{"id":312874,"date":"2020-03-13T06:29:28","date_gmt":"2020-03-13T09:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=312874"},"modified":"2020-03-13T06:29:28","modified_gmt":"2020-03-13T09:29:28","slug":"a-peste-de-albert-camus-vira-best-seller-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-peste-de-albert-camus-vira-best-seller-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus\/","title":{"rendered":"\u2018A Peste\u2019, de Albert Camus, vira best-seller em meio \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"mini-info-list-wrap\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/F020\/production\/_111227416_1479f07a-8b69-4374-9784-e217f9cf645a.jpg\" alt=\"Mulher jovem em livraria\" width=\"1391\" height=\"930\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Numa pequena cidade da costa argelina, na d\u00e9cada de 1940, a vida dos habitantes segue sua rotina at\u00e9 que milhares de ratos come\u00e7am a surgir do subterr\u00e2neo e morrer aos milhares. Logo as pessoas tamb\u00e9m come\u00e7am a pegar a doen\u00e7a \u2014 e seu destino \u00e9, em muitos casos, o mesmo.<\/p>\n<p>Essa narrativa, escrita em 1947 pelo franco-argelino Albert Camus, tem atra\u00eddo muitos leitores em diversos pa\u00edses da Europa, em meio \u00e0 pandemia de coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 ela \u2014 livros de fic\u00e7\u00e3o que se passam em situa\u00e7\u00f5es de epidemias ou pandemias, como\u00a0<i>Ensaio Sobre a Cegueira<\/i>\u00a0(1995), do portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago, e de n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o que descrevem a dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as no passado est\u00e3o constantemente nas listas de mais vendidos.<\/p>\n<p>No Brasil, isso ainda n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. A editora Record, que publica a vers\u00e3o brasileira mais recente de\u00a0<i>A Peste<\/i>, diz que ainda n\u00e3o viu aumento na procura. A Livraria da Vila, uma das principais de S\u00e3o Paulo, informou \u00e0 BBC que, por enquanto, n\u00e3o notou aumento nas vendas ou na procura por t\u00edtulos do g\u00eanero.<\/p>\n<p>&#8220;Encaramos com naturalidade que os europeus estejam procurando se informar por meio de obras com a tem\u00e1tica, uma vez que a Europa j\u00e1 passou por grandes epidemias ao longo dos s\u00e9culos e \u00e9 uma das regi\u00f5es mais atingidas pelo coronav\u00edrus. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 distinta e n\u00e3o h\u00e1 como prever os pr\u00f3ximos cen\u00e1rios&#8221;, disse a administra\u00e7\u00e3o da livraria, por e-mail.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot wsoj-component\" data-variation=\"default-0\"><\/div>\n<p>A livraria afirma que, por ser um fen\u00f4meno recente no Brasil, ainda n\u00e3o est\u00e1 preparando a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como pedidos \u00e0s editoras de livros sobre o tema, mas pode recomendar alguns livros, como\u00a0<i>Hist\u00f3ria da Humanidade Contada Pelo V\u00edrus<\/i>, de Stefan Cunha Ujvari;\u00a0<i>Cidade Febril<\/i><i>&#8211; Corti\u00e7os e epidemias na corte imperial<\/i>, de Sidney Chalahoub e\u00a0<i>Peste e C\u00f3lera<\/i>, de Patrick Deville.<\/p>\n<p>A BBC procurou outras grandes livrarias, como Cultura, Travessa e Martins Fontes, mas n\u00e3o teve resposta.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A200\/production\/_111227414_91699abb-bc7e-469e-9395-34af9221519e.jpg\" alt=\"Or\u00e3\" width=\"1394\" height=\"927\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A Peste se passa na cidade argelina de Or\u00e3<\/figure>\n<p>Se n\u00e3o no Brasil, esses livros est\u00e3o vendendo mais? Do que tratam? O que t\u00eam a ver com a realidade do surto de coronav\u00edrus? Que li\u00e7\u00f5es nos oferecem sobre como lidar com o surto? Por que as pessoas buscam esses livros?<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do pesquisador de Camus Raphael Luiz de Ara\u00fajo, doutor em letras pela Universidade de S\u00e3o Paulo e tradutor de Os primeiros Cadernos de Albert Camus, &#8220;diante da doen\u00e7a precisamos nos repensar \u2014 quem somos, o que estamos enfrentando. Por falarem da condi\u00e7\u00e3o humana (esses livros ganham interesse)&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pensa ele, serve como um espelho e uma maneira de n\u00e3o nos sentirmos sozinhos em meio \u00e0 incerteza da epidemia. &#8220;E \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de buscar esclarecimento, tem um potencial did\u00e1tico, que \u00e9 pensar como foi para pessoas que viveram e pensaram nisso&#8221;, palpita Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma busca por dar forma \u00e0 experi\u00eancia, o que o (cr\u00edtico) Antonio Candido chamava de fabula\u00e7\u00e3o.\u00a0<i>A Peste<\/i>\u00a0e outros cl\u00e1ssicos trazem explica\u00e7\u00f5es de princ\u00edpios sem que a gente entre na religi\u00e3o, oferecem caminhos para a nossa busca \u00e9tica&#8221;, resume ele.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A peste<\/h2>\n<p>O romance A Peste foi publicado em 1947, pouco ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial, e conta a hist\u00f3ria da chegada de uma epidemia \u00e0 cidade argelina de Or\u00e3. O personagem principal \u00e9 um m\u00e9dico, Rieux, que combate a doen\u00e7a at\u00e9 o momento em que ela se dissipa, depois de muitas mortes. O narrador descreve como a popula\u00e7\u00e3o reage, indo da apatia \u00e0 a\u00e7\u00e3o, e como alguns se exp\u00f5em a risco para enfrentar a dissemina\u00e7\u00e3o da peste. H\u00e1 aproveitadores, como um personagem que lucra com um mercado paralelo de produtos. Num primeiro momento, as autoridades hesitam em publicizar a doen\u00e7a, algo que Camus veria de forma cr\u00edtica, diz Ara\u00fajo \u2014 sua obra sempre volta ao tema da import\u00e2ncia de nomear as coisas.<\/p>\n<p>Nos anos 1940, diz Ara\u00fajo, Camus vinha pesquisando sobre como se deram algumas epidemias na Arg\u00e9lia e na Europa. Ele pr\u00f3prio sofrera com doen\u00e7as, a tuberculose, e priva\u00e7\u00f5es, por ser de uma fam\u00edlia argelina pobre.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o, o livro foi lido como uma analogia sobre a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 em Paris durante a Segunda Guerra, em parte por causa da ep\u00edgrafe do livro, uma frase do escritor Daniel Defoe: &#8220;\u00c9 t\u00e3o v\u00e1lido representar um modo de aprisionamento por outro quanto representar qualquer coisa que de fato existe por alguma coisa que n\u00e3o existe&#8221;. Ara\u00fajo lembra que, numa carta a Roland Barthes de 1955, Camus afirma que a obra descreve &#8220;a luta da resist\u00eancia europeia contra o nazismo&#8221;.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo aponta alguns paralelos com o momento atual: &#8220;a quest\u00e3o do conhecimento. Vivemos um momento em que h\u00e1 desinforma\u00e7\u00e3o, fatos v\u00eam sendo contestados. Em\u00a0<i>A Peste<\/i>\u00a0h\u00e1 um cuidado de mostrar as coisas como s\u00e3o de fato. O livro fala que existe (na hist\u00f3ria) um problema de abstra\u00e7\u00e3o. A desinforma\u00e7\u00e3o, a abstra\u00e7\u00e3o, geram histeria, comportamentos levianos ou xenof\u00f3bicos, como temos visto&#8221;, interpreta ele.<\/p>\n<p>Outra coincid\u00eancia \u00e9 a quest\u00e3o de burocratiza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es sobre as mortes, que pode gerar certa desumaniza\u00e7\u00e3o dos casos, opina ele. Na fic\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de mortes \u00e9 anunciado diariamente numa r\u00e1dio. Por outro lado, o narrador descreve algumas das mortes, o que faz o leitor senti-las de uma forma mais direta.<\/p>\n<p>Para Ara\u00fajo, uma li\u00e7\u00e3o a ser tirada do romance \u00e9 a do reconhecimento da coletividade. A cidade passa a se reconhecer como um grupo em sua luta contra a doen\u00e7a. &#8220;Neste momento em que temos divis\u00f5es muito marcadas no Brasil, \u00e9 um convite a pensar sobre n\u00f3s como coletivo. O que atravessarmos vamos atravessar juntos. N\u00e3o \u00e9 &#8216;cada um que se salve&#8217;. Como diz o Camus, a peste vira assunto de todos. Os problemas que nos atingem s\u00e3o de todos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de quem apoia um ou outro governo. Ningu\u00e9m est\u00e1 acima de ningu\u00e9m&#8221;, diz o acad\u00eamico.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C910\/production\/_111227415_9b200bd8-0f4d-41e3-a63a-06935a5429d1.jpg\" alt=\"Capa da vers\u00e3o brasileira de A Peste\" width=\"600\" height=\"925\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">Capa da vers\u00e3o brasileira de A Peste<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Livros que est\u00e3o vendendo bem<\/h2>\n<p>Na Fran\u00e7a, as vendas de\u00a0<i>A Peste<\/i>\u00a0chegaram a mais que dobrar nas primeiras oito semanas de 2020, comparado ao mesmo per\u00edodo de 2019, segundo a publica\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas de mercado editorial Edistat. O pa\u00eds registrava 30 mortes pelo v\u00edrus at\u00e9 ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>Na It\u00e1lia, o segundo pa\u00eds mais impactado pelo v\u00edrus depois da China, o aumento de vendas colocou o romance na lista dos dez mais vendidos, segundo a revista liter\u00e1ria francesa Actuallit\u00e9.<\/p>\n<p>Todo o pa\u00eds est\u00e1 sob medidas de emerg\u00eancia, determinadas pelo governo, para conter a contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>A Amazon italiana tem entre seus 100 livros mais vendidos diversos exemplos de narrativas de fic\u00e7\u00e3o e n\u00e3o-fic\u00e7\u00e3o sobre epidemias, como\u00a0<i>Virus, La Grande Sfida<\/i>\u00a0(V\u00edrus, o grande desafio, em tradu\u00e7\u00e3o livre), do virologista Roberto Burioni. O livro, segundo a sinopse, &#8220;descreve a natureza e o funcionamento dos v\u00edrus, sua transmiss\u00e3o de animais para seres humanos, a evolu\u00e7\u00e3o de nosso conhecimento cient\u00edfico sobre ele, os efeitos devastadores das epidemias na hist\u00f3ria da humanidade e as batalhas travadas no \u00faltimo s\u00e9culo contra elas&#8221;.<\/p>\n<p><i>Ensaio sobre a Cegueira<\/i>, do romancista portugu\u00eas Jos\u00e9 Saramago, tamb\u00e9m anda nos altos postos da lista. O livro conta a hist\u00f3ria de uma &#8220;treva branca&#8221; que vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade.<\/p>\n<p>No Reino Unido, leitores tamb\u00e9m v\u00eam procurando\u00a0<i>A Peste<\/i>, que deve ser reimpresso pela editora Penguin, j\u00e1 que j\u00e1 quase n\u00e3o h\u00e1 mais exemplares em estoque na Amazon.<\/p>\n<p>O livro\u00a0<i>The Great Influenza: The Story of the Deadliest Pandemic in History<\/i>\u00a0(A grande gripe: a hist\u00f3ria da pandemia mais mortal da hist\u00f3ria, em tradu\u00e7\u00e3o livre) estava entre os 100 mais lidos na vers\u00e3o brit\u00e2nica do site.<\/p>\n<p>A narrativa de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o fala sobre &#8220;o v\u00edrus da gripe mais letal da hist\u00f3ria&#8221;, segundo a sinopse. &#8220;No auge da Primeira Guerra Mundial, irrompeu em um acampamento do ex\u00e9rcito no Kansas, expandiu para o leste com tropas americanas e depois explodiu, matando at\u00e9 100 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo. Matou mais pessoas em 24 meses do que a AIDS matou em 24 anos, mais em um ano do que a Peste Negra matou em um s\u00e9culo.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Como o autor sabia?&#8221;<\/h2>\n<p>&#8220;N\u00e3o costumo ler esse tipo de livro, mas tive que l\u00ea-lo porque estamos 2020 e no meio do avan\u00e7o do coronav\u00edrus. Como o autor sabia?&#8221;, se pergunta um leitor no site brit\u00e2nico da Amazon sobre o romance\u00a0<i>The Eyes of Darkness\u00a0<\/i>(Os olhos da escurid\u00e3o, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de 1981, escrito pelo americano Dean Koontz.<\/p>\n<p>Assim como ele, muitos se perguntaram, em redes sociais, se o autor havia &#8220;previsto&#8221; a expans\u00e3o da doen\u00e7a. Koontz de fato descreve no livro um v\u00edrus fict\u00edcio que se chama &#8220;Wuhan-400&#8221; e cujo nome refere-se \u00e0 cidade chinesa onde come\u00e7ou o surto de coronav\u00edrus. No entanto, o v\u00edrus, no romance fict\u00edcio, \u00e9 uma arma biol\u00f3gica da China, desenvolvida em laborat\u00f3rio, e n\u00e3o um micr\u00f3bio que se espalha espontaneamente pelo mundo. Al\u00e9m disso, o v\u00edrus do livro \u00e9 mais letal e se espalha mais rapidamente.<\/p>\n<p>Em sua primeira vers\u00e3o, publicada em 1981, o v\u00edrus fict\u00edcio n\u00e3o vinha da China, mas sim da R\u00fassia, e se chamava Gorki-400, segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters. A segunda vers\u00e3o saiu em 1989.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">N\u00e3o apenas livros<\/h2>\n<p>O filme\u00a0<i>Cont\u00e1gio\u00a0<\/i>esteve entre os mais vistos nas plataformas iTunes e Google Play, algo que pode ser considerado um marco para um filme que n\u00e3o \u00e9 estreia.<\/p>\n<p>No enredo, Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) retorna ao Estado de Minnesota (Estados Unidos) ap\u00f3s uma viagem de neg\u00f3cios em Hong Kong e come\u00e7a a se sentir mal. Emhoff atribui seus sintomas ao fuso hor\u00e1rio.<\/p>\n<p>No entanto, dois dias depois ela morre, sem que os m\u00e9dicos encontrem a causa. Logo depois, outras pessoas come\u00e7am a manifestar os mesmos sintomas e, logo, \u00e9 desencadeada uma pandemia que as autoridades de sa\u00fade tentam conter.<\/p>\n<p>Em menos de um m\u00eas, o n\u00famero de mortos na hist\u00f3ria chega a 2,5 milh\u00f5es nos EUA e 26 milh\u00f5es em todo o mundo.<\/p>\n<p>No momento de seu lan\u00e7amento, alguns especialistas elogiaram a maneira como o filme refletia a situa\u00e7\u00e3o de uma pandemia.<\/p>\n<p>Mas o que a realidade do coronav\u00edrus chin\u00eas realmente tem em comum com a fic\u00e7\u00e3o do filme de Soderbergh?<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7AF0\/production\/_111227413_7c422a1a-4ada-4c7e-95b4-1aa5a575a6f7.jpg\" alt=\"Filme Cont\u00e1gio\" width=\"660\" height=\"371\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">No momento de seu lan\u00e7amento, alguns especialistas elogiaram a maneira como o filme &#8216;Cont\u00e1gio&#8217; refletia a situa\u00e7\u00e3o de uma pandemia<\/figure>\n<p>Um tema comum \u00e9 que ambos os v\u00edrus se originam na China e os morcegos parecem desempenhar um papel preponderante.<\/p>\n<p>Especialistas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade apontam que \u00e9 muito prov\u00e1vel que o novo coronav\u00edrus venha de morcegos. Eles estimam que ele teve que pular primeiro para um grupo de animais n\u00e3o identificado antes de poder infectar humanos.<\/p>\n<p>O filme mostra imagens de cidades em quarentena, aeroportos fechados, profissionais de sa\u00fade com trajes especiais, pessoas com m\u00e1scaras, cidades vazias, lojas fechadas\u2026 Essas cenas v\u00eam se tornando mais comuns, com China e It\u00e1lia sob medidas de emerg\u00eancia para conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<p>No filme, entretanto, a doen\u00e7a tem cont\u00e1gio mais r\u00e1pido e \u00e9 mais letal.<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria, pesquisadores conseguem produzir e distribuir uma quantidade limitada de vacinas em apenas 90 dias.<\/p>\n<p>A realidade do coronav\u00edrus \u00e9 diferente, ainda que, diferentemente dos surtos de v\u00edrus anteriores em que as vacinas para proteger a popula\u00e7\u00e3o levavam anos para serem desenvolvidas, a busca por um medicamento para controlar a dissemina\u00e7\u00e3o da pneumonia de Wuhan tenha come\u00e7ado poucas horas ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Fran\u00e7a, as vendas de\u00a0A Peste\u00a0chegaram a mais que dobrar nas primeiras oito semanas de 2020, comparado ao mesmo per\u00edodo de 2019, segundo a publica\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas de mercado editorial Edistat. 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