{"id":321260,"date":"2020-06-08T09:46:58","date_gmt":"2020-06-08T12:46:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=321260"},"modified":"2020-06-08T09:46:58","modified_gmt":"2020-06-08T12:46:58","slug":"a-epidemia-oculta-saude-mental-na-era-da-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-epidemia-oculta-saude-mental-na-era-da-covid-19\/","title":{"rendered":"A epidemia oculta: sa\u00fade mental na era da Covid-19"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-header\">\n<h1 class=\"title\"><\/h1>\n<h2 class=\"description\">Na esteira do coronav\u00edrus e seus desdobramentos, transtornos psicol\u00f3gicos como ansiedade e depress\u00e3o representar\u00e3o uma segunda onda de estragos \u00e0 sa\u00fade<\/h2>\n<p><span class=\"author\">Por\u00a0<strong>Andr\u00e9 Biernath<\/strong>\u00a0<\/span><\/div>\n<figure class=\"featured-media media-open media-pull-left\"><img decoding=\"async\" class=\"abril-image optimized lazyloaded\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png\" sizes=\"(min-width: 991px) 680px, (max-width: 420px) 420px, (max-width: 360px) 360px, \" srcset=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" alt=\"saude mental coronavirus\" data-src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png\" data-srcset=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=85&amp;strip=info&amp;resize=680,453 680w, https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=420,280 420w, https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-abre.png?quality=70&amp;strip=all&amp;resize=360,240 360w, \" data-pin-nopin=\"false\" \/><figcaption class=\"caption\">A pandemia do coronav\u00edrus virou o mundo de cabe\u00e7a para baixo. Como podemos proteger nossa mente diante disso tudo?\u00a0Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><div class=\"ads deskad\">\n<div id=\"abrAD_rectangle1\" class=\"abrAD\" data-ad-sizes=\"300x250,300x600\" data-google-query-id=\"CPmWk5Cf8ukCFcCCywEdeCkIfw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/9287\/saude\/mente-saudavel_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<section class=\"content\">Ser jornalista que escreve sobre sa\u00fade tem l\u00e1 seus perigos. O mais \u00f3bvio deles \u00e9 uma esp\u00e9cie de hipocondria intermitente: achar que voc\u00ea tem os sintomas daquela doen\u00e7a sobre a qual est\u00e1 estudando para a pr\u00f3xima reportagem a ser publicada. Nesses dez anos de experi\u00eancia na \u00e1rea, eu me sentia particularmente imune a esse fen\u00f4meno. Afinal, sempre tive uma vida relativamente saud\u00e1vel e n\u00e3o sofro de nenhuma condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ou incapacitante.\u00a0<strong>Mas tudo mudou em abril de 2020:<\/strong>\u00a0durante o processo de apura\u00e7\u00e3o para esta reportagem, de algum modo senti e vivenciei muitos dos inc\u00f4modos e frustra\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o descritos nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas. O sono n\u00e3o \u00e9 reparador como antes. O cansa\u00e7o me agarra cada vez mais. A incerteza sobre o dia de amanh\u00e3 \u00e9 apavorante. Enfim, a cabe\u00e7a opera em outra frequ\u00eancia\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/coronavirus\"><strong>na era da Covid-19<\/strong><\/a>, a doen\u00e7a causada pelo novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Convenhamos: vivemos tempos \u00fanicos. At\u00e9 certo ponto, \u00e9 esperado sentir-se mal, ansioso, com raiva, insatisfeito ou triste diante de tantos desafios que aparecem na nossa frente. Como mostra um levantamento com 4 693 brasileiros feito pela \u00c1rea de Intelig\u00eancia de Mercado do Grupo Abril, em parceria com a MindMiners, n\u00e3o estou sozinho nessa:\u00a0<strong>54% dos cidad\u00e3os est\u00e3o extremamente preocupados com a situa\u00e7\u00e3o da Covid-19<\/strong>\u00a0<em>(voc\u00ea confere outros n\u00fameros da pesquisa ao longo da mat\u00e9ria)<\/em>.<\/p>\n<p>Para entender melhor esse turbilh\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es que invadem a cabe\u00e7a, resolvi procurar nos livros de hist\u00f3ria exemplos de crises do passado que poderiam ajudar a entender o que vivemos hoje.\u00a0<strong>Ser\u00e1 que existiu algum momento em que nossos tatarav\u00f3s passaram por uma situa\u00e7\u00e3o similar?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro exemplo que apareceu nas leituras e nas entrevistas\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/cientistas-explicam\/gripe-espanhola-100-anos-da-mae-das-pandemias\/\">foi a gripe espanhola, uma pandemia que, apesar do nome, come\u00e7ou nos Estados Unidos no ano de 1918, durante a Primeira Guerra Mundial.<\/a>\u00a0Soldados americanos levaram o v\u00edrus influenza para os fronts de batalha na Europa, onde a doen\u00e7a se disseminou para tudo que \u00e9 canto e matou entre 17 e 50 milh\u00f5es de seres humanos.<\/p>\n<p>Mas essa n\u00e3o \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o justa:\u00a0<strong>os modelos de comunica\u00e7\u00e3o e locomo\u00e7\u00e3o eram absolutamente diferentes h\u00e1 um s\u00e9culo, quando todos dependiam de navios a vapor e telegramas.<\/strong>\u00a0\u201cHoje conseguimos cruzar o mundo de avi\u00e3o em poucas horas, o que certamente contribuiu para a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, e a tecnologia permite que as informa\u00e7\u00f5es cheguem a todo mundo quase que instantaneamente pelas redes sociais\u201d, analisa o m\u00e9dico americano Damir Huremovic, editor do livro\u00a0<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3cIu3Gt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Psychiatry of Pandemics<\/em><\/a>\u00a0(A Psiquiatria das Pandemias, sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas).<\/p>\n<p>Do ponto de vista de sa\u00fade mental, o epis\u00f3dio de 1918 tamb\u00e9m n\u00e3o serve como modelo para os tempos atuais: especialidades como a psiquiatria e a psicologia davam seus primeiros passos nas d\u00e9cadas iniciais do s\u00e9culo 20 e\u00a0<strong>as emo\u00e7\u00f5es humanas ainda n\u00e3o eram consideradas um fator preponderante para a sa\u00fade<\/strong>. \u201cFalamos do momento em que Sigmund Freud (1856-1939) publicava seus trabalhos mais importantes, que definiriam a \u00e1rea\u201d, lembra Huremovic. Curiosamente, o pr\u00f3prio Freud vivenciou a perda de uma filha por causa da gripe espanhola. Mesmo assim, o pai da psican\u00e1lise n\u00e3o chegou a refletir ou se debru\u00e7ar sobre os efeitos da pandemia sobre a psique em seus escritos.<\/p>\n<p>Outras trag\u00e9dias, inclusive brasileiras, marcaram \u00e9poca e repercutem no c\u00e9rebro e no imagin\u00e1rio at\u00e9 hoje. \u00c9 o caso do\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/boate-kiss\/\">inc\u00eandio na boate Kiss, na cidade ga\u00facha de Santa Maria, em 27 de janeiro de 2013<\/a>, que vitimou 242 pessoas. Ou do\u00a0<a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticias-sobre\/brumadinho\/\">rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro de 2019<\/a>, que resultou em 259 \u00f3bitos.<\/p>\n<p><strong>Mas, de novo, sobram diferen\u00e7as e faltam semelhan\u00e7as entre passado e presente.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea com certeza ficou chocado com as not\u00edcias l\u00e1 atr\u00e1s. Mas, se n\u00e3o mora em algum desses munic\u00edpios brasileiros, sua vida n\u00e3o foi diretamente alterada durante o ocorrido ou depois dele. Seus compromissos n\u00e3o foram cancelados, tampouco havia incerteza sobre o dia de amanh\u00e3. Agora \u00e9 diferente.<\/p>\n<p>Em um per\u00edodo sem precedentes como este, nada mais justo e sensato do que ouvir o que nos diz a biologia. \u201cQuando estamos diante de uma amea\u00e7a \u00e0 vida, ativamos o mecanismo de luta ou fuga\u201d, resume o psic\u00f3logo Felipe Ornell, do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.hcpa.edu.br\/\">Hospital de Cl\u00ednicas de Porto Alegre<\/a>.\u00a0<strong>Esse mecanismo, herdado dos nossos mais remotos antepassados, se traduz hoje numa palavra corriqueira: estresse.<\/strong>\u00a0H\u00e1 milhares de anos, o homem das cavernas que andava pelas savanas e encontrava uma fera no caminho tinha que se decidir entre partir para cima ou sair correndo. Estresse na veia.<\/p>\n<p>E \u00e9 essa rea\u00e7\u00e3o que deixa o organismo preparado para agir. O c\u00e9rebro lan\u00e7a um comando para uma gl\u00e2ndula que come\u00e7a a produzir cortisol, o famoso horm\u00f4nio do estresse. Isso, por sua vez, faz o cora\u00e7\u00e3o disparar, com o objetivo de levar mais sangue para os m\u00fasculos trabalharem. A respira\u00e7\u00e3o se acelera na tentativa de captar mais oxig\u00eanio. Estoques de energia s\u00e3o liberados para servir de combust\u00edvel.\u00a0<strong>Gra\u00e7as a esse sistema veloz e afinado, nossa esp\u00e9cie sobreviveu \u00e0s adversidades.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O problema \u00e9 que o inimigo de 2020 n\u00e3o tem rosto, nem d\u00e1 pra fugir dele: como pode estar em qualquer lugar, representa um perigo permanente,\u00a0<strong>o que dispara o gatilho da tens\u00e3o a todo instante.<\/strong>\u00a0\u201cEm paralelo ao coronav\u00edrus, vemos surgir uma pandemia de medo e estresse\u201d, interpreta Ornell. Eis o come\u00e7o de uma dura jornada mental, que pode desembocar em ansiedade, depress\u00e3o\u2026<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><\/div>\n<figure id=\"attachment_57144\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57144\" title=\"saude-mental-dupla2\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla2.png\" alt=\"saude-mental-dupla2\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57145\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57145\" title=\"saude-mental-dupla2-dados\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla2-dados.png\" alt=\"saude-mental-dupla2-dados\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57146\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57146\" title=\"saude-mental-dupla2-quadro\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla2-quadro.png\" alt=\"saude-mental-dupla2-quadro\" width=\"680\" height=\"335\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Apesar dos constantes avisos de cientistas de que uma pandemia estava por vir, a verdade \u00e9 que o mundo inteiro foi surpreendido pelo coronav\u00edrus: no comecinho de 2020,\u00a0<strong>nenhum presidente, senador ou deputado imaginava que est\u00e1vamos \u00e0 beira do caos.<\/strong> E esse despreparo, de certa maneira, contribuiu para bagun\u00e7ar ainda mais o coreto.<\/p>\n<p>Afinal, lidamos com uma doen\u00e7a em que\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/a-corrida-pela-cura-da-covid-19\/\">n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de vacinas ou rem\u00e9dios com capacidade de cura para os pr\u00f3ximos meses<\/a>. A \u00fanica medida que resta para conter o avan\u00e7o e diminuir o impacto nos sistemas de sa\u00fade \u00e9 o isolamento social: com menos gente circulando pelas ruas, a taxa de transmiss\u00e3o do v\u00edrus cai, o que permite aos hospitais absorverem a demanda de novos pacientes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que fique claro:\u00a0<strong>permanecer trancado em casa \u00e9 vital para lidar com a pandemia no atual est\u00e1gio e todos devemos ter responsabilidade e obedecer \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es das autoridades em sa\u00fade p\u00fablica.<\/strong>\u00a0Mas isso n\u00e3o quer dizer que essa estrat\u00e9gia seja isenta de efeitos colaterais:\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/podcast\/a-saude-mental-durante-e-apos-a-pandemia-de-coronavirus-podcast\/\">n\u00e3o sair \u00e0s ruas pesa na cabe\u00e7a<\/a>. \u201cPra come\u00e7o de conversa, nos tornamos saudosistas das pequenas experi\u00eancias da vida, como admirar aquela \u00e1rvore bonita que acaba de florescer\u201d, exemplifica a psic\u00f3loga Beatriz Borges Brambilla, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pucsp.br\/\">Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP).\u00a0<\/a><\/p>\n<p>E essa \u00e9 apenas a ponta do iceberg: um estudo da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.byu.edu\/\">Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos,<\/a>\u00a0estima que\u00a0<strong>a falta de contatos sociais traz riscos \u00e0 sa\u00fade compar\u00e1veis a fumar 15 cigarros por dia<\/strong>\u00a0e chega a ser duas vezes mais danosa que a obesidade. Para piorar, nas raras vezes em que nos aventuramos no mundo exterior nas visitas ao mercado ou \u00e0 farm\u00e1cia, somos confrontados com rostos cobertos por m\u00e1scaras, que nos impedem de interpretar as emo\u00e7\u00f5es dos interlocutores. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que, como seres sociais, necessitamos da troca de experi\u00eancias, do di\u00e1logo e da conviv\u00eancia em comunidade para sermos felizes.<\/p>\n<p>Enquanto isso n\u00e3o \u00e9 100% poss\u00edvel, resta ent\u00e3o manter a conversa com as devidas adapta\u00e7\u00f5es. \u00c9 hora de usar e abusar dos aplicativos de videochamada, como o Skype, o WhatsApp, o Zoom e o Google Hangouts.\u00a0<strong>Claro que n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que encontrar os amigos num bar ou bater papo com a fam\u00edlia no almo\u00e7o de domingo,<\/strong>\u00a0mas essas intera\u00e7\u00f5es a dist\u00e2ncia ao menos ajudam a preencher um pouco do vazio e da saudade que sentimos de estar com aqueles que amamos.<\/p>\n<h3>Quem l\u00ea tanta not\u00edcia?<\/h3>\n<p>Outro ingrediente que ajuda a compreender esse quadro in\u00e9dito \u00e9 a quantidade de informa\u00e7\u00f5es que recebemos nos dias de hoje. Os n\u00fameros s\u00e3o assustadores: de acordo com o site\u00a0<a href=\"https:\/\/www.internetlivestats.com\/\">Internet Live Stats<\/a>,\u00a0a cada segundo o mundo produz e compartilha\u00a0na web 2,9 milh\u00f5es de e-mails, 8 947 posts no Twitter, 987 fotos no Instagram, 4 602 chamadas no Skype e 82 386 pesquisas no Google. Sim, voc\u00ea leu certo: isso tudo aparece nos computadores e nos smartphones em um m\u00edsero segundo!<\/p>\n<p>Agora, imagine como fica a situa\u00e7\u00e3o diante de uma amea\u00e7a viral, em que novos fatos pintam a todo instante e a ci\u00eancia est\u00e1 em constante atualiza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e0 toa, semanas antes de decretar a pandemia, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.who.int\/eportuguese\/countries\/bra\/pt\/\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade<\/a>\u00a0j\u00e1 classificava toda a situa\u00e7\u00e3o como uma infodemia. Em outras palavras, a abund\u00e2ncia de v\u00eddeos, textos, gr\u00e1ficos, ilustra\u00e7\u00f5es e \u00e1udios, sejam eles verdadeiros ou mentirosos, dificulta o entendimento das orienta\u00e7\u00f5es e gera uma crise de confian\u00e7a entre a popula\u00e7\u00e3o. Das duas, uma: ou voc\u00ea fica totalmente paranoico ou passa a duvidar de tudo que brota na tela do seu celular.<\/p>\n<p>Para lidar com esse dilema,\u00a0<strong>os especialistas sugerem adotar uma esp\u00e9cie de dieta de not\u00edcias.<\/strong>\u00a0\u201cN\u00e3o fique constantemente com a televis\u00e3o ligada ou com as redes sociais abertas. Defina per\u00edodos espec\u00edficos de seu dia para se atualizar sobre os fatos\u201d, indica a psic\u00f3loga Ana Maria Rossi, presidente da<a href=\"http:\/\/www.ismabrasil.com.br\/\">\u00a0International Stress Management Association (Isma-BR)<\/a>. Priorize os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e9rios e os sites oficiais das entidades e tome cuidado com as onipresentes fake news: ao receber qualquer informa\u00e7\u00e3o por WhatsApp, cheque a fonte e a data do conte\u00fado. Se tiver d\u00favida sobre a veracidade daquela mensagem, melhor n\u00e3o compartilhar.<\/p>\n<h3>O impacto do coronav\u00edrus no bolso<\/h3>\n<p>Um terceiro aspecto que tira o sono de qualquer um \u00e9 a perspectiva de uma recess\u00e3o global. O\u00a0<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/agencia\/fmi\/\">Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI)<\/a>\u00a0estima que\u00a0<strong>o mundo entrar\u00e1 na maior crise desde 1929, ano em que ocorreu a quebra da bolsa de valores de Nova York, nos Estados Unidos.<\/strong><\/p>\n<p>O enfermeiro Carlos Sequeira, professor da\u00a0<a href=\"http:\/\/esenf.pt\/\">Escola Superior de Enfermagem do Porto, em Portugal,<\/a>\u00a0estudou a fundo como o colapso econ\u00f4mico que acometeu a Europa a partir de 2008 afetou a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o. \u201cNesse per\u00edodo, houve um aumento significativo das\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/bem-estar\/suicidio-sinais-do-problema\/\">taxas de suic\u00eddio<\/a>\u00a0no continente\u201d, relata.<\/p>\n<div class=\"ads post-ads\"><\/div>\n<p>O problema \u00e9 que s\u00e3o raros os governantes que se importam de fato com essa quest\u00e3o. \u201cPor mais que muitos digam que o tema \u00e9 prioridade, poucos fazem algo concreto para evitar os surtos de ansiedade e depress\u00e3o que se desenrolam a partir das dificuldades financeiras\u201d, critica o especialista.<\/p>\n<p>O Brasil, que j\u00e1 vinha aos solavancos nos \u00faltimos anos, pode passar por momentos turbulentos, infelizmente. Pacotes de est\u00edmulo \u00e0 economia que foquem no trabalhador e nas empresas j\u00e1 s\u00e3o urgentes.\u00a0<strong>Do ponto de vista individual, ser\u00e1 preciso se reinventar e adequar as expectativas para garantir um equil\u00edbrio tanto das contas quanto da mente.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o crie tens\u00f5es desnecess\u00e1rias sobre coisas que est\u00e3o fora de seu controle\u201d, diz a psiquiatra Mariana Castro, mestre em sa\u00fade p\u00fablica pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fmb.unesp.br\/\">Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/a>\u00a0Temos a oportunidade de aprender com os erros das crises passadas e, dentro do poss\u00edvel, buscar o bom e velho balan\u00e7o: planejar o futuro sem cair na neurose extrema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_57147\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57147\" title=\"saude-mental-dupla3\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla3.png\" alt=\"saude-mental-dupla3\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57148\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57148\" title=\"saude-mental-dupla3-dados\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla3-dados.png\" alt=\"saude-mental-dupla3-dados\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57149\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57149\" title=\"saude-mental-dupla3-quadro\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla3-quadro.png\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"617\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o 2020 do\u00a0<a href=\"https:\/\/gshow.globo.com\/realities\/bbb\/\">Big Brother Brasil, da TV Globo,<\/a>\u00a0foi uma das mais bem-sucedidas dos \u00faltimos anos. De acordo com os analistas, grande parte do sucesso alcan\u00e7ado pela atra\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>se deve ao fato de a popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estar trancada em casa, sem acesso ao mundo exterior, numa situa\u00e7\u00e3o relativamente parecida com a dos participantes do reality show.<\/strong><\/p>\n<p>De certa maneira, isso criou cumplicidade e empatia entre espectadores e protagonistas, o que certamente catapultou a audi\u00eancia. Por mais que existam muitas cr\u00edticas ao programa, \u00e9 ineg\u00e1vel que o formato conquistou o p\u00fablico e garantiu um belo lucro aos seus organizadores.<\/p>\n<p>O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o nesse espet\u00e1culo televisivo s\u00e3o os conflitos que surgem a partir do conv\u00edvio for\u00e7ado por tr\u00eas ou quatro meses. Do outro lado das telinhas, vemos o mesmo fen\u00f4meno ocorrer:\u00a0<strong>no Big Brother da vida real, a quarentena pode ser uma verdadeira prova de resist\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Com as escolas fechadas, crian\u00e7as e adolescentes ficam o tempo todo em casa. A mesma regra se aplica aos adultos, que rebolam entre as demandas do trabalho a dist\u00e2ncia, os afazeres dom\u00e9sticos e o raro tempo livre para descanso e lazer. \u201c<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/podcast\/a-face-da-pandemia-que-so-as-mulheres-enfrentam\/\">A tripla jornada \u00e9 ainda mais preocupante entre as mulheres<\/a>, que ficam respons\u00e1veis por cuidar de v\u00e1rios quesitos do lar e da fam\u00edlia\u201d, nota a terapeuta ocupacional Sabrina Ferigato, da\u00a0<a href=\"https:\/\/www2.ufscar.br\/\">Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (Ufscar)<\/a>, no interior paulista.<\/p>\n<p>No olho desse furac\u00e3o, n\u00e3o raro aparecem as brigas entre os casais ou os conflitos entre pais e filhos, av\u00f4s e netos. Na China, o primeiro epicentro do coronav\u00edrus,\u00a0<strong>alguns cart\u00f3rios registraram um aumento nos pedidos de div\u00f3rcio quando a vida come\u00e7ou a voltar ao normal.<\/strong>\u00a0Nas prov\u00edncias de Shaanxi e Sichuan, por exemplo, houve um recorde nos \u00edndices de separa\u00e7\u00e3o a partir das \u00faltimas semanas de mar\u00e7o, de acordo com informa\u00e7\u00f5es do jornal chin\u00eas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.globaltimes.cn\/\"><em>The Global Times.\u00a0<\/em><\/a><\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga Beatriz Brambilla, da PUC-SP, existem dois fatores principais que produzem esse desgaste nas rela\u00e7\u00f5es. O primeiro deles \u00e9 a falta de assunto. \u201cComo n\u00e3o sa\u00edmos, n\u00e3o temos muito o que contar sobre novidades do trabalho ou algo diferente e curioso que vimos no caminho\u201d, observa.<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 que, nesse intensiv\u00e3o da conviv\u00eancia,\u00a0<strong>passamos a observar em detalhes os defeitos e as manias que nosso parceiro possui.<\/strong>\u00a0\u201c\u00c9 aquele barulho com a boca que eu nunca tinha notado no meu esposo, e outros tra\u00e7os de personalidade como esse que antes passavam desapercebidos\u201d, exemplifica Beatriz.<\/p>\n<p>Para evitar brigas e rompimentos, a melhor ferramenta \u00e9 o di\u00e1logo.\u00a0<strong>Converse com os companheiros de quarentena e busque sempre tornar o dia a dia mais agrad\u00e1vel para todos.<\/strong>\u00a0Compartilhe seus sentimentos e converse sobre os pontos que est\u00e3o incomodando. Reservar um tempo para si e fazer atividades individuais que trazem relaxamento e bem-estar tamb\u00e9m s\u00e3o uma sa\u00edda necess\u00e1ria para aliviar o clima e, assim, prevenir discuss\u00f5es e tens\u00f5es desnecess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Um terceiro fator que precisa ser discutido nesse contexto \u00e9 o da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Dados do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.mpsp.mp.br\/portal\/page\/portal\/Criminal\">N\u00facleo de G\u00eanero e do Centro de Apoio Operacional Criminal do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0revelam que\u00a0<strong>casos de agress\u00f5es aumentaram 30% em mar\u00e7o de 2020, quando o isolamento social foi iniciado.<\/strong>\u00a0Aqui, n\u00e3o h\u00e1 conversa que resolva: as v\u00edtimas, majoritariamente m\u00e3es e esposas, devem procurar assist\u00eancia nas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ssp.sp.gov.br\/fale\/institucional\/answers.aspx?t=7\">Delegacias de Defesa da Mulher<\/a>, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.capital.sp.gov.br\/noticia\/casa-da-mulher-brasileira-e-inaugurada-em-sao-paulo\">Casa da Mulher Brasileira<\/a>\u00a0ou nos Centros de Acolhimento, que continuam funcionando normalmente durante a pandemia.<\/p>\n<h3>Para (n\u00e3o) dizer adeus<\/h3>\n<p>Na sociedade ocidental, o vel\u00f3rio e o enterro s\u00e3o etapas muito importantes na hora de se despedir de algu\u00e9m querido que acaba de morrer. \u00c9 uma cerim\u00f4nia em que os mais pr\u00f3ximos recebem abra\u00e7os e palavras carinhosas.\u00a0<strong>Isso traz conforto e suporte para lidar com aquela perda e superar a tristeza.<\/strong> E como fica essa tradi\u00e7\u00e3o t\u00e3o essencial em nossa cultura num per\u00edodo em que o n\u00famero de mortes por Covid-19 est\u00e1 aumentando, as aglomera\u00e7\u00f5es permanecem vetadas e o sepultamento geralmente s\u00f3 pode ser acompanhado por quatro ou cinco parentes?<\/p>\n<p><strong>Sim, o cen\u00e1rio \u00e9 terr\u00edvel e exige, mais uma vez, uma reinven\u00e7\u00e3o no jeito como expressamos afeto e solidariedade.<\/strong>\u00a0\u201cPodemos fazer rituais a dist\u00e2ncia, por meio de videochamadas, em que todos se re\u00fanem para fazer uma ora\u00e7\u00e3o, acender uma vela, trocar mensagens, enfim, o que seja significativo para aquele grupo que est\u00e1 de luto\u201d, aponta a psic\u00f3loga Daniela Achette, da\u00a0<a href=\"https:\/\/paliativo.org.br\/\">Academia Nacional de Cuidados Paliativos.<\/a>\u00a0Se o ente querido perdido possu\u00eda alguma religi\u00e3o, vale conversar com o padre, o pastor ou o l\u00edder espiritual daquela cren\u00e7a para que ele reze, aben\u00e7oe e diga palavras que tragam alento.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as merecem uma abordagem especial num momento como esse. \u201c\u00c9 importante explicar para elas o que est\u00e1 acontecendo e deix\u00e1-las livres para expressarem as emo\u00e7\u00f5es como acharem mais c\u00f4modo\u201d, acredita Daniela.\u00a0<strong>Afinal, o luto \u00e9 um processo que n\u00e3o segue uma receita de bolo: cada um reage e lida com ele da sua maneira pelas semanas, meses ou anos seguintes.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO legado que a pessoa querida deixou funciona como um nutriente para que eu continue tocando a vida e construa novos significados a partir das mem\u00f3rias\u201d, completa a especialista. \u00c9 tipo aquela lembran\u00e7a de um prato que sua av\u00f3 fazia: com o passar do tempo, vem uma saudade gostosa que deixa o cora\u00e7\u00e3o quentinho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_57150\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57150\" title=\"saude-mental-dupla4\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla4.png\" alt=\"saude-mental-dupla4\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57151\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57151\" title=\"saude-mental-dupla4-dados\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla4-dados.png\" alt=\"saude-mental-dupla4-dados\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57152\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57152\" title=\"saude-mental-dupla4-quadro\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla4-quadro.png\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"335\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cDe certa maneira, a pandemia de Covid-19 e todos os seus desdobramentos nos obrigam a entrar em contato com uma realidade que antes n\u00e3o nos atingia\u201d, reflete o m\u00e9dico Felipe Corchs, do\u00a0<a href=\"http:\/\/ipqhc.org.br\/\">Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas de S\u00e3o Paulo.<\/a><\/p>\n<p><strong>Repare bem: ficar preso em casa e sentir-se inseguro \u00e9 algo comum para milh\u00f5es de pessoas que vivem em regi\u00f5es de conflitos e guerras civis.<\/strong> E n\u00e3o precisa ir longe para perceber como essa \u00e9 a rotina de um monte de gente. Em muitas favelas brasileiras dominadas pelo tr\u00e1fico e pelas mil\u00edcias, h\u00e1 toques de recolher, \u00e1reas onde a circula\u00e7\u00e3o est\u00e1 proibida e tiroteios constantes. E isso, claro, ecoa na sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>O psiquiatra Paulo Amarante, da\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.fiocruz.br\/\">Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz)<\/a>, no Rio de Janeiro, segue a linha de racioc\u00ednio: \u201cViver nesses locais \u00e9 uma forma permanente de resist\u00eancia\u201d.\u00a0<strong>D\u00e9cadas de precariedade no transporte p\u00fablico, viol\u00eancia e aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvem uma capacidade de improvisa\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0\u201cBoa parte desses sujeitos cria uma habilidade para lidar com as adversidades e os sofrimentos que aparecem pelo caminho\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Outros, na contram\u00e3o, acabam desenvolvendo transtornos psiqui\u00e1tricos: no Brasil, quadros como ansiedade, depress\u00e3o e hiperatividade atingem de duas a tr\u00eas vezes mais as crian\u00e7as pobres do que aquelas que pertencem \u00e0 classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Esse drama pode ser ampliado a partir de agora, quando o coronav\u00edrus aprofundar o abismo das desigualdades. Para combater isso, lideran\u00e7as e organiza\u00e7\u00f5es sociais dos bairros menos favorecidos arrega\u00e7aram as mangas e deram o pontap\u00e9 em projetos de conscientiza\u00e7\u00e3o dos moradores, de arrecada\u00e7\u00e3o de alimentos e itens de higiene, entre outros.<\/p>\n<p>A comunidade paulistana de Parais\u00f3polis, por exemplo, bolou um esquema de notifica\u00e7\u00e3o de casos suspeitos de Covid-19 pra l\u00e1 de criativo: 420 indiv\u00edduos foram eleitos presidentes de rua. Cada um deles ficou respons\u00e1vel por acompanhar cerca de 50 casas e passar orienta\u00e7\u00f5es aos vizinhos que apresentam sintomas sugestivos, como falta de ar, febre e tosse. Esses dirigentes ainda identificam as fam\u00edlias que est\u00e3o sem renda para que volunt\u00e1rios entreguem marmitas ao longo das semanas.<\/p>\n<p>Por mais bonita e inspiradora que a hist\u00f3ria seja,\u00a0<strong>ela n\u00e3o pode servir de justificativa para os governantes se furtarem de suas responsabilidades.<\/strong>\u00a0\u201c\u00c9 justamente a hora de pensarmos sobre a grande quantidade de pessoas vulner\u00e1veis em nosso pa\u00eds e lan\u00e7ar m\u00e3o de pol\u00edticas protecionistas, que garantam sa\u00fade e dignidade a todos\u201d, afirma Amarante.<\/p>\n<p>Fortalecer o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, o SUS, \u00e9 uma estrat\u00e9gia inteligente para isso: com mais acesso a informa\u00e7\u00f5es e cuidados b\u00e1sicos, muitas doen\u00e7as podem ser prevenidas em sua origem. Isso, claro, repercute em cheio no bem-estar mental de todos: uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria \u00e9 tamb\u00e9m uma sociedade menos estressada, ansiosa e deprimida.<\/p>\n<h3>A humanidade \u00e9 desumanda<\/h3>\n<p>Se, por um lado, a pandemia nos regala hist\u00f3rias belas e inspiradoras, por outro, deparamos com epis\u00f3dios absolutamente tristes e negativos. \u201cNas \u00faltimas semanas, acompanhamos not\u00edcias de xenofobia, preconceito e protestos que negavam a exist\u00eancia do problema e banalizavam milhares de mortes\u201d, descreve a professora Sabrina Ferigato.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, circularam diversas publica\u00e7\u00f5es mentirosas dizendo que o agente infeccioso foi fabricado em laborat\u00f3rio para derrubar governos mundo afora.\u00a0<strong>Outros insistem em chamar o coronav\u00edrus de \u201cv\u00edrus chin\u00eas\u201d, numa tentativa de estigmatizar um pa\u00eds e um povo.<\/strong>\u00a0Teve um grupo ruidoso que saiu \u00e0s ruas em carreatas, exigindo o fim do isolamento social, quando a recomenda\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 justamente fazer o oposto.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel compreender essas respostas extremadas do ponto de vista da psicologia e da psiquiatria. \u201cEsse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o virtual ou at\u00e9 mesmo os protestos que ocorreram recentemente s\u00e3o demonstra\u00e7\u00f5es de medo, revolta e falta de compreens\u00e3o de uma nova realidade que se imp\u00f4s sobre todos n\u00f3s\u201d, conjectura Ornell. S\u00e3o rea\u00e7\u00f5es que est\u00e3o diretamente vinculadas \u00e0queles temores que descrevemos no in\u00edcio da reportagem:\u00a0<strong>incerteza sobre o dia de amanh\u00e3, excesso de informa\u00e7\u00e3o, in\u00edcio de uma crise econ\u00f4mica\u2026\u00a0<\/strong><\/p>\n<div class=\"block related-posts\" data-gtm-vis-has-fired-31433493_60=\"1\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<h3>Todo dia ela diz que \u00e9 para eu me cuidar<\/h3>\n<p>No campo das vulnerabilidades, \u00e9 urgente abordar o que vem ocorrendo com os grupos de risco para a Covid-19. Pelo que se sabe at\u00e9 agora,\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/coronavirus-novos-dados-sobre-grupos-de-risco\/\">indiv\u00edduos com mais de 60 anos, diab\u00e9ticos, hipertensos, obesos e portadores de doen\u00e7as cr\u00f4nicas no cora\u00e7\u00e3o ou nos pulm\u00f5es (insufici\u00eancia card\u00edaca, arritmia,\u00a0 DPOC\u2026)<\/a>\u00a0apresentam uma mortalidade maior quando s\u00e3o infectados pelo novo coronav\u00edrus. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental, isso causa um estrago danado: afinal, essa turma vive num constante estado de alerta, como se estivesse o tempo todo com a cabe\u00e7a a pr\u00eamio.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 particularmente delicada nos mais velhos. \u201cEstamos vivendo o pico da emerg\u00eancia do etarismo, que reflete uma intoler\u00e2ncia com os idosos por meio de estere\u00f3tipos\u201d, discursou a psic\u00f3loga Anita Neri num debate online promovido pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abrasco.org.br\/site\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva<\/a>. Olha o absurdo: tem quem pense que eles s\u00e3o culpados pelo problema e nem devessem ocupar os leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) por n\u00e3o serem t\u00e3o produtivos quanto os jovens.<\/p>\n<p>\u201cExistem respostas que a sociedade pode dar, como a solidariedade entre gera\u00e7\u00f5es e um discurso de uni\u00e3o, pois estamos juntos nessa\u201d, acredita Anita.\u00a0<strong>Se voc\u00ea j\u00e1 passou das seis d\u00e9cadas de vida, compreenda que o melhor a ser feito \u00e9 ficar em casa e se resguardar.<\/strong>\u00a0Caso voc\u00ea tenha algum familiar nessa faixa et\u00e1ria, \u00e9 hora de refor\u00e7ar o di\u00e1logo e a paci\u00eancia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_57153\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57153\" title=\"saude-mental-dupla5\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla5.png\" alt=\"saude-mental-dupla5\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57154\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57154\" title=\"saude-mental-dupla5-dados\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla5-dados.png\" alt=\"saude-mental-dupla5-dados\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57155\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57155\" title=\"saude-mental-dupla5-quadro\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla5-quadro.png\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"625\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Se a Covid-19 seguir a mesma trilha do que aconteceu em 2002 e 2003, durante a pandemia de Sars (s\u00edndrome aguda respirat\u00f3ria grave),\u00a0<strong>a tend\u00eancia \u00e9 que tenhamos uma avalanche de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas nos pr\u00f3ximos meses.<\/strong>\u00a0H\u00e1 17 anos, houve um aumento de 30% nos casos de\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/depressao\">depress\u00e3o<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/tudo-sobre\/ansiedade\">ansiedade<\/a>\u00a0e estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico entre os indiv\u00edduos que ficaram de quarentena na China, o pa\u00eds mais atingido pela doen\u00e7a \u00e0 \u00e9poca. Os dados s\u00e3o de um levantamento realizado por pesquisadores do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.kcl.ac.uk\/\">King\u2019s College London, na Inglaterra<\/a>, e foram publicados no prestigiado peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/\"><em>The Lancet<\/em><\/a>\u00a0recentemente.<\/p>\n<p>Para enfrentar esse desafio que vir\u00e1,<strong>\u00a0o primeiro passo \u00e9 entender e conscientizar todo mundo de que as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o parte fundamental da sa\u00fade.<\/strong>\u00a0Nessa linha, \u00e9 vital refor\u00e7ar a mensagem de que as doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas n\u00e3o s\u00e3o \u201cfrescura\u201d, muito menos \u201ccoisa de louco\u201d \u2014 um preconceito que ainda existe por a\u00ed.<\/p>\n<p>Elas devem ser diagnosticadas e tratadas com o mesmo respeito e seriedade de qualquer outra enfermidade que atinge o corpo. Sentir-se mal diante do atual cen\u00e1rio \u00e9 compreens\u00edvel e at\u00e9 esperado, mas n\u00e3o podemos deixar esses sentimentos ultrapassarem certa fronteira.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio buscar aux\u00edlio do profissional de sa\u00fade quando h\u00e1 um sofrimento que est\u00e1 prejudicando o dia dia\u201d, orienta o psiquiatra Antonio Egidio Nardi, professor titular da\u00a0<a href=\"https:\/\/ufrj.br\/\">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/a>.\u00a0<strong>Entre os sintomas que ligam o sinal de alerta, fique de olho em cansa\u00e7o extremo, des\u00e2nimo recorrente, preocupa\u00e7\u00e3o exagerada com tudo e pensamentos que n\u00e3o saem da cabe\u00e7a sobre desastres ou morte.<\/strong>\u00a0O diagn\u00f3stico precoce dessas condi\u00e7\u00f5es garante um tratamento mais tranquilo e eficaz.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 faz psicoterapia ou toma medicamentos para cuidar de algum problema que abala a mente n\u00e3o deve interromper o tratamento de forma alguma. Converse com seu m\u00e9dico e pe\u00e7a orienta\u00e7\u00f5es sobre como obter a receita para comprar os f\u00e1rmacos ansiol\u00edticos, antidepressivos ou estabilizadores do humor nos pr\u00f3ximos meses. Para essa turma, os bem-vindos aplicativos de videochamada garantem a continuidade das sess\u00f5es de terapia a dist\u00e2ncia.<\/p>\n<h3>Acabou chorare?<\/h3>\n<p>Nessa era de reclus\u00e3o coletiva, vale ainda ficar atento a outros quesitos fundamentais para manter o corpo e a mente em equil\u00edbrio. O primeiro desses fatores \u00e9 o descanso noturno. \u201cA falta de controle sobre a situa\u00e7\u00e3o e o medo aumentam os n\u00edveis de estresse, que, por sua vez,\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/medicina\/disturbios-do-sono-sao-diferentes-em-homens-e-mulheres\/\">perturbam o sono<\/a>\u201d, explica a psicobi\u00f3loga Monica Andersen, diretora do\u00a0<a href=\"https:\/\/institutodosono.com\/\">Instituto do Sono, em S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<p>Quando estamos em casa, temos a tend\u00eancia de atrasar os compromissos di\u00e1rios: acordamos, almo\u00e7amos, jantamos e voltamos a dormir cada vez mais tarde. \u201cPrecisamos manter uma regularidade nos hor\u00e1rios durante todos os dias da semana, especialmente neste per\u00edodo de quarentena\u201d, completa a expert.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra se esquecer tamb\u00e9m de\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/blog\/o-fim-das-dietas\/nao-programamos-o-isolamento-mas-podemos-pensar-em-como-sair-melhor-dele\/\">tomar sol todos os dias.<\/a>\u00a0<strong>Reserve alguns minutos da manh\u00e3, antes das 11 horas, para relaxar na varanda, no quintal ou na laje.<\/strong>\u00a0Esse banho de luz estimula a libera\u00e7\u00e3o de serotonina, subst\u00e2ncia que, entre os neur\u00f4nios, produz a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar.\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.abril.com.br\/fitness\/coronavirus-12-exercicios-para-fazer-em-casa-durante-o-isolamento-social\/\">Manter uma rotina de exerc\u00edcios f\u00edsicos<\/a>\u00a0\u00e9 outra via para garantir o equil\u00edbrio da qu\u00edmica cerebral, bem como caprichar no consumo de frutas, verduras, hortali\u00e7as e alimentos naturais e frescos. \u00c9 aquele pacote b\u00e1sico de recomenda\u00e7\u00f5es de sa\u00fade que n\u00e3o muda nem em tempos de pandemia.<\/p>\n<p>Talvez o grande aprendizado que vamos tirar de toda essa crise seja entender de vez que felicidade e sa\u00fade dependem do conv\u00edvio com o outro. E temos na nossa frente uma oportunidade de fazer a diferen\u00e7a: n\u00e3o faltam projetos e iniciativas de arrecada\u00e7\u00e3o de fundos e recursos para quem mais precisa.<\/p>\n<p>Tudo pela internet, sem precisar sair do sof\u00e1. Mas o amparo vai al\u00e9m de dar dinheiro ou cesta b\u00e1sica: caso voc\u00ea possa, por que n\u00e3o perguntar ao seu vizinho se est\u00e1 precisando de alguma coisa? Ou, quem sabe, deixar um peda\u00e7o de bolo que voc\u00ea acabou de fazer para que ele tenha uma tarde mais doce e agrad\u00e1vel?<\/p>\n<p>\u00c9 hora de pensar tamb\u00e9m nos profissionais aut\u00f4nomos que prestam algum tipo de servi\u00e7o em sua casa: diaristas, manicures e bab\u00e1s dependem daquele dinheiro para passar o m\u00eas. Se sua renda permite, continue realizando os pagamentos, mesmo que esses trabalhadores n\u00e3o possam estar presentes durante um per\u00edodo.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de redes de apoio traz ganhos ao bem-estar mental:\u00a0<strong>estudos endossam que fazer o bem faz bem (e n\u00e3o \u00e9 for\u00e7a de express\u00e3o!)<\/strong>. \u201cUm ato de solidariedade e empatia ativa \u00e1reas do c\u00e9rebro ligadas ao prazer e \u00e0 recompensa e aumenta a quantidade de neurotransmissores como a dopamina, que est\u00e1 relacionada a essas emo\u00e7\u00f5es\u201d, revela a neuropsic\u00f3loga Luciana Azambuja, da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pucrs.br\/\">Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>Chegando juntos ao final desta odisseia, posso compartilhar que estou tentando botar em pr\u00e1tica todas as recomenda\u00e7\u00f5es sobre as quais escrevi. \u00c0s vezes, elas d\u00e3o certo. Em outras ocasi\u00f5es, falho miseravelmente \u2014 e tudo bem! Me apego ao fato de que, uma hora ou outra, a humanidade vai superar o coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>E essa conquista n\u00e3o pode simplesmente ignorar as sequelas e li\u00e7\u00f5es que ficarem dessa batalha. Se as pessoas se tornarem mais solid\u00e1rias e conscientes sobre a sa\u00fade e os sentimentos, nosso legado \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 estar\u00e1 garantido.<\/p>\n<figure id=\"attachment_57156\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57156\" title=\"saude-mental-dupla6\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla6.png\" alt=\"saude-mental-dupla6\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Tom\u00e1s Arthuzzi\/SA\u00daDE \u00e9 Vital<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57157\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57157\" title=\"saude-mental-dupla6-dados\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla6-dados.png\" alt=\"saude-mental-dupla6-dados\" width=\"680\" height=\"453\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_57158\" class=\"wp-caption aligncenter  \"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-57158\" title=\"saude-mental-dupla6-quadro\" src=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/saude-mental-dupla6-quadro.png\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"335\" border=\"0\" data-restrict=\"false\" data-portal-copyright=\"Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\" data-image-caption=\"\" data-image-title=\"\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00f5es e gr\u00e1ficos: Let\u00edcia Raposo e Bananajazz\/SA\u00daDE \u00e9 Vital\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na esteira do coronav\u00edrus e seus desdobramentos, transtornos psicol\u00f3gicos como ansiedade e depress\u00e3o representar\u00e3o uma segunda onda de estragos \u00e0 sa\u00fade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":321261,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-321260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/saude-mental-abre.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=321260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/321260\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/321261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=321260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=321260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=321260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}