{"id":325651,"date":"2020-07-21T07:13:58","date_gmt":"2020-07-21T10:13:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=325651"},"modified":"2020-07-21T07:13:58","modified_gmt":"2020-07-21T10:13:58","slug":"veio-a-peste-mas-neste-ano-deus-mandou-a-chuva-para-encher-a-cisterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/veio-a-peste-mas-neste-ano-deus-mandou-a-chuva-para-encher-a-cisterna\/","title":{"rendered":"&#8220;Veio a peste, mas neste ano Deus mandou a chuva para encher a cisterna\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg especial | flex container_column align_items_center text_align_center padding_h_xxl\">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_primary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">As cisternas, uma pol\u00edtica p\u00fablica que vem sendo descontinuada no Brasil nos \u00faltimos anos, s\u00e3o um alento para as fam\u00edlias do sert\u00e3o durante a pandemia do coronav\u00edrus. Gra\u00e7as a elas, fam\u00edlias t\u00eam \u00e1gua no quintal de casa e algum meio para evitar a fome e garantir a perman\u00eancia delas no campo em meio \u00e0s atuais crises sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art | especial row breakout\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/tHFssx0BvNCiTBILM_9FI7DPZZU=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/KO7DFNQR4ZAPVAGEPQUNJG6S3Q.jpg\" alt=\"Francisco Monteiro e a esposa, Zuleide de Souza.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">Francisco Monteiro e a esposa, Zuleide de Souza.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w |  flex\n          justify_center relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  especial text_align_center\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap justify_center\"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Beatriz Juc\u00e1\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/beatriz-juca-pinheiro\/\">BEATRIZ JUC\u00c1<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_12 tablet_8 mobile_4 row\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark initial_letter especial col desktop_8 tablet_8 mobile_4 margin_center\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Mudou a paisagem no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sertao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sert\u00e3o<\/a>. As numerosas antenas parab\u00f3licas que antes chamavam a aten\u00e7\u00e3o sobre os telhados na beira da estrada agora parecem discretas diante de pomposas estruturas redondas e brancas que quase engolem as fachadas das casas mais simples. Desde que as cisternas, pequenos reservat\u00f3rios de concreto, come\u00e7aram a entrar no Or\u00e7amento p\u00fablico no Brasil, h\u00e1 20 anos, 1,3 milh\u00e3o de fam\u00edlias de baixa renda que vivem da ro\u00e7a no semi\u00e1rido passaram a acessar um direito b\u00e1sico: o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/22\/opinion\/1553282820_982188.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ter \u00e1gua pra beber<\/a>\u00a0ao lado de casa. Hoje, 343.000 delas t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de armazenar \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. As cisternas foram constru\u00eddas pelo poder p\u00fablico para que cada casa tivesse seu reservat\u00f3rio e n\u00e3o dependesse de governantes para garantir \u00e1gua. Houve um tempo de extrema mis\u00e9ria em que se trocava \u00e1gua por votos. As cisternas, que aparam a \u00e1gua da chuva dos primeiros meses do ano para que o agricultor consiga atravessar o ver\u00e3o seco, s\u00e3o um alento para milhares de fam\u00edlias rurais enquanto o Brasil atravessa as graves crises sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica pela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pandemia do coronav\u00edrus<\/a>. Gra\u00e7as a elas, t\u00eam \u00e1gua no quintal para beber e plantar. Um direito b\u00e1sico capaz de afastar a fome e o \u00eaxodo que marcam a vida de tantas fam\u00edlias no sert\u00e3o brasileiro, castigadas por uma hist\u00f3rica falta de pol\u00edticas p\u00fablicas para conviver com a seca.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cVeio a peste, mas neste ano Deus mandou a chuva para encher a cisterna\u201d, celebra o agricultor Francisco Monteiro. A vida da fam\u00edlia dele, n<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/12\/11\/album\/1576098932_829930.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">o sert\u00e3o central cearense, mudou com a pandemia.\u00a0<\/a>A venda dos alimentos que produz nas feiras agroecol\u00f3gicas pelas comunidades vizinhas acabou. Ele ainda tentou vend\u00ea-los em feiras online, mas as medidas restritivas da comunidade impuseram que a vizinhan\u00e7a s\u00f3 pode deixar o distrito \u00e0s segundas e quintas. Como o dia de entrega no mercado online organizado por entidades da sociedade civil \u00e9 a quarta-feira, ele acabou desistindo. O dinheiro que entra todo m\u00eas diminuiu, mas ele comemora que este ano choveu bem e encheu as duas cisternas que tem: uma com \u00e1gua para beber e outra para a produ\u00e7\u00e3o de frutas e legumes, que segue firme no quintal de casa. N\u00e3o tem faltado comida \u00e0 mesa. E nem a fam\u00edlia tem precisado deixar o isolamento social para buscar \u00e1gua nos a\u00e7udes, que foram enfim abastecidos com as chuvas deste ano. \u201cQuem tem cisterna em casa, est\u00e1 escapando bem. Estamos levando na mar\u00e9 mansa porque esse v\u00edrus \u00e9 uma coisa que veio determinado. A gente sabe que as feiras n\u00e3o podem voltar agora. Mas eu continuo com a planta\u00e7\u00e3o pequena e tenho o que comer\u201d, diz Monteiro.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Com a crise provocada pela pandemia, o n\u00famero de pessoas em condi\u00e7\u00f5es de extrema pobreza deve chegar a 83,4 milh\u00f5es na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, segundo estima um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cepal.org\/es\/publicaciones\/45702-como-evitar-que-la-crisis-covid-19-se-transforme-crisis-alimentaria-acciones\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">estudo apresentado<\/a>\u00a0pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) e pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL). Essas duas entidades clamam para que os pa\u00edses desenvolvam pol\u00edticas de combate \u00e0 fome diante da gravidade do problema. No Brasil n\u00e3o est\u00e3o desenhadas pol\u00edticas nesse sentido para os pequenos agricultores. O Congresso Nacional ainda discute um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra;jsessionid=96436B2396E54B27A69ADEECFFA9CDC1.proposicoesWebExterno2?codteor=1867396&amp;filename=PL+735\/2020\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">plano emergencial para camponeses por conta da pandemia<\/a>. As cisternas, uma solu\u00e7\u00e3o que tem amenizado a fome no semi\u00e1rido brasileiro, n\u00e3o est\u00e3o garantidas \u2015apenas autorizadas\u2015 no projeto que deve ser votado esta semana. Elas j\u00e1 vinham sob amea\u00e7a nos \u00faltimos anos. Os recursos para constru\u00ed-las, reduzidos ano ap\u00f3s ano, tiveram a previs\u00e3o hist\u00f3rica or\u00e7ament\u00e1ria mais baixa neste segundo ano de Governo Bolsonaro (de 50,7 milh\u00f5es de reais). A tecnologia, que mostra a sua relev\u00e2ncia tamb\u00e9m neste momento de pandemia, h\u00e1 anos vem transformando a vida das fam\u00edlias no semi\u00e1rido brasileiro.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/gkRAkVDdbFgqVFsWEmn2PhzGnzs=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/CUCXUCU54FDLVKLBSCAQZ7WMHY.jpg\" alt=\"Cisternas em uma comunidade de Senador Pompeu, no Cear\u00e1.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Cisternas em uma comunidade de Senador Pompeu, no Cear\u00e1.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Para quem vive ali, parece at\u00e9 milagre ver a seca rachar o ch\u00e3o dos a\u00e7udes quando a chuva n\u00e3o vem e n\u00e3o precisar migrar em busca de recurso e trabalho pra sobreviver.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sequia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Seca<\/a>\u00a0grande nunca abandonou o sert\u00e3o brasileiro, o que vinha mudando nos \u00faltimos anos era a \u201cmaneira de atravess\u00e1-la\u201d. \u201cPra viver aqui nesse clima voc\u00ea tem que ser o g\u00eanio da l\u00e2mpada. Tem que\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/elpais\/2014\/03\/20\/planeta_futuro\/1395320459_604628.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">saber inventar \u00e1gua<\/a>\u201d, diz o agricultor Francisco Monteiro, enquanto puxa no bra\u00e7o uma corda amarrada em uma esp\u00e9cie de cilindro de metal adaptado por ele para retirar a \u00e1gua que encontrou cinco metros abaixo do ch\u00e3o. Era novembro de 2019, per\u00edodo de seca, quando ele recebeu a reportagem em sua casa. E exibiu orgulhoso o po\u00e7o \u2014um cano com menos de 30 cent\u00edmetros de di\u00e2metro\u2014 que ele mesmo cavou a cerca de 100 metros da casa onde mora com a esposa Zuleide de Souza. Teve a sorte de ainda encontrar \u00e1gua numa regi\u00e3o de reservat\u00f3rios subterr\u00e2neos escassos e ampliar os canteiros onde planta legumes e hortali\u00e7as. Mas quando a \u00e1gua da terra colapsa, como j\u00e1 aconteceu tantas vezes, \u00e9 a cisterna que segura pelo menos parte da lavoura no simb\u00f3lico be-erre-\u00f3-br\u00f3 (os meses do ano terminados em bro: setembro, outubro, novembro e dezembro), quando raramente chove.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje pra mim isso aqui \u00e9 brincadeira na frente do que j\u00e1 foi\u201d, conta Francisco. Mesmo com o m\u00ednimo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/01\/politica\/1470076598_000832.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">acesso \u00e0 \u00e1gua<\/a>, as altas temperaturas o fizeram perder dois canteiros de coentro no final do ano passado. A produ\u00e7\u00e3o (de subsist\u00eancia com a venda do excedente) tamb\u00e9m caiu. Depois cresceu outra vez com as chuvas deste ano, mas sua comercializa\u00e7\u00e3o foi paralisada com a pandemia. Ainda assim, ter \u00e1gua na cisterna pra beber e para produzir \u00e9 um alento tanto na crise quanto nas secas que t\u00eam ocorrido em per\u00edodos cada vez mais prolongados, num cen\u00e1rio em que o mundo inteiro vive uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/12\/01\/ciencia\/1575204181_977935.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/a>. \u201cA gente vai se mantendo. Um dia tem mais, no outro menos, mas tem comida na mesa. Teve \u00e9poca aqui que a gente n\u00e3o tinha nem um peda\u00e7o de mato pra colocar numa panela. Hoje tem\u201d, diz. Os primeiros meses s\u00e3o de esperan\u00e7a no sert\u00e3o. \u00c9 a chuva que cai nas cisternas que anuncia a fartura (ou n\u00e3o) do restante do ano, mas nem sempre foi assim.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">A hora de partir<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria de Francisco o leva ao tempo dos av\u00f3s, quando a ordem m\u00e1xima durante grandes secas era\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/16\/eps\/1568633180_345386.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">migrar pra tentar escapar da fome<\/a>\u00a0porque, ali, tanto morria bicho quanto gente. Se o ch\u00e3o pedregoso j\u00e1 n\u00e3o dava legume por falta de chuva numa \u00e9poca em que armazenar n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o, fam\u00edlias inteiras batiam as portas de casa e saiam a p\u00e9 pelas estradas em busca de alguma comida e qualquer oportunidade de trabalho. O mato da caatinga virava comida, e o xique-xique assado ou o caldo da raiz de mucun\u00e3 era o que alimentava as crian\u00e7as. A fome era tanta que motivava saques a mercados e armaz\u00e9ns nas cidades. Levas e levas de flagelados incomodavam as elites e o Governo, que reagiu com uma pol\u00edtica federal de cria\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/08\/politica\/1546980554_464677.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">campos de concentra\u00e7\u00e3o<\/a>, espa\u00e7os que mantinham os retirantes sob constante vig\u00edlia e ofereciam alguma alimenta\u00e7\u00e3o. Os \u201ccurrais humanos\u201d existiram no Cear\u00e1 nas grandes secas entre 1915 e 1932, e eram desfeitos na volta do inverno chuvoso, no in\u00edcio do ano. \u201cMeus bisav\u00f3s tiveram que se largar no mundo sem saber como ia ser. Foram encurralados em Fortaleza e tratados como bicho, mas conseguiram vencer\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">As duas gera\u00e7\u00f5es seguintes da fam\u00edlia, a do pai e do av\u00f4, enfrentaram as grandes secas com as frentes de servi\u00e7o do Governo, as grandes empreitadas de contra\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra para fazer servi\u00e7os emergenciais em estradas ou a\u00e7udes. Eram geralmente os homens que deixavam suas casas para trabalhar na constru\u00e7\u00e3o de estradas e voltavam, a cada 15 dias, com um pouco de comida para alimentar o restante dos parentes. \u201cEles contavam que era pouco e tinha que fazer dar. O servi\u00e7o ainda dava pro arroz e pra farinha. Mas, naquela \u00e9poca, n\u00e3o tinha ainda g\u00e1s nem geladeira, n\u00e9? A gente n\u00e3o pagava energia porque n\u00e3o tinha luz, ent\u00e3o n\u00e3o precisava tanto do dinheiro\u201d, diz Francisco.<\/p>\n<aside class=\"quote quote_pull |   color_gray_dark\">\n<blockquote class=\"flex container_column align_items_center text_align_center\">\n<div>Meus bisav\u00f3s tiveram que se largar no mundo sem saber como ia ser. Foram encurralados em Fortaleza e tratados como bicho, mas conseguiram vencer<\/div>\n<p><cite class=\"uppercase font_primary \">FRANCISCO MONTEIRO<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/aside>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Ele cresceu sem poder estudar porque desde os nove anos tinha que ajudar o pai na ro\u00e7a de subsist\u00eancia e no trabalho de cuidar das terras de um fazendeiro. Tinha 26 anos, quando o patr\u00e3o do pai morreu, e as limita\u00e7\u00f5es dos herdeiros sobre o que podiam plantar e criar ali fizeram a fam\u00edlia inteira ir embora. Luiz, o pai, comprou um terreno, mas Francisco resolveu seguir o caminho que tantos jovens faziam na d\u00e9cada de 1970 e tentar a vida em S\u00e3o Paulo. &#8220;Fui embora porque naquela \u00e9poca aqui s\u00f3 tinha servi\u00e7o, n\u00e3o tinha dinheiro. Eu n\u00e3o tinha conhecimento de nada. Pra mim,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sao_paulo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">S\u00e3o Paulo<\/a>\u00a0ficava do outro lado do oceano, e eu nunca ia chegar l\u00e1\u201d. Mas, com a ajuda de um amigo do pai que lhe deu casa e comida, chegou.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/M_yUa_XaLU813lqP3XfB7MO0Z5g=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/4VS6HHABNVDUXCHWOCY4BY5QTY.jpg\" alt=\"Francisco Monteiro retira \u00e1gua do po\u00e7o.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Francisco Monteiro retira \u00e1gua do po\u00e7o.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Francisco morou dez anos em S\u00e3o Paulo, trabalhando de a\u00e7ougueiro a metal\u00fargico. Casado e com quatro filhos, tomou uma decis\u00e3o muito comum ao sertanejo que migra pela seca: a de voltar pra casa. \u201cA\u00ed eu fiz uma jura a Deus, que ele me ajudasse a voltar e n\u00e3o ter que ir de novo pra S\u00e3o Paulo mendigar emprego\u201d, conta. Voltou a trabalhar com a agricultura. No ano seguinte do retorno, Francisco perdeu tudo o que plantou por causa de uma grande seca. Era 1986, e ele precisou se alistar em uma frente de trabalho. Atuou na constru\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes, mas n\u00e3o via pol\u00edticas para fazer a \u00e1gua chegar nas comunidades rurais. Ia escapando ano a ano, com o estoque de gr\u00e3os que plantava nos invernos de pouca chuva. Quando chovia, vendia nas feiras o que dava no quintal. Foi ali que come\u00e7ou a conhecer os movimentos de agricultores e as entidades que buscavam semear uma mudan\u00e7a cultural no semi\u00e1rido: a de deixar de tentar combater a seca e passar a criar estrat\u00e9gias para conviver com ela.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou em 1999, quando milhares de entidades da sociedade civil decidiram se unir sob o guarda-chuva da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.asabrasil.org.br\/\" data-link-track-dtm=\"\">Articula\u00e7\u00e3o do Semi\u00e1rido (ASA)<\/a>\u00a0ap\u00f3s uma s\u00e9rie de debates sobre a desertifica\u00e7\u00e3o durante uma conven\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no Recife. Elas decidiram apostar no estoque de \u00e1gua da chuva nas cisternas em larga escala como estrat\u00e9gia para democratizar o acesso \u00e0 \u00e1gua. Calcularam uma demanda inicial de um milh\u00e3o de cisternas e criaram um programa hom\u00f4nimo, inicialmente executado com recursos internacionais e com algum aporte do Governo. O programa virou pol\u00edtica p\u00fablica federal.<\/p>\n<div class=\"raw_html\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><iframe id=\"datawrapper-chart-uqTyH\" title=\"Constru\u00e7\u00e3o de cisternas pelo Governo Federal\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/uqTyH\/1\/\" height=\"461\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" aria-label=\"Column Chart\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Fam\u00edlias que viviam em zonas rurais isoladas e matavam a sede com a \u00e1gua de barreiros e a\u00e7udes passaram a ter acesso a uma fonte segura perto de casa pela primeira vez. O acesso \u00e0 \u00e1gua de beber, combinado com as pol\u00edticas do Governo de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-01-28\/bolsa-familia-sob-bolsonaro-fecha-a-porta-a-novos-beneficiarios-enquanto-espero-na-fila-vou-pegando-fiado.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">transfer\u00eancia de renda como o Bolsa Fam\u00edlia<\/a>, dava uma chance de permanecer naquelas terras. A mortalidade infantil no sert\u00e3o, aquele lugar onde em \u00e9poca de seca faltava tudo, tamb\u00e9m caiu. Um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/images\/stories\/PDFs\/livros\/livros\/191120_avaliacao_de_politicas_publicas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">estudo do IPEA<\/a>\u00a0mostra que, nos munic\u00edpios com dois anos no programa houve redu\u00e7\u00e3o de 19% nas mortes de crian\u00e7as de at\u00e9 quatro anos por diarreia, uma causa associada \u00e0 falta ou m\u00e1 qualidade da \u00e1gua. J\u00e1 em munic\u00edpios com nove anos de atua\u00e7\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o foi de 69%. O \u00eaxito do programa aprofundou sua discuss\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o bastava apenas ter \u00e1gua pra beber, e o programa evoluiu em 2008 para garantir uma segunda \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Tamb\u00e9m n\u00e3o adiantava garantir uma fonte de \u00e1gua segura em casa e n\u00e3o na escola, ent\u00e3o a partir de 2012 o Governo passou a construir cisternas nas unidades de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAs cisternas s\u00e3o um instrumento, uma tecnologia. O\u00a0<a href=\"https:\/\/aplicacoes.mds.gov.br\/sagirmps\/ferramentas\/docs\/caderno%20-%2007.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">programa s\u00f3 deu certo<\/a>\u00a0porque haviam outras estrat\u00e9gias de constru\u00e7\u00e3o de saberes\u201d, alerta o coordenador do Eixo Clima e \u00c1gua do Instituto Regional da Pequena Agropecu\u00e1ria Apropriada, Andr\u00e9 Rocha. \u00c9 uma solu\u00e7\u00e3o que funciona porque veio com uma mudan\u00e7a cultural. O verbo do semi\u00e1rido mudou de enfrentar para conviver. Executado pelas entidades da sociedade civil, o programa mobiliza os agricultores e os forma tanto para que possam construir as cisternas quanto para que aprendam a repar\u00e1-las a cada ano. E estimula para que novas solu\u00e7\u00f5es de como conviver nas regi\u00f5es mais \u00e1ridas do pa\u00eds sejam criadas por eles mesmos.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">Uma nova identidade<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje eu sou\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/07\/ciencia\/1546886930_365422.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">agroecol\u00f3gico<\/a>, multiplicador e experimentador de semente criola\u201d, se reapresenta Francisco Monteiro. Ele ajeita as galochas e caminha devagar pelo caminho pedregoso que separa a sua casa da horta. Em um pequeno campo de planta\u00e7\u00e3o com canteiros organizados por etiquetas coladas em garrafas pet, mostra a pequena horta como quem anuncia o milagre de ter o que comer e o que vender mesmo durante a seca ou de uma crise como a provocada pelo novo coronav\u00edrus. Ele e a esposa vivem da aposentadoria e do que vendem nas feiras agroecol\u00f3gicas, agora paralisadas. Na sala de casa, as paredes azuis est\u00e3o repletas de quadros de santos e as estantes guardam a TV de tela plana e o aparelho de som que conseguiram comprar gra\u00e7as \u00e0 renda da planta\u00e7\u00e3o. \u201cIngressei nesse neg\u00f3cio de agroecologia que parece que foi o melhor prato que eu achei na minha vida\u201d, diz Francisco, rindo.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/gK-NXI77r7YJjL6GUE8l-jM6CGg=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/MJXCL7ZRJJCC3DM6BWWVNLHQHM.jpg\" alt=\"Francisco Monteiro e a esposa Zuleide de Souza, com os netos. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Francisco Monteiro e a esposa Zuleide de Souza, com os netos.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA \/ FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Ele sabe que a peleja pela \u00e1gua permanece no sert\u00e3o. Ter a cisterna em casa d\u00e1 esperan\u00e7a, mas as secas cada vez mais prolongadas deixam a d\u00favida se ela vai encher. \u201cA garantia que a gente tem \u00e9 de 16.000 litros de \u00e1gua no ano que chove\u201d, ele diz. Quando a chuva n\u00e3o enche nem a cisterna, o jeito \u00e9 contar com uma a\u00e7\u00e3o emergencial do Governo para um abastecimento que nem sempre chega. Assim como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 certeza que chegue a cisterna para todo mundo. A demanda cresceu nos \u00faltimos anos, e 343.035 fam\u00edlias ainda esperam uma cisterna para armazenar \u00e1gua para beber. Dois dos tr\u00eas filhos de Francisco Monteiro, que constru\u00edram suas casas no mesmo terreno do pai, est\u00e3o nessa conta. \u201cDo jeito que t\u00e1, a gente n\u00e3o tem esperan\u00e7a de conseguir isso logo n\u00e3o\u201d, ele diz, preocupado.<\/p>\n<div class=\"raw_html\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><iframe id=\"datawrapper-chart-nQm6y\" title=\"Quanto saiu dos cofres federais ano a ano?\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/nQm6y\/1\/\" height=\"441\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" aria-label=\"Column Chart\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 que o programa imergiu em um verdadeiro limbo. Se nos \u00faltimos tr\u00eas anos a redu\u00e7\u00e3o de recursos j\u00e1 vinha preocupando, agora o programa est\u00e1 sob amea\u00e7a. Desde o in\u00edcio de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro iniciou uma cruzada contra as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, principais executoras do programa por meio de editais. Tamb\u00e9m extinguiu o Conselho Nacional de Seguran\u00e7a Alimentar, colegiado que fazia a interlocu\u00e7\u00e3o sobre o programa dentro do Governo e negociava metas e recursos. Por enquanto, as entidades seguem executando o que j\u00e1 foi contratado. Mas o Governo \u00e9 pouco transparente sobre as metas e o futuro do programa que, pela sua efici\u00eancia, chegou a ser\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/04\/internacional\/1543931349_443986.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">exportado para a \u00c1frica<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full breakout\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/2pZinmgSRo4Q-FOkIW6ZzVHu-PY=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/CZIO55M2TNADRAB3JC5B5S7TKY.jpg\" alt=\"Francisco Monteiro vende os produtos org\u00e2nicos que planta no quintal de casa.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Francisco Monteiro vende os produtos org\u00e2nicos que planta no quintal de casa.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">FERNANDA SIEBRA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O Minist\u00e9rio da Cidadania, respons\u00e1vel pelo programa Cisternas, n\u00e3o respondeu a nenhuma das cinco solicita\u00e7\u00f5es que a reportagem fez durante meses para saber o futuro do programa e como poder\u00e1 ser mantido o di\u00e1logo com a ASA. Por meio da Lei Geral de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, o Governo tamb\u00e9m n\u00e3o respondeu quais seus projetos para universalizar o acesso \u00e0 \u00e1gua. Afirmou apenas que \u201co objetivo principal do Programa Cisternas continua sendo a universaliza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 \u00e1gua para consumo humano nas fam\u00edlias e escolas situadas na zona rural\u201d. Publicamente, o presidente Jair Bolsonaro tem dito que pretende apostar na dessaliniza\u00e7\u00e3o e em uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=u5D-qm8O384&amp;feature=emb_title\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">f\u00e1brica israelense que extrai \u00e1gua do ar<\/a>, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de po\u00e7os e da Transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco, inaugurada recentemente. O que especialistas e entidades que atuam no semi\u00e1rido argumentam \u00e9 que as pol\u00edticas relacionadas \u00e0 seca devem partir de v\u00e1rias frentes, mas o \u00eaxito das cisternas n\u00e3o est\u00e1 apenas em promover o acesso \u00e0 \u00e1gua, e sim na cria\u00e7\u00e3o de uma rede com protagonismo popular que estimula a\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia (e n\u00e3o de enfrentamento) com o clima.<\/p>\n<aside class=\"quote quote_pull |   color_gray_dark\">\n<blockquote class=\"flex container_column align_items_center text_align_center\">\n<div>O v\u00edrus \u00e9 pro grande, pro pequeno, pro rico e pro pobre. N\u00e3o tem como n\u00e3o ter medo de uma coisa que \u00e9 mundial e que pode, depois, tirar a gente aqui do nosso canto<\/div>\n<p><cite class=\"uppercase font_primary \">FRANCISCO MONTEIRO<\/cite><\/p><\/blockquote>\n<\/aside>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Francisco Monteiro est\u00e1 preocupado com o programa. Dois de seus filhos ainda esperam uma cisterna, assim como muitos vizinhos de sua comunidade. \u201cTendo \u00e1gua, n\u00e3o falta comida tamb\u00e9m, n\u00e9?\u201d, ele explica. Nas comunidades rurais, o medo do novo coronav\u00edrus neste momento em que a epidemia come\u00e7a a crescer pelo interior se soma ao medo de voltar a ter que migrar depois dela, se n\u00e3o houver trabalho e pol\u00edticas p\u00fablicas para que sigam no campo. Monteiro se soma a eles: \u201cO v\u00edrus \u00e9 pro grande, pro pequeno, pro rico e pro pobre. N\u00e3o tem como n\u00e3o ter medo de uma coisa que \u00e9 mundial e que pode, depois, tirar a gente aqui do nosso canto como acontecia antigamente\u201d.<\/p>\n<h4 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As cisternas, uma pol\u00edtica p\u00fablica que vem sendo descontinuada no Brasil nos \u00faltimos anos, s\u00e3o um alento para as fam\u00edlias do sert\u00e3o durante a pandemia do coronav\u00edrus. Gra\u00e7as a elas, fam\u00edlias t\u00eam \u00e1gua no quintal de casa e algum meio para evitar a fome e garantir a perman\u00eancia delas no campo em meio \u00e0s atuais crises sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":325652,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-325651","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cisterna-no-sertao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=325651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/325651\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/325652"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=325651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=325651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=325651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}