{"id":31219,"date":"2013-12-02T14:00:35","date_gmt":"2013-12-02T17:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=31219"},"modified":"2013-12-02T07:50:26","modified_gmt":"2013-12-02T10:50:26","slug":"sem-poder-dar-a-luz-na-ilha-gestantes-de-noronha-vivem-exilio-da-maternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sem-poder-dar-a-luz-na-ilha-gestantes-de-noronha-vivem-exilio-da-maternidade\/","title":{"rendered":"Sem poder dar \u00e0 luz na ilha, gestantes de Noronha vivem &#8220;ex\u00edlio&#8221; da maternidade"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-31220\" alt=\"ImageProxy\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ImageProxy-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/p>\n<div id=\"ecxabanoticia\"><em>O paradis\u00edaco destino procurado anualmente por 60 mil turistas de todo o mundo esconde uma faceta bem distinta do que se v\u00ea nos cart\u00f5es postais. Desde 2004, com a desativa\u00e7\u00e3o da maternidade do Hospital S\u00e3o Lucas, o \u00fanico da ilha, n\u00e3o pode mais haver partos em Fernando de Noronha. A medida causa, at\u00e9 hoje, desconforto e revolta em muitas fam\u00edlias que vivem no arquip\u00e9lago. At\u00e9 ter\u00e7a-feira, o Diario publica a s\u00e9rie M\u00e3es de Noronha, que re\u00fane hist\u00f3rias de mulheres que lutam por um \u00fanico direito: o de ter os filhos perto de casa, com o apoio do marido e familiares.<\/em><\/p>\n<p>A empres\u00e1ria Gl\u00f3ria Wei, 37 anos, exibe orgulhosa a barriga de quase oito meses do seu primeiro filho. Pedro s\u00f3 deve nascer em janeiro, mas a m\u00e3e j\u00e1 precisa sair de licen\u00e7a maternidade. Antes da 30\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, ela tem que fazer as malas e viajar quase 3 mil quil\u00f4metros para aguardar a chegada do menino. O momento seria de alegria se ela n\u00e3o fosse obrigada a deixar o trabalho, o marido e os amigos para ter o filho longe de todos. Gl\u00f3ria mora, desde 2003, em Fernando de Noronha, a \u201cilha sem beb\u00eas\u201d.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Roberta Lotti argumenta que m\u00e3es querem apenas o direito de ter seus filhos perto dos maridos e familiares. Foto: Fabio Borges Pereira\/Divulga\u00e7\u00e3o\" alt=\"Roberta Lotti argumenta que m\u00e3es querem apenas o direito de ter seus filhos perto dos maridos e familiares. Foto: Fabio Borges Pereira\/Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=1rbeKOPOtfJ6jmNz4xbS8NPIADBMLMZoauD4hVBhzxQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fimgsapp.diariodepernambuco.com.br%2fapp%2fnoticia_127983242361%2f2013%2f12%2f01%2f476823%2f20131130022037629430u.jpg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Roberta Lotti argumenta que m\u00e3es querem apenas o direito de ter seus filhos perto dos maridos e familiares. Foto: Fabio Borges Pereira\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Por lei, n\u00e3o h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o para que um parto seja realizado na ilha, mas a press\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande que as mulheres acabam sem op\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso viajar para ter os filhos. As m\u00e3es de Noronha s\u00e3o, literalmente, expulsas do arquip\u00e9lago quando chegam ao s\u00e9timo m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. \u201cSe n\u00e3o deixarmos nossas casas por livre e espont\u00e2nea vontade, uma equipe do posto de sa\u00fade bate \u00e0 nossa porta e nos convida a deixar a ilha\u201d, conta a empres\u00e1ria, que ter\u00e1 o filho na capital paranaense. A administra\u00e7\u00e3o de Noronha alega que o baixo n\u00famero de mulheres gr\u00e1vidas levou \u00e0 desativa\u00e7\u00e3o da maternidade, mas os ilh\u00e9us comentam que existe uma pol\u00edtica de controle demogr\u00e1fico. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico evitar a explos\u00e3o populacional para preservar o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, \u00e1rea que corresponde a 70% do territ\u00f3rio da ilha oce\u00e2nica. Oficialmente, o estado nega que esse seja o motivo da desativa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<center><\/center><br \/>\nAs mulheres de Noronha entendem e at\u00e9 apoiam o governo com rela\u00e7\u00e3o ao controle demogr\u00e1fico. \u00c9 o que garante a jornalista Roberta Lotti, 32, que deixou o agito de S\u00e3o Paulo pela calmaria do arquip\u00e9lago e precisou voltar \u00e0 terra natal para dar a luz \u00e0 Ant\u00f4nio, nascido no \u00faltimo dia 13. Segundo ela, as m\u00e3es lutam apenas pelo direito de ter o filho perto do marido e dos familiares. &#8220;A \u00e1rea pass\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o humana \u00e9 bastante restrita e n\u00e3o h\u00e1 propriedade sobre a terra, tudo \u00e9 concess\u00e3o do estado. Para evitar incha\u00e7o populacional, o governo n\u00e3o deseja mais que crian\u00e7as sejam registradas na ilha&#8221;, observa.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=1rbeKOPOtfJ6jmNz4xbS8NPIADBMLMZoauD4hVBhzxQ%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fimgsapp.diariodepernambuco.com.br%2fapp%2fnoticia_127983242361%2f2013%2f12%2f01%2f476823%2f20131130022119149317o.jpg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Apenas as mulheres que t\u00eam cadastro de morador permanente podem registrar os filhos como noronhenses. Para conquistar a resid\u00eancia permanente, \u00e9 preciso ter nascido ou morar h\u00e1 10 anos no arquip\u00e9lago. As mulheres que n\u00e3o t\u00eam esse \u201cstatus\u201d acreditam que o controle de natalidade \u00e9 uma forma de impedir que as crian\u00e7as ganhem a cidadania. \u201cMas temos o direito de termos nossos filhos aonde quisermos. Ainda que eles n\u00e3o fossem registrados como noronhenses, o estado deveria garantir a estrutura para a realiza\u00e7\u00e3o de partos. O que acontece \u00e9 uma viol\u00eancia com a mulher\u201d, critica Roberta Lotti.<\/p>\n<p>Despesa alta e demanda baixa<br \/>\nA pequena quantidade de partos registrada por ano em Fernando de Noronha \u00e9 a principal justificativa da administra\u00e7\u00e3o da ilha para a desativa\u00e7\u00e3o da maternidade do Hospital S\u00e3o Lucas, o \u00fanico do arquip\u00e9lago. Cerca de 40 mulheres de Noronha d\u00e3o \u00e0 luz por ano. \u00c9 uma m\u00e9dia de tr\u00eas partos por m\u00eas. A coordenadora de sa\u00fade do arquip\u00e9lago, F\u00e1tima Souza, acredita que esses n\u00fameros s\u00e3o \u00ednfimos frente aos riscos que as m\u00e3es correriam sem um hospital de alta complexidade. \u201cOs custos para manter uma maternidade para quatro partos por m\u00eas seriam muito altos. Al\u00e9m disso, temos um d\u00e9ficit de profissionais permanentes na ilha e estrutura f\u00edsica\u201d, justifica.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ela faz as contas. Para manter a maternidade em Noronha, seriam necess\u00e1rios 21 m\u00e9dicos por m\u00eas, sendo sete obstetras, sete anestesistas e sete neonatologistas. O plant\u00e3o de um m\u00e9dico custa R$ 1,8 mil, totalizando R$ 151.200 apenas com a folha de pagamento desses profissionais. \u201cIsso sem contar com os enfermeiros, t\u00e9cnicos de enfermagem, impostos, material m\u00e9dico, passagem, hospedagem e alimenta\u00e7\u00e3o das equipes. \u00c9 muito mais vantagem mandar as mulheres para o continente\u201d, pontua.<\/p>\n<p>A coordenadora de sa\u00fade afirma desconhecer as reclama\u00e7\u00f5es sobre o n\u00e3o acolhimento de algumas m\u00e3es no continente. \u201cAs mulheres que informam ter parentes n\u00e3o s\u00e3o hospedadas e acompanhadas de perto pela administra\u00e7\u00e3o. Por outro lado, as que precisam de nossa assist\u00eancia s\u00e3o acolhidas em um hotel de Boa Viagem. Todas as consultas pr\u00e9-natal s\u00e3o agendadas por nossa equipe. N\u00e3o registramos nenhum incidente nos \u00faltimos anos e nenhuma queixa foi protocolada por elas\u201d, garante. De acordo com F\u00e1tima, as mulheres que tiverem reclama\u00e7\u00f5es podem entrar em contato com a Ouvidoria de Noronha pelo telefone (81) 3619.1378 ou pelo e-mail:ouvidoria@noronha.pe.gov.br.<\/p>\n<p><strong>O que acontece com as m\u00e3es de Noronha?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO acompanhamento pr\u00e9-natal das gestantes \u00e9 feito na ilha, no Posto Sa\u00fade da Fam\u00edlia Dois Irm\u00e3os<\/p>\n<p>Quando as mulheres precisam fazer exames, como de sangue ou ultrassom, elas t\u00eam que viajar para o continente por Tratamento Fora do Domic\u00edlio (TFD)<\/p>\n<p>Entre a 28\u00aa e 30\u00aa semana de gesta\u00e7\u00e3o, nos casos de gravidezes sem complica\u00e7\u00f5es, as mulheres t\u00eam que deixar o arquip\u00e9lago e ficar no continente at\u00e9 o beb\u00ea nascer<\/p>\n<p>Cerca de um m\u00eas ap\u00f3s o parto, as mulheres que t\u00eam cadastro de morador permanente podem retornar com os filhos, que s\u00e3o registrados como noronhenses<\/p>\n<p>As mulheres que vivem em Noronha como moradoras tempor\u00e1rias n\u00e3o podem retornar \u00e0 ilha sem que o filho pague a taxa de preserva\u00e7\u00e3o ambiental*<\/p>\n<p>* O valor da taxa de preserva\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 de R$ 45,60 por dia<\/p><\/div>\n<div id=\"ecxabanoticia\">Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O paradis\u00edaco destino procurado anualmente por 60 mil turistas de todo o mundo esconde uma faceta bem distinta do que se v\u00ea nos cart\u00f5es postais. 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