{"id":324271,"date":"2020-07-08T08:19:00","date_gmt":"2020-07-08T11:19:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=324271"},"modified":"2020-07-08T08:19:00","modified_gmt":"2020-07-08T11:19:00","slug":"a-cura-do-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-cura-do-hiv\/","title":{"rendered":"A cura do HIV"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Estudo da Unifesp \u00e9 o primeiro no mundo a obter \u00eaxito s\u00f3 com o uso de medicamentos. \u201cAinda n\u00e3o sabemos se ele est\u00e1 curado\u201d, pondera coordenador da descoberta ao EL PA\u00cdS<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/BVM-zQOm2_t4TZwRxq4K7yyzxlE=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/7ZOMVW3YUFHSRDHGNX22MTBPGE.jpeg\" alt=\"Ricardo Sobhie Diaz, infectologista da Unifesp que coordena estudo in\u00e9dito sobre o HIV.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Ricardo Sobhie Diaz, infectologista da Unifesp que coordena estudo in\u00e9dito sobre o HIV.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">UNIFESP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Marina Rossi\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marina-rossi-fernandes\/\">MARINA ROSSI<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) afirmam ter conseguido, pela primeira vez por meio de medicamentos, eliminar o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sida\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">HIV<\/a>\u00a0do organismo de um paciente soropositivo. O homem, um brasileiro de 34 anos diagnosticado com o v\u00edrus em 2012, \u00e9 o primeiro caso em todo o mundo de um paciente que passa a ter o v\u00edrus indetect\u00e1vel, e por um longo prazo, depois de tomar um coquetel intensificado de v\u00e1rios rem\u00e9dios contra a AIDS. O estudo ser\u00e1 apresentado na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aids2020.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">23\u00aa Confer\u00eancia Internacional de AIDS<\/a>, o maior congresso do mundo sobre o assunto, que teve in\u00edcio nesta segunda-feira e ocorre de maneira remota por causa da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pandemia de coronav\u00edrus<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O infectologista Ricardo Sobhie Diaz, coordenador do estudo e diretor do Laborat\u00f3rio de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Unifesp, explica que esse \u00e9 um passo importante, mas que ainda h\u00e1 uma caminhada longa pela frente. \u201cAinda n\u00e3o sabemos se ele est\u00e1 curado\u201d, afirmou, por telefone, ao EL PA\u00cdS. \u201cVamos refazer a pesquisa, usando os medicamentos que observamos que funcionaram melhor, e com um novo grupo de pacientes\u201d.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 hoje\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/05\/ciencia\/1551773416_683564.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">apenas tr\u00eas casos<\/a>\u00a0s\u00e3o considerados como cura erradicativa da AIDS em todo o mundo. S\u00e3o pacientes nos quais o v\u00edrus foi completamente removido e n\u00e3o se reapresentaram no organismo: um caso ocorreu na Inglaterra e dois na Alemanha. Nos tr\u00eas casos, os pacientes, tamb\u00e9m v\u00edtimas de leucemia, receberam um transplante de medula \u00f3ssea de doadores que n\u00e3o produzem uma determinada prote\u00edna, cuja presen\u00e7a no sangue \u00e9 necess\u00e1ria para que o HIV possa se reproduzir. O estudo brasileiro \u00e9, portanto, o primeiro a lograr \u00eaxito somente com tratamento medicamentoso, sem transplante de medula.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Diaz explica que para realizar a pesquisa foram recrutados 30\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/03\/12\/internacional\/1426177299_837721.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pacientes soropositivos.<\/a>\u00a0Todos deveriam estar em tratamento com o coquetel antirretroviral \u2014que \u00e9 praxe no caso de soropositivos\u2014, e os medicamentos deveriam estar funcionando h\u00e1 ao menos dois anos. Eles foram divididos em seis grupos de cinco pessoas e cada grupo recebeu uma combina\u00e7\u00e3o diferente de medicamentos, al\u00e9m do tratamento padr\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O grupo com o melhor resultado foi o que recebeu dois antirretrovirais a mais que os outros, o Dolutegravir e o Maraviroc. Al\u00e9m disso, eles tamb\u00e9m receberam a Nicotinamida e a Auranofina. Grosso modo, essas drogas atuam em diferentes frentes, tanto estimulando a imunidade, quanto fazendo com que o v\u00edrus \u201capare\u00e7a\u201d no organismo, isto \u00e9, tirando ele do estado de lat\u00eancia e possibilitando ent\u00e3o que os anticorpos o encontrem e o combatam. Deste grupo, um paciente \u00e9 o que marcou o sucesso da pesquisa: ele est\u00e1 h\u00e1 17 meses sem a presen\u00e7a do v\u00edrus no corpo. \u201cEu me sinto livre\u201d, disse, sob anonimato, \u00e0 rede CNN.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O infectologista Valdez Madruga, coordenador do comit\u00ea de HIV da Sociedade Brasileira de Infectologia, classifica o estudo como \u201cbastante promissor\u201d. \u201cSe um paciente em cinco est\u00e1 livre do v\u00edrus, isso significa uma taxa de 20% de sucesso\u201d, diz. \u201cSe esse tratamento foi capaz de curar uma pessoa, h\u00e1 esperan\u00e7a para outras pessoas que possam entrar nessa mesma circunst\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de estudo, realizado em pequena escala, \u00e9 o que cientistas chamam de prova do conceito. A primeira fase durou 48 semanas e a nova etapa da pesquisa, que al\u00e9m dos 30 pacientes iniciais convocar\u00e1 mais outros 30, deve ter in\u00edcio at\u00e9 o final do ano, segundo Ricardo Diaz. \u201cE os primeiros resultados j\u00e1 aparecem depois de seis meses que eles est\u00e3o tomando os medicamentos\u201d, explica.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">\u201cCura\u201d<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O HIV \u00e9 o v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana. Ele ataca o sistema imunol\u00f3gico e pode desenvolver a AIDS, doen\u00e7a cujos primeiros casos foram notificados no in\u00edcio dos anos 80. Muitas pessoas em todo o mundo convivem com o v\u00edrus, mas, no entanto, n\u00e3o desenvolvem a doen\u00e7a. Ainda assim, quem carrega o v\u00edrus no corpo pode transmiti-lo para outras pessoas mesmo sem nunca ter manifestado a enfermidade.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No mundo todo,\u00a0<a href=\"https:\/\/unaids.org.br\/estatisticas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">a Unaids<\/a>, programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o combate \u00e0 AIDS, calcula que cerca de 38 milh\u00f5es de pessoas convivem com o HIV atualmente. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade estimava que at\u00e9 o ano passado, 866.000 pessoas viviam com o v\u00edrus. Relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas do ano passado mostra que a taxa de cont\u00e1gio do v\u00edrus cresceu 7% entre 2010 e 2018 na Am\u00e9rica Latina, uma alta\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/16\/ciencia\/1563291795_328105.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">puxada pelo Brasil<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Os casos que s\u00e3o considerados como cura erradicativa, ou seja, em que os pacientes se livraram do v\u00edrus sem que ele voltasse, s\u00e3o tr\u00eas at\u00e9 o momento. O primeiro foi o do norte-americano Timothy Ray Brown, hoje com 54 anos. Al\u00e9m de HIV, ele tinha leucemia e por isso passou por um transplante de medula \u00f3ssea. Como j\u00e1 explicado, a estrat\u00e9gia usada foi encontrar um doador que n\u00e3o produzisse uma certa prote\u00edna que \u00e9 essencial para que o HIV se reproduza. Pessoas que n\u00e3o produzem essa prote\u00edna t\u00eam uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica rara\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/02\/02\/ciencia\/1454432975_274300.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">que causa uma distrofia muscular e tamb\u00e9m as torna imunes ao v\u00edrus<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Encontrado o doador nessas condi\u00e7\u00f5es e feito o transplante, Brown venceu o HIV em 2007 e ficou conhecido como \u201cpaciente de Berlim\u201d, pois vivia na capital alem\u00e3. Quase 12 anos depois, a mesma estrat\u00e9gia foi utilizada em um paciente em Londres, em um caso chamado pelos pesquisadores de \u201cremiss\u00e3o em longo prazo\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/05\/ciencia\/1551773416_683564.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">O terceiro caso<\/a>\u00a0\u00e9 conhecido como \u201cpaciente de D\u00fcsseldorf\u201d, cidade na Alemanha onde vive o paciente que tamb\u00e9m recebeu um transplante de medula \u00f3ssea nos mesmos moldes que os dois primeiros, em 2013, e est\u00e1 em acompanhamento. At\u00e9 o momento, ele n\u00e3o teve mais detectada a carga viral do HIV no organismo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Experimento in\u00e9dito brasileiro deixa paciente livre de HIV e eleva esperan\u00e7a para a cura da AIDS<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":324272,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-324271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/laboratorio-hiv.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=324271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/324271\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/324272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=324271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=324271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=324271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}