{"id":32427,"date":"2013-12-09T08:28:33","date_gmt":"2013-12-09T11:28:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=32427"},"modified":"2013-12-09T08:28:33","modified_gmt":"2013-12-09T11:28:33","slug":"como-os-casais-convivem-com-o-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-os-casais-convivem-com-o-hiv\/","title":{"rendered":"Como os casais convivem com o HIV"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil tem um programa de tratamento de infectados pelo HIV que \u00e9 refer\u00eancia internacional. Mais: o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade acaba de anunciar que todos os adultos com o v\u00edrus passar\u00e3o a ter direito de receber gratuitamente os medicamentos antirretrovirais, n\u00e3o importando se estejam ou n\u00e3o com o sistema imunol\u00f3gico abalado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-32429\" alt=\"ImageProxy (2)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ImageProxy-27-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/p>\n<div id=\"ecxnoticia\">\n<p>Esse acesso f\u00e1cil a medicamentos, que n\u00e3o curam mas combatem os efeitos nocivos da presen\u00e7a do HIV no organismo, deram mais qualidade de vida aos infectados. E, diferente dos soropositivos da d\u00e9cada de 80, os que convivem atualmente com o v\u00edrus conseguem trabalhar, estudar e ter uma vida produtiva.<\/p>\n<p>Por outro lado, o avan\u00e7o no tratamento criou a falsa sensa\u00e7\u00e3o de que a Aids deixou de ser um problema, que o v\u00edrus n\u00e3o traz maiores consequ\u00eancias para quem o contrai. Mas, como se v\u00ea nos depoimentos a seguir, lidar com uma doen\u00e7a incur\u00e1vel e debilitante requer cuidados ininterruptos. A vida nunca mais ser\u00e1 a mesma.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/siteiGay?fref=ts\" target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p>O atendente<strong>\u00a0Andr\u00e9<\/strong>, 39, que prefere n\u00e3o revelar o sobrenome por quest\u00f5es de privacidade, rebate essa impress\u00e3o com a experi\u00eancia de quem vive com HIV h\u00e1 13 anos. \u201cO conceito de algo cr\u00f4nico, que parece totalmente trat\u00e1vel, faz com que as pessoas percam o medo, mas \u00e9 preciso lembrar que o HIV \u00e9 algo letal\u201d, alerta ele, lembrando ainda que o soropositivo tem que tomar uma s\u00e9rie de medicamentos diariamente, que causam efeitos colaterais.<\/p>\n<div>\u201cO conceito de algo cr\u00f4nico, que parece totalmente trat\u00e1vel, faz com que as pessoas percam o medo, mas \u00e9 preciso lembrar que o HIV \u00e9 algo letal.&#8221; (Andr\u00e9)<\/div>\n<p>Diretor do Departamento de DST\/Aids e Hepatites Virais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade,<strong>\u00a0F\u00e1bio Mesquita<\/strong>foi categ\u00f3rico ao falar da quest\u00e3o durante a divulga\u00e7\u00e3o do \u00faltimo boletim epidemiol\u00f3gico da doen\u00e7a, no in\u00edcio desta semana. \u201cA Aids continua como um problema de sa\u00fade no Brasil\u201d, apontou Mesquita.<br \/>\nAl\u00e9m de Andr\u00e9, a reportagem do\u00a0<strong>iGay<\/strong>\u00a0conversou com outros homossexuais soropositivos ou que t\u00eam parceiros nesta condi\u00e7\u00e3o para entender, sem mitifica\u00e7\u00f5es, como \u00e9 conviver com o v\u00edrus, e as consequ\u00eancias que ele traz para o cotidiano dos envolvidos, inclusive na vida afetiva.Para a popula\u00e7\u00e3o LGBT \u00e9 um problema maior, j\u00e1 que a doen\u00e7a se manifesta com um \u00edndice de preval\u00eancia bem mais alto. De acordo com dados do boletim epidemiol\u00f3gico, entre homens gays, travestis e transexuais, o n\u00famero de afetados chega a 10%, contra 0,4% do \u00edndice geral. Neste grupo, considerado como priorit\u00e1rio para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, tamb\u00e9m s\u00e3o inclu\u00eddos, por quest\u00f5es t\u00e9cnicas, os profissionais do sexo e os usu\u00e1rios de drogas.<\/p>\n<p><strong>Riscos e preconceitos<\/strong><\/p>\n<p>Em 2000, quando descobriu que era HIV positivo, Andr\u00e9 ficou um m\u00eas sem conseguir beijar ou tocar o parceiro que vivia com ele na \u00e9poca. Hoje, em outro relacionamento, o atendente exerce plenamente sua afetividade com o namorado n\u00e3o infectado, mas confessa que ainda tem certos receios. \u201cUsamos preservativos, como todos deveriam usar, ali\u00e1s. Particularmente, evito tamb\u00e9m que objetos de uso pessoal, como tesoura de unha e aparelho de barbear, se misturem\u201d, explica.<\/p>\n<div>\u201cA doen\u00e7a pode ser considerada cr\u00f4nica, mas n\u00e3o deixa de ser grave. Voc\u00ea tem de tomar medica\u00e7\u00f5es com efeitos diversos e conviver com o preconceito.&#8221; (Adriano Silva de Oliveira)<\/div>\n<p>Talvez seja excesso de cuidado. O diretor do Centro de Refer\u00eancia de Tratamento de DST e HIV do Estado da Bahia,\u00a0<strong>Adriano Silva de Oliveira<\/strong>, esclarece que a contamina\u00e7\u00e3o por meio de objetos pessoais como estes \u00e9 m\u00ednima. \u201cAs chances de transmitir por itens de higiene pessoal s\u00e3o irris\u00f3rias\u201d. No entanto, ele alerta quanto aos cuidados necess\u00e1rios para evitar a transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a pode sim ser considerada cr\u00f4nica, mas n\u00e3o deixa de ser grave. S\u00f3 o fato de voc\u00ea ter que tomar medica\u00e7\u00f5es com efeitos diversos e conviver com o preconceito faz com que ela n\u00e3o seja algo sem riscos\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Sorodiscordantes<\/strong><\/p>\n<p>Os casais como o formado por Andr\u00e9 e o seu namorado, no qual um dos parceiros \u00e9 HIV positivo e o outro n\u00e3o, s\u00e3o chamados de sorodiscordantes pelos especialistas. Juntos h\u00e1 seis anos, o assessor administrativo\u00a0<strong>Felipe Gomes<\/strong>, 33, e o arquiteto\u00a0<strong>Jos\u00e9 Mauricio Lima<\/strong>, 42, vivem esta condi\u00e7\u00e3o. Felipe descobriu que estava infectado um ano antes de conhecer o companheiro.<\/p>\n<p>\u201cQuando o Jos\u00e9 me conheceu, ele j\u00e1 sabia da minha sorologia. Como ele \u00e9 esclarecido em rela\u00e7\u00e3o ao tema, n\u00e3o tivemos problemas\u201d, conta Felipe. Mas Jos\u00e9 lembra que eles tiveram que passar por restri\u00e7\u00f5es ao iniciar o relacionamento. \u201cNo come\u00e7o de uma rela\u00e7\u00e3o tudo \u00e9 muito intenso, o sexo \u00e9 mais imediato. Foi preciso ter cautela nesse sentido, mas de resto nossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 como outra qualquer\u201d, pontua o arquiteto.<\/p>\n<div>\u201c\u00c9 preciso saber que, sendo soropositivo, voc\u00ea ter\u00e1 de se adequar a uma nova realidade, perceber a exist\u00eancia de uma vulnerabilidade.&#8221; (Felipe Gomes)<\/div>\n<p>Felipe diz que o companheiro o ajuda muito nos cuidados com a sa\u00fade, sempre o lembrando de comer e tomar os rem\u00e9dios na hora certa. \u201c\u00c9 preciso saber que, sendo soropositivo, voc\u00ea ter\u00e1 que se adequar a uma nova realidade, perceber a exist\u00eancia de uma vulnerabilidade. Mas isso \u00e9 algo que todos n\u00f3s temos. Um amigo da minha idade, por exemplo, faleceu h\u00e1 pouco de infarto\u201d, exemplifica o assessor administrativo.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=ru8hSIPALGkh4fV718igIjBssjn1cMq45WIIhI%2bPWXI%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fi0.statig.com.br%2fbancodeimagens%2f9o%2fs8%2ffa%2f9os8fai5099khmavppdyewav2.jpg\" \/><figcaption><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>Silvana (\u00e0 esq) esperou cinco anos at\u00e9 que a companheira soropositiva Carina perdesse o medo de se relacionar<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 20 anos lidando com pacientes soropositivos, Adriano de Oliveira diz que se os devidos cuidados forem tomados um parceiro com HIV n\u00e3o contamina o outro. \u201cNunca tive um caso no qual um casal sorodiscordante se contaminou\u201d, afirma o especialista.<\/p>\n<p><strong>Cinco anos de espera<\/strong><\/p>\n<p>A cabeleira\u00a0<strong>Silvana Nelo da Silva<\/strong>, 26, se apaixonou cinco anos atr\u00e1s pela colega de profiss\u00e3o\u00a0<strong>Carina Regina Teles<\/strong>, 33, sem saber que ela era soropositiva. Quando Carina contou, sua rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi negativa. \u201cSou espiritualizada, e no fundo parece que eu j\u00e1 sabia que ela tinha o v\u00edrus. Meu sentimento n\u00e3o mudou, continuei gostando dela\u201d, afirma Silvana,<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o tinham tido nada muito s\u00e9rio at\u00e9 ent\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o continuou assim por cinco anos. \u201cEu tinha muito medo. A Silvana sempre me apoiou, mas eu n\u00e3o conseguia me relacionar mais profundamente. Tinha muito receio de machucar e causar dor nela. Mas ela soube esperar e neste ano eu acabei cedendo\u201d, revela Carina, que h\u00e1 30 dias vive com Carina numa casa na Zona Leste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Carina confessa que ainda se sente um pouco insegura. \u201cSempre pergunto para a Silvana se ela n\u00e3o pensa no pr\u00f3prio futuro. Sobre o que ela vai fazer se um dia n\u00e3o puder mais me tocar\u201d. A parceira responde de maneira otimista ao questionamento. \u201cNosso futuro \u00e9 criar nossos filhos e ficar juntas at\u00e9 estarmos velhinhas\u201d, projeta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos dois filhos do primeiro casamento de Carina, de 12 e 15 anos, o casal ainda cria uma filha de cinco meses rec\u00e9m-adotada. Silvana e Carina planejam aumentar a fam\u00edlia adotando mais uma menina.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ecxpaginacao\"><\/div>\n<div><\/div>\n<p>Fonte: iG<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem um programa de tratamento de infectados pelo HIV que \u00e9 refer\u00eancia internacional. Mais: o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade acaba de anunciar que todos os adultos com o v\u00edrus passar\u00e3o a ter direito de receber gratuitamente os medicamentos antirretrovirais, n\u00e3o importando se estejam ou n\u00e3o com o sistema imunol\u00f3gico abalado. 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