{"id":323867,"date":"2020-07-05T09:30:00","date_gmt":"2020-07-05T12:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=323867"},"modified":"2020-07-05T09:30:00","modified_gmt":"2020-07-05T12:30:00","slug":"a-escritora-que-descobriu-que-seu-pai-era-o-braco-direito-de-manson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-escritora-que-descobriu-que-seu-pai-era-o-braco-direito-de-manson\/","title":{"rendered":"A escritora que descobriu que seu pai era o \u2018bra\u00e7o direito\u2019 de Manson"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Claire Vaye Watkins estreou com um livro de contos em que encara sua identidade<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/b5DF1FEGOfI1TMS3SY7sqhiEXWc=\/1500x0\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/6SYTTYYPB7XKHNFSF2YBU4KZ7U.jpg\" alt=\"Momento da pris\u00e3o de Charles Manson (\u00e0 esquerda) e alguns de seus seguidores.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Momento da pris\u00e3o de Charles Manson (\u00e0 esquerda) e alguns de seus seguidores.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">CONTRA EDITORIAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Laura Fern\u00e1ndez\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/laura-fernandez-dominguez\/\">LAURA FERN\u00c1NDEZ<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Claire_Vaye_Watkins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Claire Vaye Watkins<\/a>\u00a0s\u00f3 soube da fama criminosa de seu pai e de sua penetra\u00e7\u00e3o no imagin\u00e1rio coletivo da gera\u00e7\u00e3o dos anos 1960 nos Estados Unidos quando era tarde demais. Ao descobrir, j\u00e1 fazia quatro anos que ele estava debaixo da terra. A pequena Claire Vaye Watkins (Bishop, Calif\u00f3rnia, 1984) cresceu convencida de que\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Paul_Watkins_(Manson_Family)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Paul Watkins<\/a>, seu pai, que em outra \u00e9poca tinha sido o bra\u00e7o direito do assassino\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/charles_manson\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Charles Manson<\/a>, era um pai comum. Um bom pai que simplesmente teve m\u00e1 sorte e morreu antes do tempo. Mas ningu\u00e9m pode estar a salvo de tal maldi\u00e7\u00e3o para sempre. Claire, cujo surpreendente livro de contos\u00a0<em>Battleborn<\/em>, de 2012, acaba de ser lan\u00e7ado em espanhol com o t\u00edtulo de\u00a0<em>Nevada<\/em>, tinha 10 anos quando sua m\u00e3e lhe deu o tit\u00e2nico\u00a0<em>Manson: Retrato de um Crime Repugnante<\/em>\u00a0(<em>Helter Skelter<\/em>, no original em ingl\u00eas), ensaio de Vincent Bugliosi sobre os crimes da fam\u00edlia Manson: ao consultar o \u00edndice, descobriu que o nome de seu pai era mencionado em 36 p\u00e1ginas.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CMWUxP-NtuoCFVYGuQYd33gCig\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"f | margin_top pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/eRe87WoFoNngcErZ_RYvpSFBiEg=\/450x600\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/NCQLWM4KJOMKIUZW3EYORV45N4.jpg\" alt=\"Claire Vaye Watkins.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Claire Vaye Watkins.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m tinha hostilizado sua irm\u00e3 Lise no col\u00e9gio. Tinham dito a ela que era filha de um assassino e a menina, ent\u00e3o com nove anos, chegou chorando em casa e quis saber se era verdade. A primeira coisa que fez foi contar \u00e0 sua irm\u00e3 Claire, que olhou o recorte de jornal que a garota lhe deu e viu seu pai, de quem tinha uma lembran\u00e7a imprecisa, muito jovem em uma fotografia com Charles Manson. \u201cNaquela \u00e9poca, n\u00e3o sab\u00edamos quem era Charles Manson. Mas seu nome dava medo. Estava associado a algo diab\u00f3lico\u201d, assinalou em um artigo no\u00a0<em>The Guardian<\/em>. Correu para sua m\u00e3e. Seus p\u00e9s descal\u00e7os golpeando o piso de madeira de sua casa em Tecopa, Calif\u00f3rnia, em pleno Vale da Morte, no deserto de Mojave, em Nevada. Contou para ela. Sua m\u00e3e lhe passou\u00a0<em>Manson: Retrato de um Crime Repugnante<\/em>. O resto, como se costuma dizer, \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Uma hist\u00f3ria que poderia come\u00e7ar de muitas maneiras, como o conto com que abre seu livro,\u00a0<em>Nevada<\/em>, um texto mutante intitulado\u00a0<em>Ghosts, Cowboys<\/em>. Nele, recorda aquela en\u00e9sima vez em que \u2212 drogada, no quarto da resid\u00eancia universit\u00e1ria \u2212 contou a hist\u00f3ria de como, em um primeiro momento, seu pai foi seduzido por Manson e depois, quando viu que a coisa era s\u00e9ria e que algu\u00e9m estava perdendo a cabe\u00e7a com a can\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Helter Skelter<\/em>, dos Beatles, voltou atr\u00e1s e fugiu, para, uma vez descobertos os primeiros cad\u00e1veres, acabar testemunhando contra o cara que tinha sido seu Jesus Cristo particular durante muito tempo. (<em>Helter Skelter<\/em>\u00a0passou a fazer parte do universo de can\u00e7\u00f5es malditas quando Manson revelou que se inspirou nela para planejar os assassinatos da mulher de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/roman_polanski\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Roman Polanski<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sharon_tate\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Sharon Tate<\/a>, e seus convidados). Claire Vaye Watkins poderia lembrar tamb\u00e9m o que ocorreu no dia em que descobriu que seu pai tinha feito sexo oral em Charlie (como ele costumava cham\u00e1-lo). Os pais faziam esse tipo de coisas com assassinos?<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top pull_left width_half\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/2Y2V6he767CuyUdBuE10dBrhkAg=\/450x600\/arc-anglerfish-eu-central-1-prod-prisa.s3.amazonaws.com\/public\/CXTTBK3QILU2SR5TFW4HB4YIUE.jpg\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m poderia come\u00e7ar pelo momento em que se mudou para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/los_angeles\" data-link-track-dtm=\"\">Los Angeles<\/a>\u00a0e passou dia ap\u00f3s dia dizendo a si mesma que, embora n\u00e3o lhe custasse nada, fosse s\u00f3 quest\u00e3o de entrar no carro e dirigir, jamais iria ao rancho Spahn, lar da fam\u00edlia Manson e um dos cen\u00e1rios do monumental\u00a0<em>Era uma vez em&#8230; Hollywood<\/em>, o \u00faltimo filme de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/quentin_tarantino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Quentin Tarantino<\/a>. Aquele lugar para onde seu pai foi ao subir na demon\u00edaca van do grupo, convencido de que aquele pessoal s\u00f3 queria se divertir, transar muito e fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Talvez com essa inten\u00e7\u00e3o, com a inten\u00e7\u00e3o de invocar o fantasma de seu pai para afast\u00e1-lo de seu caminho definitivamente, Watkins d\u00e1 forma ao primeiro conto do livro, o conto dos mil in\u00edcios. Um conto que \u00e9 como uma boneca russa que revela aquilo de que nunca poder\u00e1 fugir \u2212 que \u00e9 filha de Paul Watkins, com tudo o que isso significa \u2212 em diferentes momentos de sua vida, da vida de seu pai e da vida dos que o cercavam, como o velho e cego George, que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/brad_pitt\" data-link-track-dtm=\"\">Brad Pitt<\/a>\u00a0visita em\u00a0<em>Era uma vez em&#8230; Hollywood.<\/em><\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, a escritora tra\u00e7a uma hist\u00f3ria do lugar remoto do mundo ao qual vai dedicar o livro.\u00a0<em>Ghosts, Cowboys<\/em>\u00a0\u00e9, poder\u00edamos dizer, o mapa sentimental do que est\u00e1 por vir: mais nove contos, de alento cartogr\u00e1fico \u2212 o protagonista \u00e9, como diz o t\u00edtulo em espanhol da cole\u00e7\u00e3o, o Estado de Nevada e sua peculiar e cruel paisagem \u2212 e \u00e1rido; um cruel e selvagem desencaixe existencial; 10 pe\u00e7as de tom g\u00f3tico, como o de Joy Williams,\u00a0<em>weird<\/em>, mas tamb\u00e9m visceral e maldito.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu pai n\u00e3o matou ningu\u00e9m. E n\u00e3o \u00e9 nenhum her\u00f3i. Esta n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria desse tipo\u201d, diz a narradora de\u00a0<em>Ghosts, Cowboys<\/em>, a pr\u00f3pria Claire Vaye Watkins. E a frase poderia se estender para os outros protagonistas do volume: garotas condenadas a ser brutalmente usadas e descartadas (<em>Rondine al Nido<\/em>), pessoas que n\u00e3o est\u00e3o onde deveriam (<em>The Past Perfect, the Past Continuous, the Simple Past<\/em>) e casais que, como nos contos de Raymond Carver e Richard Ford, discutem at\u00e9 ficar despeda\u00e7ados (<em>Wish You Were Here<\/em>).<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Por esta cole\u00e7\u00e3o de contos, que foi seguida por um romance apocal\u00edptico (<em>Gold Fame Citrus<\/em>) ambientado no deserto que ela n\u00e3o pode evitar habitar, no deserto onde nasceu e no qual viver\u00e1 para sempre em sua cabe\u00e7a, Watkins recebeu, entre outros, o pr\u00eamio Dylan Thomas. Ela agradeceria a seu pai e at\u00e9 a Charlie, diz, se pudesse. Porque, como lhe recorda a voz de Paul Watkins em seu iPod \u2212 de uma velha grava\u00e7\u00e3o que seu pai enviou, j\u00e1 doente, a um tal Nick em 1988 \u2212, \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada de errado em n\u00e3o saber quem voc\u00ea \u00e9\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claire Vaye Watkins estreou com um livro de contos em que encara sua identidade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":323868,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-323867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/mason.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=323867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/323867\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/323868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=323867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=323867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=323867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}