{"id":32657,"date":"2013-12-10T08:16:28","date_gmt":"2013-12-10T11:16:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=32657"},"modified":"2013-12-10T08:16:28","modified_gmt":"2013-12-10T11:16:28","slug":"clarice-lispector-e-homenageada-com-lancamento-de-livro-de-citacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/clarice-lispector-e-homenageada-com-lancamento-de-livro-de-citacoes\/","title":{"rendered":"Clarice Lispector \u00e9 homenageada com lan\u00e7amento de livro de cita\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"ImageProxy (2)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ImageProxy-28.jpg\" width=\"292\" height=\"280\" \/><\/p>\n<p>A\u00a0escrita de Clarice Lispector \u00e9 viral: suas palavras ardentes, enigm\u00e1ticas sempre foram respons\u00e1veis por um movimento ficcional absolutamente novo que desperta paix\u00f5es. Mas, como sempre acontece na internet, muitos textos atribu\u00eddos a Clarice s\u00e3o falsos. Para sanar o problema, a Rocco lan\u00e7a nesta semana\u00a0As Palavras, uma criteriosa sele\u00e7\u00e3o de frases pin\u00e7adas pelo pesquisador Roberto Corr\u00eaa dos Santos nas principais obras da escritora, cujo anivers\u00e1rio de nascimento \u00e9 lembrado nesta ter\u00e7a: ela faria 93 anos, mas morreu com 57, em 1977.<\/p>\n<div id=\"ecxbb-md-noticia-tabs\">\n<div id=\"ecxbb-md-noticia-tabs-1\">\n<div>\n<div>\n<p>Santos \u00e9 um dos convidados do evento\u00a0Hora de Clarice, que anualmente celebra uma das autoras mais amadas do Brasil. Sobre as cita\u00e7\u00f5es, ele respondeu, por e-mail, \u00e0s seguintes perguntas.<\/p>\n<p>Houve alguma obra de Clarice em que a colheita de cita\u00e7\u00f5es foi mais farta?<br \/>\nSim, houve duas:\u00a0Um Sopro de Vida\u00a0e\u00a0A Descoberta do Mundo; esse \u2013 o tanto de enunciados de beleza \u00fanica \u2013 um dos motivadores (o menor deles) pelos quais escolhi, para abertura,\u00a0Um Sopro, e, para fechamento,\u00a0A Descoberta.\u00a0Um Sopro de Vida\u00a0constitui-se em livro de frases e frases solt\u00edssimas, livres de qualquer suporte narrativo diretamente encontr\u00e1vel; publicou-se ap\u00f3s a morte de Clarice, tendo sido organizado n\u00e3o por ela, Clarice, e sim por sua amiga Olga Borelli; estava eu diante de arcabou\u00e7os de livro, de livro-a-fazer-se, bem diante, portanto, da mat\u00e9ria bruta e iluminada do material (senten\u00e7as e senten\u00e7as) ainda a formar-se obra: a riqueza verbal de\u00a0Um Sopro\u00a0surpreendeu-me, pois, em leituras anteriores, lastimava que aquele sutil rigor compositivo de Clarice n\u00e3o tivesse tido tempo de ali se realizar. J\u00e1 a finaliza\u00e7\u00e3o com\u00a0A Descoberta do Mundo\u00a0se deveu ao fato de que, desde sempre, soube de sua magnitude de ideias, pensamentos, sensa\u00e7\u00f5es, e tudo plantado no terreno das ardentes frases enviadas ao leitor de jornal todo s\u00e1bado: trata-se de livro de \u201ccr\u00f4nicas\u201d, escolhidas por seu filho, Paulo Gurgel Valente. Em verdade, um livro de sabedorias curatoriais bem pr\u00f3ximas ao trabalho que desenvolvo e que nomeio de Cl\u00ednica de Artista. Completo sua pergunta, dizendo-lhe que, tendo a abertura e o fecho decididos, cuidei de montar, como se em um livro-exposi\u00e7\u00e3o (livro como espa\u00e7o art\u00edstico expositivo), uma \u201cordem\u201d em que as vibra\u00e7\u00f5es e os acordes de pensamento\/sensa\u00e7\u00e3o pudessem mais bem mostrar as potentes altern\u00e2ncias da vida do pensar e do sentir (e, logo, sempre sob o calor de sua escrita po\u00e9tica e p\u00f3s-filos\u00f3fica) na arte de Clarice.<\/p>\n<p>Na escrita, Clarice comprova n\u00e3o estar presa a modelos. Ela est\u00e1 permanentemente a experimentar, mas n\u00e3o se trata de um experimentalismo artificioso. Ela olhou de frente o escuro, como poucos fizeram. Concorda?<br \/>\nSim, concordo; \u201cg\u00eanero n\u00e3o me pega\u201d \u00e9 uma de suas frases a indicarem seu n\u00e3o aprisionamento, seja aos chamados g\u00eaneros liter\u00e1rios, seja aos chamados g\u00eaneros (o classificar e o fixar os \u201csexos\u201d) a dividirem e tantas vezes afastarem os homens e mulheres; o experimento em Clarice diz respeito \u00e0 capacidade do entregar-se, do ir-indo; do contar inclusive com o medo para dele extrair as subst\u00e2ncias saud\u00e1veis para aud\u00e1cias m\u00faltiplas; o experimento imp\u00f5e ser o outro do outro; olhar-se no outro, e, se preciso, desfazer-se de algum outro que em n\u00f3s se implanta como um juiz vingador e punitivo; Clarice considerava crime o experimento movido pelo impulso da novidade; nem sequer consideraria tal ato um trabalho de experimento; experimentar imp\u00f5e contar com o grande trunfo do desconhecer, do n\u00e3o saber, do ampliar-se acatando a validade existencial dos riscos. E o escuro (a cegueira iluminante) norteia as linhas entrela\u00e7adas que formam suas p\u00e1ginas. Mais do que olhar de frente: ir para o dentro-fora do que, reduzida a luz, mais permite abocanhar o que ela nomeia de neutro, de plasma, de coisa. Comer o escuro da coisa, o escuro que se instala na coisa \u00e9 o que faz sua obra.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma cita\u00e7\u00e3o de Clarice que o senhor considera sua preferida? Por qu\u00ea?<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o tenho uma cita\u00e7\u00e3o preferida; todas nos atacam e nos abra\u00e7am por todos os lados, segundo momentos distintos; no entanto, escolho duas, por sua radical clareza pol\u00edtica desde sempre em Clarice; digamos que, por tal motivo, sejam estas minhas preferidas hoje: 1. \u201cN\u00e3o h\u00e1 direito de punir. H\u00e1 apenas o poder de punir\u201d. 2. \u201cPunir \u00e9, no caso, apenas um resqu\u00edcio do passado, quando a vingan\u00e7a era o objetivo da senten\u00e7a. E a perman\u00eancia desse termo no vocabul\u00e1rio jur\u00eddico \u00e9 um ligeiro ind\u00edcio de que a pena hoje ministrada ainda n\u00e3o \u00e9 uma pena cient\u00edfica, impessoal, mas que nela entra muito dos sentimentos individuais dos aplicadores do direito (como sejam sadismo e ideia de for\u00e7a que confere o poder de punir.&#8221;<\/p>\n<p>A PROGRAMA\u00c7\u00c3O<br \/>\nS\u00e3o Paulo<br \/>\n\u201cA Literatura e a Pintura de Clarice Lispector\u201d, com Ricardo Iannace. Livraria Cultura Conjunto Nacional (mezanino da loja de Artes) \u2013 Av. Paulista, 2.073, 18 h<\/p>\n<p>Rio de Janeiro<br \/>\n\u201cAl\u00e9m do Vento, h\u00e1 uma outra coisa que sopra\u201d: leitura de frases selecionadas por Roberto Corr\u00eaa dos Santos, com a atriz Malu Mader. Instituto Moreira Salles (Rua Marqu\u00eas de S\u00e3o Vicente, 476), 19 h<\/p>\n<p>\u201cCorreio feminino: As cr\u00f4nicas femininas de Clarice Lispector\u201d, com Maria Camargo, Thanara Schonardie e Luciana Buarque. Media\u00e7\u00e3o de Teresa Montero. Livraria da Travessa Shopping Leblon (R. Afr\u00e2nio de Melo Franco, 290), 19 h<\/p>\n<p>\u201cP\u00e1ginas femininas de Clarice Lispector: \u00c0 procura de um rosto de mulher\u201d, com Aparecida Nunes. Participa\u00e7\u00e3o de Nilton Bonder e Alessandra Maestrini. Media\u00e7\u00e3o Joice Niskier. Midrash Centro Cultural (R. Gal. Ven\u00e2ncio Flores, 182, Leblon), 20 h<\/p>\n<p>Belo Horizonte<br \/>\n\u201cClarice Lispector: fic\u00e7\u00e3o e biografia\u201d, com a bi\u00f3grafa e pesquisadora Nadia Gotlieb. Livraria Mineiriana (R. Para\u00edba, 1419 &#8211; Savassi), 19 h<\/p>\n<div>Fonte: Estado de S. Paulo<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00a0escrita de Clarice Lispector \u00e9 viral: suas palavras ardentes, enigm\u00e1ticas sempre foram respons\u00e1veis por um movimento ficcional absolutamente novo que desperta paix\u00f5es. 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