{"id":314754,"date":"2020-04-01T11:43:57","date_gmt":"2020-04-01T14:43:57","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=314754"},"modified":"2020-04-01T11:43:57","modified_gmt":"2020-04-01T14:43:57","slug":"licoes-de-1918-as-cidades-que-se-anteciparam-no-distanciamento-social-cresceram-mais-apos-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/licoes-de-1918-as-cidades-que-se-anteciparam-no-distanciamento-social-cresceram-mais-apos-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es de 1918: as cidades que se anteciparam no distanciamento social cresceram mais ap\u00f3s a pandemia"},"content":{"rendered":"<header class=\"col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"article-header basic | \">\n<h1 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Estudo conclui que as maiores restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas reduziram a mortalidade, mas tamb\u00e9m mitigaram o golpe econ\u00f4mico da chamada gripe espanhola nos Estados Unidos.<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/nAu8std6yRN8FBiL64IN094_9sc=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/LRRKUCCGSNFGPOBAFXMFO7IWJM.jpg\" alt=\"Enfermeira cuida de um paciente no hospital Walter Reed, em Washington, durante a epidemia de gripe de 1918.\" \/><figcaption class=\"color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Enfermeira cuida de um paciente no hospital Walter Reed, em Washington, durante a epidemia de gripe de 1918.<span class=\"color_black margin_left uppercase light\">LIBRARY OF CONGRESS \/ AP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<section class=\"share-bar | border_bottom border_5\">\n<div class=\"content | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"article_byline | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"authors flex flex_wrap \"><span class=\"margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ignacio Fariza\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/ignacio-fariza-somolinos\/\">IGNACIO FARIZA<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"article | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em tempos ins\u00f3litos e \u201cinexperimentados\u201d \u2015termo cunhado pelo brilhante fil\u00f3sofo espanhol Emilio Lled\u00f3 para se referir a estes meses vir\u00f3ticos\u2015 conv\u00e9m mais que nunca olhar para tr\u00e1s, at\u00e9 um dos poucos precedentes em que podemos encontrar alguma luz sobre os efeitos econ\u00f4micos de uma pandemia: a mal chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/16\/internacional\/1516096077_476907.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">gripe espanhola de 1918<\/a>. Todas as precau\u00e7\u00f5es s\u00e3o poucas: o mundo e a economia mudaram, e muito, desde ent\u00e3o. Mas a epidemia de gripe no in\u00edcio do s\u00e9culo passado, segundo estimativas dos pesquisadores Sergio Correia, Stephan Luck e Emil Verner, tamb\u00e9m deixa algumas li\u00e7\u00f5es v\u00e1lidas para se enfrentar o choque econ\u00f4mico do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">coronav\u00edrus<\/a>. Entre elas, que as cidades que se anteciparam na ado\u00e7\u00e3o de medidas de distanciamento social e foram mais agressivas em sua aplica\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tiveram um desempenho pior, mas cresceram mais r\u00e1pido quando a pandemia passou\u201d. E que \u201cinterven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas [entre elas, o fechamento de escolas, teatros e igrejas; a proibi\u00e7\u00e3o de reuni\u00f5es p\u00fablicas e funerais; a coloca\u00e7\u00e3o em quarentena dos casos suspeitos e a restri\u00e7\u00e3o nos hor\u00e1rios de abertura dos neg\u00f3cios] n\u00e3o apenas reduziram a mortalidade, mas tamb\u00e9m mitigaram as consequ\u00eancias econ\u00f4micas adversas da pandemia&#8221;, conclu\u00edram os pesquisadores, os dois primeiros do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/reserva-federal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Federal Reserve<\/a>\u00a0dos EUA e do Federal Reserve de Nova York e o terceiro, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cInterven\u00e7\u00f5es n\u00e3o farmacol\u00f3gicas podem ter retornos econ\u00f4micos, para al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o da mortalidade\u201d, concluem os tr\u00eas pesquisadores no estudo, publicado na \u00faltima quinta-feira e divulgado pela Bloomberg. A experi\u00eancia \u201csugere\u201d que as cidades que adotaram maiores medidas de distanciamento social \u201ctamb\u00e9m cresceram mais no m\u00e9dio prazo\u201d, o que os leva a concluir que a pandemia \u201cdeprimiu a economia, mas as interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o\u201d. Contudo, o estudo destaca as diferen\u00e7as na hora de tra\u00e7ar paralelos entre aquele epis\u00f3dio de gripe e o coronav\u00edrus: o ambiente econ\u00f4mico estava marcado pelo final da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/primera-guerra-mundial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Primeira Guerra Mundial<\/a>\u00a0e aquela doen\u00e7a foi muito mais letal do que a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Covid-19<\/a>, especialmente para os trabalhadores jovens, o que leva a pensar em um choque econ\u00f4mico maior naquela ocasi\u00e3o do que hoje. Por outro lado, hoje a economia est\u00e1 infinitamente mais interconectada, com cadeias de suprimentos transnacionais e um peso muito maior do setor de servi\u00e7os e das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, \u201cfatores que n\u00e3o podem ser capturados na an\u00e1lise\u201d, como reconhecem os autores.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A pandemia de gripe do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, que se prolongou de janeiro de 1918 a dezembro de 1920 e se espalhou por meio mundo, infectando 500 milh\u00f5es de pessoas (um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial na \u00e9poca) e matando 50 milh\u00f5es, provocou uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 18% na produ\u00e7\u00e3o industrial em escala estatal. As regi\u00f5es mais expostas tamb\u00e9m registraram um maior volume de fal\u00eancias de empresas e fam\u00edlias. \u201cEsse padr\u00e3o\u201d, enfatiza o estudo \u2015intitulado, de forma contundente\u00a0<a href=\"https:\/\/papers.ssrn.com\/sol3\/papers.cfm?abstract_id=3561560\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Pandemics depress the economy, public health interventions do not: evidence from the 1918 flu<\/i><\/a><i>\u00a0(Pandemias deprimem a economia, interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica, n\u00e3o: evid\u00eancias da gripe de 1918)<\/i>\u2015, \u201c\u00e9 consistente com a ideia de que as pandemias deprimem a atividade econ\u00f4mica por meio de redu\u00e7\u00f5es tanto na oferta como na distribui\u00e7\u00e3o de demanda. E, importante, as quedas na produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o persistentes: as \u00e1reas mais afetadas permaneceram deprimidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s menos expostas at\u00e9 1923\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Por que medidas restritivas est\u00e3o associadas a uma melhor sa\u00edda da economia do buraco? \u00c9 verdade, afirmam Correia, Luck e Verner, que estas &#8220;restringem a atividade econ\u00f4mica&#8221;. \u201cMas, em uma pandemia, a atividade econ\u00f4mica tamb\u00e9m se reduz sem elas, j\u00e1 que as fam\u00edlias diminuem o consumo e a oferta de trabalho para evitar serem infectadas. Portanto, essas medidas podem resolver problemas de coordena\u00e7\u00e3o associados ao combate \u00e0 transmiss\u00e3o da doen\u00e7a e mitigar a ruptura econ\u00f4mica vinculada \u00e0 pandemia&#8221;, acrescentam. Segundo suas cifras, uma rea\u00e7\u00e3o 10 dias antes da chegada da gripe aumentou o emprego na ind\u00fastria em cerca de 5% no per\u00edodo posterior \u00e0 doen\u00e7a. E a amplia\u00e7\u00e3o das medidas de distanciamento social por mais 50 dias elevou essa taxa de emprego industrial em 6,5%.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">Dif\u00edcil sa\u00edda em V da crise<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;A l\u00f3gica econ\u00f4mica em tempos de pandemia, hoje e na \u00e9poca, simplesmente difere da l\u00f3gica econ\u00f4mica em tempos normais&#8221;, esclarece Verner por telefone. &#8220;Uma pandemia \u00e9 economicamente t\u00e3o destrutiva em si mesma que medidas restritivas, se bem projetadas, ajudam a reduzir o golpe&#8221;. Pode-se aprender alguma coisa com a pandemia de 1918 com rela\u00e7\u00e3o ao tempo que levar\u00e1 para a recupera\u00e7\u00e3o da atividade? &#8220;N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil tirar conclus\u00f5es contundentes e \u00e9 preciso que sejamos prudentes, mas, se a experi\u00eancia da \u00e9poca sugere alguma coisa, \u00e9 que a sa\u00edda em V [queda r\u00e1pida, recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida] ser\u00e1 dif\u00edcil: o impacto provavelmente ser\u00e1 mais duradouro e a sa\u00edda mais prov\u00e1vel, em forma de U ou W\u201d, acrescenta o professor do MIT.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A \u201cevid\u00eancia dos relatos\u201d, destaca a pesquisa, sugere alguns paralelos entre os resultados obtidos no estudo da epidemia da gripe e o da pandemia de coronav\u00edrus registrada neste per\u00edodo inicial de 2020: pa\u00edses que aplicaram medidas de distanciamento social em um est\u00e1gio inicial da pandemia, como Taiwan e Cingapura, \u201cn\u00e3o s\u00f3 limitaram o crescimento da infec\u00e7\u00e3o: tamb\u00e9m parecem ter mitigado a pior disrup\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica causada pela pandemia\u201d. As li\u00e7\u00f5es hoje v\u00eam do Oriente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo conclui que as maiores restri\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas reduziram a mortalidade, mas tamb\u00e9m mitigaram o golpe econ\u00f4mico da chamada gripe espanhola nos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":314755,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-314754","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/gripe-espanhola-hospital.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=314754"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/314754\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/314755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=314754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=314754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=314754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}