{"id":320478,"date":"2020-06-01T00:57:38","date_gmt":"2020-06-01T03:57:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=320478"},"modified":"2020-05-31T16:59:42","modified_gmt":"2020-05-31T19:59:42","slug":"empirismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/empirismo\/","title":{"rendered":"Empirismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"cat-box-title\">\n<h1><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"post-inner\">\n<div id=\"conteudo-texto\" class=\"entry\">\n<div>\n<p>O\u00a0<strong>empirismo<\/strong>\u00a0\u00e9 uma corrente filos\u00f3fica, referente \u00e0\u00a0<strong>teoria do conhecimento,<\/strong>\u00a0que tem suas origens na filosofia aristot\u00e9lica. O termo empirismo adv\u00e9m da palavra grega\u00a0<em><strong>empeiria<\/strong><\/em>, que significa experi\u00eancia. Na\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiageral\/idade-moderna.htm\">Modernidade<\/a>, quando a possibilidade do conhecimento tornou-se central para a produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, a corrente empirista foi impulsionada por fil\u00f3sofos como\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiageral\/thomas-hobbes.htm\">Thomas Hobbes<\/a>, John Locke e David Hume.<\/p>\n<p>Estes\u00a0<strong>se opunham aos racionalistas<\/strong>, que defendiam que o\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/conhecimento.htm\">conhecimento<\/a>\u00a0\u00e9 puramente racional e n\u00e3o depende da experi\u00eancia. Os racionalistas eram, consequentemente, inatistas, pois defendiam a exist\u00eancia do conhecimento inato no ser humano, ou seja, que o conhecimento j\u00e1 est\u00e1 inserido no intelecto humano.<\/p>\n<p>Basicamente, o empirismo defende que todo\u00a0<strong>o conhecimento adv\u00e9m da experi\u00eancia pr\u00e1tica<\/strong>\u00a0que temos cotidianamente, ou seja, que as nossas estruturas cognitivas somente aprendem por meio da viv\u00eancia e das apreens\u00f5es de nossos sentidos.<\/p>\n<h2><strong>Caracter\u00edsticas do empirismo<\/strong><\/h2>\n<div>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/2019\/09\/1-john-locke.jpg\" alt=\"O fil\u00f3sofo ingl\u00eas John Locke foi um dos principais representantes do empirismo brit\u00e2nico.\" width=\"500\" height=\"578\" \/><figcaption>O fil\u00f3sofo ingl\u00eas John Locke foi um dos principais representantes do empirismo brit\u00e2nico.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O empirismo defende que toda a\u00a0<strong>nossa estrutura cognitiva \u00e9 formada com base na experi\u00eancia pr\u00e1tica<\/strong>, de modo que, quanto mais vastas, intensas e ricas as nossas experi\u00eancias, mais amplo e profundo torna-se o nosso conhecimento.\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/aristoteles.htm\">Arist\u00f3teles<\/a>\u00a0j\u00e1 defendia que o conhecimento adv\u00e9m da experi\u00eancia, contrariando as teses plat\u00f4nicas, que eram essencialmente inatistas.<\/p>\n<p><strong>John<\/strong>\u00a0<strong>Locke<\/strong>, um dos principais empiristas da Modernidade, afirmou que o ser humano \u00e9 uma\u00a0<strong>t\u00e1bula rasa<\/strong>. A t\u00e1bula era um instrumento romano de escrita, feito com cera. As pessoas escreviam na cera com uma esp\u00e9cie de estilete e, quando queriam apagar, bastava raspar ou derreter esse material.<\/p>\n<p>Quando a t\u00e1bula estava sem inscri\u00e7\u00f5es, era chamada de t\u00e1bula rasa. Esta pode ser comparada a uma folha em branco. Isso significa que o ser humano nasce sem nenhum conhecimento e \u00e9 preenchido de acordo com as viv\u00eancias que ele adquire. O empirismo moderno foi defendido por fil\u00f3sofos como Thomas Hobbes,\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/francis-bacon.htm\">Francis Bacon<\/a>, John Locke e David Hume, o que pode classific\u00e1-lo como, essencialmente,\u00a0<strong>brit\u00e2nico<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Hobbes<\/strong>\u00a0retomou a teoria do conhecimento aristot\u00e9lica para<strong>\u00a0enumerar o conhecimento como o despertar de v\u00e1rios graus<\/strong>, a saber: a sensa\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o, a imagina\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria e a experi\u00eancia. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 o primeiro despertar do conhecimento, que fornece dados para a percep\u00e7\u00e3o. A percep\u00e7\u00e3o, por sua vez, ativa a imagina\u00e7\u00e3o (somente imaginamos aquilo que podemos, de algum modo, conhecer na pr\u00e1tica). Tudo isso fornece dados que podem ativar a mem\u00f3ria, e o ac\u00famulo de mem\u00f3ria constitui o conjunto de saberes denominado experi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Bacon<\/strong>\u00a0\u00e9 o primeiro grande te\u00f3rico do\u00a0<strong>m\u00e9todo filos\u00f3fico e cient\u00edfico da indu\u00e7\u00e3o<\/strong>. O m\u00e9todo indutivo afirma que o conhecimento rigoroso \u00e9 obtido pela repeti\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias e pode ser controlado por meio da observa\u00e7\u00e3o met\u00f3dica do ser humano.<\/p>\n<p><strong>Locke<\/strong>\u00a0formula uma esp\u00e9cie de\u00a0<strong>empirismo cr\u00edtico<\/strong>. A epistemologia de John Locke admite que h\u00e1 apenas uma categoria inata no ser humano: a capacidade de depreender conhecimento com base nas experi\u00eancias. Segundo Locke, as estruturas cartesianas erram, desde o in\u00edcio, ao separar o ser humano em duas categorias distintas: corpo e alma. Segundo o fil\u00f3sofo, o ser humano \u00e9 composto por\u00a0<strong>corpo e alma simultaneamente<\/strong>, sem separa\u00e7\u00f5es. E isso faz com que a alma impulsione o corpo a conhecer, pois n\u00e3o h\u00e1 qualquer tipo de conhecimento racional inato.<\/p>\n<p>Para<strong>\u00a0Hume, as ideias n\u00e3o s\u00e3o inatas<\/strong>, mas derivam das sensa\u00e7\u00f5es e das percep\u00e7\u00f5es que o ser humano adquire. As sensa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o fruto de um conjunto de viv\u00eancias que adquirimos por meio dos sentidos. O que determina o grau e a capacidade de conhecimento humano s\u00e3o o<strong>\u00a0n\u00edvel e a intensidade das experi\u00eancias\u00a0<\/strong>adquiridas pelos sentidos.<\/p>\n<div>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/2019\/09\/thomas-hobbes.jpg\" alt=\"Para Thomas Hobbes, o conhecimento \u00e9 formado por diferentes graus.\" \/><figcaption>Para Thomas Hobbes, o conhecimento \u00e9 formado por diferentes graus.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2><strong>Empirismo e racionalismo<\/strong><\/h2>\n<p>O\u00a0<strong>racionalismo<\/strong>\u00a0<strong>moderno<\/strong>\u00a0remonta \u00e0s ideias de\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/platao.htm\">Plat\u00e3o<\/a>, na\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiageral\/idade-antiga.htm\">Antiguidade<\/a>. Assim como esse pensador, fil\u00f3sofos como Ren\u00e9 Descartes e Baruch de Spinoza defenderam a<strong>\u00a0exist\u00eancia de uma racionalidade universal<\/strong>, que \u00e9 inata ao ser humano enquanto ser racional. Para Descartes, a raz\u00e3o \u00e9 a caracter\u00edstica mais bem distribu\u00edda entre os seres humanos. O que acontece \u00e9 que algumas pessoas n\u00e3o fazem uso dela.<\/p>\n<p>Para os empiristas, essa ideia \u00e9 falsa. Segundo a teoria racionalista, o conhecimento \u00e9 feito de ideias que j\u00e1 est\u00e3o inseridas na intelectualidade humana. Para os empiristas, as ideias somente podem ser obtidas via obten\u00e7\u00e3o de intui\u00e7\u00f5es que adv\u00eam dos sentidos do corpo e da experi\u00eancia.<\/p>\n<p>A<strong>\u00a0teoria empirista<\/strong>\u00a0admite que existem ideias simples e ideias compostas. As\u00a0<strong>ideias<\/strong>\u00a0<strong>simples<\/strong>\u00a0s\u00e3o formadas com base na experi\u00eancia imediata que conhece objetos corriqueiros do mundo, como homem e cavalo. J\u00e1 as\u00a0<strong>ideias<\/strong>\u00a0<strong>complexas<\/strong>\u00a0s\u00e3o jun\u00e7\u00f5es de duas ou mais ideias simples, perfazendo elementos compostos que n\u00e3o existem na realidade, mas podem ser imaginados, como o centauro, que \u00e9 uma jun\u00e7\u00e3o das ideias de homem e de cavalo.<\/p>\n<h2><strong>Empirismo e Iluminismo<\/strong><\/h2>\n<p>A teoria empirista continua em debate durante o\u00a0<a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/historiageral\/iluminismo.htm\">Iluminismo<\/a>\u00a0europeu. Gottfried Wilhelm Leibniz \u00e9 um racionalista alem\u00e3o que influencia, sobretudo, a produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica do tamb\u00e9m iluminista\u00a0<strong>Immanuel<\/strong>\u00a0<strong>Kant.<\/strong>\u00a0Este coloca um ponto final no embate entre empiristas e racionalistas, afirmando que o conhecimento humano adv\u00e9m, duplamente, das experi\u00eancias pr\u00e1ticas e das ideias racionais.<\/p>\n<div>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/2019\/09\/1-immanuel-kant.jpg\" alt=\"Kant encerra a querela entre racionalistas e empiristas.\" width=\"350\" height=\"500\" \/><figcaption>Kant encerra a querela entre racionalistas e empiristas.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Para Kant, a estrutura cognitiva humana depende, duplamente, de um conhecimento abstrato racional que compreende os conceitos puros e universais, denominado\u00a0<strong>conhecimento a priori<\/strong>, junto \u00e0 experi\u00eancia pr\u00e1tica, que \u00e9 denominada\u00a0<strong>conhecimento a posteriori<\/strong>. Essa\u00a0<strong>dupla a\u00e7\u00e3o do conhecimento<\/strong>\u00a0requer uma estrutura complexa que somente os seres humanos conseguem obter e classifica o nosso conhecimento como fruto da dupla estrutura cognitiva.<\/p>\n<h2><strong>Fil\u00f3sofos empiristas<\/strong><\/h2>\n<ul>\n<li><strong>Thomas Hobbes:<\/strong>\u00a0para quem o conhecimento \u00e9 advindo da experi\u00eancia, que \u00e9 constitu\u00edda pelo conjunto dos graus do conhecimento, ou seja: sensa\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o, imagina\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria.<\/li>\n<li><strong>John Locke:\u00a0<\/strong>para quem o ser humano \u00e9 como uma t\u00e1bula rasa (folha em branco) e obt\u00e9m conhecimento a partir do momento em que vai vivendo e, consequentemente (segundo a met\u00e1fora da t\u00e1bula rasa), sendo rabiscado (ou marcado por essas experi\u00eancias).<\/li>\n<li><strong>Francis Bacon:<\/strong>\u00a0para quem o m\u00e9todo filos\u00f3fico e cient\u00edfico deve partir do m\u00e9todo indutivo, que surge com base na observa\u00e7\u00e3o da repeti\u00e7\u00e3o de eventos.<\/li>\n<li><strong>David Hume:<\/strong>\u00a0para quem o conhecimento emp\u00edrico \u00e9 fruto do conjunto de experi\u00eancias pr\u00e1ticas que adquirimos com as viv\u00eancias, e estas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de baliza pra determinar o modo como o ser humano entende o mundo e o que sabe dele.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0empirismo\u00a0\u00e9 uma corrente filos\u00f3fica, referente \u00e0\u00a0teoria do conhecimento,\u00a0que tem suas origens na filosofia aristot\u00e9lica. O termo empirismo adv\u00e9m da palavra grega\u00a0empeiria, que significa experi\u00eancia. 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