{"id":318455,"date":"2020-05-10T11:21:45","date_gmt":"2020-05-10T14:21:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=318455"},"modified":"2020-05-11T10:43:29","modified_gmt":"2020-05-11T13:43:29","slug":"o-que-era-a-liga-anti-mascara-que-protestava-contra-restricoes-na-gripe-espanhola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-que-era-a-liga-anti-mascara-que-protestava-contra-restricoes-na-gripe-espanhola\/","title":{"rendered":"O que era a \u2018Liga Anti-M\u00e1scara\u2019, que protestava contra restri\u00e7\u00f5es na gripe espanhola"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><strong><span class=\"byline__name\">Alessandra Corr\u00eaa<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/C17A\/production\/_112203594_foto1-californiahistoryroomcaliforniastatelibrarysacramento.jpg\" alt=\"Fila para distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Fila para distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras em S\u00e3o Francisco. Em outubro de 1918, com o avan\u00e7o da pandemia de gripe, as autoridades municipais decretaram a obrigatoriedade de usar m\u00e1scaras em p\u00fablico. (California History Room, California State Library, Sacramento)<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Na S\u00e3o Francisco de 1919, no auge da pandemia de gripe que se espalhava pelo mundo, alguns moradores, cansados ap\u00f3s meses de restri\u00e7\u00f5es, resolveram criar um movimento batizado de Liga Anti-M\u00e1scara.<\/p>\n<p>Desconfiados da efic\u00e1cia do uso de m\u00e1scaras para frear o avan\u00e7o da doen\u00e7a, eles acusavam as autoridades de violar seus direitos constitucionais e pediam a volta \u00e0 normalidade. Em um encontro realizado em 25 de janeiro daquele ano, chegaram a reunir mais de 2 mil pessoas.<\/p>\n<p>Realizado h\u00e1 mais de cem anos, o protesto lembra as manifesta\u00e7\u00f5es recentes em alguns estados americanos &#8211; e tamb\u00e9m em partes do Brasil e de outros pa\u00edses &#8211; contra as regras de distanciamento social, o fechamento do com\u00e9rcio e outras medidas impostas para conter a atual pandemia de covid-19, a doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, o uso de m\u00e1scaras em espa\u00e7os p\u00fablicos para reduzir o risco de cont\u00e1gio pelo coronav\u00edrus \u00e9 recomendado por especialistas m\u00e9dicos, incentivado pelo governo federal e obrigat\u00f3rio em alguns Estados e cidades.<\/p>\n<p>Mas as medidas v\u00eam gerando resist\u00eancia, protestos e at\u00e9 epis\u00f3dios de viol\u00eancia. Na semana passada, um seguran\u00e7a de uma loja em Flint, no estado de Michigan, foi morto a tiros depois de impedir que uma crian\u00e7a entrasse no local sem m\u00e1scara. Em Stillwater (Oklahoma), amea\u00e7as levaram as autoridades a revogar a exig\u00eancia do uso de m\u00e1scaras em estabelecimentos comerciais.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\"><\/div>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10F9A\/production\/_112203596_foto2-californiahistoryroomcaliforniastatelibrarysacramento.jpg\" alt=\"pessoas com m\u00e1scaras\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Em meio aos esfor\u00e7os nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, o uso de m\u00e1scaras era considerado s\u00edmbolo de patriotismo. (California History Room, California State Library, Sacramento)<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as<\/h2>\n<p>Assim como os manifestantes de agora, os integrantes da Liga Anti-M\u00e1scara eram contra a exig\u00eancia por diferentes motivos.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas pessoas (simplesmente) n\u00e3o gostavam de usar as m\u00e1scaras&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil a historiadora Nancy Bristow, autora do livro\u00a0<i>American Pandemic: The Lost Worlds of the 1918 Influenza Epidemic<\/i>\u00a0(&#8220;Pandemia Americana: Os Mundos Perdidos da Epidemia de Gripe de 1918&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre).<\/p>\n<p>&#8220;Mas tamb\u00e9m havia pessoas que argumentavam que a exig\u00eancia era uma viola\u00e7\u00e3o de sua liberdade, intrus\u00e3o excessiva do governo, coisas que estamos ouvindo novamente hoje&#8221;, salienta Bristow, que \u00e9 professora de Universidade de Puget Sound, no Estado de Washington.<\/p>\n<p>Mas apesar da semelhan\u00e7a no discurso, Bristow ressalta que h\u00e1 uma diferen\u00e7a fundamental entre o movimento de 1919 e os protestos atuais: &#8220;Eles n\u00e3o tinham os dados e as evid\u00eancias que temos hoje de que fazer isso (cumprir as medidas de emerg\u00eancia) vai salvar vidas. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora n\u00e3o se pode alegar ignor\u00e2ncia&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Demora em reagir<\/h2>\n<p>A chamada gripe espanhola, que causou mais de 50 milh\u00f5es de mortes ao redor do mundo, atingiu os Estados Unidos em tr\u00eas ondas, a partir da primavera de 1918 (outono no Brasil), quando focos foram identificados na Costa Leste, em soldados que haviam lutado na Primeira Guerra Mundial.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/184CA\/production\/_112203599_foto3-californiahistoryroomcaliforniastatelibrarysacramento.jpg\" alt=\"policial adverte uma mulher\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\">A imprensa da \u00e9poca estimava que 80% da popula\u00e7\u00e3o estivesse cumprindo as regras inicialmente. Na foto, um policial adverte uma mulher sobre a exig\u00eancia. (California History Room, California State Library, Sacramento)<\/figure>\n<p>N\u00e3o levou muito tempo para a doen\u00e7a se espalhar pelo pa\u00eds e chegar \u00e0 Costa Oeste. Em S\u00e3o Francisco, ent\u00e3o uma cidade de 500 mil habitantes, o primeiro caso foi confirmado em 24 de setembro de 1918, em um paciente que havia retornado de uma viagem a Chicago.<\/p>\n<p>Mas as autoridades municipais, assim como ocorreu em outras cidades, demoraram a reagir. Inicialmente, determinaram apenas que doentes fossem colocados em quarentena e recomendaram que as pessoas praticassem boa higiene e evitassem multid\u00f5es.<\/p>\n<p>Somente em 18 de outubro, mais de tr\u00eas semanas depois do primeiro diagn\u00f3stico, foi decretado o fechamento de escolas e locais de lazer e proibida a aglomera\u00e7\u00e3o de pessoas. A essa altura, S\u00e3o Francisco j\u00e1 registrava mais de 3,7 mil doentes e 70 mortos.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico William Hassler, principal autoridade de sa\u00fade no governo municipal, considerava o uso de m\u00e1scaras em p\u00fablico a maneira mais eficaz para impedir o avan\u00e7o da doen\u00e7a e, em 25 de outubro, determinou sua obrigatoriedade. Quem desobedecesse estava sujeito a multa ou at\u00e9 mesmo pris\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o Francisco foi uma das primeiras grandes \u00e1reas metropolitanas a exigir que toda a popula\u00e7\u00e3o usasse m\u00e1scaras&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o especialista em hist\u00f3ria da medicina Brian Dolan, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia em S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">S\u00edmbolo de patriotismo<\/h2>\n<p>Em meio aos esfor\u00e7os nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, o uso de m\u00e1scaras come\u00e7ou a ser considerado s\u00edmbolo de patriotismo. A imprensa da \u00e9poca estimava que 80% da popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Francisco estivesse cumprindo a ordem nas semanas iniciais.<\/p>\n<p>Mas centenas foram detidos por desobedecer. Muitos outros usavam de maneira errada. H\u00e1 relatos at\u00e9 de pessoas usando m\u00e1scaras com um buraco na boca, para fumar.<\/p>\n<p>As m\u00e1scaras da \u00e9poca eram feitas de gaze. A Cruz Vermelha fabricava e distribu\u00eda em todo o pa\u00eds, mas n\u00e3o havia o suficiente. Com a escassez, as autoridades recomendavam que a popula\u00e7\u00e3o costurasse suas pr\u00f3prias m\u00e1scaras, com qualquer material dispon\u00edvel. Muitas eram feitas de tecidos porosos, o que prejudicava sua efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m se tornou um tipo de item da moda, assim como est\u00e1 acontecendo agora&#8221;, observa Dolan.<\/p>\n<p>Ao final de outubro, S\u00e3o Francisco tinha 20 mil pessoas infectada e mais de mil mortos. Mas o n\u00famero de novos casos vinha diminuindo, e as autoridades decidiram que era hora de come\u00e7ar a levantar as restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir de 16 de novembro, menos de um m\u00eas depois do in\u00edcio das medidas de emerg\u00eancia, restaurantes, hot\u00e9is, cinemas, teatros e arenas de esportes come\u00e7aram a reabrir, com casa lotada.<\/p>\n<p>O uso de m\u00e1scaras ainda era obrigat\u00f3rio, mas muitas pessoas passaram a ignorar a determina\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio Hassler e o prefeito, James Rolph, foram fotografados sem m\u00e1scaras enquanto assistiam a um combate de boxe. Ambos pagaram multa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Celebra\u00e7\u00e3o prematura<\/h2>\n<p>Ao meio-dia de 21 de novembro, dez dias ap\u00f3s o fim da Primeira Guerra Mundial, o som de sirenes ecoou pela cidade, anunciando o fim da obrigatoriedade. Em comemora\u00e7\u00e3o, multid\u00f5es arrancaram suas m\u00e1scaras e as jogaram no ch\u00e3o, cobrindo ruas e cal\u00e7adas com o que um jornal da \u00e9poca descreveu como &#8220;vest\u00edgios de um m\u00eas tortuoso&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a celebra\u00e7\u00e3o logo se revelou prematura, e o n\u00famero de casos da doen\u00e7a voltou a crescer. Duas semanas depois, o prefeito pediu que a popula\u00e7\u00e3o voltasse a usar m\u00e1scaras em p\u00fablico, desta vez de maneira volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Eles levantaram as restri\u00e7\u00f5es e, ent\u00e3o, sofreram uma nova onda da pandemia. E em vez de reiterar as regras de distanciamento social, o que teria sido a decis\u00e3o l\u00f3gica, apenas se concentraram no uso de m\u00e1scaras e na quarentena dos doentes, pensando que poderiam controlar a doen\u00e7a com essas medidas&#8221;, diz Bristow.<\/p>\n<p>Mas, sem obrigatoriedade ou risco de puni\u00e7\u00e3o, a maioria da popula\u00e7\u00e3o ignorou a recomenda\u00e7\u00e3o. Calcula-se que apenas 10% voltaram a aderir \u00e0 medida. Com o n\u00famero de doentes crescendo, em 17 de janeiro de 1919 as autoridades tornaram o uso de m\u00e1scaras obrigat\u00f3rio novamente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CA94\/production\/_112206815_foto4-californiahistoryroomcaliforniastatelibrarysacramento.jpg\" alt=\"A foto mostra dois homens sendo detidos pela pol\u00edcia.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Quem desobedecesse estava sujeito a multa ou at\u00e9 mesmo pris\u00e3o. A foto mostra dois homens sendo detidos pela pol\u00edcia (California History Room, California State Library, Sacramento)<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Resist\u00eancia<\/h2>\n<p>Desta vez, por\u00e9m, a exig\u00eancia foi recebida com resist\u00eancia. Comerciantes eram contra, temendo que a regra tivesse impacto negativo nas vendas. Muitos tamb\u00e9m questionavam a efic\u00e1cia das m\u00e1scaras para conter a pandemia.<\/p>\n<p>Dolan lembra que, na \u00e9poca, a Associa\u00e7\u00e3o Americana de Sa\u00fade P\u00fablica havia publicado um artigo em uma revista cient\u00edfica no qual dizia que as evid\u00eancias sobre a efic\u00e1cia das m\u00e1scaras eram contradit\u00f3rias.<\/p>\n<p>&#8220;O desafio era que as pessoas diziam que, mesmo com as m\u00e1scaras, n\u00e3o se estava evitando a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;, observa o historiador.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que surgiu a Liga Anti-M\u00e1scara, formada por empres\u00e1rios, comerciantes e at\u00e9 alguns m\u00e9dicos e um integrante do governo, para pressionar pelo fim da obrigatoriedade que, segundo eles, ia &#8220;contra a vontade da maioria da popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Na verdade, as mais de 2 mil pessoas presentes do encontro realizado pelo movimento representavam menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o da cidade na \u00e9poca, mas muitos de seus membros eram influentes.<\/p>\n<p>Alguns queriam assinaturas para um abaixo-assinado pelo fim da obrigatoriedade. Outros defendiam medidas mais dr\u00e1sticas, como a demiss\u00e3o de Hassler. O pr\u00f3prio encontro, com milhares de pessoas sem m\u00e1scaras, pode ter ajudado a propagar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O prefeito inicialmente resistiu \u00e0 press\u00e3o, afirmando que as posi\u00e7\u00f5es do movimento n\u00e3o representavam o desejo da maioria dos moradores. Mas em 1\u00ba de fevereiro, uma semana ap\u00f3s o encontro da liga, a exig\u00eancia do uso de m\u00e1scaras foi revogada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/118B4\/production\/_112206817_foto5-californiahistoryroomcaliforniastatelibrarysacramento.jpg\" alt=\"Mulheres usam m\u00e1scaras.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Como havia escassez, as autoridades recomendavam que a popula\u00e7\u00e3o fabricasse suas pr\u00f3prias m\u00e1scaras, com qualquer material dispon\u00edvel. (California History Room, California State Library, Sacramento)<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Exemplo<\/h2>\n<p>Segundo historiadores, apesar de outras cidades americanas tamb\u00e9m terem registrado epis\u00f3dios de resist\u00eancia \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de usar m\u00e1scaras, nenhuma teve um movimento t\u00e3o organizado quanto o da Liga Anti-M\u00e1scara.<\/p>\n<p>Bristow afirma que \u00e9 dif\u00edcil saber o impacto que o uso de m\u00e1scaras teve no controle da doen\u00e7a em S\u00e3o Francisco. Mas ela e outros historiadores afirmam que a devasta\u00e7\u00e3o provocada pela gripe espanhola na cidade mostra as consequ\u00eancias graves de levantar as restri\u00e7\u00f5es antes que a pandemia tenha sido controlada.<\/p>\n<p>Apesar de in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es das autoridades de que S\u00e3o Francisco havia vencido a gripe espanhola rapidamente, quando os n\u00fameros gerais do pa\u00eds foram compilados pelo governo federal, ficou claro que a doen\u00e7a teve efeito devastador.<\/p>\n<p>A cidade registrou um total de 45 mil infectados e mais de 3 mil mortos, uma das mais altas taxas per capita nos Estados Unidos. No pa\u00eds inteiro, a gripe espanhola deixou 675 mil mortos.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem desobedecesse estava sujeito a multa ou at\u00e9 mesmo pris\u00e3o. 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