{"id":327018,"date":"2020-08-03T05:13:52","date_gmt":"2020-08-03T08:13:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=327018"},"modified":"2020-08-03T05:13:52","modified_gmt":"2020-08-03T08:13:52","slug":"coronavirus-acelera-o-futuro-e-gera-mudancas-no-comportamento-o-que-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/coronavirus-acelera-o-futuro-e-gera-mudancas-no-comportamento-o-que-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus acelera o futuro e gera mudan\u00e7as no comportamento; o que dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"mb-3\"><\/h1>\n<div class=\"abas\">\n<div id=\"pills-tabContent\" class=\"tab-content\">\n<div id=\"abanoticia\" class=\"tab-pane fade show active\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"noticia-tab\">\n<div id=\"items_noticia\" class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div id=\"autorNoticia\" class=\"col-12 col-md-4\">\n<p class=\"d-inline\"><small class=\"text-muted\">Por:<\/small> Anamaria Nascimento\/Mariana Moraes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"adManagerNews\"><\/div>\n<div class=\"d-block\">\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\" (Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731211142475688a.jpg\" alt=\" (Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Mudan\u00e7as que demorariam d\u00e9cadas para acontecer tornaram-se uma realidade apressada por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus. Consci\u00eancia maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s formas de consumo, trabalho remoto, eventos virtuais, ensino h\u00edbrido. As transforma\u00e7\u00f5es impostas pela Covid-19 n\u00e3o devem ficar no passado quando o problema de sa\u00fade p\u00fablica for superado. Nada ser\u00e1 como antes, dizem especialistas. Como ser\u00e1 o mundo p\u00f3s-pandemia? O\u00a0<strong>Diario\u00a0<\/strong>ouviu fil\u00f3sofos, soci\u00f3logos, psic\u00f3logos e cientistas pol\u00edticos para entender os novos cen\u00e1rios que est\u00e3o surgindo com o enfrentamento \u00e0 doen\u00e7a.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div class=\"teads-ui-components-label\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Doutor em neuropsiquiatria e ci\u00eancias do comportamento e coordenador do mestrado em psicologia da sa\u00fade da Faculdade Pernambucana de Sa\u00fade (FPS), Leopoldo Barbosa, afirma que situa\u00e7\u00f5es adversas t\u00eam potencial gerador de mudan\u00e7a. &#8220;A pandemia afetou a todos. Muitas pessoas j\u00e1 est\u00e3o mudando, especialmente aquelas que vivenciaram perdas de perto. Esse momento repercute na valoriza\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es que n\u00e3o eram percebidas como importantes antes&#8221;, diz.<\/p>\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\"Leopoldo Barbosa afirma que situa\u00e7\u00f5es adversas t\u00eam potencial gerador de mudan\u00e7a. (Foto: Vitor Lima\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731211810568152a.jpg\" alt=\"Leopoldo Barbosa afirma que situa\u00e7\u00f5es adversas t\u00eam potencial gerador de mudan\u00e7a. (Foto: Vitor Lima\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">Leopoldo Barbosa afirma que situa\u00e7\u00f5es adversas t\u00eam potencial gerador de mudan\u00e7a. (Foto: Vitor Lima\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Festas com grandes aglomera\u00e7\u00f5es, visitas em maternidades e comemora\u00e7\u00e3o mensal para beb\u00eas reunindo a fam\u00edlia devem ser costumes que ser\u00e3o repensados. &#8220;H\u00e1 quest\u00f5es culturais muito fortes, mas j\u00e1 h\u00e1 uma mudan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a essas quest\u00f5es. As cidades j\u00e1 est\u00e3o sendo pensadas em outros formatos, assim como o transporte p\u00fablico. As vidas privadas tamb\u00e9m est\u00e3o passando por transforma\u00e7\u00f5es. As pessoas est\u00e3o repensando sobre para onde v\u00e3o e o que v\u00e3o fazer. Estamos vivendo transforma\u00e7\u00f5es que demorariam d\u00e9cadas para acontecer&#8221;, pontua Leopoldo.<\/p>\n<p>O chefe do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e psicanalista \u00c9rico Andrade ressalta que \u00e9 fundamental pensar sobre as mudan\u00e7as geradas pela pandemia levando em considera\u00e7\u00e3o quest\u00f5es de g\u00eanero, classe social e ra\u00e7a. &#8220;A forma como voc\u00ea se constitui socialmente gera rela\u00e7\u00f5es diferentes com este momento. H\u00e1 uma s\u00f3 pandemia, mas v\u00e1rios mundos. N\u00e3o h\u00e1 uma unidade no que diz respeito \u00e0s consequ\u00eancias da pandemia e aos modos como as pessoas v\u00e3o vivenci\u00e1-la&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para quem vive em contextos de vulnerabilidade social e econ\u00f4mica, quest\u00f5es como falta de emprego, morte e sobreviv\u00eancia ser\u00e3o mais urgentes. &#8220;H\u00e1 pessoas que sempre viveram em condi\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, em desfavorecimento material. Esse tipo de constru\u00e7\u00e3o pol\u00edtica (de aux\u00edlio) deve ser mantida, deve ser perene. N\u00e3o pode acabar (no p\u00f3s-pandemia)&#8221;, pontua. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que podem fazer trabalho de forma remota, essa \u00e9 uma tend\u00eancia que deve ser fortalecida, segundo \u00c9rico. &#8220;Deve haver tamb\u00e9m um incremento nessas formas de trabalho. A comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m deve continuar ganhando for\u00e7a no digital, como tem sido neste momento&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>\u00c9rico observa ainda que tem surgido uma no\u00e7\u00e3o maior de que a exist\u00eancia humana n\u00e3o pode ser dissociada da natureza. &#8220;Somos, apesar da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, vulner\u00e1veis a um v\u00edrus, que precisa do corpo humano para ser transmitido. Precisamos ter muito cuidado e aten\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Somos a natureza&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A pandemia da Covid-19 deve servir como um novo marco hist\u00f3rico, segundo a historiadora e antrop\u00f3loga Lilia Schwarcz. &#8220;(O historiador Eric) Hobsbawm disse que o longo s\u00e9culo 19 s\u00f3 terminou depois da Primeira Guerra Mundial. N\u00f3s usamos o marcador de tempo: virou o s\u00e9culo, tudo mudou. Mas n\u00e3o funciona assim, a experi\u00eancia humana \u00e9 que constr\u00f3i o tempo. Ele tem raz\u00e3o, o longo s\u00e9culo 19 terminou com a Primeira Guerra, com mortes, com a experi\u00eancia do luto, mas tamb\u00e9m o que significou sobre a capacidade destrutiva. Acho que essa nossa pandemia marca o final do s\u00e9culo 20, que foi o s\u00e9culo da tecnologia. N\u00f3s tivemos um grande desenvolvimento tecnol\u00f3gico, mas agora a pandemia mostra esses limites&#8221;, disse, em entrevista ao portal\u00a0<em>Universa<\/em>.<br \/>\n<strong><br \/>\nRepensando o carnaval<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\"C\u00e9lio Gouveia, da organiza\u00e7\u00e3o do Elefante, diz que carnaval em 2021 \u00e9 incerto. (Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731212200304493u.jpg\" alt=\"C\u00e9lio Gouveia, da organiza\u00e7\u00e3o do Elefante, diz que carnaval em 2021 \u00e9 incerto. (Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">C\u00e9lio Gouveia, da organiza\u00e7\u00e3o do Elefante, diz que carnaval em 2021 \u00e9 incerto. (Foto: Tarciso Augusto\/Esp.DP)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>As ladeiras cheias e o calor do carnaval de Olinda parecem cada vez mais distantes dos foli\u00f5es. Com a proibi\u00e7\u00e3o de aglomera\u00e7\u00f5es e a falta de previs\u00e3o para uma vacina que proteja contra a Covid-19, o evento da cidade, que nasceu ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, pode n\u00e3o acontecer em 2021. Um dos blocos mais tradicionais da Marim de Caet\u00e9s e dono de um dos hinos mais emblem\u00e1ticos do carnaval Pernambucano, o Elefante de Olinda trabalha com a possibilidade de adiamento da festa. Caso isso aconte\u00e7a, ser\u00e1 a primeira vez que a tro\u00e7a n\u00e3o tomar\u00e1 a Rua do Bonfim desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em 1952.<\/p>\n<div>\n&#8220;A gente n\u00e3o sabe ainda se vai ter carnaval ou n\u00e3o. Mas se tem uma coisa que podemos adiantar \u00e9 que esta indecis\u00e3o j\u00e1 inviabiliza muita coisa. O processo de botar o bloco na rua vem de antes, nesta \u00e9poca do ano n\u00f3s j\u00e1 dever\u00edamos estar finalizando as camisas para colocar \u00e0 venda em setembro e outubro, para arrecadar dinheiro e pensar em toda log\u00edstica, toda a parte financeira para participarmos das pr\u00e9vias e do carnaval. Todo este processo leva tempo. Mesmo que por algum milagre surja a vacina e tenha carnaval na data certa, toda essa indecis\u00e3o j\u00e1 atrapalha a parte de capta\u00e7\u00e3o de recursos\u201d, diz o designer e fot\u00f3grafo, C\u00e9lio Gouveia, que, h\u00e1 tr\u00eas anos, participa da organiza\u00e7\u00e3o do clube.<\/p>\n<p>De acordo com a Prefeitura de Olinda, em 2020, cerca de R$ 8 milh\u00f5es foram investidos no carnaval, 70% proveniente da iniciativa privada e 30% dos cofres p\u00fablicos do munic\u00edpio. A ocupa\u00e7\u00e3o da rede hoteleira, \u00e0 \u00e9poca, chegou a 98%, resultado maior dos que os 96% apresentado em 2018 e 97% em 2019. Apenas no per\u00edodo momesco, 100 mil empregos diretos e indiretos foram criados. Pelo menos 3,6 milh\u00f5es de pessoas aproveitaram a festa, entre eles 400 mil turistas estrangeiros, que movimentaram R$ 295 milh\u00f5es no total. Ainda segundo os dados levantados pela administra\u00e7\u00e3o da cidade, uma pesquisa de satisfa\u00e7\u00e3o foi realizada com 2 mil foli\u00f5es, 92% deles aprovaram o carnaval da cidade e, desses, 98% afirmaram que voltariam para a festa, que pode ser cancelada no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhamos muito com a ideia de n\u00e3o haver carnaval, com o adiamento dele. Pensamos que, enquanto n\u00e3o houver, a gente pode e deve, tanto o Elefante quanto outras agremia\u00e7\u00f5es, fazer uma articula\u00e7\u00e3o para arrecadar recursos para auxiliar as pessoas que trabalham com o carnaval. Se realmente n\u00e3o houver a festa, ser\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil para quem depende do per\u00edodo\u201d, afirma C\u00e9lio. \u201cQuando percebemos que a pandemia iria durar muito, pensamos o que poder\u00edamos fazer para movimentar o Elefante e ajudar uma galera que est\u00e1 precisando bastante, os m\u00fasicos e outras pessoas que trabalham com o carnaval, como porta-estandartes e \u2018faixeiros\u2019, que perderam a renda de uma hora pra outra. Decidimos ent\u00e3o criar um projeto, que acabou na sexta-feira (31), chamado Jornada de Frevo, um evento online que contou com palestras, discotecagens e shows. Cobramos um ingresso solid\u00e1rio, para quem pudesse pagar, a arrecada\u00e7\u00e3o servir\u00e1 para ajudar essas categorias que pararam com cestas b\u00e1sicas. Esperamos ajudar as pessoas que precisam, pessoas que nos fazem t\u00e3o felizes durante o carnaval.\u201d<\/p>\n<p>Para C\u00e9lio, a parada, caso aconte\u00e7a, n\u00e3o conseguir\u00e1 esfriar o amor pela festividade. \u201cO sentimento sobre o carnaval tradicional continua bem vivo, principalmente em Olinda, onde a popula\u00e7\u00e3o realmente vive aquilo. As pessoas decoram as casas com as cores do Elefante, v\u00e3o \u00e0s pr\u00e9vias e falam sobre isso\u201d, comenta o organizador, que tamb\u00e9m n\u00e3o acredita em menos investimentos por parte do poder p\u00fablico nos anos ap\u00f3s Covid-19. \u201cAcho muito dif\u00edcil que eles abram m\u00e3o. O carnaval \u00e9 um investimento do estado. O dinheiro que entra \u00e9 coberto pelos pr\u00f3prios foli\u00f5es e pelos turistas. \u00c9 uma festa que d\u00e1 lucro, que vende o estado para o turismo. N\u00e3o tem porque cancelar algo assim. Agora algumas coisas t\u00eam que ser revistas. O estado gasta muito com artistas de fora do que com as pr\u00f3prias pessoas que fazem o carnaval aqui, do que com as agremia\u00e7\u00f5es do estado. As Vassourinhas do Recife, por exemplo, est\u00e1 com a sede acabada e o Batutas de S\u00e3o Jos\u00e9 n\u00e3o conseguiu sair este ano. Se for pra adiar, se for pra n\u00e3o ter carnaval, que o poder p\u00fablico consiga suprir a demanda. Consiga, de alguma forma, fazer com que esses profissionais da cultura mantenham sua renda.\u201d<\/p>\n<p>Na \u00faltima quinta-feira, o secret\u00e1rio de Turismo de Pernambuco, Rodrigo Novaes, afirmou que precisa de um prazo maior para visualizar um cen\u00e1rio com uma defini\u00e7\u00e3o melhor sobre a pandemia do coronav\u00edrus e responder sobre o carnaval, mas que uma reuni\u00e3o ser\u00e1 realizada na pr\u00f3xima segunda-feira (3) para garantir a viabilidade econ\u00f4mica do evento. O que se sabe \u00e9 que o estado n\u00e3o poder\u00e1 realizar a festividade como de costume, caso n\u00e3o seja aprovada e disponibilizada uma vacina para a Covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns estados anunciaram o adiamento do carnaval, n\u00f3s temos nosso prazo e nosso planejamento, n\u00e3o queremos falar disso agora porque ainda \u00e9 cedo para a realidade de Pernambuco\u201d, disse o secret\u00e1rio. &#8220;Para o poder p\u00fablico, ter\u00edamos at\u00e9 dezembro para falar sobre isso, mas a gente compreende que o carnaval envolve todo um setor que precisa de resposta. Ent\u00e3o n\u00e3o vamos aguardar at\u00e9 dezembro, a gente precisa dar uma sinaliza\u00e7\u00e3o antes. Marcamos uma reuni\u00e3o com representantes do setor de eventos para entender qual \u00e9 a data poss\u00edvel que eles t\u00eam para n\u00e3o comprometer os eventos que eles t\u00eam planejado&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p><strong>Novas cren\u00e7as e valores?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\" (Foto: Bruna Costa\/Esp.DP)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731212411121826o.jpg\" alt=\" (Foto: Bruna Costa\/Esp.DP)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">Foto: Bruna Costa\/Esp.DP<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Uma das principais tend\u00eancias apontadas para o cen\u00e1rio de p\u00f3s-pandemia \u00e9 a revis\u00e3o de cren\u00e7as e valores. Seremos melhores enquanto sociedade? Segundo a psic\u00f3loga mestra em psicologia social pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) e professora do\u00a0Centro Universit\u00e1rio Tiradentes (Unit-PE), Let\u00edcia Souto, as poss\u00edveis mudan\u00e7as v\u00e3o passar por uma escolha \u00e9tica. &#8220;N\u00e3o sei se sairemos melhores, mas, certamente, diferentes. \u00c9 muito arriscado dizer que iremos melhorar&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez, a \u00fanica sa\u00edda que a gente encontre para passar por isso e ap\u00f3s termos passado seja uma sa\u00edda coletiva. Essa quest\u00e3o \u00e9tica \u00e9 uma escolha, mas uma escolha coletiva. Um pequeno detalhe, a escolha de n\u00e3o sair de casa, as atitudes individuais t\u00eam implica\u00e7\u00e3o no todo, no coletivo. Nessa crise sanit\u00e1ria, pol\u00edtica e econ\u00f4mica, somos mais do que impulsionados, forjados \u00e0 necessidade de tentar pensar eticamente e agir eticamente. E essa nova \u00e9tica \u00e9 diferente da que est\u00e1 posta atualmente&#8221;, afirma a psic\u00f3loga.<\/p>\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\"A psic\u00f3loga Let\u00edcia Souto diz que as poss\u00edveis mudan\u00e7as v\u00e3o passar por uma escolha \u00e9tica. (Foto: Arquivo Pessoal)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731212606272385u.jpg\" alt=\"A psic\u00f3loga Let\u00edcia Souto diz que as poss\u00edveis mudan\u00e7as v\u00e3o passar por uma escolha \u00e9tica. (Foto: Arquivo Pessoal)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">A psic\u00f3loga Let\u00edcia Souto diz que as poss\u00edveis mudan\u00e7as v\u00e3o passar por uma escolha \u00e9tica. (Foto: Arquivo Pessoal)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Exceto para os que negam a realidade, as mudan\u00e7as ser\u00e3o inevit\u00e1veis. &#8220;A n\u00e3o ser para os que est\u00e3o fingindo que o problema n\u00e3o existe, j\u00e1 h\u00e1 algo que mudou. Ainda que se tenha uma vacina, esse controle n\u00e3o vir\u00e1 por absoluto. Pelo menos n\u00e3o no m\u00e9dio prazo. Algo do desconhecido j\u00e1 atravessou os sujeitos e isso tem desdobramentos no nosso comportamento. Somos diferentes e singulares em nossa constitui\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o esses desdobramentos ser\u00e3o diferentes. Um mesmo est\u00edmulo vai ser percebido de diferentes maneiras e vamos dando sentido a ele. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, portanto, que haja uma diversidade grande nos posicionamentos e atitudes neste momento&#8221;, diz Let\u00edcia.<\/p>\n<p>A doutora em ci\u00eancia pol\u00edtica e professora do curso de direito do Unit-PE, Maria Carmen Chaves, acredita que j\u00e1 est\u00e1 havendo e continuar\u00e1 existindo um cuidado com o outro. &#8220;A aten\u00e7\u00e3o e o cuidado com o pr\u00f3ximo, quando tudo isso passar, vai ser maior do que antes. Mesmo sem o contato f\u00edsico, h\u00e1 um cuidado maior com o outro. Esse olhar mais cuidadoso, preocupado com o coletivo, vai ser um resultado no p\u00f3s-pandemia&#8221;, observa.<\/p>\n<p>No curto prazo, Maria Carmen considera que abra\u00e7os e o contato f\u00edsico mais pr\u00f3ximo ser\u00e1 menos comum. &#8220;Essa \u00e9 uma necessidade humana, ent\u00e3o acredito que, no m\u00e9dio prazo, esse afeto f\u00edsico volta&#8221;, comenta. Para o m\u00e9dio prazo, ela imagina que manifesta\u00e7\u00f5es culturais ser\u00e3o transformadas. &#8220;N\u00e3o consigo visualizar um carnaval no pr\u00f3ximo ano ou grandes festas acontecendo. A maioria das pessoas ter\u00e1 medo desses encontros em multid\u00f5es&#8221;, diz. &#8220;No longo prazo, os principais resqu\u00edcios ser\u00e3o no sentido de reorganizar a vida social e econ\u00f4mica, que est\u00e1 completamente desestruturada neste momento. Esse talvez seja o efeito mais complexo e danoso da pandemia&#8221;, completa.<\/p>\n<p><strong>Mercados est\u00e3o se reinventando\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<table class=\"image center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" title=\"A cerimonialista Priscila Borba atua h\u00e1 11 anos com grandes eventos em Pernambuco. (Foto: Rodrigo Castro\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/static\/app\/noticia_127983242361\/2020\/08\/02\/837059\/20200731213142695557o.jpg\" alt=\"A cerimonialista Priscila Borba atua h\u00e1 11 anos com grandes eventos em Pernambuco. (Foto: Rodrigo Castro\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"zebra\">A cerimonialista Priscila Borba atua h\u00e1 11 anos com grandes eventos em Pernambuco. (Foto: Rodrigo Castro\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div>&#8220;Esse per\u00edodo de pandemia, a princ\u00edpio, foi assustador. Nosso \u00faltimo evento foi no dia 14 de mar\u00e7o. Desde l\u00e1, n\u00e3o fizemos nenhuma festa presencialmente. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o paramos em nenhum momento. Continuamos atendendo online, fazendo reuni\u00f5es e indica\u00e7\u00f5es de fornecedores. Tentamos estimular os clientes para que continuem planejando e contratando seus fornecedores. N\u00e3o queremos que eles desistam dos sonhos deles e que continuem planejando, para que os eventos sejam adiados e n\u00e3o cancelados&#8221;, diz a cerimonialista Priscila Borba, que, h\u00e1 11 anos, trabalha com grandes eventos em Pernambuco.<\/p>\n<p>As atividades econ\u00f4micas foram paralisadas desde o dia 20 de mar\u00e7o e n\u00e3o constam no Plano Estadual de Conviv\u00eancia com a Covid-19. Assim, ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para a volta de eventos no estado, situa\u00e7\u00e3o que gera ansiedade em quem trabalha na \u00e1rea. \u201cAssim que come\u00e7ou a pandemia, o mercado de eventos estava voltando ao normal e saindo da crise que tinha nos afetado, e afetou todo o pa\u00eds. Est\u00e1vamos nos reconstruindo, as empresas estavam tomando f\u00f4lego novamente, ap\u00f3s um per\u00edodo de crise de quase um ano e meio. E a\u00ed, veio a pandemia. Acho que o mercado de eventos foi um dos mais afetados. Fomos os primeiros a parar e creio que seremos os \u00faltimos a voltar&#8221;, recorda Priscila. \u201cEst\u00e1 tendo toda uma a\u00e7\u00e3o dos fornecedores de eventos para que o governo do estado se posicione e que a gente tenha uma data de volta, pelo menos. Se vai ser esse ano ou s\u00f3 quando liberar a vacina. Nossos clientes precisam deste retorno para se reagendar, adiar o evento ou manter. Minha empresa tem mais de 20 eventos planejados ainda neste ano, de setembro a dezembro, eles est\u00e3o aguardando para saber se ser\u00e3o liberados ou n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Com uma empresa formada por duas s\u00f3cias e uma equipe de 13 pessoas, sendo 12 freelancers e uma contratada, Priscila precisou usar o momento para se reinventar. \u201cLan\u00e7amos v\u00e1rios projetos durante este per\u00edodo de pandemia. Colocamos nossa nova marca no ar, lan\u00e7amos uma p\u00e1gina no Pinterest, playlists no Spotify, abrimos mais abas no nosso site, entramos no Telegram e realizamos v\u00e1rias lives com fornecedores do ramo. Estamos usando a pandemia para trazer conte\u00fados interessantes para o mercado e para a nossa empresa\u201d, pontua.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A empres\u00e1ria tamb\u00e9m sabe dos obst\u00e1culos que ter\u00e1 que enfrentar quando o per\u00edodo p\u00f3s quarentena chegar e espera pelo protocolo estadual para regulamentar o funcionamento de empresas como a sua. \u201c\u00c9 dif\u00edcil, a gente sabe que eventos foram feitos para comemorar. S\u00e3o momentos de alegria em que as pessoas querem se abra\u00e7ar, se beijar, dan\u00e7ar juntos, beber, comer. Ficamos receosos em como isto pode acontecer com tantos protocolos de seguran\u00e7a. Ao mesmo tempo a gente espera que esse protocolo saia e que a volta venha de forma segura para os clientes e fornecedores\u201d, diz Priscila. \u201cSabemos que \u00e9 uma doen\u00e7a s\u00e9ria e que muitas regras de seguran\u00e7a ter\u00e3o de ser obedecida, mas sabemos tamb\u00e9m o quanto \u00e9 preciso essa volta. H\u00e1 muitos fornecedores, muitos terceirizados, que dependem dos eventos para sobreviver. Falo de gar\u00e7ons, t\u00e9cnicos de som, m\u00fasicos, das nossas cerimonialistas e seguran\u00e7as. A grande maioria s\u00e3o trabalhadores terceirizados que s\u00f3 recebem quando h\u00e1 eventos\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Apesar das dificuldades, Priscila espera que as inova\u00e7\u00f5es que colheu durante a quarentena perdurem. \u201cN\u00f3s nos renovamos, trouxemos projetos novos para o mercado e a nossa empresa, conseguimos ler muito, estudar muito, sobre como seria essa volta. Treinamos nossa equipe, apresentamos protocolos de seguran\u00e7a para nossos assessores e cerimonialistas, como a import\u00e2ncia do distanciamento, o uso de \u00e1lcool e m\u00e1scaras. Pedimos tamb\u00e9m para evitar o contato, coisa que \u00e9 t\u00e3o importante no cerimonial. Estamos nos adaptando aos eventos presenciais, quanto \u00e0 forma remota, buscamos aplicativos para que pud\u00e9ssemos atender os clientes com maior praticidade. Reuni\u00f5es online, planilhas, apresenta\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos. Tudo para que nossos clientes n\u00e3o fossem atingidos por essa nova realidade.\u201d<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ap\u00f3s receber da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Eventos no Estado (Abeoc-PE) um plano de protocolo para Eventos MICE (Meetings\/Encontros, Incentives\/Incentivos, Conferences\/Confer\u00eancias, Exhibitions \/Feiras), o secret\u00e1rio de Turismo, Rodrigo Novaes, afirmou que o setor de eventos ser\u00e1 flexibilizado de forma escalonada. De acordo com o mesmo, casamentos e eventos sociais podem voltar, com p\u00fablico limite de 50 pessoas, em outubro. Outras altera\u00e7\u00f5es na libera\u00e7\u00e3o devem acontecer apenas em 2021. &#8220;Os eventos sociais ser\u00e3o os primeiros e estamos estudando para ver se conseguimos reabrir em um m\u00eas, como casamentos e festas de 15 anos. Depois tem os congressos h\u00edbridos, que possam reunir poucas pessoas e mesclar com a quest\u00e3o virtual&#8221;, explicou.<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"sc_intxt_container\">\n<div>\n<div id=\"smartclipDiv\" class=\"fixed_intext_sc_v1\" data-smartplay-instance-id=\"0\">Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<div id=\"sc_ava_companion\" class=\"sc_intxt_hided\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span id=\"coment_user\"><\/span><\/p>\n<div class=\"w100 my-3 clearfix\">\n<div class=\"float-right addthis_inline_share_toolbox\" data-url=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/noticia\/vidaurbana\/2020\/08\/coronavirus-acelera-o-futuro-e-gera-mudancas-no-comportamento-o-que-d.html\" data-title=\"Coronav\u00edrus acelera o futuro e gera mudan\u00e7as no comportamento; o que dizem especialistas\" data-description=\"Mudan\u00e7as que demorariam d\u00e9cadas para acontecer tornaram-se uma realidade apressada por causa da pandemia do novo coronav\u00edrus. 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As transforma\u00e7\u00f5es impostas pela Covid-19 n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":327019,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-327018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/sozinho-no-banco-de-praca.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327019"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}