{"id":325516,"date":"2020-07-20T07:47:00","date_gmt":"2020-07-20T10:47:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=325516"},"modified":"2020-07-20T07:47:00","modified_gmt":"2020-07-20T10:47:00","slug":"aparar-toda-a-agua-da-chuva-e-tirar-o-sustento-dessa-terra-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/aparar-toda-a-agua-da-chuva-e-tirar-o-sustento-dessa-terra-seca\/","title":{"rendered":"Aparar toda a \u00e1gua da chuva e tirar o sustento dessa terra seca"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg especial | flex container_column align_items_center text_align_center padding_h_xxl\">\n<h2 class=\"a_st font_primary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nos primeiros meses do ano que o sert\u00e3o espera a chuva para atravessar a seca. O pequeno agricultor agora tem a cisterna como um patrim\u00f4nio que exige cuidado constante e reinventa formas de sobreviver. A mobiliza\u00e7\u00e3o social ali dissemina conhecimento<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art | especial row breakout\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/er8JYZzti4kvSusmAFEKI8-PxNM=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/NV2EJUPN2JHQDCQGHAD2DT2ERQ.jpg\" alt=\"A agricultora Ant\u00f4nia M\u00e1rcia da Silva Lopes.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">A agricultora Ant\u00f4nia M\u00e1rcia da Silva Lopes.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w |  flex\n          justify_center relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  especial text_align_center\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap justify_center\"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Beatriz Juc\u00e1\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/beatriz-juca-pinheiro\/\">BEATRIZ JUC\u00c1<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_12 tablet_8 mobile_4 row\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark initial_letter especial col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"\">Do alpendre da casa que divide com o marido na zona rural do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sertao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sert\u00e3o cearense<\/a>, Ant\u00f4nia M\u00e1rcia da Silva Lopes observa, at\u00f4nita, a chuva que cai sobre o telhado. Nos \u00faltimos seis anos, o que choveu no inverno \u2014no Nordeste, o inverno \u00e9 quando cai a chuva, na primeira metade do ano\u2014, deu pra encher a cisterna, mas n\u00e3o rep\u00f4s as \u00e1guas dos a\u00e7udes. \u00c9 mar\u00e7o de 2019, e ela sabe que a cisterna menor vai encher e que a fam\u00edlia dela vai ter \u00e1gua para beber no ver\u00e3o, mas o pensamento est\u00e1 focado no que escorre pela terra vermelha do seu terreno.<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 Meu Deus, tanta \u00e1gua estragando! \u2014 comenta com o marido Jos\u00e9 Carlos.<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 Mulher, e tu quer aparar toda a \u00e1gua da chuva? Deixa de ser esfomeada por \u00e1gua \u2014 ele diz, rindo.<\/p>\n<p class=\"\">\u2014 N\u00e3o, Ded\u00e9. \u00c9 porque a gente sabe a precis\u00e3o que passa todo ver\u00e3o. E quando v\u00ea essa \u00e1gua toda indo embora assim, d\u00e1 vontade de sair pra abra\u00e7ar e juntar tudo. J\u00e1 pensou se a gente tivesse \u00e1gua de cisterna que desse tamb\u00e9m pra lavar a roupa e tomar banho?<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-MPU2\" class=\"ad-center-rail\"><\/div>\n<p class=\"\">Ant\u00f4nia M\u00e1rcia \u00e9 conhecida como Marcinha na comunidade do Bom Jardim, zona rural do munic\u00edpio de Quixad\u00e1. Tem duas cisternas, uma pra beber e outra pra produzir, mas a \u00e1gua de uso geral ainda vem do a\u00e7ude. Ela cresceu naquela regi\u00e3o, uma das mais \u00e1ridas do Cear\u00e1,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/01\/politica\/1470076598_000832.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">bebendo \u00e1gua de po\u00e7o<\/a>\u00a0ou dos carros pipa do Governo, quando ano a ano o inverno parecia fracassar ainda mais. \u201cEu fui criada bebendo \u00e1gua de qualquer buraco. Dava a primeira chuva, e a gente bebia aquela \u00e1gua do riachinho que se formava e parecia suco de folha. Hoje voc\u00ea v\u00ea \u00e1gua do a\u00e7ude e n\u00e3o tem coragem de beber porque \u00e9 polu\u00edda. Eu aprendi a dar valor \u00e0 \u00e1gua pelo sofrimento\u201d, ela diz, enquanto ajeita o vestido, sentada em uma cadeira na mesma varanda onde, mais de um ano atr\u00e1s, queria aparar toda a \u00e1gua da chuva. Depois de ter sentido o gosto da \u00e1gua de qualidade ao ganhar uma cisterna em 2013, se recusa a preencher o reservat\u00f3rio com outra \u00e1gua que n\u00e3o seja a da chuva. \u201cNa minha cisterna n\u00e3o entra \u00e1gua salgada de caminh\u00e3o pipa, n\u00e3o. O que \u00e9 meu t\u00e1 aqui pra eu cuidar. Eu fui pra guerra pra ganhar essa cisterna\u201d, diz.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/Szi0-IWMv6WY1y6m7b5FJJqDJ_4=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/ZNLQPS4T3BA2XKYVMAK7H5EZPM.jpg\" alt=\"Marcinha, em frente \u00e0 cisterna onde armazena a \u00e1gua para beber. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Marcinha, em frente \u00e0 cisterna onde armazena a \u00e1gua para beber.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Marcinha\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/22\/opinion\/1553282820_982188.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">caminhava seis quil\u00f4metros todos os dias<\/a>\u00a0para participar dos cursos de uma ONG respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/mds.gov.br\/assuntos\/seguranca-alimentar\/acesso-a-agua-1\/programa-cisternas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">programa do Governo Federal<\/a>, uma exig\u00eancia para ser contemplada com a tecnologia social. O marido, que at\u00e9 ent\u00e3o fazia servi\u00e7os gerais quando a ro\u00e7a n\u00e3o segurava, abra\u00e7ou uma nova profiss\u00e3o que surgiu no semi\u00e1rido: a de cisterneiro. Foi por meio da mobiliza\u00e7\u00e3o social que ronda o programa que eles aprenderam que n\u00e3o basta ter o reservat\u00f3rio em casa, \u00e9 preciso cuidar dele ano a ano, com limpezas e reformas, para manter o que d\u00e1 a seguran\u00e7a de que vai ter o que beber no ver\u00e3o. E que cisterna \u00e9 algo que n\u00e3o se pode secar totalmente nunca, pra n\u00e3o correr o risco dela rachar. \u201cEu sempre deixo meio metro de \u00e1gua l\u00e1, mesmo na seca\u201d, diz. A cisterna voltou a encher completamente nas chuvas abundantes que deram neste ano de 2020. Se na regi\u00e3o, inverno \u00e9 quando cai a chuva, para Marcinha, \u00e9 \u00e9poca de correr contra o tempo para plantar o que conseguir nos terrenos dos vizinhos, com quem divide o trabalho e a colheita de milho e fava.<\/p>\n<aside class=\"quote quote_pull |   color_gray_dark\">\n<blockquote class=\"flex container_column align_items_center text_align_center\">\n<div>Eu fui criada bebendo \u00e1gua de qualquer buraco. Hoje voc\u00ea v\u00ea \u00e1gua do a\u00e7ude e n\u00e3o tem coragem de beber porque \u00e9 polu\u00edda. Eu aprendi a dar valor \u00e0 \u00e1gua pelo sofrimento.<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p class=\"\">\u00c9 assim desde a inf\u00e2ncia, quando os pais plantavam legumes pr\u00f3ximo aos a\u00e7udes que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sequia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">secavam no ver\u00e3o<\/a>. O que mudou foi o destino do que sobrava do consumo familiar. Se antes o alimento estragava ou ia para o lixo, agora ele \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-02-02\/do-mar-ao-sertao-do-nordeste-mulheres-promovem-uma-revolucao-silenciosa-e-derrubam-cliches.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">vendido em feiras agroecol\u00f3gicas<\/a>. \u201cA gente vende o que sobra e j\u00e1 \u00e9 uma renda extra\u201d, diz Marcinha, que fala como se o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-02-12\/boris-cyrulnik-a-desigualdade-social-comeca-nos-mil-primeiros-dias-de-vida.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mundo de sua inf\u00e2ncia<\/a>, quando roupa nova s\u00f3 existia pra ela no m\u00e1ximo uma vez por ano e se houvesse safra de algod\u00e3o, agora fosse distante. \u201cA gente andava com chinelo de uma cor e outro de outra, os cabresto tudo quebrado e amarrado de arame. Voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais isso aqui, n\u00e3o. Hoje em dia, se voc\u00ea tem uma galinha, o ovo que sobra da sua alimenta\u00e7\u00e3o voc\u00ea vende. Eu hoje tenho uma renda pouca, mas que \u00e9 minha\u201d, conta. Com a pandemia do coronav\u00edrus, as feiras agroecol\u00f3gicas foram paralisadas, mas os agricultores t\u00eam tentado vender pelo menos parte da produ\u00e7\u00e3o em feiras\u00a0<i>online<\/i>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-MPU3\" class=\"ad-center-rail\"><\/div>\n<p class=\"\">A crise econ\u00f4mica gerada pela pandemia tamb\u00e9m chega pra eles, mas os quintais produtivos que t\u00eam gra\u00e7as ao programa da cisterna d\u00e3o alguma seguran\u00e7a que alguma comida vai ter \u00e0 mesa. E os aprendizados trazidos pelo programa os fizeram reinventar a forma de conviver com a seca e melhor aproveitar os recursos que t\u00eam, com a cria\u00e7\u00e3o de animais mais adequados ao clima e armazenamento de gr\u00e3os. \u201cO povo fica impressionado como eu tiro meu sustento daqui dessa terra seca, porque voc\u00ea olha e n\u00e3o v\u00ea nada. Mas eu tenho acelga, berinjela, tomate, piment\u00e3o. A\u00ed vou na feira da vila e vendo tudinho. Isso j\u00e1 me d\u00e1 o dinheiro pra uma mistura, pra uma presta\u00e7\u00e3o. E assim eu vou levando a minha vida\u201d, conta Marcinha.<\/p>\n<p class=\"\">Marcinha n\u00e3o come de carne de bode nem comemora anivers\u00e1rio porque s\u00e3o duas coisas que transportam a sua mem\u00f3ria ao dia em que fez cinco anos. O pai, que havia matado um bode para oferecer aos padrinhos dela, disse que a partir daquele momento ela moraria com eles porque j\u00e1 n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es de cri\u00e1-la, junto com outros quatro irm\u00e3os, da agricultura diante de tantos ver\u00f5es secos. Marcinha foi embora chorando e, por mais que pedisse para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/06\/23\/politica\/1466634623_111554.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ir \u00e0 escola<\/a>, mal p\u00f4de estudar porque precisava ajudar a m\u00e3e adotiva com trabalhos de croch\u00ea que vendia. \u201cMinha madrinha dizia que, pra eu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/11\/internacional\/1499730942_327972.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">aprender a assinar o nome<\/a>, n\u00e3o precisava sair de casa. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o podia brincar, ent\u00e3o fui trabalhar\u201d, conta. S\u00f3 lhe era permitido brincar com uma boneca aos domingos e se ela houvesse cumprido o que a madrinha esperava que produzisse durante a semana.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/YZ_au_xrvO0HywJbIZRBiRGJ1MM=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/H26BIA3FPZDERGQSU6ZHIAVRTE.jpg\" alt=\"Marcinha faz pe\u00e7as de croch\u00ea desde a inf\u00e2ncia.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Marcinha faz pe\u00e7as de croch\u00ea desde a inf\u00e2ncia.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Marcinha casou aos 16 anos. Mal havia conclu\u00eddo o segundo ano do ensino fundamental, quando engravidou do primeiro filho, no ano seguinte. Pariu no meio de uma grande seca, que castigou o sert\u00e3o durante quatro anos. O filho nunca tomou uma mamadeira grande porque a fam\u00edlia n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es, e ela trabalhava lavando roupa e fazendo faxina para completar a renda de casa. \u201cMas eu sempre pensava que, no dia que tivesse chance, ia estudar\u201d, lembra. Concluiu os estudos muitos anos depois, gra\u00e7as \u00e0s aulas do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.educabrasil.com.br\/telecurso-2000\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Telecurso 2000<\/a>, um programa de TV que ensinava disciplinas do ensino fundamental e m\u00e9dio. Mas conhecimento mesmo Marcinha diz que s\u00f3 conquistou depois que ganhou a primeira cisterna. \u201cEu passei a dar valor ao que eu produzia e aprendi que, dessa terra onde tantas vezes me perguntei se ia ser capaz de sobreviver, a gente pode aproveitar tudo. Vi que tinha uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/07\/ciencia\/1546886930_365422.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">riqueza que n\u00e3o sabia usar<\/a>\u201d, diz.<\/p>\n<aside class=\"quote quote_pull |   color_gray_dark\">\n<blockquote class=\"flex container_column align_items_center text_align_center\">\n<div>Aprendi que, dessa terra onde tantas vezes me perguntei se ia ser capaz de sobreviver, a gente pode aproveitar tudo<\/div>\n<p><cite class=\"uppercase font_primary \">ANT\u00d4NIA M\u00c1RCIA<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/aside>\n<p class=\"\">Marcinha vive hoje implantando o que aprendeu nas in\u00fameras reuni\u00f5es e cursos que participou com agricultores da regi\u00e3o e entidades da sociedade civil respons\u00e1veis por executar o programa do Governo Federal. \u201cEssa cisterna pra mim \u00e9 uma riqueza, \u00e9 mesmo que voc\u00ea ganhar na loteria\u201d, ela diz. E n\u00e3o fala s\u00f3 por ter dois reservat\u00f3rios pra aparar \u00e1gua da chuva, mas porque foi a partir do programa que passou a conhecer melhor o seu lugar e a\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2014\/03\/20\/planeta_futuro\/1395320459_604628.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">reinventar formas de conviver com o semi\u00e1rido<\/a>.<\/p>\n<aside class=\"quote quote_pull |   color_gray_dark\">\n<blockquote class=\"flex container_column align_items_center text_align_center\">\n<div>Hoje eu sou formada, e n\u00e3o troco o meu diploma pelo de m\u00e9dico nenhum. Eu entendo o lugar onde eu vivo.<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<p class=\"\">A experi\u00eancia ali a levou para muitas outras cidades brasileiras e tamb\u00e9m para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/04\/internacional\/1543931349_443986.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">outros pa\u00edses<\/a>\u00a0do chamado\u00a0<a href=\"http:\/\/www.fao.org\/americas\/noticias\/ver\/pt\/c\/1252193\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">corredor seco da Am\u00e9rica Latina<\/a>, onde ela participa de eventos para compartilhar sua experi\u00eancia. Ali, explica as t\u00e9cnicas de gotejamento que desenvolveu para aguar as planta\u00e7\u00f5es economizando \u00e1gua, e conta como aprendeu a reutilizar a \u00e1gua do banho e da roupa para aguar as fruteiras. Fala tamb\u00e9m do minhoc\u00e1rio que mant\u00e9m para fazer a compostagem utilizada na produ\u00e7\u00e3o de seus org\u00e2nicos, mas que tamb\u00e9m \u00e9 vendido e lhe d\u00e1 uma nova renda. \u201cHoje eu sou formada, e n\u00e3o troco o meu diploma pelo de m\u00e9dico nenhum. T\u00e1 pensando que meu conhecimento n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o rico como o teu? Eu entendo o lugar onde eu vivo. Isso \u00e9 o maior privil\u00e9gio que eu poderia ter\u201d, diz.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div><iframe id=\"datawrapper-chart-fRaD0\" title=\"O semi\u00e1rido brasileiro\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/fRaD0\/1\/\" height=\"400\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" aria-label=\"Brazil macroregions Symbol map\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<section class=\"w w__tag | margin_vertical col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">\n<div class=\"w_b\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do alpendre da casa que divide com o marido na zona rural do\u00a0sert\u00e3o cearense, Ant\u00f4nia M\u00e1rcia da Silva Lopes observa, at\u00f4nita, a chuva que cai sobre o telhado. Nos \u00faltimos seis anos, o que choveu no inverno \u2014no Nordeste, o inverno \u00e9 quando cai a chuva, na primeira metad<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":325517,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-325516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cisterna.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325516\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/325517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}