{"id":326141,"date":"2020-07-25T15:47:47","date_gmt":"2020-07-25T18:47:47","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=326141"},"modified":"2020-07-26T11:03:15","modified_gmt":"2020-07-26T14:03:15","slug":"com-rosto-ainda-desconhecido-primeira-escritora-negra-do-brasil-e-redescoberta-apos-decadas-de-anonimato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/com-rosto-ainda-desconhecido-primeira-escritora-negra-do-brasil-e-redescoberta-apos-decadas-de-anonimato\/","title":{"rendered":"Com rosto ainda desconhecido, primeira escritora negra do Brasil \u00e9 redescoberta ap\u00f3s d\u00e9cadas de anonimato"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"byline__name\">Leonardo Neiva<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/44F1\/production\/_113394671_fd3e2824-eb77-400b-93b8-54a801acb13a.jpg\" alt=\"Firmina\" width=\"624\" height=\"351\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\">Como se imagina que seja Maria Firmina dos Reis, autora de &#8220;\u00darsula&#8221; (1859), hoje considerado o primeiro romance afro-brasileiro, pioneiro da literatura antiescravista no pa\u00eds<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Cabelos presos, colar, um vestido aparentemente luxuoso, a pele branca. Assim esteve representada at\u00e9 2012 a escritora Maria Firmina dos Reis (1822-1917), primeira romancista negra do Brasil, em uma parede da C\u00e2mara dos Vereadores de Guimar\u00e3es, cidade do Maranh\u00e3o onde a autora passou a maior parte de sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe quando nem como, mas a imagem da autora de\u00a0<i>\u00darsula<\/i>\u00a0(1859) \u2014 hoje considerado o primeiro romance afro-brasileiro, pioneiro da literatura antiescravista no pa\u00eds \u2014 se confundiu com a da escritora ga\u00facha Maria Benedita C\u00e2mara (1853-1895), conhecida como D\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em Guimar\u00e3es j\u00e1 sabiam que aquela n\u00e3o era Maria Firmina, mas, como o quadro foi doa\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m importante da cidade, n\u00e3o tiraram da parede&#8221;, conta R\u00e9gia Agostinho, professora da Universidade Federal do Maranh\u00e3o. Em 2012, ela visitou Guimar\u00e3es durante um trabalho de pesquisa para sua tese de doutorado sobre a escritora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta \u00e0 cidade ap\u00f3s concluir sua tese, publicada em 2013, o quadro havia sido removido. Como Maria Firmina n\u00e3o deixou para tr\u00e1s nenhuma foto ou retrato, no entanto, o engano perdura. Mesmo hoje, algumas das primeiras imagens que aparecem em pesquisas pelo nome da escritora na internet ainda s\u00e3o de D\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um busto esculpido em sua homenagem, hoje exposto na Pra\u00e7a do Pantheon, no centro de S\u00e3o Lu\u00eds, pouco transparece da descri\u00e7\u00e3o feita por ex-alunos e conhecidos de Maria Firmina: uma mulher de rosto arredondado, cabelo crespo, grisalho, cortado curto e amarrado na altura da nuca, com nariz curto e grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na est\u00e1tua &#8220;o nariz \u00e9 afilado, os l\u00e1bios finos, cabelos lisos, amarrados em coque, em nada se parecendo a uma mulher negra ou mulata&#8221;, constata Agostinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, o escultor Flory Gama se preocupou antes em representar a artista como a \u00fanica mulher, em meio aos bustos de tantos homens maranhenses ilustres, do que como negra. Da\u00ed os seios avantajados, ainda mais marcantes em contraste com a magreza das fei\u00e7\u00f5es da est\u00e1tua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As confus\u00f5es com a imagem de Maria Firmina espelham sua pr\u00f3pria obra, que teve boa aceita\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica quando publicada, mas acabou caindo no esquecimento ap\u00f3s sua morte. S\u00f3 seria redescoberta em 1962, quando o historiador paraibano Hor\u00e1cio de Almeida (1896-1983) encontrou, em um sebo do Rio de Janeiro, uma edi\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>\u00darsula<\/i>, \u00fanico romance da escritora e hoje considerado o primeiro livro brasileiro a se posicionar explicitamente contra a escravid\u00e3o, antecedendo em mais de dez anos obras como\u00a0<i>O Navio Negreiro<\/i>\u00a0(1870) e\u00a0<i>A Escrava Isaura<\/i>\u00a0(1875).<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12B69\/production\/_113394667_8a58418b-367e-4573-a28f-b4f8c246e852.jpg\" alt=\"Imagem da obra vencedora de um concurso realizado pela Flup para recriar o rosto da autora, feita pelo artista \u00e9 o Jo\u00e3o Gabriel dos Santos Ara\u00fajo\" width=\"610\" height=\"615\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Imagem da obra vencedora de um concurso realizado pela Flup (Festa Liter\u00e1ria das Periferias) para recriar o rosto da autora, feita pelo artista \u00e9 o Jo\u00e3o Gabriel dos Santos Ara\u00fajo<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">A biografia que se sabe<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Firmina nasceu no dia 11 de mar\u00e7o de 1822, na cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o, filha de uma escrava alforriada e de um pai negro. At\u00e9 2018, acreditava-se que tivesse nascido em 11 de outubro de 1825 \u2014 na realidade a data de seu batismo \u2014, de m\u00e3e branca com origem portuguesa, segundo a primeira biografia da autora,\u00a0<i>Maria Firmina &#8211; Fragmentos de uma Vida<\/i>\u00a0(1975), escrita pelo poeta e jornalista maranhense Jos\u00e9 Nascimento Morais Filho (1922-2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta da nova data de nascimento foi feita por Dilercy Arag\u00e3o, professora aposentada da Universidade Federal do Maranh\u00e3o que hoje ocupa a cadeira de Maria Firmina na Academia Ludovicense de Letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso \u00e9 um exemplo do pouco que se conhece sobre a vida da autora. Do nascimento at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>\u00darsula,<\/i>\u00a0em 1859, h\u00e1 v\u00e1rias lacunas. Sabe-se que ficou \u00f3rf\u00e3 e se mudou em 1830 para a casa da tia em Guimar\u00e3es, onde viveu at\u00e9 o fim da vida. Com a parente, que tinha melhores condi\u00e7\u00f5es financeiras, teve a oportunidade de estudar, algo raro para mulheres negras no per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1847, foi aprovada em concurso p\u00fablico para professora de prim\u00e1rio, cargo que exerceu at\u00e9 se aposentar em 1881. No momento de receber o t\u00edtulo, Maria Firmina se recusou a ser levada em um palanque sobre o ombro de escravos, uma tradi\u00e7\u00e3o na \u00e9poca. &#8220;Negro n\u00e3o \u00e9 animal para se andar montado nele&#8221;, teria dito. Em vez disso, foi a p\u00e9.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15279\/production\/_113394668_675e53f6-c52c-4571-890c-e6955dd46eb7.jpg\" alt=\"Pintura que fica na C\u00e2mara de Vereadores de Guimar\u00e3es e que retrata erroneamente Firmina\" width=\"585\" height=\"449\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Pintura que fica na C\u00e2mara de Vereadores de Guimar\u00e3es e que retrata erroneamente Firmina<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante 50 anos, a escritora colaborou com v\u00e1rios jornais maranhenses, onde publicou poesias, contos e cr\u00f4nicas. Entre eles, os contos\u00a0<i>Gupeva<\/i>\u00a0(1861) e\u00a0<i>A Escrava<\/i>\u00a0(1887), dois de seus textos mais famosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ano antes de se aposentar, Maria Firmina fundou em Guimar\u00e3es a primeira escola mista do Maranh\u00e3o, que recebia gratuitamente meninos e meninas pobres. Morreu em 1917, aos 95 anos de idade, deixando 11 filhos adotivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da imagem, Arag\u00e3o lembra que faltam detalhes importantes da biografia da escritora, como os anos de sua juventude, a vida do pai, Jo\u00e3o Pedro Esteves, e onde ela teria realizado seus estudos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Guimar\u00e3es era uma vila pequena naquela \u00e9poca, ent\u00e3o onde ela pode ter estudado? Ainda existe uma longa jornada pela frente, e todas essas d\u00favidas s\u00f3 nos instigam a buscar mais respostas&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">O escravo humanizado<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Firmina esteve entre os primeiros escritores a de fato dar voz a personagens negros no Brasil, afirma o professor de literatura brasileira da Universidade de Bras\u00edlia Danglei de Castro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O enfoque dado aos problemas da escravid\u00e3o, como a situa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a negra, a perda de identidade dos escravos em seu deslocamento da \u00c1frica para o Brasil e o alcoolismo s\u00e3o formas de representar o lugar dos negros na sociedade brasileira do s\u00e9culo 19&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Agostinho, da Universidade Federal do Maranh\u00e3o, a autora humanizava os personagens cativos, colocando-os em p\u00e9 de igualdade com os brancos da trama \u2014 a \u00darsula do t\u00edtulo do romance \u00e9 uma mulher branca.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10459\/production\/_113394666_67065508-bf63-4283-a401-432303490cec.jpg\" alt=\"Loja\" width=\"904\" height=\"601\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Lugar onde ficava a casa de Firmina<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele escuta a n\u00eania plangente de seu pai, escuta a can\u00e7\u00e3o sentida que cai dos l\u00e1bios de sua m\u00e3e, e sente como eles, que \u00e9 livre; porque a raz\u00e3o lho diz, e a alma o compreende. Oh! A mente! Isso sim ningu\u00e9m a pode escravizar!&#8221; O trecho de\u00a0<i>\u00darsula<\/i>\u00a0retrata uma reflex\u00e3o do escravo T\u00falio sobre sua condi\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m no livro, a negra Susana descreve as dificuldades do traslado entre \u00c1frica e Brasil anos antes da publica\u00e7\u00e3o de<i>\u00a0O Navio Negreiro<\/i>, de Castro Alves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a pesquisadora, exemplos como esses mostram que Maria Firmina apresentava personagens escravos &#8220;com uma positividade que n\u00e3o foi feita nem depois dela, mesmo por escritores abolicionistas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso porque livros posteriores, como\u00a0<i>As V\u00edtimas-Algozes<\/i>\u00a0(1869), de Joaquim Manuel de Macedo, e\u00a0<i>A Escrava Isaura<\/i>\u00a0(1875), de Bernardo Guimar\u00e3es, teriam sido escritos para sensibilizar leitores brancos, mostrando como a escravid\u00e3o poderia ser um problema para eles, mas deixando em segundo plano o sofrimento dos negros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D\u00e9cadas mais tarde, com o avan\u00e7o da causa na sociedade brasileira, a autora chegou a criar em contos como\u00a0<i>A Escrava\u00a0<\/i>personagens negras abertamente abolicionistas.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o da mulher<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso da escritora foi at\u00edpico para a sociedade profundamente machista da \u00e9poca. Segundo a professora da Universidade Estadual do Piau\u00ed Algemira de Mac\u00eado, ela foi a \u00fanica mulher com presen\u00e7a t\u00e3o marcada na imprensa maranhense ao longo de todo o s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse descompasso n\u00e3o passava despercebido \u00e0 pr\u00f3pria autora, que, no pr\u00f3logo de\u00a0<i>\u00darsula<\/i>, dizia ter consci\u00eancia de que &#8220;pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educa\u00e7\u00e3o acanhada e sem o trato e a conversa\u00e7\u00e3o dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/DD49\/production\/_113394665_0165fea8-c51f-4e65-b14c-4600135a8a51.jpg\" alt=\"Capa do romance '\u00darsula', em edi\u00e7\u00e3o de 2018\" width=\"341\" height=\"525\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\">Capa do romance &#8216;\u00darsula&#8217;, em edi\u00e7\u00e3o de 2018<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sua escrita, destaca-se uma pluralidade do retrato das mulheres, com exemplos que v\u00e3o desde o ideal feminino do per\u00edodo at\u00e9 personagens que desafiam fortemente as conven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No conto\u00a0<i>A Escrava<\/i>, encontramos grupos de mulheres que se sujeitam aos ditames dos maridos ou apoiam a escravid\u00e3o, mas tamb\u00e9m outras da sociedade burguesa que lutam contra ela&#8221;, explica Mac\u00eado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisadora tamb\u00e9m aponta a personagem da negra Susana, de\u00a0<i>\u00darsula<\/i>, como uma quebra no estere\u00f3tipo da mulher negra sexualizada, interessada em seduzir, muito presente na literatura do per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ela \u00e9 descrita como uma mulher n\u00e3o atraente, magra, seca. A autora n\u00e3o se preocupou em incluir esse aspecto que a cultura brasileira costuma dar para mulheres negras.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Reconstruindo vida e obra<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cidade de Guimar\u00e3es, da casa onde Maria Firmina viveu e lecionou a \u00fanica mem\u00f3ria que resta \u00e9 uma placa com seu nome, sobre a fachada de uma loja de m\u00f3veis constru\u00edda no mesmo lugar. Quando visitou o local, em 2012, Agostinho n\u00e3o encontrou nas bibliotecas p\u00fablicas nenhum exemplar da obra da autora. Nem mesmo seu t\u00famulo estava identificado \u2014 na ocasi\u00e3o, a placa tinha sido roubada por v\u00e2ndalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do descaso com a mem\u00f3ria f\u00edsica de Maria Firmina, a pesquisadora relatou em sua tese que os moradores conheciam a autora, concluindo que &#8220;a mem\u00f3ria social de Maria Firmina dos Reis est\u00e1 viva entre os habitantes da cidade de Guimar\u00e3es&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/8BFF\/production\/_113393853_a2216227-5153-40c2-b443-edd7e0a8248a.jpg\" alt=\"Busto de Maria Firmina dos Reis\" width=\"306\" height=\"471\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\">Busto de Maria Firmina dos Reis em Belo Horizonte<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o, o reconhecimento da escritora no pa\u00eds se expandiu. Entre os anos de 2017 e 2018,\u00a0<i>\u00darsula<\/i>\u00a0ganhou 13 novas edi\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, v\u00e1rios estudos foram dedicados a sua vida e obra e, em 2019, a escritora foi homenageada com um Doodle do Google \u2014 em outubro, ainda na data errada de seu nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Danglei de Castro, o lugar da autora em nossa literatura vem sendo progressivamente recuperado. &#8220;A obra de Firmina \u00e9 atual, mesmo distante no tempo hist\u00f3rico. \u00c9 uma autora de grande for\u00e7a expressiva e, por isso, sua leitura \u00e9 importante para compreender a complexidade da sociedade brasileira.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Algumas pessoas t\u00eam publicado trabalhos sobre o livro\u00a0<i>\u00darsula<\/i>, mas ainda \u00e9 pouco para a grandiosidade de Maria Firmina, considerando que foi a primeira romancista brasileira&#8221;, afirma Dilercy Arag\u00e3o. &#8220;N\u00f3s brasileiros n\u00e3o valorizamos a nossa cultura. Por isso, \u00e9 importante continuar consolidando essa visibilidade.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano de 2017, o estado do Maranh\u00e3o instituiu o Dia da Mulher Maranhense, que coincide com o anivers\u00e1rio da autora. Em 2018, Maria Firmina foi uma das artistas homenageadas na Flup (Festa Liter\u00e1ria das Periferias), no Rio de Janeiro, que organizou um concurso visando recriar o rosto da autora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ainda estamos reconstruindo a hist\u00f3ria de Maria Firmina&#8221;, diz Algemira de Mac\u00eado. &#8220;Quando comecei a pesquisar sobre ela, em 2011, me sentia praticamente sozinha. Hoje fico feliz em ver minha voz ecoada.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ainda estamos reconstruindo a hist\u00f3ria de Maria Firmina&#8221;, diz Algemira de Mac\u00eado. &#8220;Quando comecei a pesquisar sobre ela, em 2011, me sentia praticamente sozinha. 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