{"id":319098,"date":"2020-05-17T08:37:42","date_gmt":"2020-05-17T11:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=319098"},"modified":"2020-05-17T08:37:42","modified_gmt":"2020-05-17T11:37:42","slug":"1942-brasil-declarava-guerra-a-alemanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/1942-brasil-declarava-guerra-a-alemanha\/","title":{"rendered":"1942: Brasil declarava guerra \u00e0 Alemanha"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"intro\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 22 de agosto de 1942, Get\u00falio Vargas respondia \u00e0 press\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos pr\u00f3prios americanos: o pa\u00eds entrava em &#8220;estado de beliger\u00e2ncia&#8221;. O envio de tropas \u00e0 Europa, por\u00e9m, demoraria dois anos.<\/strong><\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\" style=\"text-align: justify;\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/1942-brasil-declarava-guerra-%C3%A0-alemanha\/a-40193784#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Fevereiro de 43: Get\u00falio (de chap\u00e9u branco e \u00f3culos) inspeciona as tropas em Natal, com Roosevelt (sentado ao lado do motorista)\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/18426625_303.jpg\" alt=\"Fevereiro de 43: Get\u00falio (de chap\u00e9u branco e \u00f3culos) inspeciona as tropas em Natal, com Roosevelt (sentado ao lado do motorista)\" \/><\/a>Fevereiro de 43: Get\u00falio (de chap\u00e9u branco e \u00f3culos) inspeciona as tropas em Natal, com Roosevelt (ao lado do motorista)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1942. Get\u00falio Vargas se re\u00fane com seus ministros no Pal\u00e1cio Guanabara. Depois de uma hora e meia de reuni\u00e3o, o governo anuncia que o Brasil estava em &#8220;estado de beliger\u00e2ncia&#8221; com a Alemanha Nazista e a It\u00e1lia Fascista. Na pr\u00e1tica, era uma declara\u00e7\u00e3o de guerra. E foi essa \u00faltima palavra que foi usada por alguns jornais brasileiros em suas edi\u00e7\u00f5es extras publicadas no mesmo dia. &#8220;Guerra!&#8221;, anunciou\u00a0<em>O Globo<\/em>\u00a0em letras garrafais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi uma resposta \u00e0 press\u00e3o que o governo vinha sofrendo da popula\u00e7\u00e3o, de ministros simp\u00e1ticos \u00e0 causa aliada e dos pr\u00f3prios americanos&#8221;, afirma o historiador Rodrigo Trespach, autor do livro\u00a0<em>Hist\u00f3rias n\u00e3o (ou mal) contadas: Segunda Guerra<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias que precederam a decis\u00e3o de Get\u00falio, o pa\u00eds ainda estava sob o choque causado por uma s\u00e9rie de ataques a navios brasileiros em sua costa. Seis foram afundados em um espa\u00e7o de apenas cinco dias por um \u00fanico submarino alem\u00e3o, o U-507. O total de mortes passou de 600.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foi nossa Pearl Harbor&#8221;, afirma Marcelo Monteiro, autor do livro\u00a0<em>U-507: o submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial<\/em>, se referindo ao ataque japon\u00eas a uma base naval que marcou a entrada dos EUA no conflito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias seguintes aos ataques contra os navios, os jornais brasileiros foram tomados por not\u00edcias sobre os naufr\u00e1gios, ilustradas por fotos dos mortos e feridos e relatos de que algumas v\u00edtimas chegaram a ser atacadas por tubar\u00f5es. Apenas no afundamento do navio Baependi, na costa do Sergipe, morreram 270 pessoas. &#8220;O impacto junto ao p\u00fablico foi imenso&#8221;, afirma Trespach.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ataques foram apenas o empurr\u00e3o final que levou o Brasil a passar totalmente para a \u00f3rbita dos Aliados, em especial os americanos. O Brasil j\u00e1 havia se alinhado com os EUA em janeiro de 1942, ap\u00f3s a Confer\u00eancia do Rio de Janeiro, quando decidiu romper rela\u00e7\u00f5es com o Eixo \u2013 formado por It\u00e1lia, Alemanha e Jap\u00e3o \u2013, que j\u00e1 estava em guerra com os americanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, o governo Get\u00falio Vargas havia concedido a permiss\u00e3o para que os Aliados usassem portos e bases a\u00e9reas no Brasil. Apesar de o governo ter na pr\u00e1tica declarado guerra ao Eixo em 22 de agosto, o decreto que oficializou o Estado de Guerra s\u00f3 foi publicado no dia 31 de agosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes disso, a Alemanha havia sido um parceiro comercial importante do Brasil. &#8220;V\u00e1rios militares e membros do governo tamb\u00e9m eram simp\u00e1ticos \u00e0 Alemanha e preciso salientar que o pr\u00f3prio Vargas era um ditador com elementos fascistas&#8221;, diz Trespach. &#8220;Mas, no final, Vargas optou por seguir as orienta\u00e7\u00f5es do seu ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Osvaldo Aranha, que era pr\u00f3-americano.&#8221;<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/1942-brasil-declarava-guerra-%C3%A0-alemanha\/a-40193784#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Protesto antinazista no Brasil em 42: Get\u00falio tentou alimentar o temor de poss\u00edveis ataques em solo brasileiro\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/40194642_401.jpg\" alt=\"Protesto antinazista no Brasil em 42: Get\u00falio tentou alimentar o temor de poss\u00edveis ataques em solo brasileiro\" \/><\/a>Protesto antinazista no Brasil em 42: Get\u00falio tentou alimentar o temor de poss\u00edveis ataques em solo brasileiro<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Indiferen\u00e7a alem\u00e3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A declara\u00e7\u00e3o do estado de beliger\u00e2ncia de 22 de agosto satisfez o presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, que imediatamente enviou um telegrama para Get\u00falio. &#8220;Em nome do governo e do povo dos Estados Unidos, manifesto a V. exa. a profunda emo\u00e7\u00e3o com que esta a\u00e7\u00e3o foi recebida neste pa\u00eds. (&#8230;) O Brasil acrescenta poder e for\u00e7a material aos ex\u00e9rcitos da liberdade.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 na Alemanha, a rea\u00e7\u00e3o inicial foi praticamente indiferente, considerando que o Brasil j\u00e1 estava alinhado com os EUA antes do epis\u00f3dio. Um porta-voz do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores nazista afirmou a correspondentes internacionais n\u00e3o ter recebido nenhuma comunica\u00e7\u00e3o oficial. J\u00e1 uma r\u00e1dio alem\u00e3 informou que se tal not\u00edcia fosse confirmada, &#8220;n\u00e3o existiria nenhum motivo para surpresa, dada a tend\u00eancia ultimamente observada do governo do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O papel inicial do Brasil<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda demoraria dois anos para que o Brasil enviasse tropas para lutar contra os alem\u00e3es na Europa. At\u00e9 l\u00e1, o papel do pa\u00eds no esfor\u00e7o aliado seria de tirar as \u00faltimas restri\u00e7\u00f5es para a opera\u00e7\u00e3o de uma base a\u00e9rea americana em Natal e arregimentar volunt\u00e1rios para colher borracha na Amaz\u00f4nia, os &#8220;soldados da borracha&#8221;. Cinquenta mil deles \u2013 em sua maioria nordestinos \u2013 passaram a ser arregimentados ap\u00f3s agosto de 1942 para colher borracha em seringais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando os japoneses ocuparam o Sudeste Asi\u00e1tico, em dezembro de 1941, os Estados Unidos perderam sua principal fonte de borracha. Nada menos que 97% de toda a borracha natural do globo ca\u00edram em m\u00e3os nip\u00f4nicas. Sem essa mat\u00e9ria-prima, a m\u00e1quina de guerra Aliada seria paralisada&#8221;, afirma Trespach.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os americanos financiaram o transporte dos volunt\u00e1rios para a Amaz\u00f4nia e concederam outros cinco milh\u00f5es de d\u00f3lares para construir a infraestrutura necess\u00e1ria para acomod\u00e1-los. &#8220;O papel desses soldados da borracha foi estrategicamente mais importante para o esfor\u00e7o de guerra do que aquele desempenhado pelos pracinhas na It\u00e1lia&#8221;, conta Trespach. Ao todo, 26 mil desses volunt\u00e1rios acabaram morrendo na selva, principalmente por doen\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um acordo firmado dois meses depois da declara\u00e7\u00e3o de beliger\u00e2ncia, os EUA forneceram ao Brasil 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares em armas e muni\u00e7\u00e3o de guerra destinadas \u00e0 Marinha e ao Ex\u00e9rcito, al\u00e9m de linhas de cr\u00e9dito para ajudar na industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/1942-brasil-declarava-guerra-%C3%A0-alemanha\/a-40193784#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Get\u00falio com Roosevelt a bordo de destr\u00f3ier americano no porto de Natal, em fevereiro de 1943\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/18426629_401.jpg\" alt=\"Get\u00falio com Roosevelt a bordo de destr\u00f3ier americano no porto de Natal, em fevereiro de 1943\" \/><\/a>Get\u00falio com Roosevelt a bordo de destr\u00f3ier americano no porto de Natal, em fevereiro de 1943<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A frente interna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o Brasil longe dos combates na Europa, a m\u00e1quina de propaganda do governo tratou de alimentar o temor de poss\u00edveis ataques alem\u00e3es e italianos em solo brasileiro. Foi um imposto um blecaute nas cidades brasileiras a partir de 21h. Propagandas apontavam que luzes poderiam servir de alvo para avi\u00f5es da Luftwaffe (a For\u00e7a A\u00e9rea alem\u00e3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas nunca houve um plano alem\u00e3o para invadir o Brasil. O regime nazista n\u00e3o conseguiu nem mesmo invadir a Inglaterra. Afirma\u00e7\u00f5es nesse sentido s\u00e3o apenas teorias conspirat\u00f3rias&#8221;, garante Trespach.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o historiador, o \u00fanico plano ambicioso aventado pelos alem\u00e3es foi o de colocar em pr\u00e1tica a t\u00e1tica de alcateias por submarinos na costa brasileira, antes mesmo da declara\u00e7\u00e3o de guerra pelo Brasil. Nessa modalidade de ataque, v\u00e1rios submarinos agem em conjunto para atacar comboios ou navios ancorados em portos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1942, um plano chegou a ser autorizado pelo comando nazista, mas o ent\u00e3o embaixador alem\u00e3o no Brasil, Karl Ritter, se posicionou contra, achando que um ataque desses iria complicar ainda mais as rela\u00e7\u00f5es com o Brasil e potencialmente com vizinhos simp\u00e1ticos \u00e0 Alemanha, como Argentina e Chile. Documentos da Marinha alem\u00e3 comprovam que a a\u00e7\u00e3o foi cancelada &#8220;por motivos pol\u00edticos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda apenas limitado a um papel coadjuvante no combate a submarinos alem\u00e3es e italianos em sua costa, o Estado brasileiro se voltou ent\u00e3o contra os imigrantes de pa\u00edses do Eixo. A campanha de nacionaliza\u00e7\u00e3o colocada em pr\u00e1tica com o Estado Novo em 1937, que j\u00e1 havia praticamente abolido o sistema de escolas e publica\u00e7\u00f5es locais em l\u00edngua estrangeira no pa\u00eds antes mesmo da guerra, foi redobrada. Falar alem\u00e3o e italiano j\u00e1 havia sido proibido em v\u00e1rios estados em janeiro de 1942, quando o Brasil rompeu rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do Eixo, mas a restri\u00e7\u00e3o passou a ser refor\u00e7ada depois da declara\u00e7\u00e3o de guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois dos afundamentos provocados pelo U-507, tamb\u00e9m ocorreram v\u00e1rios epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra imigrantes alem\u00e3es e italianos. Em Petr\u00f3polis, no estado do Rio, lojas e restaurantes com nomes alem\u00e3es tiveram suas placas trocadas por outras, com os nomes dos navios afundados. No Rio Grande do Sul, estabelecimentos de alem\u00e3es e italianos foram depredados por multid\u00f5es que gritaram &#8220;Viva Get\u00falio Vargas!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos ap\u00f3s esses epis\u00f3dios, a guerra chegou ao fim na Europa e na \u00c1sia. Ao final, cerca de dois mil brasileiros haviam morrido no conflito, entre eles 443 pracinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o submarino U-507, o grande respons\u00e1vel pela entrada do Brasil na guerra, foi afundado no litoral do Piau\u00ed em janeiro de 1943 por um avi\u00e3o americano. Nenhum tripulante sobreviveu.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 22 de agosto de 1942, Get\u00falio Vargas respondia \u00e0 press\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e dos pr\u00f3prios americanos: o pa\u00eds entrava em &#8220;estado de beliger\u00e2ncia&#8221;. 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