{"id":309436,"date":"2020-02-04T07:02:07","date_gmt":"2020-02-04T10:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=309436"},"modified":"2020-02-04T07:02:07","modified_gmt":"2020-02-04T10:02:07","slug":"nem-tudo-pode-ser-discutivel-o-professor-tem-de-recuperar-a-autoridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/nem-tudo-pode-ser-discutivel-o-professor-tem-de-recuperar-a-autoridade\/","title":{"rendered":"\u201cNem tudo pode ser discut\u00edvel. O professor tem de recuperar a autoridade\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Faz quase 40 anos que esse fil\u00f3sofo insere seu bisturi nas zonas pantanosas das sociedades modernas e hipermodernas. Aqui, fala com sua habitual lucidez<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"firma \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Borja Hermoso\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/borja_hermoso\/a\/\">Borja Hermoso<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto superior foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764646_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764646_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764646_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764646_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"O pensador e escritor franc\u00eas Gilles Lipovetsky, na sede do Instituto Cervantes em Paris.\" width=\"980\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O pensador e escritor franc\u00eas Gilles Lipovetsky, na sede do Instituto Cervantes em Paris.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">L\u00c9A CRESPI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<aside class=\"compartir\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div class=\"compartir-social\">\n<div id=\"compartir-otros\" class=\"compartir-otros\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Opior chegar\u00e1 em breve, quando, no final da conversa, pedirmos a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/gilles_lipovetsky\/a\/\">Gilles Lipovetsky<\/a>\u00a0(Millau, Fran\u00e7a) um experimento ante a c\u00e2mera de v\u00eddeo: n\u00f3s lhe damos um conceito, e ele tem que responder de bate-pronto com uma reflex\u00e3o breve, um sin\u00f4nimo, uma defini\u00e7\u00e3o. Ou seja, o contr\u00e1rio dos processos de trabalho habituais de um fil\u00f3sofo. O autor de livros ferinos sobre a sociedade atual, como\u00a0<em>A Era do Vazio<\/em>,\u00a0<em>A Felicidade Paradoxal<\/em>,\u00a0<em>O Imp\u00e9rio do Ef\u00eamero<\/em>\u00a0e\u00a0<em>A Sociedade da Decep\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0leva as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a, mas aceita o jogo. Na entrevista, tamb\u00e9m se presta a outro jogo: o de chamar as coisas por seu nome sem rodeios, com lucidez, erudi\u00e7\u00e3o e uma blindagem contra qualquer tentativa de corre\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Lipovetsky estar\u00e1 na pr\u00f3xima semana em Madri para ministrar um semin\u00e1rio no IE Business School e uma confer\u00eancia na Fundaci\u00f3n Telef\u00f3nica. No outono boreal, a editora Anagrama publicar\u00e1 seu novo livro em espanhol, sobre um de seus temas favoritos: a sociedade da sedu\u00e7\u00e3o. A entrevista foi realizada na sede do Instituto Cervantes de Paris, onde o pensador participou de um debate no \u00e2mbito do F\u00f3rum da Cultura de Burgos, que pela primeira vez aconteceu na capital francesa.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CO_Sk8XRt-cCFR0FuQYd7LUCvA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"8\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pergunta. O que acredita que mais serve para o debate pol\u00edtico: as certezas permanentes ou a d\u00favida met\u00f3dica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resposta.<\/strong>\u00a0O debate pol\u00edtico \u00e9 sempre aberto ao conflito e \u00e0 indetermina\u00e7\u00e3o. A verdade num regime democr\u00e1tico nunca chega a ser perfeitamente determinada. Isso j\u00e1 foi dito por um pensador franc\u00eas, Claude Lefort: que a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/democracia\">democracia<\/a>\u00a0\u00e9 um sistema que n\u00e3o para de questionar a si mesmo. E isso, em princ\u00edpio, \u00e9 positivo. Mas hoje as coisas s\u00e3o mais delicadas. A democracia j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 impulsionada pelo mesmo fervor; suscita d\u00favidas, inquietudes, decep\u00e7\u00f5es. Inclusive h\u00e1 os que dizem que ela est\u00e1, diretamente, em perigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. E qual a sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Me parece uma teoria alarmista. \u00c9 verdade que algumas pesquisas recentes indicam que mais ou menos 20% dos europeus acham que a democracia n\u00e3o \u00e9 o melhor dos regimes. A democracia vai mal, muita gente n\u00e3o vota e n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para as elites pol\u00edticas, sim. E \u00e9 certo que h\u00e1 uma grande carga de \u00f3dio em muitos discursos pol\u00edticos, mas da\u00ed a estar em perigo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Ent\u00e3o o senhor n\u00e3o acredita que haja um risco de implos\u00e3o das regras do jogo democr\u00e1tico&#8230;<\/strong><\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764770_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764770_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764770_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Lipovetsky passeia por uma rua de Paris ap\u00f3s a entrevista.\" width=\"360\" height=\"480\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Lipovetsky passeia por uma rua de Paris ap\u00f3s a entrevista.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">L\u00c9A CRESPI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o, acho que n\u00e3o. Os partidos populistas n\u00e3o t\u00eam o mesmo\u00a0<em>ethos<\/em>\u00a0que os partidos comunistas, fascistas e nazistas. Naquela \u00e9poca, esses partidos contavam com verdadeiros batalh\u00f5es formados diretamente para tomar o poder. Os populistas n\u00e3o querem isso. Salvini chega ao poder na It\u00e1lia,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-01-27\/salvini-e-derrotado-em-sua-primeira-tentativa-de-reconquista-do-executivo-italiano.html\">logo vem outro e ele vai embora<\/a>, simples assim. Outra diferen\u00e7a: Hitler chegou ao poder pela via democr\u00e1tica, mas logo depois vomitou contra ela. E os comunistas eram um sistema fechado, forte, de concreto armado, com voca\u00e7\u00e3o de poder e sem respeito pela democracia. Por sua vez, os populistas reivindicam a democracia. Adoram os referendos de iniciativa popular, est\u00e3o a favor de que o povo se expresse contra as elites corruptas etc. Podemos questionar suas formas de atua\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o antidemocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Quais s\u00e3o, em sua opini\u00e3o, as raz\u00f5es que impulsionam essa carga de \u00f3dio no discurso pol\u00edtico da qual falava?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Vem de dois fatores fundamentais. Primeiro, h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o nova de inseguran\u00e7a generalizada frente \u00e0 qual n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es claras. Segundo, as pessoas j\u00e1 n\u00e3o confiam nos partidos tradicionais porque faz tempo que est\u00e3o insatisfeitas com muitas coisas. A pol\u00edtica j\u00e1 n\u00e3o oferece esperan\u00e7a a elas. O esgotamento do debate pol\u00edtico trouxe f\u00faria e trouxe \u00f3dio. Quando as organiza\u00e7\u00f5es de intermedia\u00e7\u00e3o fracassam, o que resta \u00e9 o indiv\u00edduo. E suas rea\u00e7\u00f5es imediatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. N\u00e3o h\u00e1 nessa desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica certo ingrediente de hipocrisia? N\u00e3o considera que nela est\u00e3o impl\u00edcitas, \u00e0s vezes, nossas frustra\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\" dir=\"ltr\">\u201cO esgotamento do debate pol\u00edtico trouxe raiva e \u00f3dio\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Bem, a dimens\u00e3o psicol\u00f3gica de cada um \u00e9 livre, e pode ser que voc\u00ea tenha raz\u00e3o em parte&#8230; mas n\u00e3o totalmente. Porque eu constato que essa desconfian\u00e7a \u00e9 quase generalizada, inclusive entre aqueles que est\u00e3o indo bem. A desconfian\u00e7a refletida nas pesquisas \u00e9 assustadora. Embora seja certo que o eleitorado dos partidos populistas n\u00e3o costume ser exatamente o que ocupa a alta posi\u00e7\u00e3o na hierarquia social e seja verdade que s\u00e3o eles que se declaram mais frustrados. \u00c9 o que aconteceu nos Estados Unidos, onde Trump foi\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/04\/internacional\/1509810877_950739.html\">votado pelas classes mais desfavorecidas<\/a>. A quest\u00e3o \u00e9 que, ante essa desconfian\u00e7a nas estruturas e nos partidos, est\u00e1 ocorrendo sobretudo nessas classes baixas o que poder\u00edamos chamar de uma privatiza\u00e7\u00e3o absoluta do indiv\u00edduo. [As pessoas] Sentem que tudo est\u00e1 ruim e que ser\u00e1 pior. E t\u00eam medo. Esse elemento \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O senhor j\u00e1 tratou dessas quest\u00f5es em\u00a0<em>A Era do Vazio<\/em>, livro lan\u00e7ado em 1983. Isso \u00e9 ser premonit\u00f3rio&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Mas agora me dou conta de que, mais que vazio, trata-se de inseguran\u00e7a. As pessoas se sentem inseguras por tudo. Globaliza\u00e7\u00e3o. Inseguran\u00e7a urbana.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jair_messias_bolsonaro\/a\">Bolsonaro<\/a>\u00a0foi eleito em grande medida porque prometeu que acabaria com a viol\u00eancia nas ruas do Brasil. Inseguran\u00e7a identit\u00e1ria. Inseguran\u00e7a ante a imigra\u00e7\u00e3o. Inseguran\u00e7a pelo meio ambiente. Inseguran\u00e7a na sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o. Vivemos em uma cultura da ansiedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Que solu\u00e7\u00f5es prop\u00f5e?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Diante dessa ansiedade, n\u00e3o temos nem ideologias nem solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que ofere\u00e7am alternativas reais. E isso \u00e9 explosivo. O Estado-provid\u00eancia recua, os sistemas de prote\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m, o mesmo com as aposentadorias e pens\u00f5es, o desemprego cresce&#8230; E n\u00e3o \u00e9 preciso exagerar, n\u00e3o vivemos pior do que antes, pelo contr\u00e1rio, vivemos melhor, mas antes a pol\u00edtica oferecia uma esp\u00e9cie de sonho, de promessa, e hoje n\u00e3o h\u00e1 mais promessas que valham. E, claro, h\u00e1 o problema das aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Pode explicar isso?<\/strong><\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764838_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764838_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764838_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2020\/02\/03\/eps\/1580764477_822955_1580764838_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Gilles Lipovetsky: \u201cNem tudo pode ser discut\u00edvel. O professor tem de recuperar a autoridade\u201d\" width=\"980\" height=\"1306\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">L\u00c9A CRESPI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Antes, as pessoas n\u00e3o queriam comprar o mais recente modelo de tablet ou smartphone o tempo todo, nem queriam sair de f\u00e9rias para todos os lugares poss\u00edveis, ou tomar um avi\u00e3o todo fim de semana, ou morar em um apartamento maravilhoso, ou ir a um restaurante dia sim e dia n\u00e3o&#8230; Simplesmente n\u00e3o se vivia assim. Fui a um restaurante pela primeira vez quando tinha 25 anos. Agora, crian\u00e7as com oito anos v\u00e3o com frequ\u00eancia ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mcdonalds\">McDonald&#8217;s<\/a>. Ent\u00e3o, por um lado, temos uma sociedade na qual as desigualdades crescem sem parar, mas, por outro, temos um volume de aspira\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m n\u00e3o param. \u00c9, mais do que o bem-estar, o sonho do bem-estar. As marcas de luxo! Antes nem se pensava nisso. Hoje, qualquer pessoa em um bairro popular pode usar uma Nike de 125 euros. E todos os jovens sabem o que \u00e9 Louis Vuitton, Herm\u00e8s, Gucci&#8230; S\u00f3 vivem para as marcas! N\u00e3o querem sapatos, querem uma marca de sapatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Parece humano que as pessoas aspirem ao que o chamado Estado de bem-estar coloca diante delas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Mas \u00e9 que h\u00e1 pais desempregados cujos filhos t\u00eam um iPad, um celular inteligente de \u00faltimo modelo, t\u00eanis de luxo&#8230; Acho terr\u00edvel. Antes, as aspira\u00e7\u00f5es eram trabalhar, comer e ter uma casa. Hoje s\u00e3o outras. Por exemplo, ir \u00e0 Ikea [loja de departamento] para comprar coisas fofas, porque todo mundo faz isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Talvez seja l\u00f3gico querer ter todas essas coisas, e n\u00e3o tanto protestar quando n\u00e3o se pode t\u00ea-las.<\/strong><\/p>\n<section id=\"sumario_6|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_6\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cAs feministas consideram a sedu\u00e7\u00e3o uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Mas n\u00e3o se pode confundir ass\u00e9dio com sedu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o sei, nem vou fazer um julgamento de valor sobre isso. Mas constato que todas essas aspira\u00e7\u00f5es se tornaram algo comum, e isso n\u00e3o me parece l\u00f3gico. E tamb\u00e9m, ligado a tudo isso, hoje existe um sentimento que n\u00e3o existia na modernidade anterior ao hiperindividualismo, que \u00e9 um sentimento de injusti\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 insatisfa\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma ideia de que o sistema em que vivemos \u00e9 injusto conosco porque acreditamos que os esfor\u00e7os s\u00e3o mal distribu\u00eddos. E \u00e9 um pouco verdade, as desigualdades s\u00e3o aberrantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Mas a hist\u00f3ria do homem \u00e9 uma hist\u00f3ria de desigualdades.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9, mas nos anos 50 havia menos que hoje, E as economias iam bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Uma dessas desigualdades hist\u00f3ricas \u00e9 a das mulheres em compara\u00e7\u00e3o com os homens. Como v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o atual e que previs\u00f5es o senhor faz?<\/strong><\/p>\n<section id=\"sumario_5|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Mais que vazio, trata-se de inseguran\u00e7a. As pessoas se sentem inseguras por tudo. Globaliza\u00e7\u00e3o. Inseguran\u00e7a urbana. Bolsonaro foi eleito em grande medida porque prometeu que acabaria com a viol\u00eancia nas ruas do Brasil&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A din\u00e2mica do acesso da mulher \u00e0 sociedade em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com o homem \u00e9 irrevers\u00edvel. Isso significa que estamos caminhando para uma sociedade unissex? N\u00e3o acredito nisso, e n\u00e3o acho desej\u00e1vel. Acho que a diferen\u00e7a \u00e9 necess\u00e1ria. As mulheres que hoje ocupam posi\u00e7\u00f5es de poder nas empresas, na pol\u00edtica etc., querem que sua feminilidade seja reconhecida mais do que nunca. N\u00e3o querem ser transg\u00eanero, reivindicam sua condi\u00e7\u00e3o de mulher. A condi\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 uma coisa qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Considera que haver\u00e1 limites? Acha que chegar\u00e1 um ponto em que o homem, ainda hegem\u00f4nico, n\u00e3o tolerar\u00e1 algumas coisas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0N\u00e3o acredito. E n\u00e3o acho que tudo venha do machismo, como dizem as feministas. Os homens n\u00e3o s\u00e3o mais machistas. Obviamente, h\u00e1 homens machistas, mas n\u00e3o em geral. Ali\u00e1s, n\u00e3o acredito que o futuro do feminismo seja o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/movimiento_metoo\/a\/\">#metoo<\/a>. Por qu\u00ea? Porque promove uma cultura exclusivamente vitimista. N\u00e3o discuto que as mulheres possam ser v\u00edtimas, mais que os homens, e \u00e9 para isso que servem as leis. Mas as verdadeiras feministas s\u00e3o as mulheres empres\u00e1rias, pilotos de avi\u00e3o, cirurgi\u00e3s, ju\u00edzas, que fazem esse trabalho porque gostam e n\u00e3o porque s\u00e3o trabalhos &#8220;de mulher&#8221;. O verdadeiro feminismo s\u00e3o as mulheres que sabem responder aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O senhor escreveu e falou muito sobre o conceito de sedu\u00e7\u00e3o. Acha que os processos de sedu\u00e7\u00e3o do homem para a mulher, e vice-versa, podem estar em perigo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Espero que a luta pol\u00edtica pelos direitos das mulheres n\u00e3o esmague uma quest\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 em absoluto pol\u00edtica, como a sedu\u00e7\u00e3o. O ser humano gosta de gostar e gosta de tentar conquistar. A imensa maioria das mulheres tamb\u00e9m. Menos as feministas, que consideram essa uma quest\u00e3o pol\u00edtica. Mas n\u00e3o se pode confundir ass\u00e9dio com sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Voltando \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o e frustra\u00e7\u00e3o, considera que as redes sociais e a prolifera\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas s\u00e3o vetores de tudo isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Antes n\u00e3o existia essa rede universal de mentiras ou meias verdades. Bem, temos de parar de idealizar o passado. O \u00f3dio, a indiferen\u00e7a e a inveja sempre acompanharam o\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>. Mas \u00e9 verdade que com a cultura individualista tudo mudou. Tocqueville j\u00e1 dizia: quanto menos desigualdades existem, mais insuport\u00e1veis s\u00e3o as que permanecem. O essencial \u00e9 que as pessoas n\u00e3o se sintam abandonadas. E que lhes proporcionem os instrumentos necess\u00e1rios para reagir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O que se pode fazer?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 necess\u00e1ria uma economia liberal, porque \u00e9 a \u00fanica via poss\u00edvel para a iniciativa e a efici\u00eancia. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 preciso ajudar as pessoas porque, do contr\u00e1rio, caminhamos para uma situa\u00e7\u00e3o explosiva. A melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o que j\u00e1 fazem em certos pa\u00edses escandinavos, o que chamam de &#8220;flexiseguran\u00e7a&#8221;. Uma economia flex\u00edvel, em que as pessoas possam ser demitidas se for necess\u00e1rio, mas na qual existam ao mesmo tempo programas de treinamento e reciclagem de habilidades, e n\u00e3o um simples sistema de assist\u00eancia social. Quando algu\u00e9m \u00e9 demitido, recebe os meios para se reciclar. Assim, pelo menos, n\u00e3o ter\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que a sociedade o abandonou. E, em segundo lugar, \u00e9 preciso investir em educa\u00e7\u00e3o, em intelig\u00eancia e em cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Pode dar exemplos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0A escola p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 uma despesa, \u00e9 um investimento para o futuro. \u00c9 preciso pagar bem aos professores e ensinar o aluno a respeit\u00e1-los. N\u00e3o sou eu quem diz isso, hein. Plat\u00e3o j\u00e1 dizia. Se acreditamos que computadores e tablets resolver\u00e3o todos os problemas, estamos em um erro grave. O professor \u00e9 imprescind\u00edvel. E \u00e9 preciso formar os jovens de modo que sejam mais adapt\u00e1veis, com menos medo de mudar. Assim, haver\u00e1 menos frustra\u00e7\u00e3o. E muito importante: \u00e9 preciso dar muito mais import\u00e2ncia \u00e0 arte e \u00e0 cultura. Caso contr\u00e1rio, s\u00f3 nos restar\u00e1 o shopping!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Sem querer ser um pessimista desmancha-prazeres, d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de que caminhamos para o lado oposto. Reinam sem rival os tais \u201csaberes instrumentais\u201d&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. N\u00e3o acha que se instalou na sociedade uma esp\u00e9cie de aristocracia tecnol\u00f3gico-computacional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Totalmente, e \u00e9 um problema. \u00c9 bom formar elites tecnol\u00f3gicas, mas acho que vamos acabar pagando um pre\u00e7o por essa situa\u00e7\u00e3o. Porque o ser humano \u00e9 complexo. Veja, eu observo muitos pesquisadores, matem\u00e1ticos, f\u00edsicos e engenheiros de n\u00edvel bem elevado que cantam em corais. Ou que se inscrevam em cursos de teatro ou de pintura. N\u00e3o sei por qu\u00ea, mas acontece. Talvez simplesmente n\u00e3o encontrem um sentido pleno em seu trabalho. E isso \u00e9 tamb\u00e9m a democracia. A democracia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter elei\u00e7\u00f5es livres, \u00e9 formar indiv\u00edduos que desfrutam, que sejam ricos em suas habilidades, e n\u00e3o apenas instrumentos de voto e de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O senhor fala do longo prazo como op\u00e7\u00e3o social. Infelizmente, n\u00e3o parece que&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Ah, eu n\u00e3o sou pol\u00edtico. N\u00e3o tenho um programa. E o que estou propondo n\u00e3o teria um resultado eleitoral direto, \u00e9 claro. O hiperindividualismo, um assunto sobre o qual escrevi, n\u00e3o \u00e9 apenas uma retra\u00e7\u00e3o ego\u00edsta. \u00c9 tamb\u00e9m um desejo de express\u00e3o de si. O hiperindiv\u00edduo quer gostar do que faz. E que o que faz lhe agrade. Conhe\u00e7o muitas pessoas que ganham muito dinheiro, pelo que sei, mais de 10.000 euros por m\u00eas e que detestam seu trabalho. \u00c9 claro que n\u00e3o s\u00e3o uns coitados, mas, sim, frustrados. A democracia tem a ver com o enriquecimento da pessoa \u2014um enriquecimento n\u00e3o econ\u00f4mico\u2014, e nesse sentido estamos vivendo um fracasso democr\u00e1tico. A democracia n\u00e3o pode ser s\u00f3 um instrumento de efici\u00eancia utilitarista. Da mesma forma que lutamos contra a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, temos que trabalhar contra a degrada\u00e7\u00e3o das qualidades criativas da pessoa. Os jovens querem sentir estima por si mesmos, a autoestima \u00e9 um dos grandes temas da nossa sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Refere-se a um apoio pol\u00edtico priorit\u00e1rio \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura? E \u00e9 raro encontrar isso. Na Espanha, n\u00e3o, por exemplo, isso est\u00e1 claro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sim, falo sobre isso, mas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios grandes projetos. Sou contra projetos culturais grandiosos! No final, isso acaba s\u00f3 no\u00a0<em>star system<\/em>. Se Mitterrand tivesse dedicado o gasto de suas obras fara\u00f4nicas em Paris a melhorar a infraestrutura cultural das cidades pequenas ou a melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos sub\u00farbios das grandes cidades, tudo teria sido melhor. Trata-se de mobilizar pintores, escritores, m\u00fasicos para que ensinem as pessoas a fazer coisas enriquecedoras, especialmente as crian\u00e7as, como atividades extracurriculares, mas a s\u00e9rio, e n\u00e3o necessariamente a cargo do professor. Os professores n\u00e3o podem fazer tudo. Se um ator de uma companhia profissional de teatro diz a um adolescente em que consiste este ou aquele trabalho do s\u00e9culo XVIII, isso adquire um significado totalmente diferente e h\u00e1 uma boa chance de que a crian\u00e7a goste. Investir nisso custa muito menos do que em usinas nucleares, \u00e9 claro. \u00c9 uma quest\u00e3o de vontade pol\u00edtica, trata-se de fazer com que as pessoas digam o que gostam, n\u00e3o s\u00f3 quem detestam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O que o senhor fala, definitivamente, \u00e9 de um novo contrato social, n\u00e3o s\u00f3 de pol\u00edtica.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Uma sociedade cujos eixos exclusivos s\u00e3o as telas, o trabalho e a prote\u00e7\u00e3o social \u00e9 uma sociedade deprimente. \u00c9 preciso investir em educa\u00e7\u00e3o. E as possibilidades de investimento em assuntos educacionais s\u00e3o infinitas. Um dos maiores fracassos nas sociedades ocidentais do p\u00f3s-guerra foi a &#8220;democratiza\u00e7\u00e3o da cultura&#8221;. Pensou-se que, ao abrir muitos museus por muitas horas e com grandes obras, gra\u00e7as ao dinheiro do Estado, muita gente nova se juntaria \u00e0s visitas, mas n\u00e3o foi assim. Quando se presta aten\u00e7\u00e3o, ao longo do tempo as pessoas que v\u00e3o aos museus s\u00e3o as mesmas de sempre: gente de um certo n\u00edvel educacional. Os camponeses e os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o em geral v\u00e3o pouco. \u00c9 uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. Talvez seja mais uma quest\u00e3o de princ\u00edpios do que de dinheiro. Ou de que o primeiro garante o segundo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida alguma. Pais e professores t\u00eam a\u00ed uma responsabilidade crucial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P. O senhor escreveu contra o fato de que os pais eduquem seus filhos com luvas de pelica. O que queria dizer exatamente?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0\u00c9 um erro imenso. \u00c9 indispens\u00e1vel que o professor recupere a autoridade. H\u00e1 alunos que insultam o professor, e isso \u00e9 inadmiss\u00edvel. Educar n\u00e3o \u00e9 seduzir. H\u00e1 obriga\u00e7\u00f5es. Em um dado momento, \u00e9 preciso obrigar a fazer coisas. Nem tudo pode ser flex\u00edvel, agrad\u00e1vel, discut\u00edvel. \u00c9 preciso trabalhar duro, e for\u00e7ar a trabalhar. O homem \u00e9\u00a0<em>Homo faber<\/em>, \u00e9 preciso ensinar a fazer. E \u00e9 preciso recuperar a ret\u00f3rica, ensinar as crian\u00e7as a se expressarem e a raciocinar, porque o computador n\u00e3o vai fazer isso por eles. O homem \u00e9\u00a0<em>Homo loquens<\/em>, o ser que fala.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz quase 40 anos que esse fil\u00f3sofo insere seu bisturi nas zonas pantanosas das sociedades modernas e hipermodernas. 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