{"id":321860,"date":"2020-06-15T06:48:14","date_gmt":"2020-06-15T09:48:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=321860"},"modified":"2020-06-15T06:48:14","modified_gmt":"2020-06-15T09:48:14","slug":"pcc-a-irmandade-dos-criminosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pcc-a-irmandade-dos-criminosos\/","title":{"rendered":"PCC, a irmandade dos criminosos"},"content":{"rendered":"<nav class=\"t_n\">\n<div class=\"gh_c\">\n<div class=\"global-header global-header__article   | flex_grid no_gutter_mobile color_gray_dark relative background_white\">\n<div class=\"header_top-bar | row hidden_mobile uppercase border_top border_1 z_index_50\"><\/div>\n<div class=\"header_middle-bar | row relative border_top border_1 border_gray_ultra_light border_bottom\">\n<div class=\"header_collapsed | fixed z_index_highest breakout flex height_full width_full\">\n<div class=\"middle-bar | col row breakin align_items_center   align_items_center flex\">\n<div class=\"header_user | flex flex_1 align_items_center justify_end height_full\">\n<div class=\"user_actions |    flex align_items_end justify_end height_full\">\n<div class=\"user |    flex align_items_center height_full relative border-box\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"header_bottom-bar | row relative\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/nav>\n<article class=\"a | flex_grid background_white\">\n<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg especial | flex container_column align_items_center text_align_center padding_h_xxl\">\n<h2 class=\"a_st font_primary color_gray_dark \">O Primeiro Comando da Capital, grupo mais poderoso do crime organizado do Brasil e Am\u00e9rica do Sul, trafica drogas, al\u00e9m de dominar pris\u00f5es e favelas. Conta com 35.000 membros, rituais secretos e uma \u2018justi\u00e7a\u2019 pr\u00f3pria que pro\u00edbe matar sem licen\u00e7a<\/h2>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  especial text_align_center\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap justify_center\"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center \">NAIARA GALARRAGA GORT\u00c1ZAR\/<\/span><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center \">GIL ALESSI<\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_12 tablet_8 mobile_4 row\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark initial_letter especial col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">\n<p class=\"\">Judite se lembra com nitidez do primeiro contato. Em 2006, ela estava com 16 anos e seu irm\u00e3o Artur havia acabado de morrer no hospital, depois de sofrer um ataque brutal homof\u00f3bico, quando o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/pcc-primeiro-comando-capital\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Primeiro Comando da Capital<\/a>\u00a0(PCC) bateu \u00e0 porta de sua casa. Quando abriu, viu \u201cum garoto magrinho, de \u00f3culos, com cara de nerd\u201d.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CN_dxbjDg-oCFZkDuQYdOzMB1w\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/especiales\/brasil\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/especiales\/brasil\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/especiales\/brasil\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"2\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">\u2013 Voc\u00ea \u00e9 irm\u00e3 do Artur? \u2013 perguntou.<\/p>\n<p class=\"\">\u2013 Sou.<\/p>\n<p class=\"\">\u2013 Posso falar com seu pai?<\/p>\n<p class=\"\">\u2013 Sim.<\/p>\n<p class=\"\">O pai saiu e perguntou:<\/p>\n<p class=\"\">\u2013 O que voc\u00ea quer?<\/p>\n<p class=\"\">\u2013 Falar sobre o Artur. Sabemos que o senhor \u00e9 policial, mas viemos lhe propor como quer que matemos os caras [que mataram seu filho]. Pode me dizer como?<\/p>\n<p class=\"\">Judite conta que seu pai, impressionado, rejeitou a proposta. Confiava na justi\u00e7a de Deus. \u201cO sujeito chegou a dizer: \u2018Se quiser, gravamos\u201d, recorda-se. Ela cresceu em Mogi das Cruzes, na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, em um desses bairros onde alguns amigos da escola fumam\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/crack\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">crack<\/a>\u00a0e outros est\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/presos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">presos<\/a>\u00a0ou mortos. Esta jornalista de 30 anos prefere usar esse nome para se proteger ao falar da enigm\u00e1tica irmandade de criminosos que domina a vida cotidiana em dezenas de pris\u00f5es e centenas de favelas no Brasil. O PCC \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o criminosa mais poderosa do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"\">O grupo nasceu em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/31\/politica\/1517410163_964093.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">uma das pris\u00f5es mais desumanas de S\u00e3o Paulo<\/a>, em Taubat\u00e9, quando os pres\u00eddios brasileiros eram ainda piores do que agora. Cada pris\u00e3o tinha um manda-chuva que permitia que violassem a mulher de um prisioneiro devedor, abusar sexualmente de presos mais vulner\u00e1veis ou distribuir celas, recorda\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/14\/politica\/1497471277_080723.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Sidney Salles, 52, que alugou uma para si pr\u00f3prio<\/a>\u00a0porque queria ter encontros \u00edntimos. \u201cOs que tinham mais dinheiro viviam melhor e subjugavam os outros\u201d, diz ele, agora em sua casa em V\u00e1rzea Paulista. \u201cQuando chegaram, come\u00e7aram a cuidar das pessoas que estavam presas. Pessoas mais vulner\u00e1veis, cuja integridade f\u00edsica estava em perigo. Criaram um poder para proteg\u00ea-las, para que n\u00e3o apanhassem ou fossem estupradas&#8230;\u201d. Salles ficou preso na penitenci\u00e1ria do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/masacre-carandiru\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Carandiru<\/a>\u00a0durante seis anos por assalto e p\u00f4de trocar os crimes pelo p\u00falpito de um pastor evang\u00e9lico gra\u00e7as ao fato de ter sobrevivido \u00e0quela \u00e9poca em que qualquer disputa na pris\u00e3o era resolvida a facadas ou socos. \u201cPara n\u00e3o ver sua m\u00e3e chorar, voc\u00ea fazia a de outro chorar\u201d, diz ele. Esse inferno come\u00e7ou a mudar com um jogo de futebol no p\u00e1tio da pris\u00e3o de Taubat\u00e9 em 31 de agosto de 1993, o dia em que o PCC nasceu.<\/p>\n<div class=\"f f__v video_player | clearfix relative  especial\">\n<div class=\"pointer breakout \">\n<div id=\"video_20200605135528738\" class=\"player | relative z_index_1\" tabindex=\"0\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/ig-zMhOvhglutfA1qIOj6Fg8RSo=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/BKY2NOJC3FFG7HRDAVHWFMVX6E.jpg\" width=\"1300\" height=\"730\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"f_c | row\">\n<div class=\"f_c | border_1 border_bottom border_gray_ultra_light_warm padding_vertical text_align_right color_gray_medium col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center width_full\">V\u00eddeo sobre a hist\u00f3ria do PCC. Na imagen, o pastor evang\u00e9lico Sidney Salles, um dos presos que sobreviveram \u00e0 matan\u00e7a de 111 detentos no pres\u00eddio do Carandiru, em 1992.<span class=\"f_a | color_black uppercase light\">\u00a0RAONI MADDALENA<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Essa sigla, que soa como partido comunista chin\u00eas ou cubano, \u00e9 a de um grupo brasileiro do crime organizado que hoje tem cerca de 35.000 \u201cirm\u00e3os\u201d batizados em um ritual secreto, que gerencia neg\u00f3cios de drogas que giram 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano (485 milh\u00f5es de reais) \u2014sem contar lucros fabulosos do tr\u00e1fico para a Europa\u2014, opera em todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul e colabora com m\u00e1fias do outro lado do Atl\u00e2ntico. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de uma organiza\u00e7\u00e3o t\u00e3o peculiar como desconhecida fora da regi\u00e3o e que fez hist\u00f3ria no Paraguai em janeiro, quando seus membros promoveram\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-01-19\/fuga-em-massa-de-presos-do-pcc-no-paraguai-coloca-autoridades-em-alerta.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a maior fuga carcer\u00e1ria desse pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">O jogo de futebol entre o Primeiro Comando da Capital e o Comando Caipira, em 1993, foi o momento fundador em que o poder mudou de m\u00e3os naquela pris\u00e3o, segundo os investigadores. A equipe vencedora matou e decapitou o preso que dominava a pris\u00e3o e o subdiretor. Chutou a cabe\u00e7a do primeiro; pendurou a do segundo em uma estaca para que todos vissem. Uma cena b\u00e1rbara, descrita no livro\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/PCC-Fac%C3%A7%C3%A3o-Fatima-Souza\/dp\/8586479306\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>PCC: A Fac\u00e7\u00e3o\u00a0<\/i>(Editora Record)<\/a>, de F\u00e1tima Souza. In\u00e9dita na \u00e9poca. Hoje, n\u00e3o mais.<\/p>\n<p class=\"\">Os oito prisioneiros que venceram a partida decidiram formar uma alian\u00e7a. Eram irm\u00e3os e o inimigo n\u00e3o seriam os outros presos, mas o sistema. As autoridades. O Estado. Juntos, exigiriam que seus direitos fossem respeitados. Aceitavam cumprir sua senten\u00e7a, mas n\u00e3o tolerariam serem mortos atr\u00e1s das grades, que seus parentes fossem humilhados ou n\u00e3o ter \u00e1gua para se lavarem. Conseguiram se tornar a voz dos presos perante o Estado. Prosperaram ao implementar seus m\u00e9todos de administrar os neg\u00f3cios e resolver conflitos nos bairros mais negligenciados.<\/p>\n<p class=\"\">Cela a cela e rua a rua, o PCC estendeu seus m\u00e9todos peculiares para se tornar um poder hegem\u00f4nico nas pris\u00f5es e favelas. Com o n\u00facleo duro de 35.000 irm\u00e3os batizados nestes 27 anos, explica Lincoln Gakiya, um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/10\/22\/politica\/1571762833_650476.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">promotor que os combate desde 2006<\/a>, centenas de milhares de outras pessoas \u2014delinquentes, biscateiros, mas tamb\u00e9m faxineiras, pedreiros, vendedores ambulantes ou de telemarketing\u2014 seguem suas normas. Vivem no ritmo estabelecido pelo Primeiro Comando da Capital.<\/p>\n<div class=\"raw_html | margin_bottom_sm\">\n<div><\/div>\n<div>\n<div id=\"mapa\">\n<div id=\"g-mapa-box\" class=\"ai2html\">\n<div id=\"g-mapa-escritorio\" class=\"g-artboard g-artboard-v3\" data-min-width=\"980\"><img decoding=\"async\" id=\"g-ai3-0\" class=\"g-aiImg\" src=\"https:\/\/elpais.com\/infografias\/2020\/06\/PCC\/POR\/mapa\/mapa-escritorio.jpg?v=8510\" \/><\/p>\n<div id=\"g-ai3-1\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Roraima<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-2\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Amap\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-3\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Rio Grande<\/p>\n<p>do Norte<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-4\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Amazonas<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-5\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Cear\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-6\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Par\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-7\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Maranh\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-8\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Para\u00edba<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-9\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Piau\u00ed<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-10\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Pernambuco<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-11\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Acre<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-12\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Alagoas<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-13\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Tocantins<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-14\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Rond\u00f4nia<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-15\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Sergipe<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-16\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Bahia<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-17\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Mato Grosso<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-18\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">DF<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-19\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Goi\u00e1s<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-20\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\">Presen\u00e7a do<\/p>\n<p class=\"g-pstyle1\">PCC no Brasil<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-21\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Minas<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">Gerais<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-22\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Espirito<\/p>\n<p>Santo<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-23\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Mato Grosso<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">do Sul<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-24\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">S\u00e3o Paulo<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-25\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Baixa<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-26\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Rio de<\/p>\n<p>Janeiro<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-27\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">M\u00e9dia<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-28\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Paran\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-29\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Alta<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-30\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Santa<\/p>\n<p>Catarina<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-31\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle3\">500 km<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-32\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Muito alta<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-33\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Rio Grande<\/p>\n<p class=\"g-pstyle0\">do Sul<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-34\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">Fonte: \u2018A Guerra, a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do Crime no Brasil\u2019.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Seu funcionamento \u00e9 diferente do dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/carteles-mexicanos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">cart\u00e9is mexicanos<\/a>, da m\u00e1fia italiana e de outros grupos criminosos brasileiros (as chamadas fac\u00e7\u00f5es), dizem os acad\u00eamicos que o estudaram. A organiza\u00e7\u00e3o aplica seu pr\u00f3prio c\u00f3digo de justi\u00e7a, pro\u00edbe o crack nas pris\u00f5es que controla e se orgulha de estar por tr\u00e1s da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/20\/politica\/1563625750_156154.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">queda dr\u00e1stica de assassinatos<\/a>\u00a0das \u00faltimas duas d\u00e9cadas na megal\u00f3pole S\u00e3o Paulo. O promotor Gakiya acrescenta que o PCC controla as rotas do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/trafico-cocaina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">tr\u00e1fico de drogas,<\/a>\u00a0da produ\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o em portos do outro lado do Atl\u00e2ntico. Aliados europeus ou africanos d\u00e3o o \u00faltimo passo: levam-nas aos narizes dos europeus.<\/p>\n<p class=\"\">Apesar de possuir estatuto e emitir circulares, sua opera\u00e7\u00e3o \u00e9 cercada de mist\u00e9rio. Nenhum irm\u00e3o geralmente admite ou\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/22\/politica\/1482434757_533449.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">proclama que pertence ao PCC<\/a>. Imposs\u00edvel saber como eles se reconhecem. Alguns acad\u00eamicos destacam seus modos empresariais, outros, os m\u00e9todos militares. Para o soci\u00f3logo Gabriel Feltran, autor do livro\u00a0<i>Irm\u00e3os, Uma Hist\u00f3ria do PCC\u00a0<\/i>(Editora Companhia das Letras), a organiza\u00e7\u00e3o funciona como a ma\u00e7onaria: \u201c\u00c9 uma sociedade secreta organizada com uma distin\u00e7\u00e3o muito clara entre o neg\u00f3cio [de cada um] e a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Suponha que sejamos tr\u00eas ma\u00e7ons. Eu tenho um restaurante, outro tem uma oficina de pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o e outro \u00e9 escritor &#8230; Cada um tem o seu neg\u00f3cio, n\u00e3o s\u00e3o neg\u00f3cios da ma\u00e7onaria. Mas quando decidimos pertencer a uma irmandade, somos irm\u00e3os. O fato de meu restaurante ter mais dinheiro do que a sua oficina n\u00e3o implica distin\u00e7\u00f5es dentro da irmandade. \u00c9 uma rede de aux\u00edlio m\u00fatuo\u201d, explica Feltran, em sua sala na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, a 240 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo. Feltran estuda a din\u00e2mica do grupo h\u00e1 15 anos por meio de entrevistas com centenas de moradores de favelas paulistas.<\/p>\n<p class=\"\">\u201c\u00c9 uma organiza\u00e7\u00e3o \u00fanica que d\u00e1 aos membros muita independ\u00eancia em suas atividades criminosas, deixando bem claro que n\u00e3o podem ser predat\u00f3rias\u201d, concorda Steve Dudley, que estuda crime organizado na funda\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.insightcrime.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Insight Crime<\/i><\/a>. Dudley enfatiza por e-mail que o PCC \u201cpro\u00edbe a extors\u00e3o\u201d, algo \u201cincomum para uma organiza\u00e7\u00e3o que exerce tanto controle sobre o territ\u00f3rio em que opera\u201d.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/T31zqSWRdCxt-wwpveLM2vhYMdg=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/NAUR3TOWBFHCDCALIC3PGNZSDM.jpg\" alt=\"Detentos mostram lemas e a siglas do PCC das janelas da pris\u00e3o do Carandiru, em S\u00e3o Paulo, na primeira grande a\u00e7\u00e3o do grupo, um motim simult\u00e2neo em penitenci\u00e1rias de 30 munic\u00edpios, no come\u00e7o de 2001. \/ AFP\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Detentos mostram lemas e a siglas do PCC das janelas da pris\u00e3o do Carandiru, em S\u00e3o Paulo, na primeira grande a\u00e7\u00e3o do grupo, um motim simult\u00e2neo em penitenci\u00e1rias de 30 munic\u00edpios, no come\u00e7o de 2001. \/ AFP<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">A ideia \u00e9 que, se os irm\u00e3os se saem bem, o PCC, tamb\u00e9m. O autor de\u00a0<i>Irm\u00e3os<\/i>\u00a0a descreve como uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/11\/politica\/1484142145_443247.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">organiza\u00e7\u00e3o notavelmente horizontal<\/a>, mas com posi\u00e7\u00f5es disciplinares e de gest\u00e3o que a articulam. Uma rede entre criminosos que colaboram e cujo cora\u00e7\u00e3o s\u00e3o os debates internos \u2014\u00e0s vezes via celular da pris\u00e3o\u2014 para chegar a um consenso sobre a decis\u00e3o correta, sempre de acordo com seus c\u00f3digos.<\/p>\n<p class=\"\">O acad\u00eamico ressalta que n\u00e3o fazem neg\u00f3cios com qualquer um. Seus s\u00f3cios \u201cn\u00e3o podem ter estuprado, matado injustamente [dentro de sua ideia de justi\u00e7a], n\u00e3o podem ter cometido um erro grave em uma miss\u00e3o ou n\u00e3o terem sido fortes o suficiente para evitar dela\u00e7\u00f5es\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/abuso-menores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Abusar de crian\u00e7as<\/a>, assassinar sem permiss\u00e3o, pertencer a um grupo rival ou entregar um irm\u00e3o \u00e9 pago com a morte; alguns erros repetidos, com o desterro. E os primeiros erros, com admoesta\u00e7\u00f5es ou multas.<\/p>\n<p class=\"\">O estatuto do PCC, reproduzido no livro de Feltran, possui 18 artigos: o primeiro diz que seus membros devem se comprometer \u201ca lutar pela paz, justi\u00e7a, liberdade, igualdade e unidade\u201d, com o objetivo &#8220;sempre do crescimento da organiza\u00e7\u00e3o e com respeito \u00e0 \u201c\u00e9tica do crime\u201d.<\/p>\n<div class=\"raw_html | margin_bottom_sm\">\n<div><\/div>\n<div>\n<div id=\"fixedContent1\" class=\"contentFixedElement w980 right block width_full breakout\">\n<div class=\"block-fixed absolute_bottom\">\n<div class=\"container-imgs\">\n<div id=\"foto1\" class=\"content-img-fixed\"><picture class=\"img-block-fixed\"><source srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/ley.jpg?v1\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 1723px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/ley.jpg?v1\" alt=\"\" width=\"1723\" height=\"1134\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Todos os integrantes devem lealdade e respeito ao Primeiro Comando da Capital, devem tratar todos com respeito, dando bons exemplos a ser seguidos pela massa, acima de tudo, justo e imparcial.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div id=\"foto2\" class=\"content-img-fixed visible\"><picture class=\"img-block-fixed\"><source srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/ley.jpg?v1\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><\/picture>\n<figure style=\"width: 1723px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/ley.jpg?v1\" alt=\"\" width=\"1723\" height=\"1134\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Lutar sempre pela PAZ, JUSTI\u00c7A, LIBERDADE, IGUALDADE e UNI\u00c3O, visando sempre o crescimento da organiza\u00e7\u00e3o, respeitando sempre a \u00e9tica do crime.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Entra-se no PCC a convite de pelo menos dois membros que ser\u00e3o os padrinhos do batizado, explica a antrop\u00f3loga Karina Biondi, autora do livro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.terceironome.com.br\/juntoemisturado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Junto e Misturado: Uma Etnografia do PCC\u00a0<\/i>(Editora Terceiro Nome)<\/a>. Ela conta que o grupo procura candidatos com certas habilidades. A principal: enorme poder de persuas\u00e3o. Mas tamb\u00e9m boa orat\u00f3ria e um hist\u00f3rico de lealdade ao crime. Na cerim\u00f4nia de batismo, eles prometem que a irmandade estar\u00e1 acima de tudo. \u201cV\u00e1rias mulheres me confessaram que se sentiram magoadas quando seus maridos aderiram. Diziam: \u2018Fiquei em segundo plano, prefere o PCC\u201d, conta por telefone Biondi, professora da Universidade Estadual do Maranh\u00e3o, que anos atr\u00e1s come\u00e7ou a investigar as din\u00e2micas carcer\u00e1rias do grupo por meio de entrevistas com prisioneiros e parentes enquanto visitava o marido, preso por um crime pelo qual foi absolvido.<\/p>\n<p class=\"\">Biondi explica que o grupo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/05\/politica\/1499276543_932033.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">abriu a porta para as mulheres, as irm\u00e3s<\/a>, alguns anos atr\u00e1s, mas que ainda s\u00e3o poucas porque \u00e9 muito dif\u00edcil criar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o em um mundo t\u00e3o fortemente machista. O interesse em inclu\u00ed-las chegou ao ponto de organizar uma campanha na qual se propunha isent\u00e1-las do pagamento da mensalidade se fossem batizadas, diz Biondi.<\/p>\n<p class=\"\">A contribui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de cerca de mil reais e \u00e9 menor para os membros encarcerados, \u00e9 usada para pagar as viagens de parentes a pris\u00f5es remotas, cestas b\u00e1sicas de alimentos para as fam\u00edlias mais necessitadas, brinquedos de Natal ou armas.<\/p>\n<div class=\"raw_html | margin_bottom_sm\">\n<div><\/div>\n<div>\n<div id=\"sintonias\">\n<div id=\"g-sintonias-box\" class=\"ai2html\">\n<div id=\"g-sintonias-escritorio\" class=\"g-artboard g-artboard-v3\" data-min-width=\"980\"><img decoding=\"async\" id=\"g-ai3-0\" class=\"g-aiImg\" src=\"https:\/\/elpais.com\/infografias\/2020\/06\/PCC\/POR\/sintonias\/sintonias-escritorio.jpg?v=7553\" \/><\/p>\n<div id=\"g-ai3-1\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Estrutura das sintonias<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-2\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\">Mercadorias<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-3\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\">Dinheiro<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-4\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\">Informa\u00e7\u00f5es<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-5\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia do Bob<\/p>\n<p>Com\u00e9rcio de maconha<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-6\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia dos Gravatas<\/p>\n<p>Contrata\u00e7\u00e3o e pagamento<\/p>\n<p>de advogados<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-7\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia do Progreso<\/p>\n<p>Tr\u00e1fico de drogas<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-8\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia da 100%<\/p>\n<p>Com\u00e9rcio de coca\u00edna<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-9\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia da Ajuda<\/p>\n<p>Distribu\u00e7\u00e3o de cesta b\u00e1sica<\/p>\n<p>ou qualquer outro tipo de<\/p>\n<p>aux\u00edlio a integrantes da fac\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-10\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia das FMs<\/p>\n<p>Relativo a bocas<\/p>\n<p>de fumo<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-11\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia da Cebola<\/p>\n<p>Arrecada\u00e7\u00e3o de mensalidade<\/p>\n<p>dos membros do PCC que<\/p>\n<p>est\u00e3o fora da pris\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-12\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia<\/p>\n<p class=\"g-pstyle2\">geral final<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-13\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia Financeira<\/p>\n<p>Bra\u00e7o econ\u00f3mico da organiza\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>respons\u00e1vel por outras sintonias<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-14\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia da Rifa<\/p>\n<p>Organiza os pr\u00eamios<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-15\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia do Cadastro<\/p>\n<p>Registros em geral, tais como<\/p>\n<p>os membros batizados,<\/p>\n<p>exclu\u00eddos, punidos, relat\u00f3rios<\/p>\n<p>de puni\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-16\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">Sintonia do Cigarro<\/p>\n<p>Contrabando e<\/p>\n<p>comercializa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-17\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle3\">Fonte: \u2018A Guerra, a ascens\u00e3o do PCC e o mundo do Crime no Brasil\u2019.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Com o objetivo de manter a pol\u00edcia distante e que n\u00e3o prejudique o neg\u00f3cio das drogas, o PCC criou um sofisticado sistema de justi\u00e7a pr\u00f3prio baseado em tr\u00eas pilares que se aplicam dentro e fora das pris\u00f5es: o acusado tem o direito de se defender, est\u00e1 proibido matar sem autoriza\u00e7\u00e3o e os vereditos s\u00e3o debatidos at\u00e9 que seja alcan\u00e7ado um consenso. Resolvem disputas de todos os tipos, explica Rodrigo, pseud\u00f4nimo escolhido por um cineasta de 42 anos que mora na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-05-05\/no-bairro-campeao-de-mortes-por-covid-19-em-sao-paulo-moradores-isolam-seus-idosos-a-espera-de-um-hospital.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Brasil\u00e2ndia<\/a>, um bairro repleto de favelas em S\u00e3o Paulo com 280.000 moradores, onde o metr\u00f4 n\u00e3o chega.<\/p>\n<p class=\"\">Em bairros como esse as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-02-19\/aumento-da-letalidade-policial-e-pauta-urgente-no-estado-de-sao-paulo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pessoas n\u00e3o confiam na pol\u00edcia<\/a>, diz Rodrigo. &#8220;Sabe o que aconteceu ontem? A pol\u00edcia baixou com duas motos na\u00a0<i>biqueira<\/i>\u00a0[ponto de venda de drogas] em frente de casa e levou a droga do traficante. Ele ficou louco.\u201d Ali os conflitos s\u00e3o resolvidos ao modo do PCC. \u201cTodos se acertam com os irm\u00e3os. Vou chamar a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/policia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pol\u00edcia<\/a>\u00a0para resolver meu problema? N\u00e3o, eu o levo ao PCC. \u00c9 o que eles chamam de trocar uma ideia. \u201c\u00c9 qualquer tipo de problema, desde estupro at\u00e9 roubo de t\u00eanis.\u201d<\/p>\n<p class=\"\">Essa irmandade de criminosos tamb\u00e9m resolve problemas do cotidiano, como mostram v\u00e1rios exemplos que Biondi cita de suas pesquisas: queixas sobre um carro mal estacionado que impede a passagem;\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2019-12-08\/quando-o-baile-funk-de-paraisopolis-se-calou-e-nao-por-bombas-da-pm.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">uma m\u00e3e que lhes pede que falem com o filho viciado em drogas<\/a>; outra protestando porque o dentista n\u00e3o aparece no ambulat\u00f3rio. \u201cAlguns irm\u00e3os est\u00e3o mais atentos aos vizinhos, outros n\u00e3o querem se envolver com problemas de homem e mulher\u201d, diz Biondi. \u201cFunciona de maneira diferente em cada bairro, depende de quem est\u00e1 encarregado da responsabilidade\u201d. E quando o PCC se recusa a se envolver, chegam cr\u00edticas do bairro e ouvem-se queixas como a de que &#8220;o bairro est\u00e1 abandonado, ningu\u00e9m se importa com a gente\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Muitas vezes, o sistema da irmandade substitui a Justi\u00e7a comum. Em janeiro, quando a pol\u00edcia interrogou Giulia C\u00e2ndido, 21 anos, sobre a morte de seu beb\u00ea, e depois a deixou ir, o PCC assumiu o caso do seu jeito. O beb\u00ea havia chegado ao hospital sem vida, com marcas de mordida no rosto e fraturas no cr\u00e2nio, t\u00f3rax, mand\u00edbula, nariz e clav\u00edcula. Para a pol\u00edcia, n\u00e3o havia ind\u00edcios de que ela tivesse participado do espancamento fatal, segundo relatou a imprensa. Mas C\u00e2ndido foi sequestrada por criminosos ligados ao PCC que a colocaram diante de um tribunal do crime. Teve sorte: a pol\u00edcia conseguiu resgat\u00e1-la viva. Segundo as autoridades, a organiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 a havia sentenciado \u00e0 morte.<\/p>\n<p class=\"\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/16\/politica\/1534446775_776752.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">As senten\u00e7as s\u00e3o cumpridas em quest\u00e3o de horas<\/a>. Ao contr\u00e1rio dos j\u00faris populares, esses tribunais criminais n\u00e3o terminam com uma vota\u00e7\u00e3o. \u201cChegam a um consenso, eu nunca soube de uma vota\u00e7\u00e3o\u201d, explica Feltran. Ele diz que suas fontes sempre lhe falaram de \u201cdebates infernais de horas e horas\u201d. O soci\u00f3logo estudou um caso em que chegou a haver 40 participantes por telefone. Rodrigo, o cineasta, descreve o esquema assim: \u201cSe voc\u00ea roubava um vizinho, trocava uma ideia, as partes discutiam, eles [os irm\u00e3os] escutavam e o que estava errado pagava. Uma perna quebrada ou at\u00e9 a morte.&#8221; A s\u00e9rie brasileira\u00a0<i>Sintonia<\/i>, transmitida pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/netflix\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Netflix<\/a>, recria um desses julgamentos sem mencionar a sigla da organiza\u00e7\u00e3o. Em uma cena, v\u00e1rios criminosos debatem em p\u00e9, em c\u00edrculo, em um galp\u00e3o abandonado.<\/p>\n<p class=\"\">Um irm\u00e3o \u00e9 acusado de matar sem permiss\u00e3o um viciado, outro \u00e9 o promotor e um terceiro que comanda a sess\u00e3o liga ao padrinho do primeiro para que apresente os argumentos da defesa.<\/p>\n<p class=\"\">Apesar de ser um sistema feito por delinquentes, o soci\u00f3logo Feltran ressalta que \u00e9 o mais parecido a um sistema de justi\u00e7a r\u00e1pido, eficaz e gratuito em muitas das periferias mais pobres e abandonadas do Brasil. Nos 13 anos que se passaram desde o assassinato de Artur, aquele homem de trinta anos que sua irm\u00e3 lembra como algu\u00e9m \u201cmuito moderno, muito diferente\u201d, que \u201cdava aulas de teatro na favela\u201d, ningu\u00e9m foi julgado.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div>\n<div class=\"terminologia\">\n<div class=\"terminologia__inner\">\n<p>O GRUPO DESENVOLVEU TODA UMA\u00a0TERMINOLOGIA:<\/p>\n<ul>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">CAIXINHA<\/span><span class=\"significado\">&#8211; A contribui\u00e7\u00e3o mensal<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">COMANDO<\/span><span class=\"significado\">&#8211; O PCC<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">COISA<\/span><span class=\"significado\">&#8211; O inimigo e a pol\u00edcia<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">CUNHADAS<\/span><span class=\"significado\">&#8211; As esposas dos membros<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">\u00c9 DECRETADO<\/span><span class=\"significado\">&#8211; Quando \u00e9 condenado \u00e0 morte<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">O ESTATUTO<\/span><span class=\"significado\">&#8211; O c\u00f3digo de conduta<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">A FAM\u00cdLIA<\/span><span class=\"significado\">&#8211; PCC<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">IRM\u00c3OS<\/span><span class=\"significado\">&#8211; Os membros do PCC.<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">VAI PARA AS IDEIAS<\/span><span class=\"significado\">&#8211; Quando algu\u00e9m \u00e9 julgado<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">SALVES<\/span><span class=\"significado\">&#8211; Os recados e circulares<\/span><\/li>\n<li class=\"animar\"><span class=\"termino\">A SINTONIA FINAL GERAL<\/span><span class=\"significado\">&#8211; A c\u00fapula<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">O grupo criou toda uma terminologia. O PCC \u00e9 a fam\u00edlia, o comando&#8230; Os membros s\u00e3o irm\u00e3os; suas esposas, cunhadas; as circulares informativas, salves; o c\u00f3digo de conduta, o estatuto; o valor mensal, a caixinha; o inimigo e a pol\u00edcia s\u00e3o coisa. A c\u00fapula \u00e9 a \u00faltima inst\u00e2ncia, a Sintonia Fina Geral. Quando algu\u00e9m \u00e9 julgado, vai para as ideias. E, quando \u00e9 condenado \u00e0 morte, \u00e9 decretado.<\/p>\n<p class=\"\">O promotor Lincoln Gakiya (Presidente Prudente, S\u00e3o Paulo, 1966) foi decretado pelo grupo criminoso pela primeira vez quando seu segundo filho nasceu, h\u00e1 15 anos. \u201cEstava voltando da maternidade com minha mulher quando me avisaram; (meus chefes) me recomendaram pedir uma licen\u00e7a de 15 dias\u201d. O temor conviveu com a alegria da chegada do beb\u00ea e as tarefas de cuidar de seu outro filho, conta Gakiya na sede da Promotoria paulistana. Ao voltar ao trabalho quis resolver sua situa\u00e7\u00e3o, conhecer a seriedade da amea\u00e7a. \u201cSaber quem, como, onde e por que da amea\u00e7a de morte\u201d. Assim come\u00e7ou sua persegui\u00e7\u00e3o ao PCC.<\/p>\n<p class=\"\">O homem que mais investigou o PCC dentro da Justi\u00e7a diz que o tr\u00e1fico de drogas \u00e9 o principal neg\u00f3cio do grupo que opera em toda a Am\u00e9rica do Sul \u2014principalmente no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/paraguay\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Paraguai\u00a0<\/a>e na Bol\u00edvia\u2014, mas tem membros nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/estados-unidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Estados Unidos<\/a>, Portugal, Espanha, Holanda e Reino Unido. Seu mercado mais importante ainda \u00e9 o Brasil, ainda que as vendas ao estrangeiro, especialmente \u00e0 Europa, aumentem velozmente porque os lucros s\u00e3o fabulosos. &#8220;Ainda vendem mais dentro do Brasil, mas o tr\u00e1fico para a Europa \u00e9 caminho sem volta porque traz um lucro fant\u00e1stico com pouco risco\u201d, diz Gakiya. Tanto, que lavar dinheiro \u00e9 uma das urg\u00eancias do PCC. Basta pensar que o grama da coca que, segundo a\u00a0<i>Global Drug Survey<\/i>, \u00e9 vendido no Brasil por 67 reais, em Barcelona est\u00e1 em 60 euros (335 reais) e em Berlim custa 78 euros (436 reais). S\u00f3 \u00e9 mais barata na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p class=\"\">A quarentena decorrente da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-12\/ao-vivo-noticias-sobre-o-coronavirus-os-protestos-sociais-e-a-crise-no-brasil-e-no-mundo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pandemia de coronav\u00edrus<\/a>\u00a0afugentou a clientela que frequentava as bocas de fumo em busca de maconha e coca\u00edna, afirma o promotor, e o fechamento das fronteiras prejudicou seus neg\u00f3cios internacionais.<\/p>\n<p class=\"\">Quando come\u00e7ou a investig\u00e1-los, Gakiya descobriu que a ordem de mat\u00e1-lo havia sa\u00eddo de uma pris\u00e3o pr\u00f3xima a sua cidade, onde estiveram presos durante anos os oito chefes do grupo. Ainda que os presos sempre encontrem formas de se comunicar e criem suas pr\u00f3prias linguagens, a telefonia m\u00f3vel foi a panaceia no Brasil. Sem os celulares o PCC n\u00e3o teria alcan\u00e7ado seu poder atual, concordam os especialistas.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">Em 2006 paralisou a megal\u00f3pole gra\u00e7as aos telefones celulares<\/h3>\n<p class=\"\">A organiza\u00e7\u00e3o deu seu primeiro soco na mesa h\u00e1 duas d\u00e9cadas. Gra\u00e7as \u00e0 incipiente telefonia m\u00f3vel, organizou uma rebeli\u00e3o simult\u00e2nea em trinta pris\u00f5es do Estado de S\u00e3o Paulo. Em 18 de fevereiro de 2001, o PCC se apresentou ao grande p\u00fablico tomando como ref\u00e9ns os 10.000 familiares que estavam de visita nos pres\u00eddios. Esses dias s\u00e3o t\u00e3o sagrados que os presos pro\u00edbem andar sem camisa, entre outras regras. Quando um preso vai com uma mulher a um encontro \u00edntimo, quem cruza com eles deve baixar os olhos; antigamente deveriam virar de rosto \u00e0 parede, afirma Salles, sobrevivente do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/masacre-carandiru\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Massacre do Carandiru<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">Cinco anos depois, outro golpe. Pela transfer\u00eancia de centenas de seus membros a outras pris\u00f5es porque se descobriu que planejavam uma rebeli\u00e3o no Dia das M\u00e3es \u2014as m\u00e3es s\u00e3o sacrossantas\u2014, o PCC respondeu com um desafio ao Estado. Nenhuma testemunha\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/11\/opinion\/1462995958_330424.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">daquele maio de 2006 em S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0o esquece. Paralisaram a maior cidade da Am\u00e9rica Latina durante v\u00e1rios dias com dezenas de atentados simult\u00e2neos contra policiais, delegacias, quart\u00e9is&#8230; enquanto isso, os presos de dezenas de cadeias se rebelavam contra seus guardas. As escolas, as lojas e os bancos fecharam. Os \u00f4nibus deixaram de circular. Aproximadamente 560 pessoas morreram em duas semanas. Foi a vers\u00e3o local do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/11-s\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">11 de Setembro de 2001<\/a>\u00a0de Nova York e o 11 de mar\u00e7o de 2004 de Madri.<\/p>\n<p class=\"\">Tr\u00eas semanas depois ocorreu uma das cenas mais surrealistas da hist\u00f3ria do PCC. Oito deputados de uma comiss\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o sobre tr\u00e1fico de armas foram \u00e0 cadeia para escutar o depoimento do preso\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/20\/politica\/1511192812_378202.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Marcos Williams Herbas Camacho<\/a>, Marcola, um bandido carism\u00e1tico, inteligente e leitor voraz, de acordo com\u00a0<i>Irm\u00e3os<\/i>. L\u00edder da organiza\u00e7\u00e3o durante anos, foi um dos primeiros batizados e \u00e9 considerado o grande s\u00edmbolo do PCC. A transcri\u00e7\u00e3o oficial dessas quatro longas horas de depoimento ocupa mais de 200 p\u00e1ginas e permite vir \u00e0 tona o homem e as entranhas do grupo, incluindo a batalha fratricida que Marcola acabava de vencer. Este \u00e9 um trecho da parte em que fala do confronto com seu predecessor, Gelei\u00e3o:<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 O Sr. Presidente (deputado Moroni Torgan): O que aconteceu?<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 O Sr. Marcos Williams Herbas Camacho (Marcola): Simplesmente ocorreu uma desmotiva\u00e7\u00e3o para que a amizade continuasse.<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 O que a causou? Voc\u00ea sabe?<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 Diverg\u00eancia de opini\u00f5es. Ele era muito radical, eu pensava que acabaria colocando todos n\u00f3s em uma situa\u00e7\u00e3o muito ruim.<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 Quais atitudes seriam essas?<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 Queria explodir a Bolsa de Valores. N\u00e3o era o que aconteceu agora, ele queria\u00a0<a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?client=firefox-b-d&amp;q=site%3Abrasil.elpais.com+atentados+terroristas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">atentados terroristas<\/a>\u00a0e eu era totalmente contra, na \u00e9poca, contra esse tipo de situa\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o come\u00e7amos a discordar demais. E como ele tinha o poder m\u00e1ximo, minha vida corria muito perigo no sistema penitenci\u00e1rio de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"\">(\u2026)<\/p>\n<p class=\"\">Marcola venceu aquela guerra pelo poder, mas perdeu sua primeira esposa, uma advogada que foi morta por seus rivais com dois tiros na porta de casa. O suspeito de atirar foi assassinado pouco depois.<\/p>\n<p class=\"\">Nascido em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/osasco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Osasco<\/a>, na periferia de S\u00e3o Paulo, em 1968, tem hoje 52 anos. Ainda que tenha come\u00e7ado como batedor de carteiras \u2014mal visto no interior da quadrilha\u2014 chegou a ser assaltante, em sua \u00e9poca da elite da delinqu\u00eancia brasileira. Est\u00e1 h\u00e1 mais de meia vida preso, fugiu v\u00e1rias vezes, e \u00e9 dos que p\u00f4de saborear os frutos de seus neg\u00f3cios ilegais. No final dos anos noventa andava em jatinhos privados. Sua esposa lhe visita, tem v\u00e1rios filhos e uma delas estuda na Austr\u00e1lia, de acordo com o promotor.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/hqekfkIN1Xl3IkrJ782VcDPn-Tg=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/42UAIV5XLFDX7MZIKGD7TSTLDA.jpg\" alt=\"\u00c0 esquerda, um \u00f4nibus queimado durante a onda de ataques do PCC em S\u00e3o Paulo, em maio de 2006, quando 560 pessoas em duas semanas. \u00c0 direita, acima, Marcos Williams Herbas Camacho, o \u2018Marcola\u2019, chefe que simboliza a fac\u00e7\u00e3o, durante um julgamento e, abaixo, um policial mira um homem durante os ataques de 2006.  \/ MAURICIO LIMA (AFP) \/ ROBSON FERNANDJES (AFP)\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">\u00c0 esquerda, um \u00f4nibus queimado durante a onda de ataques do PCC em S\u00e3o Paulo, em maio de 2006, quando 560 pessoas em duas semanas. \u00c0 direita, acima, Marcos Williams Herbas Camacho, o \u2018Marcola\u2019, chefe que simboliza a fac\u00e7\u00e3o, durante um julgamento e, abaixo, um policial mira um homem durante os ataques de 2006. \/ MAURICIO LIMA (AFP) \/ ROBSON FERNANDJES (AFP)<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Ap\u00f3s andar por v\u00e1rias favelas, o soci\u00f3logo Feltran discorda da promotoria e das autoridades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 lideran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o. Diz que o PCC \u201cn\u00e3o \u00e9 um cartel com l\u00edderes\u201d. Afirma que na etnografia ind\u00edgena brasileira existem \u201cmuitas outras refer\u00eancias de chefatura sem comando. Estou certo de que \u00e9 uma dessa chefaturas sem comando\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">A pesquisadora Biondi diz que \u201ca palavra do PCC n\u00e3o \u00e9 soberana\u201d. E evoca dois casos. A vez em que os batizados de um bairro viajaram para evitar receber a circular que ordenava que para cada irm\u00e3o morto pela pol\u00edcia eles deveriam assassinar dois agentes, e os presos que se negaram a receber \u201cum salve de igualdade de g\u00eanero pelo que cada cela deveria aceitar um homossexual dos que estavam reunidos em uma s\u00f3 cela\u201d. Os presos se negaram com o argumento de que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/19\/politica\/1471620877_245351.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">PCC estava \u201csendo opressor\u201d<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">Nas ruas, o grupo \u00e9 invis\u00edvel \u00e0 primeira vista. Nada indica em lugares como a Brasil\u00e2ndia que controla um territ\u00f3rio. Nem bandeiras, nem picha\u00e7\u00f5es. Muito menos o exibicionismo dos traficantes do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/rio-de-janeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Rio de Janeiro<\/a>, que chegam a filmar-se com os celulares enquanto dan\u00e7am funk levantando o fuzil no alto. Os modos refletem a conten\u00e7\u00e3o que caracteriza S\u00e3o Paulo. Mas basta observar bem em muitos bairros perif\u00e9ricos paulistas para distinguir grupos de jovens reunidos nas esquinas em qualquer manh\u00e3 no meio da semana, quando as ruas est\u00e3o desertas porque todos sa\u00edram para trabalhar em locais distantes. S\u00e3o adolescentes, incluindo algumas garotas, que parecem que n\u00e3o fazem nada, mas est\u00e3o atentos \u00e0 clientela enquanto fumam maconha. S\u00e3o o elo final da cadeia, os traficantes que vendem maconha e coca\u00edna a quem pagar.<\/p>\n<p class=\"\">Ao desembarcar nos bairros, o grupo imp\u00f4s aos traficantes controles de pre\u00e7o para evitar a concorr\u00eancias e os conflitos. O PCC \u201cn\u00e3o tem o monop\u00f3lio da venda de drogas em S\u00e3o Paulo, a ele basta regular o mercado\u201d, diz Feltran.<\/p>\n<p class=\"\">Para os moradores das favelas de S\u00e3o Paulo sua chegada foi uma revolu\u00e7\u00e3o, como relata o cineasta Rodrigo. \u201cCom a chegada do PCC, reinou a paz na periferia. O que o Governo tentou fazer durante d\u00e9cadas, o grupo resolveu em um m\u00eas. Foi incr\u00edvel\u201d. Uma mudan\u00e7a radical na vida cotidiana de milh\u00f5es de pessoas. Quando adolescente, Rodrigo frequentemente presenciava tiroteios. \u201cEram comuns, especialmente em quermesses. Toda festa tinha sua briga. A festa atra\u00eda muita gente para tomar vinho quente, e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/14\/opinion\/1568421039_616695.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">depois chegavam grupos rivais e os mortos<\/a>\u201d. Enquanto nas periferias se atribui ao PCC o m\u00e9rito dos baixos \u00edndices de viol\u00eancia em S\u00e3o Paulo, na academia o debate continua e os promotores como Gakiya discordam. Rodrigo alerta sobre o aumento de mortos na Brasil\u00e2ndia.<\/p>\n<p class=\"\">Gakiya calcula que o PCC movimenta 500 milh\u00f5es de reais por ano com a venda de drogas, seu principal neg\u00f3cio. Pode parecer pouco se comparado a alguns cart\u00e9is da Am\u00e9rica Latina, mas esse c\u00e1lculo n\u00e3o inclui os lucros internacionais porque, diz, ainda n\u00e3o foi poss\u00edvel estim\u00e1-los.<\/p>\n<p class=\"\">Para entender os fabulosos lucros que a venda de coca\u00edna \u00e0 Europa promete, servem as contas de outro neg\u00f3cio, o comum roubo de carros de luxo \u00e0 m\u00e3o armada em S\u00e3o Paulo. Em\u00a0<i>Irm\u00e3os<\/i>, Feltran faz o seguinte c\u00e1lculo com uma caminhonete Toyota Hilux: algu\u00e9m paga a dois jovens 900 reais cada um para roub\u00e1-la; o ve\u00edculo circula at\u00e9 a fronteira com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/bolivia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Bol\u00edvia<\/a>, onde \u00e9 trocado por 5 a 7 quilos de pasta base de coca que, cortada e vendida no varejo no Brasil, pode significar 425.000 reais. Do outro lado do Atl\u00e2ntico, cada um desses quilos significaria 447.000 reais. O neg\u00f3cio \u00e9 t\u00e3o lucrativo que em 2017 no Brasil foram roubadas 1.149 caminhonetes Hilux.<\/p>\n<div class=\"raw_html | margin_bottom_sm\">\n<div><\/div>\n<div>\n<div id=\"presos\">\n<div id=\"g-presos-box\" class=\"ai2html\">\n<div id=\"g-presos-escritorio\" class=\"g-artboard g-artboard-v3\" data-min-width=\"980\"><img decoding=\"async\" id=\"g-ai3-0\" class=\"g-aiImg\" src=\"https:\/\/elpais.com\/infografias\/2020\/06\/PCC\/POR\/presos\/presos-escritorio.jpg?v=6996\" \/><\/p>\n<div id=\"g-ai3-1\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle0\">Evolu\u00e7\u00e3o das pessoas privadas de liberdade<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-2\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle1\">Dados em milhares de presos.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-3\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">800<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-4\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle3\">755,3<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-5\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">698,6<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-6\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">700<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-7\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">600<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-8\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">496,3<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-9\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">500<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-10\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">400<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-11\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">361,4<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-12\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">300<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-13\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">232,8<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-14\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">200<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-15\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">148,8<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-16\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle4\">90,0<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-17\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle2\">100<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-18\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle5\">0<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-19\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">1990<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-20\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">1995<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-21\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">2000<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-22\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">2005<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-23\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">2010<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-24\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">2015<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-25\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p class=\"g-pstyle6\">2019<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"g-ai3-26\" class=\"g-grafico g-aiAbs g-aiPointText\">\n<p>Fonte: Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. A partir de 2005, dados do Infopen.<\/p>\n<p class=\"g-pstyle7\">EL PA\u00cdS<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">A droga \u00e9 vendida no Brasil a pre\u00e7os irris\u00f3rios para qualquer europeu. E por isso \u00e9 um momento crucial ao PCC. No escasso tempo transcorrido desde que se abriu aos mercados internacionais viu seus lucros explodirem.<\/p>\n<p class=\"\">O \u00faltimo plano para matar o promotor Gakiya \u00e9 do final do ano passado, ap\u00f3s conseguir com que 22 homens considerados chef\u00f5es do PCC fossem separados e,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-01-23\/fugas-em-massa-do-pcc-alarmam-autoridades-em-brasilia-que-cobram-sergio-moro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">com Marcola \u00e0 frente, dispersados por pris\u00f5es do pa\u00eds<\/a>. Todos eles agora est\u00e3o em pres\u00eddios federais, mais modernos, vigiados, menos lotados do que os estaduais. Passam 22 horas por dia em celas isoladas. Gakiya frisa que gostaria que o pedido oficial de dispers\u00e1-los fosse coletivo, assinado por autoridades judiciais e pol\u00edticas, para evitar que o transformem novamente em um alvo. Deixa claro que se algu\u00e9m pode se orgulhar de t\u00ea-los dispersado \u00e9 ele; n\u00e3o o ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Sergio Moro, n\u00e3o o governador, ningu\u00e9m. Somente ele, o \u00fanico a assinar a solicita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Acha que essas transfer\u00eancias n\u00e3o afetar\u00e3o o neg\u00f3cio do grupo criminoso porque \u201ctem a engrenagem dos neg\u00f3cios cotidianos muito bem ajustada, mas ir\u00e1 prejudicar na tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas\u201d. O plano de Gakiya \u00e9 se aprofundar nas fric\u00e7\u00f5es internas para que a organiza\u00e7\u00e3o imploda.<\/p>\n<p class=\"\">Em plena pandemia, o PCC recebeu outro duro golpe, a pris\u00e3o de \u201cseu principal fornecedor da coca\u00edna, ainda que n\u00e3o o \u00fanico\u201d, afirma.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/10\/22\/politica\/1571762833_650476.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Gilberto dos Santos,\u00a0<i>Fuminho<\/i><\/a>, detido em abril em Mo\u00e7ambique, \u201cn\u00e3o \u00e9 membro do PCC\u201d, mas \u00e9 amigo pessoal de Marcola. Cuidava de seus neg\u00f3cios pessoais.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div>\n<div class=\"invitados animar\">\n<div class=\"invitado-info\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/cita1.jpg\" \/><\/figure>\n<div class=\"inv-datos\">\n<p class=\"inv-cita\">AINDA VENDEM MAIS DENTRO DO BRASIL, MAS O TR\u00c1FICO PARA A EUROPA \u00c9 CAMINHO SEM VOLTA PORQUE TRAZ UM LUCRO FANT\u00c1STICO COM POUCO RISCO<strong>LINCOLN GAKIYA<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">At\u00e9 pol\u00edticos e promotores brasileiros admitem que as pris\u00f5es s\u00e3o o grande local de recrutamento dos grupos criminosos, que recrutam seus integrantes nas barbas do Estado. Como as quadrilhas dividem o dom\u00ednio dos pres\u00eddios,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/31\/politica\/1517410163_964093.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00e9 frequente que perguntem ao rec\u00e9m-chegado se prefere ir \u00e0 ala dominada pelo PCC<\/a>\u00a0ou \u00e0 de outro grupo. Gakiya revela que \u00e9 comum que, se a pessoa \u00e9 da fac\u00e7\u00e3o rival, se fa\u00e7a passar por um deles e at\u00e9 se converta. Estrat\u00e9gias b\u00e1sicas para continuar vivo.<\/p>\n<p class=\"\">Em 1\u00ba de janeiro de 2017, quando os brasileiros se recuperavam das festas de Ano Novo, um ambiente sinistro se instalou no p\u00e1tio de um pres\u00eddio de Manaus ap\u00f3s as visitas familiares. As c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia captaram d\u00fazias de presos armados com escopetas, pistolas, fac\u00f5es, paus e barras de ferro \u00e0 ca\u00e7a de presos do PCC. Como a organiza\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo era minorit\u00e1ria l\u00e1, os irm\u00e3os estavam no que chamam de seguro, a galeria dos indesej\u00e1veis, com os estupradores e ex-policiais. Durante 17 horas de viol\u00eancia brutal\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/02\/politica\/1483358892_477027.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">56 presos foram assassinados<\/a>, a maioria do PCC e ligados a ele: uns foram decapitados, outros tiveram o cora\u00e7\u00e3o arrancado, alguns foram queimados vivos. Cenas de barb\u00e1rie que depois circularam de celular em celular via WhatsApp.<\/p>\n<p class=\"\">Foi o maior golpe sofrido pelo PCC em sua hist\u00f3ria. Sua vingan\u00e7a, seis dias depois, em uma pris\u00e3o a 800 quil\u00f4metros em Boa Vista, deixou 33 mortos do Comando Vermelho, o grupo mais poderoso do Rio, e aliados locais. Essas orgias de sangue significaram a ruptura de anos de alian\u00e7a entre as duas organiza\u00e7\u00f5es criminosas mais poderosas do Brasil. Come\u00e7ava uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/06\/politica\/1483703548_179354.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">guerra pelo controle das rotas de droga<\/a>\u00a0e pris\u00f5es que ensanguentou o norte e nordeste do Brasil. Para engrossar suas fileiras para enfrentar a batalha, o PCC simplificou as regras de recrutamento, como os pesquisadores constataram.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div>\n<div id=\"gallery2\" class=\"gallery\">\n<div class=\"content_gallery_items\">\n<div class=\"gallery_item\"><picture><source srcset=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/06.jpg\" media=\"(min-width: 1024px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/06_movil.jpg\" alt=\"\" \/><\/picture>\n<p class=\"footer-img\">Um grupo de presos ap\u00f3s um confronto membros do PCC e de outra fac\u00e7\u00e3o criminal, a Fam\u00edlia do Norte, no penitenci\u00e1ria de Alca\u00e7uz, em Natal, em 2017. \/ AFP<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"gallery_item\"><picture><source srcset=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/07.jpg\" media=\"(min-width: 1024px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/07_movil.jpg\" alt=\"\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"gallery_item\"><picture><source srcset=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/09.jpg\" media=\"(min-width: 1024px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/09_movil.jpg\" alt=\"\" \/><\/picture>\n<p class=\"footer-img\">Enfrentamento entre detentos do PCC e de uma fac\u00e7\u00e3o rival na penitenci\u00e1ria de Alca\u00e7uz, em Natal, em 2017. \/ AFP<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"gallery_item\"><picture><source srcset=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/10.jpg\" media=\"(min-width: 1024px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/10_movil.jpg\" alt=\"\" \/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"fondo\" class=\"fondo\"><picture><source srcset=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/10.jpg\" media=\"(min-width: 1024px)\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/estaticos\/arc\/2020\/05\/pcc\/img\/galeria2\/10_movil.jpg\" alt=\"\" \/><\/picture>\n<p class=\"footer-img\">Policiais dominam detentos amotinados penitenci\u00e1ria do Carandiru, em S\u00e3o Paulo, em 2001. \/ REUTERS<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">O grupo criminoso paulista realizou no Paraguai um ano antes seu golpe mais espetacular visando eliminar intermedi\u00e1rios em sua expans\u00e3o internacional.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/17\/politica\/1466198112_870703.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Emboscaram a Hummer blindada do brasileiro Jorge Rafaat<\/a>, conhecido como o Rei da Fronteira, que controlava o narcotr\u00e1fico e o contrabando na regi\u00e3o. Foi assassinado. Um rival a menos. A meticulosa opera\u00e7\u00e3o ocorreu em Pedro Juan Caballero, a primeira cidade do lado paraguaio. Foi justamente sua pris\u00e3o o cen\u00e1rio em janeiro da maior fuga carcer\u00e1ria da hist\u00f3ria do Paraguai. O promotor Gakiya afirma que a opera\u00e7\u00e3o para libertar 75 presos n\u00e3o foi organizada pela c\u00fapula do PCC e sim por algum ou alguns de seus membros.<\/p>\n<p class=\"\">O crime organizado surge onde o Estado deixa espa\u00e7os. E as pris\u00f5es do Brasil s\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas um imenso buraco negro. Nos anos noventa era mais perigoso a um delinquente estar preso do que nas ruas. Os criminosos se matavam por qualquer assunto dentro e fora da pris\u00e3o. E eram exterminados. O PCC talvez n\u00e3o nascesse e subisse t\u00e3o rapidamente sem\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/14\/politica\/1497471277_080723.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a matan\u00e7a do Carandiru, a pior da hist\u00f3ria brasileira, em 1992<\/a>. Um ano antes da truculenta partida de futebol em que a irmandade foi fundada, a pol\u00edcia entrou no maior pres\u00eddio da Am\u00e9rica Latina para sufocar uma rebeli\u00e3o e matou 111 detentos. Sidney Salles, que sobreviveu ao massacre, abandonou o crime e se transformou em um pastor evang\u00e9lico que dirige cinco centros de reabilita\u00e7\u00e3o e d\u00e1 palestras sobre o sistema carcer\u00e1rio que o levou at\u00e9 a Harvard, foi testemunha desse processo: a chegada dos irm\u00e3os foi bem-recebida por grande parte dos presos, diz.<\/p>\n<p class=\"\">Em um pa\u00eds como o Brasil, que tem mais de 800.000 pessoas presas, a ascens\u00e3o do PCC representou uma mudan\u00e7a radical para os r\u00e9us, diz Salles. De repente algu\u00e9m defendia os que eram estuprados, os que n\u00e3o tinham visitas familiares porque eram muito pobres para custear a viagem, os que n\u00e3o tinham uma escova de dentes e \u00e1gua para se lavar. \u201cFoi a\u00ed que o PCC entrou, desempenhando o papel do Estado. At\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: El Pa\u00eds<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div class=\"creditos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Primeiro Comando da Capital, grupo mais poderoso do crime organizado do Brasil e Am\u00e9rica do Sul, trafica drogas, al\u00e9m de dominar pris\u00f5es e favelas. 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