{"id":322659,"date":"2020-06-23T12:01:59","date_gmt":"2020-06-23T15:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=322659"},"modified":"2020-06-23T12:01:59","modified_gmt":"2020-06-23T15:01:59","slug":"covid-19-perde-forca-em-fortaleza-e-avanca-no-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/covid-19-perde-forca-em-fortaleza-e-avanca-no-interior\/","title":{"rendered":"Covid-19 perde for\u00e7a em Fortaleza e avan\u00e7a no interior"},"content":{"rendered":"<div class=\"m-l-article__header m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg\">\n<h1 class=\"m-l-article__heading \"><\/h1>\n<div class=\"m-l-article__meta m-u-mt-2 m-u-mb-2 m-u-mt-3-md m-u-mb-3-md\">\n<div class=\"m-c-meta m-c-meta--has-time-update m-u-text-sans m-u-text-sm m-u-color-gray-600\">Por N\u00edcolas Paulino<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"m-l-article__subheading \">Enquanto a Capital agora representa apenas 35% dos casos no Estado, as regi\u00f5es Norte, Centro-Sul e Cariri registram aumento de pacientes e sistemas de sa\u00fade sobrecarregados<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__thumbnail m-u-container-hg-lg\">\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image m-u-ratio-16by9\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:1.2958508:1592881362\/foto.jpg?f=16x9&amp;$p$f=431b629\" alt=\"Apesar das barreiras instaladas, n\u00famero de casos de Covid-19 cresce no Interior\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Legenda:\u00a0<\/span>Apesar das barreiras instaladas, n\u00famero de casos de Covid-19 cresce no Interior<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Helene Santos<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__inner m-u-display-flex-lg m-l-article__inner--sidebar m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg m-u-container-hg-lg\">\n<div class=\"m-l-article__tools m-u-mb-3 m-u-mb-0-lg m-u-width-24-lg\">\n<div class=\"m-c-tools m-c-tools--social u-m-display-flex m-u-direction-col-lg m-u-width-32 m-u-width-auto-lg m-u-justify-between h32-lg\">\n<div class=\"m-u-width-6 m-u-heigh-6\"><\/div>\n<div class=\"m-u-width-6 m-u-heigh-6\"><\/div>\n<div class=\"m-u-width-6 m-u-heigh-6\"><\/div>\n<div class=\"m-u-width-6 m-u-heigh-6\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__content \">\n<p>Uma ramifica\u00e7\u00e3o de Fortaleza para os munic\u00edpios do interior. Essa \u00e9 a visualiza\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da pandemia do novo coronav\u00edrus no Cear\u00e1, que se espalhou pela Regi\u00e3o Metropolitana da Capital; nas \u00faltimas semanas, ganhou for\u00e7a na Regi\u00e3o Norte e, agora, tamb\u00e9m avan\u00e7a no Centro-Sul do Estado. Especialistas em Sa\u00fade P\u00fablica e autoridades apontam que a interioriza\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a era um fen\u00f4meno epidemiol\u00f3gico esperado e teve na mobilidade rodovi\u00e1ria um fator importante de dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dados da plataforma IntegraSUS confirmam a expans\u00e3o da doen\u00e7a pelo Estado. Em 22 de mar\u00e7o, 79,6% dos casos se concentravam na Capital. Ao longo da pandemia, essa porcentagem diminuiu. Em 22 de abril, eram 69,5%; um m\u00eas depois, 42,7%. Nesta segunda-feira (22), o \u00edndice caiu para 35%, ou seja, apenas um em cada tr\u00eas casos confirmados no Cear\u00e1 foi registrado em Fortaleza.<\/p>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--embed\"><iframe id=\"datawrapper-chart-AkGWc\" title=\"Covid-19: boletim oficial\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/AkGWc\/275\/\" height=\"319\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" aria-label=\"chart\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p>Segundo o \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico da Secretaria Estadual da Sa\u00fade (Sesa), todas as \u00c1reas Descentralizadas de Sa\u00fade (ADS) apresentaram incremento na incid\u00eancia de casos confirmados na \u00faltima semana, com destaque para as regi\u00f5es de Iguatu (78%), Juazeiro do Norte (61,8%), Crate\u00fas (52,5%) e Crato (43,6%). O painel de monitoramento do Comit\u00ea Cient\u00edfico do Cons\u00f3rcio Nordeste exp\u00f5e que, no Cear\u00e1, as cidades com aumento de casos nos \u00faltimos dias foram Iguatu, Juazeiro do Norte, Barroquinha, Baturit\u00e9 e Quixad\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Sesa aponta ainda que o n\u00famero de reprodu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a &#8211; c\u00e1lculo da m\u00e9dia de pessoas infectadas a partir de um caso &#8211; est\u00e1 abaixo de 1,0 no Cear\u00e1, mas no Litoral Leste e Jaguaribe, Sert\u00e3o Central e Cariri, est\u00e1 em torno de 1,0, &#8220;o que pode significar manuten\u00e7\u00e3o das cadeias de transmiss\u00e3o e consequente continua\u00e7\u00e3o da epidemia&#8221;.<\/p>\n<p>A Regi\u00e3o Norte, por exemplo, viu um incremento de casos e de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos desde o fim de maio que levou ao lockdown em Sobral, Camocim, Acara\u00fa e Itarema. O \u00faltimo decreto do Governo do Estado manteve a medida em Sobral por mais sete dias.<\/p>\n<p>Na observa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico internista e professor universit\u00e1rio Maycon Fellipe da Ponte, o fluxo rodovi\u00e1rio &#8220;intenso&#8221; entre Fortaleza e Sobral contribuiu para a dispers\u00e3o da Covid-19 na \u00e1rea. &#8220;Estimamos que, hoje, Sobral vive mais ou menos o que Fortaleza vivenciou h\u00e1 duas semanas. Al\u00e9m desse fluxo, tamb\u00e9m temos muitos pacientes de outros munic\u00edpios da macrorregi\u00e3o onde as medidas de isolamento n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o rigorosas&#8221;, aponta.<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-map\" data-src=\"visualisation\/1855094\" data-url=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/1855094\/embed\"><iframe src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/1855094\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/flourish.studio\/visualisations\/maps\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/1855094\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.rocks\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish map<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>Segundo Ponte, mesmo com medidas de isolamento mais r\u00edgidas, a transmiss\u00e3o pode repercutir por mais duas semanas. &#8220;Nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que, h\u00e1 tr\u00eas semanas, tivemos o pico local, quando a procura estava muito alta. Depois, entramos num plat\u00f4 de estabiliza\u00e7\u00e3o e, nessa semana, j\u00e1 observamos os casos reduzindo&#8221;, indica, ressaltando que, no mesmo per\u00edodo, aumentam o conhecimento sobre a doen\u00e7a e o n\u00famero de pacientes em recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudo do Grupo de Investiga\u00e7\u00e3o de Sistemas Complexos (GISC), do Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), explica que, enquanto capitais geralmente passam pelo pico epid\u00eamico mais cedo, &#8220;a situa\u00e7\u00e3o tarda mais a melhorar no interior&#8221;. Por isso, ressalta a relev\u00e2ncia do isolamento social.<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/1714294\" data-url=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/1714294\/embed\"><iframe src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/1714294\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/1714294\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/1714294\" target=\"_top\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.rocks\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish chart<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Se diferentes regi\u00f5es passam pelo surto em momentos diferentes, \u00e9 poss\u00edvel desafogar o sistema de Sa\u00fade desses lugares mais remotos, que podem utilizar-se da estrutura dos munic\u00edpios que j\u00e1 possuem grande parcela da popula\u00e7\u00e3o imunizada&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Com a segunda melhor rede de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade do Estado, na vis\u00e3o da coordenadora do Curso de Medicina da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Emille Cordeiro, a regi\u00e3o do Cariri apresentou o maior incremento no n\u00famero de casos confirmados, casos suspeitos e de \u00f3bitos, na \u00faltima semana, de acordo com o boletim da Sesa &#8211; 56,8%, 20,4% e 48,8% respectivamente. O Governo do Estado tamb\u00e9m decretou lockdown em Juazeiro do Norte, que tem mais de 270 mil habitantes. Para a especialista, a din\u00e2mica j\u00e1 era prevista pela epidemiologia.<\/p>\n<p>&#8220;Socialmente, temos bairros com bastante aglomera\u00e7\u00e3o e uma estrutura de distribui\u00e7\u00e3o urbana que, em muitos casos, favorecem a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, ainda que n\u00e3o haja algo que determine isso especificamente&#8221;, indica. &#8220;No Cariri, demorou um pouco mais para termos um aumento mais proeminente, o que nos deu um tempo para organizar nossos servi\u00e7os assistenciais&#8221;, completa, ressaltando a abertura de mais leitos de enfermaria e de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).<\/p>\n<p><strong>Barreiras<\/strong><\/p>\n<p>As barreiras sanit\u00e1rias adotadas por gest\u00f5es municipais &#8211; foram mais de 30, em todo o Estado &#8211; em estradas de acesso, rodovi\u00e1rias e pequenos aeroportos das cidades do Interior tamb\u00e9m s\u00e3o mencionadas por Emille Cordeiro como estrat\u00e9gias importantes para retardar o avan\u00e7o da doen\u00e7a num ritmo semelhante a Fortaleza, onde lembra que a Covid-19 come\u00e7ou por bairros nobres e avan\u00e7ou para as regi\u00f5es perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios do Estado do Cear\u00e1 (Aprece), Nilson Diniz, pondera que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel identificar apenas uma rota de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a. &#8220;Aqui \u00e9 um conjunto. Pelo nosso monitoramento, temos gente que veio de Recife, de S\u00e3o Paulo, da Para\u00edba, para o Cariri e para Fortaleza. \u00c9 um fluxo de todos os lugares, n\u00e3o foi algo isolado. O perigo \u00e9 quando a pessoa est\u00e1 contaminada, mas viaja sem se sentir doente&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Diniz considera que o Cear\u00e1 \u00e9 pequeno, mas atravessa tr\u00eas momentos diferentes da epidemia: Fortaleza j\u00e1 passa pelo plano de reabertura; o Norte teve aumento nos \u00edndices e encara o lockdown, e o Centro-Sul parece ser o pr\u00f3ximo epicentro. &#8220;O problema \u00e9 o grande volume de pacientes num tempo curto. Mesmo com leitos de UTI extra, aumenta o n\u00famero de gente doente. Temos um sistema relativamente fr\u00e1gil, ainda que estejamos em situa\u00e7\u00e3o menos dif\u00edcil&#8221;, avalia o gestor.<\/p>\n<p>A especialista em Sa\u00fade P\u00fablica e presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Sa\u00fade (Cosems), Sayonara Moura, tamb\u00e9m observa o transporte terrestre como facilitador da interioriza\u00e7\u00e3o. &#8220;Mesmo quem fez barreira sanit\u00e1ria viu chegar pessoas de v\u00e1rios Estados por transporte clandestino&#8221;, relata.<\/p>\n<p>A representante refor\u00e7a que a situa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Norte continua em debate, mas o foco \u00e9 o espalhamento para o Cariri, especialmente em s\u00edtios e distritos mais vulner\u00e1veis. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 nem tanto pela dificuldade de se chegar l\u00e1, mas pelo acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as casas s\u00e3o muito pequenas. N\u00e3o d\u00e1 pra isolar uma pessoa numa casa com dois c\u00f4modos&#8221;, explica, defendendo o fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e o bloqueio precoce de casos.<\/p>\n<p>Mesmo em cidades com decl\u00ednio da curva epidemiol\u00f3gica e desocupa\u00e7\u00e3o de leitos, o m\u00e9dico Maycon Fellipe, de Sobral, n\u00e3o descarta novos picos da doen\u00e7a. &#8220;O que se espera, baseado no que sabemos, \u00e9 que cada novo pico n\u00e3o seja t\u00e3o intenso quanto o primeiro porque j\u00e1 conhecemos a doen\u00e7a, temos mais testes dispon\u00edveis e vamos ter estrutura assistencial mais organizada. Al\u00e9m disso, temos medidas que v\u00e3o ficar na cultura, como a higieniza\u00e7\u00e3o e o distanciamento de pacientes suspeitos&#8221;. Pondera.<\/p>\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:1.2958514:1592881541\/ARTT-230620_mapacovid23.jpg?f=default&amp;$p$f=93f8d6f\" alt=\"interioriza\u00e7\u00e3o Covid Cear\u00e1\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ramifica\u00e7\u00e3o de Fortaleza para os munic\u00edpios do interior. 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