{"id":316836,"date":"2020-04-23T10:37:20","date_gmt":"2020-04-23T13:37:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=316836"},"modified":"2020-04-23T10:37:20","modified_gmt":"2020-04-23T13:37:20","slug":"a-furiosa-antifeminista-que-freou-os-direitos-da-mulher-enquanto-os-aproveitava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-furiosa-antifeminista-que-freou-os-direitos-da-mulher-enquanto-os-aproveitava\/","title":{"rendered":"A furiosa antifeminista que freou os direitos da mulher enquanto os aproveitava"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">\u201cMuito conservadora at\u00e9 para os ultraconservadores\u201d, Phyllis Schlafly conquistou eleitores defendendo que as mulheres deveriam permanecer no lar, enquanto ela, esposa e m\u00e3e, percorria os Estados Unidos difundindo seus ideais. Agora, Cate Blanchett a interpreta na s\u00e9rie \u2018Mrs America\u2019<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/_XuMfJg2yM5qtIW0HUQp5p9VRP8=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/6WW7TWF5DLX7U6DGCLJMLBLQTY.jpg\" alt=\"A ativista Phyllis Schlafly se manifestando contra a Emenda pela Igualdade de Direitos em frente \u00e0 Casa Branca em 4 de fevereiro de 1977.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">A ativista Phyllis Schlafly se manifestando contra a Emenda pela Igualdade de Direitos em frente \u00e0 Casa Branca em 4 de fevereiro de 1977.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\">WARREN K. LEFFLER<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Luc\u00eda Lijtmaer\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/lucia-lijtmaer-paskvan\/\">LUC\u00cdA LIJTMAER<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<section class=\"more_info | border_1 border_top pull_right\">&nbsp;<\/p>\n<\/section>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No auge de seu poder, quando ela discava o n\u00famero de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/ronald-reagan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Ronald Reagan<\/a>\u00a0na Casa Branca, o presidente jamais deixava passar os seus telefonemas. Ele sabia que tinha que atender Phyllis Schlafly. N\u00e3o s\u00f3 isso: gostava de conversar com ela. Os dois se tornaram grandes amigos durante a primeira campanha de Reagan como presidenci\u00e1vel, que Schafly tinha apoiado desde o in\u00edcio.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 Phyllis Schlafly, uma das mulheres mais influentes na hist\u00f3ria do Partido Republicano dos EUA, a quem o canal FX dedica agora a s\u00e9rie\u00a0<i>Mrs America<\/i>, protagonizada por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/cate-blanchett\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Cate Blanchett<\/a>\u00a0e exibida no Brasil pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/hbo-home-box-office\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">HBO<\/a>. Ela \u00e9 praticamente uma desconhecida para quem n\u00e3o est\u00e1 familiarizado com a tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica norte-americana, mas determinou uma grande parte dos valores do movimento ultraconservador norte-americano: a fam\u00edlia como elemento central, e o rep\u00fadio ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/feminismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">feminismo<\/a>, ao aborto e ao casamento homossexual. Acima de tudo, ela foi a principal promotora do resgate da ideia de que a mulher \u00e9 basicamente uma cuidadora e m\u00e3e, antes que trabalhadora.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A vida, o trabalho e inclusive a imagem de Schlafly parecem concebidas por um especialista em imagem conservadora: atraente, m\u00e3e de seis filhos, em um casamento est\u00e1vel e defensora de valores tradicionais, Schlafly era o cart\u00e3o-postal perfeito para uma campanha orquestrada pelos republicanos para recuperar um protagonismo perdido. Assim poderia ser lida, mas seria um erro: Schafy n\u00e3o foi um estratagema, e sim uma l\u00edder pol\u00edtica fundamental, uma estrategista brilhante e, sobretudo, uma ide\u00f3loga popular que conseguiu um grande eco junto ao eleitor norte-americano m\u00e9dio.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/vauV-2WlbzmcJCZTSLMHBU_QfM0=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/HCFM5O2HHFALJKPGR7RHWLJHVI.jpg\" alt=\"Cate Blanchett interpreta Phyllis Schlafly em \u2018Mrs. America\u2019. GETTY\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Cate Blanchett interpreta Phyllis Schlafly em \u2018Mrs. America\u2019. GETTY<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Sua origem explica em grande parte sua trajet\u00f3ria ideol\u00f3gica. Phyllis Stewart foi o produto de uma fam\u00edlia sulista do Missouri castigada pela depress\u00e3o econ\u00f4mica da d\u00e9cada de 1930. Criou-se em um ambiente cat\u00f3lico que lhe inculcou a ideia do esfor\u00e7o e o trabalho. Durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/segunda-guerra-mundial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Segunda Guerra Mundial<\/a>, com apenas vinte anos, como depois contaria orgulhosa, foi contratada como t\u00e9cnica de bal\u00edstica na maior f\u00e1brica de muni\u00e7\u00f5es do mundo. Foi uma universit\u00e1ria destacada: obteve um mestrado em pol\u00edtica governamental na prestigiosa faculdade Radcliffe (numa \u00e9poca em que Harvard ainda n\u00e3o aceitava mulheres) e pouco depois conheceu e se casou com o advogado John Fred Schlafly Jr., de uma rica fam\u00edlia da Saint Louis. Anos mais tarde, se doutoraria em direito.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria oficial diz que, depois de se casar, Phyllis Schlafly se retirou para exercer o papel de m\u00e3e de fam\u00edlia e dona de casa enquanto criava seus seis filhos, mas isso contradiz frontalmente a realidade. O fato \u00e9 que Schlafly logo foi picada pelo inseto da pol\u00edtica: trabalhou em campanhas para a elei\u00e7\u00e3o de governadores republicanos no final dos anos 1940 e escreveu panfletos anticomunistas durante o macartismo. Em 1952 foi candidata republicana ao Congresso, e perdeu. Contrariamente ao que mais tarde defenderia, muitos de seus partid\u00e1rios a recordam, deleitados, fazendo campanha gr\u00e1vida ou amamentando algum de seus filhos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Pouco a pouco \u2015\u201cComo um hobby\u201d, se desculparia\u2015 Phyllis Schlafly se tornou um ativo em alta. Seu livro\u00a0<i>A Choice Not an Echo<\/i>\u00a0(\u201cuma escolha, n\u00e3o um eco\u201d), que exortava o partido republicano a se afastar do \u201cestablishment da Costa Leste\u201d \u2015como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/henry-kissinger\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Henry Kissinger<\/a>, a quem detestava\u2015, vendeu tr\u00eas milh\u00f5es de exemplares e lhe deu a plataforma de que necessitava. Nos anos sessenta come\u00e7ou a percorrer o pa\u00eds em favor das ideias ultraconservadoras que come\u00e7avam a emergir em um setor do partido. Embora fosse uma das mais f\u00e9rreas defensoras do candidato Barry Goldwater, e tenha feito campanha por ele em todo o pa\u00eds, teve detratores entre suas fileiras e n\u00e3o obteve sua confian\u00e7a: era conservadora demais at\u00e9 para os ultraconservadores.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/oFMYki3_fpXJ5ygo-pyOUCR8ZY8=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/W732EJS7R7U5SHKHURTQY5G6GQ.jpg\" alt=\"Phyllis Schlafly durante protesto em 1972 contra a emenda constitucional. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Phyllis Schlafly durante protesto em 1972 contra a emenda constitucional.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\">AP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Mas Schlafly entrou para a hist\u00f3ria de vez em 1972, quando encabe\u00e7ou a campanha contra a chamada Emenda da Igualdade de Direitos (ERA, na sigla em ingl\u00eas), uma iniciativa destinada a incorporar \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o a garantia de igualdade entre homens e mulheres. O que parecia uma batalha ganha desde o in\u00edcio pelos democratas se tornou um debate que perdurou at\u00e9 a d\u00e9cada de oitenta, quando morreu de t\u00e9dio. \u00c0quela altura, a maioria dos norte-americanos associava a emenda ao servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio para as mulheres, a banheiros mistos e a direitos LGTB. Por qu\u00ea? Porque Schlafly se encarregou de que fosse assim. Ambiciosa, inteligente e muito sedutora, Phyllis tinha percorrido todo o pa\u00eds e se tornou o flagelo das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/feminismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">feministas<\/a>. Seu discurso populista de tradi\u00e7\u00e3o e estabilidade familiar, exortando as mulheres a escolherem a felicidade no matrim\u00f4nio e no lar, criou um movimento de base que fez v\u00e1rios Estados mudarem de opini\u00e3o e a transformaria na arma secreta do partido. Pelo caminho levou algumas tortas midi\u00e1ticas na cara e enfrentou o \u00f3dio encarni\u00e7ado dos defensores dos direitos civis.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Durante anos, at\u00e9 sua morte, em 2016, o lobby fundado por ela, chamado Eagle Forum, defenderia os valores ultraconservadores do Partido Republicano. Mas n\u00e3o estava isenta de contradi\u00e7\u00f5es: a autodenominada dona de casa que exortava as mulheres a ficarem no lar para cuidarem de seus filhos percorreu durante d\u00e9cadas os Estados Unidos, escreveu mais de uma d\u00fazia de livros e teve uma governanta que se encarregou da cria\u00e7\u00e3o de seus seis filhos. Nas palavras de sua oponente, a feminista Karen DeCrow, \u201cera uma mulher extremamente liberada\u201d.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/xPUWM20yNjID_nh9OPi6NaO2YOs=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/G7DSNSA3RFG23B2T3EBDZIQ7CE.jpg\" alt=\"Cate Blanchett, como Phyllis Schlafly em uma imagen da s\u00e9rie 'Mrs. America'.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Cate Blanchett, como Phyllis Schlafly em uma imagen da s\u00e9rie &#8216;Mrs. America&#8217;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cMuito conservadora at\u00e9 para os ultraconservadores\u201d, Phyllis Schlafly conquistou eleitores defendendo que as mulheres deveriam permanecer no lar, enquanto ela, esposa e m\u00e3e, percorria os Estados Unidos difundindo seus ideais. 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