar um trabalho que o pr\u00f3prio poeta evitava explicar e classificar. Ao responder como fazia um retrato de si mesmo, Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto se colocava em um lugar que o aproxima e o insere: um homem como outro qualquer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa\u00a0\u00e9 pergunta mais dif\u00edcil que voc\u00ea poderia me fazer. Em primeiro lugar, porque voc\u00ea conhece minha poesia e voc\u00ea sabe que eu nunca falo de mim mesmo. Wellington dizia que a poesia n\u00e3o \u00e9 uma express\u00e3o da personalidade, mas uma fuga da personalidade. Eu tenho a impress\u00e3o de que isso acontece comigo. Eu tenho a consci\u00eancia de mim mesmo como um homem. Eu sou um homem como outro qualquer.\u201d<\/p>\n<p class=\"editor\" style=\"text-align: justify;\">Edi\u00e7\u00e3o: Vivian Fernandes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos mais importantes poetas da literatura brasileira, o pernambucano segue mais atual que nunca<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":308644,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-308643","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/joao-cabral.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=308643"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/308643\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/308644"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=308643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=308643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=308643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}