{"id":320486,"date":"2020-06-05T00:14:43","date_gmt":"2020-06-05T03:14:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=320486"},"modified":"2020-05-31T17:17:25","modified_gmt":"2020-05-31T20:17:25","slug":"mito-da-caverna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mito-da-caverna\/","title":{"rendered":"Mito da Caverna"},"content":{"rendered":"<div class=\"cat-box-title\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"resumo-secao\" style=\"text-align: justify;\">\n<h3 class=\"post-sub-title\">Mito da Caverna ou Alegoria da Caverna \u00e9 um di\u00e1logo plat\u00f4nico que alude \u00e0 preponder\u00e2ncia do conhecimento racional sobre o conhecimento vulgar.<\/h3>\n<\/div>\n<div class=\"block_social_audima\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"social-share\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"post-inner\">\n<div id=\"conteudo-texto\" class=\"entry\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p>O\u00a0<strong>Mito da Caverna<\/strong>\u00a0ou Alegoria da Caverna \u00e9 uma hist\u00f3ria narrada por\u00a0<u><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/platao.htm\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\">Plat\u00e3o<\/a><\/u>\u00a0em sua obra\u00a0<em>A Rep\u00fablica<\/em>. Trata-se de um di\u00e1logo travado entre Glauco e\u00a0<u><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/filosofia\/socrates.htm\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00f3crates<\/a><\/u>, em que este conta uma hist\u00f3ria a Glauco para falar-lhe sobre o conhecimento humano.<\/p>\n<h2><strong>O que o Mito da Caverna diz?<\/strong><\/h2>\n<p>S\u00f3crates diz para Glauco imaginar uma esp\u00e9cie de caverna subterr\u00e2nea em que homens vivessem como prisioneiros desde sempre. Essa caverna possui uma parede em que os\u00a0<strong>prisioneiros<\/strong>\u00a0foram acorrentados pelos bra\u00e7os, de modo a verem somente o que se passa na parede paralela.<\/p>\n<p>Atr\u00e1s dos prisioneiros, existe uma chama acesa por qual as pessoas passam, gesticulam e movimentam objetos, de modo a projetarem suas sombras na parede que os prisioneiros conseguem ver. Tamb\u00e9m falam e gritam, criando ecos que os prisioneiros podem ouvir. Sombras e ecos s\u00e3o\u00a0<strong>proje\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0<strong>distorcidas<\/strong>\u00a0das imagens e dos sons reais. Por viverem toda a sua vida ali, acorrentados, tudo que os prisioneiros sabem do mundo \u00e9 o que eles vivenciaram.<\/p>\n<p>Continuando, S\u00f3crates fala para Glauco imaginar que um dia um\u00a0<strong>prisioneiro<\/strong>\u00a0foi\u00a0<strong>liberto.<\/strong>\u00a0Ele saiu da caverna, teve um primeiro contato com a luz solar que ofuscou a sua vis\u00e3o e gerou um grande inc\u00f4modo. Por\u00e9m, ap\u00f3s acostumar-se com a luz, ele p\u00f4de observar toda a natureza e todo o vasto mundo que havia fora da caverna, muito maior do que ele julgava existir quando era um prisioneiro.<\/p>\n<p>Em um primeiro impulso, o prisioneiro liberto poderia tentar retornar para a caverna e\u00a0<strong>libertar<\/strong>\u00a0<strong>os<\/strong>\u00a0<strong>seus<\/strong>\u00a0<strong>companheiros.<\/strong>\u00a0Imaginando as possibilidades, ele poderia at\u00e9 ser morto por seus colegas, que o julgariam como louco. Essa met\u00e1fora \u00e9 utilizada por Plat\u00e3o para explicar a\u00a0<strong>hierarquia<\/strong>\u00a0<strong>dos<\/strong>\u00a0<strong>conhecimentos<\/strong>\u00a0e como essa hierarquia est\u00e1 relacionada \u00e0 pol\u00edtica da cidade.<\/p>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/conteudo\/platao(3).jpg\" alt=\"Plat\u00e3o \u00e9 um dos maiores pensadores da Gr\u00e9cia Antiga.\" width=\"700\" height=\"467\" \/><br \/>\nPlat\u00e3o \u00e9 um dos maiores pensadores da Gr\u00e9cia Antiga.<\/em><\/p>\n<h2><strong>Interpreta\u00e7\u00e3o do Mito da Caverna<\/strong><\/h2>\n<p>A Alegoria da Caverna \u00e9 uma\u00a0<strong>met\u00e1fora<\/strong>, ou como o pr\u00f3prio nome diz, uma alegoria. O que est\u00e1 escrito no texto n\u00e3o deve ser interpretado literalmente, pois Plat\u00e3o n\u00e3o quis apenas contar uma hist\u00f3ria sobre homens presos em uma caverna, mas quis passar uma mensagem com isso.<\/p>\n<p>In\u00fameros elementos metaf\u00f3ricos aparecem na alegoria. Os principais elementos est\u00e3o dispostos abaixo:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Prisioneiros:<\/strong>\u00a0os prisioneiros da caverna somos n\u00f3s mesmos, os cidad\u00e3os comuns.<\/li>\n<li><strong>Caverna:<\/strong>\u00a0\u00e9 o nosso corpo, que segundo Plat\u00e3o, seria fonte de engano e d\u00favida, pois ele nos ilude na forma como apreendemos as apar\u00eancias das coisas, nos fazendo acreditar que essas s\u00e3o as pr\u00f3prias coisas.<\/li>\n<li><strong>Sombras e ecos<\/strong>: as sombras que os prisioneiros veem e os ecos que eles escutam s\u00e3o as opini\u00f5es e os preconceitos que trazemos do senso comum e da vida costumeira. Eles s\u00e3o, segundo Plat\u00e3o, conhecimentos errados que adquirimos atrav\u00e9s dos sentidos de nosso corpo e da vida cotidiana.<\/li>\n<li><strong>Sair da caverna<\/strong>: a liberta\u00e7\u00e3o do prisioneiro e a sua fuga da caverna simboliza a busca pelo conhecimento verdadeiro.<\/li>\n<li><strong>A luz do Sol:<\/strong>\u00a0a luz solar no exterior da caverna simboliza o conhecimento verdadeiro, a raz\u00e3o e a filosofia. Quando o prisioneiro sai da caverna, ele sente-se perturbado pela luz intensa, elemento natural que ele nunca havia vivenciado. No in\u00edcio, h\u00e1 uma dificuldade de aceita\u00e7\u00e3o dessa luz pelas retinas, at\u00e9 que ele adapta-se e percebe toda a realidade exterior. Metaforicamente, isso simboliza a zona de conforto que as sombras e a caverna representam, pois o engano da vida comum pode ser confort\u00e1vel, enquanto a verdade pode ser, ao menos, inicialmente, dolorosa e sacrificante. Sair da ignor\u00e2ncia significa sair da zona de conforto.<\/li>\n<\/ul>\n<h2><strong>Como o Mito da Caverna se encaixaria nos dias de hoje?<\/strong><\/h2>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/conteudo\/mito-na-atualidade.jpg\" alt=\"As pessoas t\u00eam muitas informa\u00e7\u00f5es via televis\u00e3o e internet, mas mant\u00eam-se no n\u00edvel apenas informativo, n\u00e3o buscando conhecer profundamente as coisas.\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/strong><\/p>\n<p>As pessoas t\u00eam muitas informa\u00e7\u00f5es via televis\u00e3o e internet, mas mant\u00eam-se no n\u00edvel apenas informativo, n\u00e3o buscando conhecer profundamente as coisas.<\/p>\n<p>Podemos transpor os escritos plat\u00f4nicos para uma interpreta\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica da humanidade do s\u00e9culo XXI. A\u00a0<strong>humanidade<\/strong>\u00a0parece ter se acostumado com a ignor\u00e2ncia de tal modo, que h\u00e1 uma recusa geral por uma busca da verdade. As pessoas t\u00eam um\u00a0<u><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/geografia\/era-informacao.htm\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\">oceano de informa\u00e7\u00f5es<\/a><\/u>\u00a0por meio da m\u00eddia televisiva, da internet e das redes sociais, mas mant\u00eam-se no n\u00edvel meramente informativo, n\u00e3o buscando conhecer profundamente o mundo que habitam.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica deixou de ser assunto de interesse da popula\u00e7\u00e3o. Quando a popula\u00e7\u00e3o parece interessar-se por pol\u00edtica, o faz de modo superficial, sem buscar entender a ess\u00eancia daquilo que est\u00e1 em foco. As pessoas s\u00e3o levadas e enganadas facilmente por<strong>\u00a0<\/strong><u><a href=\"https:\/\/mundoeducacao.uol.com.br\/curiosidades\/fake-news.htm\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>not\u00edcias falsas<\/strong><\/a><\/u><strong>\u00a0<\/strong>espalhadas na internet porque n\u00e3o se d\u00e3o ao trabalho de investigar se aquilo que foi divulgado \u00e9 real.<\/p>\n<p>As pessoas acreditam nas manchetes sensacionalistas de ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o que muitas vezes visam apenas a chamar a aten\u00e7\u00e3o do leitor\/espectador, sem ler o conte\u00fado completo que a mat\u00e9ria traz.<\/p>\n<p>A busca pelo prazer incessante, o hedonismo, a falsa ideia de felicidade e a vaidade s\u00e3o valores que as pessoas buscam passar pelas redes sociais, mas o conte\u00fado intelectual dessas pessoas, muitas vezes, \u00e9 limitado a um patamar muito baixo.<\/p>\n<p>O conhecimento, a verdade, o bem e a justi\u00e7a deixaram de ser procurados pelas pessoas do s\u00e9culo XXI, o que est\u00e1, cada vez mais, soterrando a nossa sociedade na ignor\u00e2ncia e fazendo de n\u00f3s prisioneiros de nossa caverna, como os prisioneiros da alegoria plat\u00f4nica.<\/p>\n<p>Como S\u00f3crates sup\u00f4s, quase no fim do di\u00e1logo com Glauco, o prisioneiro liberto poderia ser agredido ou at\u00e9 morto ao tentar resgatar os seus companheiros, que o julgariam como um louco, desvairado, por ir contra tudo aquilo que eles aprenderam como certo.<\/p>\n<p>Em nossos dias, parece haver um movimento parecido, pois as mentes brilhantes, as pessoas que buscam o conhecimento profundo das causas, os cientistas, os fil\u00f3sofos, s\u00e3o cada vez mais contestados por pessoas sem nenhum conhecimento ou embasamento cient\u00edfico ou filos\u00f3fico, que utilizam a opini\u00e3o vulgar para subjugar o valor da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>O predom\u00ednio da opini\u00e3o rasa, do fanatismo religioso e dos extremismos tem dado lugar ao conhecimento obtido durante anos de evolu\u00e7\u00e3o racional da humanidade. Estamos voltando, por vontade pr\u00f3pria, para a caverna de Plat\u00e3o.<\/p>\n<h2><em><strong>A Rep\u00fablica,<\/strong><\/em><strong>\u00a0o livro que cont\u00e9m o Mito da Caverna<\/strong><\/h2>\n<p><em><strong>A Rep\u00fablica<\/strong><\/em><em>\u00a0<\/em>\u00e9 uma obra de Plat\u00e3o, dividida em dez livros, que tem como tema central a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da cidade. Considerada uma\u00a0<strong>utopia pol\u00edtica<\/strong>, Plat\u00e3o descreve as in\u00fameras quest\u00f5es que devem pautar a pol\u00edtica, passando por temas como a est\u00e9tica e a teoria do conhecimento. O Mito da Caverna aparece no livro VII de\u00a0<em>A Rep\u00fablica<\/em>.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3crates<\/strong>\u00a0\u00e9 o personagem principal da obra, constru\u00edda em forma de di\u00e1logo. Ao longo do texto, aparecem interlocutores de S\u00f3crates que t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o quase figurativa na narrativa plat\u00f4nica. O intuito do livro VII \u00e9 falar sobre o conhecimento, sobre a ideia de justi\u00e7a (que \u00e9 alcan\u00e7ada por algu\u00e9m que possua conhecimento) e sobre a educa\u00e7\u00e3o dos fil\u00f3sofos, que seriam, na teoria plat\u00f4nica, os \u00fanicos a alcan\u00e7arem o conhecimento necess\u00e1rio para governar bem a cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"Mito da Caverna\" src=\"https:\/\/static.mundoeducacao.uol.com.br\/mundoeducacao\/conteudo_legenda\/15627606185d25d5aa583c7-mito-da-caverna.jpg\" alt=\" O Mito da Caverna, ou Alegoria da Caverna, \u00e9 uma hist\u00f3ria metaf\u00f3rica narrada por Plat\u00e3o por meio de um di\u00e1logo em seu livro \u201cA Rep\u00fablica\u201d.\" \/><br \/>\nO Mito da Caverna, ou Alegoria da Caverna, \u00e9 uma hist\u00f3ria metaf\u00f3rica narrada por Plat\u00e3o por meio de um di\u00e1logo em seu livro \u201cA Rep\u00fablica\u201d.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mito da Caverna ou Alegoria da Caverna \u00e9 um di\u00e1logo plat\u00f4nico que alude \u00e0 preponder\u00e2ncia do conhecimento racional sobre o conhecimento vulgar.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":320487,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-320486","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/caverna.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=320486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/320486\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/320487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=320486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=320486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=320486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}