{"id":327040,"date":"2020-08-03T06:22:28","date_gmt":"2020-08-03T09:22:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=327040"},"modified":"2020-08-03T06:22:28","modified_gmt":"2020-08-03T09:22:28","slug":"1804-humboldt-retorna-da-expedicao-pela-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/1804-humboldt-retorna-da-expedicao-pela-america-latina\/","title":{"rendered":"1804: Humboldt retorna da expedi\u00e7\u00e3o pela Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<div id=\"subNav\" class=\"dreiSp\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"intro\"><strong>A 3 de agosto de 1804, chegaram \u00e0 Fran\u00e7a o pesquisador alem\u00e3o Alexander von Humboldt e seu companheiro de viagem, o m\u00e9dico e bot\u00e2nico franc\u00eas Aim\u00e9 Bonpland. Ambos pisavam na Europa ap\u00f3s mais de cinco anos de expedi\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/1804-humboldt-retorna-da-expedi%C3%A7%C3%A3o-pela-am%C3%A9rica-latina\/a-1284527#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Retrato do naturalista alem\u00e3o Alexander von Humboldt\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/47372909_303.jpg\" alt=\"Retrato do naturalista alem\u00e3o Alexander von Humboldt\" \/><\/a>Alexander von Humboldt<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p>Os aplausos na chegada a Bordeaux, na Fran\u00e7a,\u00a0n\u00e3o eram apenas express\u00e3o de al\u00edvio \u2013 ainda algumas semanas antes, os jornais alem\u00e3es haviam noticiado que o bar\u00e3o Humboldt morrera de febre amarela em Acapulco \u2013, como principalmente manifesta\u00e7\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o pela fa\u00e7anha dos dois viajantes, que encerravam assim uma das mais importantes expedi\u00e7\u00f5es de todos os tempos.<\/p>\n<p><strong>Da parte para o todo<\/strong><\/p>\n<p>Da bagagem de Humboldt e Bonpland, faziam parte 40 caixotes contendo folhas e mais folhas de anota\u00e7\u00f5es, bem como incont\u00e1veis amostras coletadas em suas andan\u00e7as por territ\u00f3rios hoje pertencentes \u00e0 Venezuela, Cuba, Col\u00f4mbia, Equador, Peru e M\u00e9xico. S\u00f3 de plantas, os pesquisadores trouxeram 60 mil exemplares, entre os quais 3600 esp\u00e9cies ent\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n<p>A p\u00e9, a cavalo, no lombo de burros e a bordo de canoas, ambos tinham percorrido plan\u00edcies, escalado montanhas, atravessado rios, com uma disposi\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje causa admira\u00e7\u00e3o. Desprovidos de equipamentos alpinos, conseguiram chegar a quase 6000 metros de altitude no Chimborazo, no Equador. Precip\u00edcios intranspon\u00edveis e o mau tempo for\u00e7aram a interrup\u00e7\u00e3o da escalada apenas algumas centenas de metros abaixo do pico.<\/p>\n<p>Analisar o material trazido e passar para o papel suas observa\u00e7\u00f5es e conclus\u00f5es foram tarefas a que Humboldt se dedicou nos 30 anos seguintes de sua vida. O resultado encontra-se expresso nos 34 volumes de\u00a0<em>Viagem \u00e0s Regi\u00f5es Equinociais do Novo Mundo<\/em>, publicados em franc\u00eas entre 1805 e 1839.<\/p>\n<p><strong>Longos preparativos<\/strong><\/p>\n<p>Segundo depoimentos do pr\u00f3prio Humboldt, ele levara seis anos se preparando para sua grande viagem ao continente ent\u00e3o praticamente desconhecido. Apaixonado por instrumentos de medi\u00e7\u00e3o, levou consigo 50 deles, os mais modernos de sua \u00e9poca, que sabia usar com precis\u00e3o. Com sua ajuda, mediu temperaturas e press\u00e3o atmosf\u00e9rica, latitudes e longitudes, estabeleceu o percurso de rios, o perfil de montanhas e o desenho das costas.<\/p>\n<p>Terras brasileiras n\u00e3o foram inclu\u00eddas em sua expedi\u00e7\u00e3o, ao que consta, em virtude da desconfian\u00e7a da corte portuguesa em rela\u00e7\u00e3o ao estudioso que simpatizava com os ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<\/p>\n<p><strong>Saber enciclop\u00e9dico<\/strong><\/p>\n<p>Alexander von Humboldt foi o primeiro a descrever cientificamente a transi\u00e7\u00e3o do ver\u00e3o para o inverno nos Andes e as mudan\u00e7as da vegeta\u00e7\u00e3o de acordo com a altitude. Fiel a seu preceito de observar o mundo como um todo, investigando e descrevendo as inter-rela\u00e7\u00f5es entre os diferentes fen\u00f4menos, ele \u00e9 considerado o \u00faltimo s\u00e1bio universal.<\/p>\n<p>N\u00e3o se restringiu a estudar a natureza do Novo Continente, mas observou e refletiu tamb\u00e9m sobre a organiza\u00e7\u00e3o social nas col\u00f4nias hisp\u00e2nicas na Am\u00e9rica. Coletou dados econ\u00f4micos sobre a agricultura e a minera\u00e7\u00e3o e apontou para as conseq\u00fc\u00eancias nefastas da interven\u00e7\u00e3o do homem na natureza, sendo assim um precursor da ecologia, conceito que s\u00f3 foi criado em 1866 pelo pesquisador alem\u00e3o Ernst Haeckel. Advers\u00e1rio da escravid\u00e3o, alertou que o fosso entre a privilegiada classe dos brancos e os miser\u00e1veis ind\u00edgenas dificultaria o desenvolvimento dos pa\u00edses na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao falecer em Berlim em 1859, pouco antes de completar 90 anos, Alexander von Humboldt havia consumido quase toda sua consider\u00e1vel fortuna em estudos e no fomento ao trabalho de jovens cientistas. Seu nome, por\u00e9m, est\u00e1 imortalizado n\u00e3o apenas em sua obra paradigm\u00e1tica, como tamb\u00e9m em mais de mil acidentes geogr\u00e1ficos, localidades e institui\u00e7\u00f5es em todo o mundo, na corrente mar\u00edtima que transporta \u00e1guas frias pelo Pac\u00edfico e at\u00e9 numa cratera lunar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 3 de agosto de 1804, chegaram \u00e0 Fran\u00e7a o pesquisador alem\u00e3o Alexander von Humboldt e seu companheiro de viagem, o m\u00e9dico e bot\u00e2nico franc\u00eas Aim\u00e9 Bonpland. 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