{"id":323193,"date":"2020-06-28T09:50:02","date_gmt":"2020-06-28T12:50:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=323193"},"modified":"2020-06-28T09:50:02","modified_gmt":"2020-06-28T12:50:02","slug":"festival-de-besteira-que-assola-o-pais-as-cronicas-que-ironizavam-a-ditadura-e-que-estao-mais-vivas-que-nunca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/festival-de-besteira-que-assola-o-pais-as-cronicas-que-ironizavam-a-ditadura-e-que-estao-mais-vivas-que-nunca\/","title":{"rendered":"&#8216;Festival de Besteira que Assola o Pa\u00eds&#8217;, as cr\u00f4nicas que ironizavam a ditadura e que &#8216;est\u00e3o mais vivas que nunca&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><strong><span class=\"byline__name\">Andr\u00e9 Bernardo<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/9E86\/production\/_113128504_26666835-f27c-4910-b41f-b3109e0c7604.jpg\" alt=\"S\u00e9rgio Porto\" width=\"586\" height=\"567\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\">S\u00e9rgio Porto, ou Stanislaw Ponte Preta, seu &#8216;alter-ego&#8217;<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">O dia do jornalista carioca S\u00e9rgio Porto (1923-1968) come\u00e7ava cedo. Logo pela manh\u00e3, ele ia \u00e0 Praia de Copacabana &#8211; bairro da Zona Sul do Rio onde nasceu, viveu e morreu -, levando as tr\u00eas filhas: \u00c2ngela, Solange e Gisela. Enquanto as meninas brincavam perto da \u00e1gua, o pai, sentado na areia, lia uma pilha de jornais e revistas. Com uma tesoura, ele recortava as not\u00edcias mais controversas do dia.<\/p>\n<p>Foi assim que, em junho de 1966, Porto tomou conhecimento da estreia do espet\u00e1culo\u00a0<i>Electra<\/i>\u00a0no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo. Agentes do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops), \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o do regime militar, foram mandados ao local para prender o autor da pe\u00e7a, acusado de subvers\u00e3o. Ao chegarem l\u00e1, descobriram que o sujeito, um tal de S\u00f3focles, tinha morrido em 406 a.C.<\/p>\n<p>A tentativa frustrada de pris\u00e3o do subversivo dramaturgo grego \u00e9 apenas uma das mais de 250 hist\u00f3rias que Stanislaw Ponte Preta, o &#8216;alter-ego&#8217; de S\u00e9rgio Porto, publicou no extinto jornal \u00daltima Hora, de Samuel Wainer. Entre 1966 e 1968, essa e outras hist\u00f3rias foram reunidas em tr\u00eas volumes de uma antologia intitulada Festival de Besteira que Assola o Pa\u00eds. Ou, simplesmente, Febeap\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;As cr\u00f4nicas do Stanislaw ironizavam a onda conservadora da ditadura militar. Naqueles anos de censura e repress\u00e3o, ele registrava as situa\u00e7\u00f5es absurdas e as declara\u00e7\u00f5es estapaf\u00fardias das autoridades&#8221;, afirma Cl\u00e1udia Thom\u00e9, doutora em Teoria Liter\u00e1ria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora de\u00a0<i>O olhar cr\u00edtico do cronismo do Febeap\u00e1 contra a onda conservadora que levou ao AI-5 em 1968<\/i>\u00a0(2018).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14EEA\/production\/_112983758_34e5ec46-52c0-4f44-b5e8-efb39885bc7f.jpg\" alt=\"S\u00e9rgio Porto\" width=\"821\" height=\"583\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>S\u00e9rio Porto com suas filhas<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;Mais por fora do que umbigo de vedete&#8221;<\/h2>\n<p>O festival de despaut\u00e9rios inclu\u00eda de capit\u00e3es a prefeitos, de generais a delegados. Em S\u00e3o Paulo (SP), agentes do Dops invadiram a casa da escritora Jurema Finamour e, entre outros objetos considerados suspeitos, apreenderam um aparelho de liquidificador. Em Belo Horizonte (MG), policiais davam voz de pris\u00e3o a torcedores que insistissem em soltar mais de tr\u00eas palavr\u00f5es por jogo de futebol.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, quase tudo era proibido na &#8220;Redentora&#8221; &#8211; apelido &#8220;carinhoso&#8221; dado por Stanislaw Ponte Preta ao golpe militar de 1964: de serenata, em Ouro Preto (MG), a vodca, em Bras\u00edlia (DF), de namoro no jardim da pra\u00e7a, em Mariana (MG), a m\u00e1scara em baile de carnaval, em S\u00e3o Lu\u00eds (MA). No caso da vodca, a bebida destilada de origem russa foi proibida por um nobre &#8220;depufede&#8221; &#8211; neologismo criado pelo autor para designar &#8220;deputado federal&#8221; &#8211; para &#8220;combater o comunismo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O que ser\u00e1 que o Stanislaw diria hoje da descoberta de que nossos livros did\u00e1ticos &#8216;t\u00eam muita coisa escrita&#8217; (em refer\u00eancia a frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro), da defesa da abstin\u00eancia sexual (campanha promovida pela ministra Damares Alves) como pol\u00edtica p\u00fablica ou, ent\u00e3o, da afirma\u00e7\u00e3o de que o &#8216;\u00edndio est\u00e1 evoluindo e, cada vez mais, \u00e9 um ser humano igual a n\u00f3s&#8217; (frase tamb\u00e9m dita por Bolsonaro)?&#8221;, indaga a professora Cl\u00e1udia Thom\u00e9, da UFJF. &#8220;Imagine isso tudo aos olhos do Stanislaw Ponte Preta. Penso que nossas prateleiras seriam pequenas para tantos volumes novos do Febeap\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Stanislaw n\u00e3o livrava a cara de ningu\u00e9m. Nem mesmo de seus colegas jornalistas. Volta e meia, citava uma ou outra manchete, como &#8220;Todo fumante morre de c\u00e2ncer a n\u00e3o ser que outra doen\u00e7a o mate primeiro&#8221;, do Correio do Cear\u00e1, de Fortaleza (CE), ou &#8220;\u00c9 necess\u00e1ria muita cautela para revidarmos uma autocr\u00edtica&#8221;, do Jornal da Cidade, de Gravat\u00e1 (PE).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;S\u00f3 levanto o olho da m\u00e1quina de escrever para botar col\u00edrio&#8221;<\/h2>\n<p>Antes de ganhar a vida como escritor, radialista e teatr\u00f3logo, entre outras profiss\u00f5es, S\u00e9rgio Marcos Rangel Porto trabalhou 23 anos no Banco do Brasil. L\u00e1, conheceu e tornou-se amigo de outro S\u00e9rgio, o Jaguaribe &#8211; nome de batismo do cartunista Jaguar. &#8220;S\u00e9rgio n\u00e3o trabalhava menos que 15 horas por dia. A qualquer hora do dia ou da noite, quando ia visit\u00e1-lo em casa, l\u00e1 estava ele batucando as teclas de sua Remington semiport\u00e1til. Numa dessas visitas, ao buscar os originais de um livro, soltou uma de suas muitas p\u00e9rolas: &#8216;S\u00f3 levanto o olho da m\u00e1quina para botar col\u00edrio'&#8221;, diverte-se.<\/p>\n<p>Porto ainda batia ponto como banc\u00e1rio quando, em 1947, aos 24 anos, come\u00e7ou a trabalhar como jornalista no Folha do Povo, de Apar\u00edcio Torelly (1895-1971), o irreverente Bar\u00e3o de Itarar\u00e9. N\u00e3o parou mais. Ao longo da carreira, deu expediente em uma infinidade de jornais (Di\u00e1rio Carioca, Tribuna da Imprensa e \u00daltima Hora) e revistas (Manchete, Senhor e O Cruzeiro). Por dois anos, chegou a produzir duas cr\u00f4nicas di\u00e1rias: uma para o Tribuna da Imprensa e outra para o \u00daltima Hora.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/100CA\/production\/_112983756_154951ec-a129-4a3d-b5e5-e190e52647e2.jpg\" alt=\"S\u00e9rgio Porto\" width=\"523\" height=\"712\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">Aos 24 anos, come\u00e7ou a trabalhar como jornalista no Folha do Povo, de Apar\u00edcio Torelly (1895-1971), o irreverente Bar\u00e3o de Itarar\u00e9. N\u00e3o parou mais<\/figure>\n<p>&#8220;\u00c0 tarde, papai se recolhia em seu &#8216;escrit\u00f3rio&#8217;, ou seja, a parte da sala dividida por uma estante de madeira. Ali, ficava at\u00e9 tarde na m\u00e1quina de escrever, produzindo sua cr\u00f4nica di\u00e1ria para jornal. Aos de casa, era exigido fazer sil\u00eancio. Tinha o h\u00e1bito de ouvir m\u00fasica e, enquanto trabalhava, tinha prefer\u00eancia por jazz. \u00c0 noite, sa\u00eda para entregar os textos no jornal, na r\u00e1dio ou na TV, e \u00edamos com ele, j\u00e1 de pijama no carro&#8221;, relembra a historiadora \u00c2ngela Porto, uma das tr\u00eas filhas de S\u00e9rgio com Dirce Pimentel de Ara\u00fajo, com quem ele se casou em 1952.<\/p>\n<p>Como escritor, S\u00e9rgio Porto lan\u00e7ou dez livros: sete como Stanislaw e tr\u00eas como S\u00e9rgio. &#8220;N\u00e3o considero o Stanislaw Ponte Preta um pseud\u00f4nimo do S\u00e9rgio Porto e, sim, um heter\u00f4nimo&#8221;, explica Raquel Solange Pinto, doutora em Literaturas de L\u00edngua Portuguesa pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC-Minas) e autora de\u00a0<i>Espa\u00e7os da cr\u00f4nica: espet\u00e1culo e bastidores do Febeap\u00e1<\/i>\u00a0(2003).<\/p>\n<p>&#8220;A personagem \u00e9 constru\u00edda com todo um hist\u00f3rico: tinha fam\u00edlia, amigos e at\u00e9 data de nascimento: 22 de novembro de 1955&#8221;.<\/p>\n<p>A &#8220;fam\u00edlia&#8221; a que Raquel se refere era formada, entre outros membros, pela Tia Zulmira, uma senhora muito culta e inteligente; o Primo Altamirando, um t\u00edpico mau-car\u00e1ter, corrupto e autorit\u00e1rio; e Rosamundo das Merc\u00eas, um sujeito distra\u00eddo, mas t\u00e3o distra\u00eddo que nasceu de dez meses. No livro\u00a0<i>Dupla Exposi\u00e7\u00e3o: Stanislaw S\u00e9rgio Ponte Porto Preta<\/i>\u00a0(1998), o jornalista Renato S\u00e9rgio explica que a cria\u00e7\u00e3o foi &#8220;coletiva&#8221;. Participaram dela, al\u00e9m do pr\u00f3prio Porto, o ilustrador do jornal Di\u00e1rio Carioca, Tom\u00e1s Santa Rosa, e o cr\u00edtico musical L\u00facio Rangel. Cada um deles sugeriu um nome tomando como refer\u00eancia o personagem-t\u00edtulo de Serafim Ponte Grande (1933), de Oswald de Andrade (1890-1954).<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8220;A irrever\u00eancia \u00e9 a arma do humorista&#8221;<\/h2>\n<p>Ao contr\u00e1rio do dramaturgo grego, S\u00e9rgio Porto nunca teve agentes do Dops batendo em sua porta. &#8220;Ele n\u00e3o chegou a sofrer censura e persegui\u00e7\u00e3o simplesmente porque morreu antes, em 30 de setembro de 1968&#8221;, explica o jornalista Lu\u00eds Pimentel, organizador de A Revista do Lalau (2008). &#8220;Foi a partir de 13 de dezembro de 1968, quando o AI-5 foi decretado, que as coisas pioraram&#8221;.<\/p>\n<p>Censura ou persegui\u00e7\u00e3o, S\u00e9rgio Porto pode at\u00e9 n\u00e3o ter sofrido. Mas, tentativa de envenenamento, sim. Em julho de 1968, ele estava apresentando o Show do Crioulo Doido no Teatro Gin\u00e1stico, no Rio, quando, no camarim, sentiu um gosto amargo no caf\u00e9. Na mesma hora, vieram \u00e0 lembran\u00e7a as amea\u00e7as que estava recebendo em repres\u00e1lia ao espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>&#8220;O show n\u00e3o tem nada demais, a n\u00e3o ser suas irrever\u00eancias. E ningu\u00e9m puxa irrever\u00eancia e atira. \u00c9 arma de humorista, n\u00e3o machuca tanto quanto cassetete na cabe\u00e7a da Mar\u00edlia Pera ou pontap\u00e9s na barriga de mo\u00e7a gr\u00e1vida, como fizeram l\u00e1 em S\u00e3o Paulo&#8221;, declarou em entrevista \u00e0 revista Manchete, de 10 de agosto de 1968, referindo-se \u00e0 invas\u00e3o do Teatro Ruth Escobar, em S\u00e3o Paulo, em 18 de julho de 1968, quando integrantes de um grupo paramilitar chamado Comando de Ca\u00e7a aos Comunistas (CCC) agrediram o elenco da pe\u00e7a Roda Viva.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/127DA\/production\/_112983757_a3a35a3c-6006-406e-aa79-c2944911a7be.jpg\" alt=\"S\u00e9rgio Porto\" width=\"612\" height=\"748\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\">&#8220;O que ser\u00e1 que o Stanislaw diria hoje da descoberta de que nossos livros did\u00e1ticos &#8216;t\u00eam muita coisa escrita&#8217;, da defesa da abstin\u00eancia sexual como pol\u00edtica p\u00fablica?&#8221; indaga a professora Cl\u00e1udia Thom\u00e9, da UFJF<\/figure>\n<p>J\u00e1 em casa, Porto tomou um comprimido para dormir, mas, em vez de cair no sono, passou 30 horas acordado. Foi levado para um hospital. &#8220;S\u00e9rgio concedeu v\u00e1rias entrevistas, associando esse poss\u00edvel atentado a outros cometidos contra espet\u00e1culos teatrais no Rio e em S\u00e3o Paulo&#8221;, relata a historiadora Dislane Zerbinatti Moraes, doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e autora de\u00a0<i>O trem t\u00e1 atrasado ou j\u00e1 passou: A s\u00e1tira e as formas do c\u00f4mico em Stanislaw Ponte Preta<\/i>\u00a0(2003). &#8220;Esse atentado nunca foi devidamente investigado ou comprovado, mas podemos deduzir que houve, sim, uma rea\u00e7\u00e3o dos militares \u00e0 obra do Stanislaw como um todo&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Porto morreu em 1968, aos 45 anos, v\u00edtima de um terceiro infarto. Em 2005, o jornalista Cl\u00f3vis Rossi (1943-2019) declarou, em uma de suas colunas, que &#8220;se vivo fosse, Stanislaw teria hoje material para uns 500 festivais por dia, tal o n\u00edvel de besteiras que caracteriza a pol\u00edtica brasileira&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Febeap\u00e1 continua mais vivo que nunca&#8221;, endossa o historiador H\u00e9lio Dias da Costa, autor de\u00a0<i>Stanislaw Ponte Preta e a desconstru\u00e7\u00e3o da imagem da ditadura: uma an\u00e1lise da representa\u00e7\u00e3o sat\u00edrica do Febeap\u00e1<\/i>\u00a0(2008). &#8220;Stanislaw continua vivo nos espet\u00e1culos de &#8216;stand up comedy&#8217;, nos canais interativos de humor e at\u00e9 nos colunistas de jornal, r\u00e1dio e TV que atuam na desconstru\u00e7\u00e3o de mitos. Era um mestre na arte de aliar informa\u00e7\u00e3o e humor, e oferecer den\u00fancia sob a forma de gracejo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Quinze anos depois da declara\u00e7\u00e3o de Rossi, o ator e humorista Greg\u00f3rio Duvivier, apontado pelas filhas de S\u00e9rgio Porto como &#8216;herdeiro liter\u00e1rio&#8217; do pai, por fazer &#8220;uma cr\u00edtica feroz da pol\u00edtica e dos costumes&#8221;, assina embaixo. &#8220;S\u00e9rgio Porto \u00e9 um gigante. Foi com ele que entendi que humor pol\u00edtico \u00e9 redund\u00e2ncia. Mill\u00f4r Fernandes, que tive a sorte de conhecer, falava dele como de um irm\u00e3o. Os dois, ao lado do Nelson Rodrigues, formam a sant\u00edssima trindade do humor brasileiro. Que sorte a nossa!&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi assim que, em junho de 1966, Porto tomou conhecimento da estreia do espet\u00e1culo\u00a0Electra\u00a0no Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo. 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