{"id":327282,"date":"2020-08-05T10:16:56","date_gmt":"2020-08-05T13:16:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=327282"},"modified":"2020-08-05T10:16:56","modified_gmt":"2020-08-05T13:16:56","slug":"eu-era-a-estrela-mais-famosa-sabe-sharon-stone-fracasso-e-ressurreicao-da-ultima-de-uma-estirpe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/eu-era-a-estrela-mais-famosa-sabe-sharon-stone-fracasso-e-ressurreicao-da-ultima-de-uma-estirpe\/","title":{"rendered":"Eu era a estrela mais famosa, sabe?\u201d: Sharon Stone, fracasso e ressurrei\u00e7\u00e3o da \u00faltima de uma estirpe"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Quando completa 40 anos de cinema e prepara um grande papel sob a batuta de Ryan Murphy em \u2018Ratched\u2019, repassamos a estranha carreira da \u00faltima grande estrela de Hollywood<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/7owBlv841powx81ZwO0FlxclbkI=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/CWBYQ4DRCQ26Y6QNC4QVGIZTG4.jpg\" alt=\"No Festival do Cannes de 1992, Sharon Stone, prestes a se tornar uma estrela mundial, dedica um sorriso a um fot\u00f3grafo enquanto seus colegas da equipe em \u2018Instinto Selvagem\u2019 posam para outros.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">No Festival do Cannes de 1992, Sharon Stone, prestes a se tornar uma estrela mundial, dedica um sorriso a um fot\u00f3grafo enquanto seus colegas da equipe em \u2018Instinto Selvagem\u2019 posam para outros.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Guillermo Alonso\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/guillermo-alonso-barcia\/\">GUILLERMO ALONSO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em um dos epis\u00f3dios mais memor\u00e1veis da autobiografia do Joe Eszterhas (que j\u00e1 foi o roteirista mais bem pago do mundo e autor de cl\u00e1ssicos como\u00a0<i>Flashdance<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Instinto selvagem<\/i>) conta-se que um dia ele marcou um jantar com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/sharon-stone\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Sharon Stone<\/a>\u00a0(Meadville, Pensilv\u00e2nia, 1958) e ela apareceu com uma maconha tailandesa espetacular, que fumaram no carro, e o motorista teve que estacionar bem na porta do restaurante porque eles mal conseguiam caminhar. Voltando para casa, pararam numa loja de discos, ela caiu por uma escadaria porque estava chapada demais, voltaram para o carro, escutaram mais m\u00fasica, fumaram mais baseados e beberam mais champanhe. Foi, digamos, uma noite espetacular. Mas num dado momento, conforme relembra Eszterhas, ela come\u00e7ou a chorar e lhe disse: \u201cDaqui a pouco terei quarenta anos. Isto deveria ter acontecido comigo h\u00e1 20. Subi um morro de cacos de vidro. Por que voc\u00ea n\u00e3o escreveu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/15\/cultura\/1489591086_437970.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Instinto selvagem<\/i><\/a> h\u00e1 20 anos? Por qu\u00ea?\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em 1994, aos 35 anos, Sharon Stone era uma das duas maiores estrelas de cinema mundial por ter protagonizado\u00a0<i>Instinto selvagem<\/i>, um filme t\u00e3o famoso e influente que ultrapassou a condi\u00e7\u00e3o de sucesso cinematogr\u00e1fico para se tornar um marco global da d\u00e9cada de noventa. Mas seu coment\u00e1rio n\u00e3o era totalmente equivocado: virar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/01\/11\/estilo\/1452503691_858738.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sex symbol<\/a>\u00a0aos trinta e tantos lhe prometia um reinado muito curto numa ind\u00fastria muito cruel. A aprecia\u00e7\u00e3o de \u201cuma das duas maiores estrelas\u201d n\u00e3o \u00e9 dela mesma, e sim do\u00a0<i>The New York Times<\/i>. A outra era\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/julia-roberts\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Julia Roberts<\/a>, quase uma d\u00e9cada mais jovem que ela. Tamb\u00e9m eram mais jovens Demi Moore e Meg Ryan. \u201cEnquanto Julia interpreta v\u00edtimas que precisam ser resgatadas por um homem, Sharon est\u00e1 melhor do que nunca quando interpreta mulheres fortes e capazes\u201d, escreveu a jornalista Suzannah Andrews.\u00a0<i>Instinto selvagem<\/i>, com o qual alcan\u00e7ou a fama mundial, foi seu filme n\u00famero 18. Antes tinha encadeado fracassos de bilheteria, desastres de cr\u00edtica e algumas porcarias onde sempre fazia o mesmo papel de loira sexy, fosse ela manipuladora ou manipulada.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Sharon come\u00e7ou como modelo na ag\u00eancia Ford. De fato, \u00e9 poss\u00edvel que seu f\u00edsico de beleza loira, g\u00e9lida, muito alta, de extremidades largas e andar quase extraterrestre, tenha sido um de seus empecilhos para ir muito longe: os espectadores sempre acharam complicado enxergar algo al\u00e9m dessa beleza superlativa que se destacava na tela. Foi, provavelmente, o motivo pelo qual os primeiros 12 anos de sua carreira foram t\u00e3o desastrosos, se excetuarmos um papel sem fala em\u00a0<i>Mem\u00f3rias<\/i>, de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-06-18\/woody-allen-a-ideia-de-que-abusei-da-minha-filha-de-7-anos-era-tao-absurda-que-nunca-falei-sobre-isso.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Woody Allen<\/a>, sua estreia em 1980, uma coadjuvante com gra\u00e7a em\u00a0<i>Diferen\u00e7as Irreconcili\u00e1veis<\/i>\u00a0e o papel de vil\u00e3 em\u00a0<i>O Vingador do Futuro<\/i>, o ponto de inflex\u00e3o em sua carreira que nos traz at\u00e9 aqui.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/-KsZ4IS6BbRClJ1S23ex4708adQ=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/GQ7RTSLP6MJZ2STNY3ZFDQSEPI.jpg\" alt=\"Depois do enorme sucesso de \u2018Instinto Selvagem\u2019, Sharon Stone se tornou uma das mulheres mais perseguidas e fotografadas do mundo. Nesta imagem, foge dos \u2018paparazzi\u2019 em um carro com seu guarda-costas em Los Angeles, em 1992. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Depois do enorme sucesso de \u2018Instinto Selvagem\u2019, Sharon Stone se tornou uma das mulheres mais perseguidas e fotografadas do mundo. Nesta imagem, foge dos \u2018paparazzi\u2019 em um carro com seu guarda-costas em Los Angeles, em 1992.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Quando Paul Verhoeven procurava a protagonista feminina de\u00a0<i>Instinto Selvagem<\/i>, um roteiro retorcido, com cenas de sexo e viol\u00eancia expl\u00edcitas para aquela \u00e9poca, e com uma vil\u00e3 que n\u00e3o se parecia com nenhuma outra que j\u00e1 tiv\u00e9ssemos visto, recordou de Sharon, cujo papel coadjuvante em\u00a0<i>O Vingador do Futuro<\/i>\u00a0\u2015que ele tinha dirigido dois anos antes\u2015 j\u00e1 indicava essas maneiras. Foi a primeira atriz com quem Verhoeven fez um teste, mas a ent\u00e3o desconhecida Stone teve que ver em seguida os grandes nomes do\u00a0<i>star system<\/i>\u00a0feminino da \u00e9poca desfilando \u00e0 sua frente com senha preferencial. Kim Basinger,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/11\/fotorrelato\/1462967794_756095.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Michelle Pfeiffer<\/a>, Demi Moore, Geena Davis e Julia Roberts leram o roteiro, se horrorizaram com seu conte\u00fado e ca\u00edram fora. J\u00e1 Sharon se prestou aos nus, \u00e0 viol\u00eancia e ao extremo do papel porque contava com um poderos\u00edssimo \u00e1s na manga: o anonimato. Afinal, ao contr\u00e1rio de todas aquelas atrizes de renome, ela n\u00e3o tinha nada a perder.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Sobre\u00a0<i>Instinto Selvagem<\/i>\u00a0n\u00e3o h\u00e1 muito a dizer \u2015exceto que arrecadou mais de 350 milh\u00f5es de d\u00f3lares (2,1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares pelo c\u00e2mbio atual, sem contar a infla\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar), foi o quarto filme que mais faturou em 1992 e motivou dezenas de debates sobre o sexo, a viol\u00eancia, o feminismo e a representa\u00e7\u00e3o LGTBI. Todos se lembram do picador de gelo e da cruzada de pernas, e os espectadores espanh\u00f3is mais jovens podem descobri-lo a partir deste fim de semana, pois o filme entrou no \u00faltimo s\u00e1bado para o cat\u00e1logo da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-07-22\/a-aposta-da-netflix-na-realidade-para-manter-sua-formula-de-sucesso.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Netflix<\/a>. Mas a personagem de Stone, a vil\u00e3 Catherine Tramell, provocou um fasc\u00ednio muito particular gra\u00e7as a detalhes que poucos se deram ao trabalho de apontar. Por exemplo: Catherine era milion\u00e1ria, ent\u00e3o n\u00e3o agia movida por dinheiro. Era fria, portanto n\u00e3o estava motivada pelo despeito. N\u00e3o procurava o amor, ent\u00e3o n\u00e3o se deixava levar pelo romantismo. Liberada, portanto, de assuntos t\u00e3o mundanos e pouco chamativos, o que empurrava aquela personagem a criar o caos e a morte ao seu redor? Nada! Divertir-se e desfrutar do sexo pelo caminho, provavelmente. Por isso \u00e9, talvez, a vil\u00e3 mais reivindicativa e (\u00e0 sua maneira) p\u00f3s-feminista que conhecemos.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Sharon ganhou 500.000 d\u00f3lares por este filme (2,6 milh\u00f5es de reais, pelo c\u00e2mbio atual), uma cifra humilhante ao lado dos 12 milh\u00f5es que Michael Douglas levou para servir praticamente de escada para algo que, mais que personagem, era uma for\u00e7a da natureza. Stone se tornou uma estrela de cinema absoluta que, vista hoje, tem algo de crepuscular: foi a \u00faltima grande estrela de cinema como as de antigamente. Chegariam muito pouco depois as celebridades multiplataforma (como Jennifer Lopez), as hero\u00ednas sombrias que apaixonariam a nova imprensa do s\u00e9culo XXI (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/angelina-jolie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Angelina Jolie<\/a>) e as estrelas em tempo integral dos\u00a0<i>realities<\/i>\u00a0e redes sociais, que definem a nova era. Mas Sharon \u00e9 a \u00faltima de uma estirpe, a \u00faltima antes do nascimento da Internet. O caso de Stone \u00e9 interessante porque, como figura, nasceu durante seu pr\u00f3prio ocaso. Se o est\u00e1gio de supernova \u00e9 o \u00faltimo alento de vida de uma estrela, Sharon se transformou muito cedo em poeira e g\u00e1s.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/ucgzBOliJ66Eq6CeQKsNOiRJ8hw=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/YWBFUYFHDNADFE2IGMB47NZGEQ.jpg\" alt=\"Imagem publicit\u00e1ria de \u2018Instinto Selvagem\u2019, ao lado de Michael Douglas. Seu impacto foi tanto que uma revista cultural francesa chegou a eleger a estreia do filme como o fato mais relevante do mundo em 1992.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Imagem publicit\u00e1ria de \u2018Instinto Selvagem\u2019, ao lado de Michael Douglas. Seu impacto foi tanto que uma revista cultural francesa chegou a eleger a estreia do filme como o fato mais relevante do mundo em 1992.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAs pessoas n\u00e3o sabiam o que fazer comigo\u201d<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Se buscarmos em ingl\u00eas no Google \u201cO que aconteceu com Sharon Stone?\u201d, mais de 380.000 resultados analisar\u00e3o por que ela \u00e9 uma gl\u00f3ria do passado e mencionar\u00e3o o derrame cerebral que sofreu em 2001. Algo que sem d\u00favida afetou muit\u00edssimo a sua carreira, mas era uma carreira que j\u00e1 estava agonizante naquele momento.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cDurante muito tempo, as pessoas n\u00e3o sabiam o que fazer comigo. Parecia uma Barbie, falava como um dono de botequim, dizia coisas que assustavam as pessoas e tinha ideias sem sentido\u201d, contou em 1995 ao jornal brit\u00e2nico\u00a0<i>The Guardian<\/i>, aliviada por ter seu talento finalmente reconhecido pela cr\u00edtica em\u00a0<i>Cassino<\/i>, que lhe valeu uma indica\u00e7\u00e3o ao Globo de Ouro e ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/premios-oscar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Oscar<\/a>. Tinha raz\u00e3o: entre 1992 e 1995, os anos que v\u00e3o de\u00a0<i>Instinto Selvagem<\/i>\u00a0a\u00a0<i>Cassino<\/i>, seus dois grandes e \u00fanicos marcos, a carreira de Stone foi, mais que a de uma estrela famosa, a de uma estrela famosa equivocada dentro de uma com\u00e9dia televisiva.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tentou repetir o sucesso da f\u00f3rmula de um thriller er\u00f3tico em\u00a0<i>Invas\u00e3o de Privacidade<\/i>, mas o filme foi um sucesso apenas mediano, e a cr\u00edtica o massacrou. \u00c9 particularmente revelador o que disse sobre ela o\u00a0<i>Los Angeles Times<\/i>: \u201cDar a Stone o papel de avoada apaixonada que espera que lhe fa\u00e7am mal tem tanto sentido como dar a Madonna o papel de Emily Dickinson. Seu atrativo, como este filme confirma para o mal, est\u00e1 em sua borbulhante dissimula\u00e7\u00e3o, em que ela seja a agressora. Stone tem o frescor de Grace Kelly, mas h\u00e1 algo de predador em sua beleza\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tentou um filme de a\u00e7\u00e3o com Stallone,\u00a0<i>O Especialista<\/i>, que de novo foi um sucesso mediano, e no qual ela\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/24\/cultura\/1563960509_615624.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">parece inc\u00f4moda na maior parte do tempo<\/a>. Fez um em que de novo quis deixar de lado o papel de\u00a0<i>femme fatale<\/i>\u00a0e dar vida \u00e0 esposa sofrida e chifrada,\u00a0<i>Intersection \u2013 Entre Dois Mundos<\/i>. At\u00e9 fez um\u00a0<i>western<\/i>,\u00a0<i>R\u00e1pida e Mortal<\/i>. Nesta \u00faltima, em que foi tamb\u00e9m produtora-executiva, Stone demonstrou que o olho que nunca teve para a sua pr\u00f3pria carreira ela tinha para a dos outros: insistiu em dar pap\u00e9is a dois atores em quem a produtora Sony n\u00e3o confiava, um por ser muito desconhecido e outro por ser muito jovem. Eram Russell Crowe e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/07\/cultura\/1565177666_588546.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Leonardo DiCaprio<\/a>. O cach\u00ea deste \u00faltimo, dada a recusa da Sony, saiu do bolso de Stone.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/co6jwoYNkxsVicroCt44lMKuQms=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/4KY5TQ5VYR5PT54VEAB7EPFYJA.jpg\" alt=\"Aos 62 anos, Sharon Stone \u00e9 considerada uma dessas atrizes de Hollywood que amadureceram \u201ccom naturalidade\u201d, sem abusar das cirurgias rejuvenescedoras. Nesta foto de uma festa em Los Angeles, em fevereiro de 2020, ostenta seus cabelos grisalhos aos fot\u00f3grafos \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Aos 62 anos, Sharon Stone \u00e9 considerada uma dessas atrizes de Hollywood que amadureceram \u201ccom naturalidade\u201d, sem abusar das cirurgias rejuvenescedoras. Nesta foto de uma festa em Los Angeles, em fevereiro de 2020, ostenta seus cabelos grisalhos aos fot\u00f3grafos\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Vistos hoje, todos estes filmes parecem, mais que uma filmografia, uma galeria de Sharon Stone fazendo coisas: Sharon Stone vai ao oeste, Sharon Stone no meio das explos\u00f5es, Sharon Stone num dramalh\u00e3o. Era t\u00e3o bela, imponente e reconhec\u00edvel que os espectadores achavam dif\u00edcil ver qualquer coisa al\u00e9m de Sharon Stone em algum lugar. Nenhum desses filmes \u00e9 recordado hoje, exceto por seus f\u00e3s e por alguns cin\u00e9filos que, por um motivo ou outro, veem neles algum ponto de interesse mais pr\u00f3ximo do culto que da cinefilia.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">\u201cNingu\u00e9m est\u00e1 mais surpresa do que eu\u201d<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em 1995, com\u00a0<i>Cassino<\/i>, pareceu iniciar um rumo diferente. Com a ajuda de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/02\/cultura\/1483363664_328077.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Martin Scorsese<\/a>\u00a0e um elenco que inclu\u00eda Robert de Niro como seu par rom\u00e2ntico, Stone encontrava seu lugar: como uma prostituta transformada na rica esposa de um mafioso, mais chegada \u00e0 coca\u00edna que a jantares familiares, era a melhor de um elenco em que todos estavam muito bem. Recebendo o Globo de Ouro em 1996 por esse filme, chorou e disse: \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 mais surpresa do que eu. Isto \u00e9 um milagre\u201d. Tamb\u00e9m foi indicada ao Oscar, mas, competindo com Meryl Streep, Emma Thompson e Susan Sarandon (que ganhou), tinha poucas chances. Ainda hoje, no entanto, h\u00e1 vozes que dizem que naquele ano o Oscar deveria ter sido dela.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Tinha 34 quando ganhou a fama por\u00a0<i>Instinto Selvagem<\/i>. E 37 quando a maioria dos cr\u00edticos descobriu que era boa atriz. Essas idades poderiam valer para os outros, mas n\u00e3o para uma mulher que entrou na ind\u00fastria arrasando como\u00a0<i>sex symbol<\/i>\u00a0predadora e, como ela contou naquela limusine, subindo por um morro de cacos de vidro. A partir da\u00ed, tudo foi ladeira abaixo.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Por que uma mulher t\u00e3o inteligente escolheu filmes t\u00e3o ruins em sua carreira \u00e9 um dos grandes mist\u00e9rios de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/03\/cultura\/1567518278_350381.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Hollywood<\/a>\u00a0e demonstra que, talvez, o bom olho profissional n\u00e3o tenha necessariamente a ver com o QI (o de Stone \u00e9 alt\u00edssimo). Depois desse grande reconhecimento que foi\u00a0<i>Cassino<\/i>, Stone fez\u00a0<i>A \u00daltima Chance<\/i>\u00a0(Sharon vai \u00e0 pris\u00e3o),\u00a0<i>Esfera<\/i>\u00a0(Sharon vai ao espa\u00e7o),\u00a0<i>Gl\u00f3ria<\/i>\u00a0(Sharon vira m\u00e3e) e\u00a0<i>Garganta do Diabo<\/i>\u00a0(Sharon passa medo). Sim, claro que em meio de tudo isso houve brilhos: em\u00a0<i>A Musa<\/i>\u00a0mostrou sua veia c\u00f4mica melhor do que nunca, e em\u00a0<i>Sempre Amigos<\/i>, apareceu, pela primeira vez desde\u00a0<i>Cassino<\/i>, como algu\u00e9m fr\u00e1gil. Mas pouca gente os viu. Por outro lado, a ind\u00fastria n\u00e3o deixava de esperar dela que fizesse o que o p\u00fablico queria: tirar a roupa. Pediram-lhe que se despisse mais do que ela desejava em\u00a0<i>Invas\u00e3o de Privacidade<\/i>, em\u00a0<i>Intersection<\/i>\u00a0e em\u00a0<i>O Especialista<\/i>. Mesmo depois da indica\u00e7\u00e3o ao Oscar teve problemas com a quest\u00e3o da nudez: os produtores do thriller\u00a0<i>Diabolique<\/i>\u00a0a pediram tamb\u00e9m. Afinal, ganhou ela: na cena em que devia mostrar os seios, aparece de suti\u00e3. Ou na verdade n\u00e3o ganhou totalmente: foi indicada a um\u00a0<i>Razzie<\/i>\u00a0(o anti-Oscar) como \u201cpior atriz revela\u00e7\u00e3o\u201d com o nome de \u201ca nova Sharon Stone s\u00e9ria\u201d.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/3Y43aigTn-YZ9pTCy_iUkcfv0iE=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/VM4ORRQVWMIVBXWL64NK7CV3VM.jpg\" alt=\"A cruzada de pernas de Sharon Stone \u00e9, mais do que uma cena cinematogr\u00e1fica, um marco cultural, parodiada e imitada in\u00fameras vezes, como nesta festa da revista masculina GQ, em 2019, em Berlim.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">A cruzada de pernas de Sharon Stone \u00e9, mais do que uma cena cinematogr\u00e1fica, um marco cultural, parodiada e imitada in\u00fameras vezes, como nesta festa da revista masculina GQ, em 2019, em Berlim.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A imprensa tampouco contribuiu para que fosse levada a s\u00e9rio. Como uma nova-rica rec\u00e9m-chegada a um bairro bom, sua fama repentina e arrasadora despertou todo tipo de desconfian\u00e7a. O que ocorreu durante a rodagem de\u00a0<i>Invas\u00e3o de Privacidade<\/i>\u00a0contribuiu para isso: o produtor do filme, um milion\u00e1rio chamado William J. Macdonald, largou sua esposa, rendido ao brilho da estrela mais famosa do mundo. A rela\u00e7\u00e3o durou pouco mais de um ano. A imprensa n\u00e3o demorou a tratar Stone como uma destruidora de lares (sobre ele, como voc\u00ea deve imaginar, praticamente n\u00e3o se disse nada). E isso que ela tratava bem os jornalistas. Stone \u00e9 uma das entrevistadas mais apaixonadas e generosas que h\u00e1: relembra hist\u00f3rias divertid\u00edssimas de seus piores filmes e conta sem ruborizar detalhes sobre seus colegas e produtores, ou ent\u00e3o come\u00e7a a falar de Tamara de Lempicka, Pablo Picasso e Georges Braque.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vanityfair.com\/hollywood\/2018\/03\/sharon-stone-interview\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Nesta recente entrevista<\/a>\u00a0\u00e0\u00a0<i>Vanity Fair<\/i>, por exemplo, dedica um bom tempo a explicar ao rep\u00f3rter como enviar o conte\u00fado de uma plataforma de streaming para a televis\u00e3o, assim ele n\u00e3o precisa ver sua s\u00e9rie num tablet, algo que ela (como boa estrela da velha guarda) acha inconceb\u00edvel.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">Sharon Stone contra a cantora<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Algo muito significativo de como Hollywood recebeu Sharon Stone \u00e9 a pessoa com a qual a confrontaram imediatamente: n\u00e3o outra estrela de cinema que pudesse lhe fazer concorr\u00eancia, e sim uma cantora. Era\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/12\/cultura\/1534101296_427938.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Madonna<\/a>. A \u00fanica coisa que tinham em comum era terem derrubado alguns tabus sociais e sexuais, s\u00f3 que Madonna fazia isso havia anos, ao passo que para Stone bastou mostrar a vagina a alguns policiais durante uma lend\u00e1ria cena de interrogat\u00f3rio em\u00a0<i>Instinto Selvagem<\/i>. Madonna estaria com ci\u00fames de Sharon? Talvez. H\u00e1 duas provas: uma \u00e9\u00a0<i>Corpo em Evid\u00eancia<\/i>, o thriller que a cantora protagonizou em 1993 e \u00e9 uma c\u00f3pia terr\u00edvel (\u00e0s vezes, plano a plano) do filme que tornou Sharon famosa; a outra \u00e9 uma carta privada que veio a p\u00fablico anos depois, na qual Madonna se queixava amargamente da fama de Stone: \u201c\u00c9 t\u00e3o frustrante voc\u00ea ler que Sharon Stone tem a carreira cinematogr\u00e1fica que eu nunca terei&#8230; N\u00e3o porque queira ser uma destas mulheres, prefiro morrer; s\u00e3o horrivelmente med\u00edocres [\u2026]. Outras pessoas menos interessantes e emocionantes est\u00e3o colhendo benef\u00edcios dos caminhos que eu tracei\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Quando a carta veio a tona, duas d\u00e9cadas mais tarde, Sharon respondeu com mais classe do que ningu\u00e9m: \u201cVoc\u00ea sabe que sou sua amiga. Em alguns momentos, reservadamente, desejei ser uma estrela do rock&#8230; Mas me sinto med\u00edocre, como voc\u00ea descreve. Ambas sabemos, como s\u00f3 aquelas que viveram tantos anos sabem, que termos consci\u00eancia da nossa pr\u00f3pria mediocridade \u00e9 o \u00fanico modo de conhecermos nossas for\u00e7as, de nos tornarmos o que hoje ambas somos. Amo voc\u00ea, adoro voc\u00ea. N\u00e3o vou lhe enfrentar por causa da invas\u00e3o de qualquer uma das nossas travessias pessoais. Sharon\u201d.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Ler hoje que Madonna ansiava pela carreira de Sharon soa a humor amargo: enquanto Madonna teve seus altos e baixos, mas continuou frequentando o topo, Stone n\u00e3o teve tanta sorte. Se algu\u00e9m perguntar ao p\u00fablico adulto geral que frequenta os cinemas qual foi o \u00faltimo filme dela, \u00e9 prov\u00e1vel que recordem de algum de 25 anos atr\u00e1s. No s\u00e9culo em que vivemos, seus dois filmes mais not\u00f3rios s\u00f3 o s\u00e3o por terem sido um desastre absoluto de cr\u00edtica e p\u00fablico e por terem rendido horas e horas de piadas e divers\u00e3o \u00e0 imprensa de todo o mundo:\u00a0<i>Mulher-Gato<\/i>\u00a0(2004) \u2015embora a\u00ed Halle Berry tenha levado a pior parte\u2015 e\u00a0<i>Instinto Selvagem 2<\/i>\u00a0(2006), uma segunda parte desastrosa que nunca deveria ter acontecido (mas lhe rendeu quase 14 milh\u00f5es de d\u00f3lares de cach\u00ea).<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">A suas escolhas ruins de filmes se somou o que seria o golpe mais duro para ela, e n\u00e3o exatamente profissional: em 2001 sofreu um derrame cerebral (algo que j\u00e1 havia acontecido com sua m\u00e3e e sua av\u00f3) e ficou, segundo ela, muito perto da morte (diz que chegou a ver a famosa \u201cluz branca\u201d). Em 2003, seu marido desde 1998, o editor Phil Bronstein, com quem tinha adotado seu filho comum, Roam Joseph, pediu o div\u00f3rcio, alegando diferen\u00e7as irreconcili\u00e1veis. A ju\u00edza deu a cust\u00f3dia de Roam a Phil.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/cR4FSHUrA4qA9RLEwDaaHyZTmv0=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/WPOKAUVBDBA6OPEUPR6K7D7AZU.jpg\" alt=\"A imprensa as contrap\u00f4s durante anos, mas Sharon Stone e Madonna demonstraram que tinham uma rela\u00e7\u00e3o cordial, posando frequentemente juntas para as c\u00e2meras. Nesta imagem, por exemplo, est\u00e3o no Festival de Cannes de 2008.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">A imprensa as contrap\u00f4s durante anos, mas Sharon Stone e Madonna demonstraram que tinham uma rela\u00e7\u00e3o cordial, posando frequentemente juntas para as c\u00e2meras. Nesta imagem, por exemplo, est\u00e3o no Festival de Cannes de 2008.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFui tratada de um modo que foi brutalmente pouco am\u00e1vel\u201d, recordou anos depois, durante um evento beneficente para conscientizar sobre as doen\u00e7as cardiovasculares. \u201cDe outras mulheres na minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o at\u00e9 a ju\u00edza que me tirou a cust\u00f3dia do meu filho, acredito que ningu\u00e9m perceba como \u00e9 duro para uma mulher sofrer um derrame e o tempo que leva a recupera\u00e7\u00e3o total: a minha j\u00e1 leva sete anos. Tive que hipotecar minha casa. Perdi meu lugar no cinema. Perdi tudo o que tinha\u201d. Quem a salvou n\u00e3o foi ningu\u00e9m de Hollywood, e sim o bilion\u00e1rio empres\u00e1rio Bernard Arnault, ao lhe dar um contrato como imagem da Dior. \u201cEu era a estrela mais famosa, sabe? Eu era como a princesa Diana. Depois tive um derrame. E me esqueci.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">De todo modo, a estrela de Sharon era t\u00e3o grande que continuamos a v\u00ea-la em capas de revista e campanhas publicit\u00e1rias, embora o grande p\u00fablico n\u00e3o sabia citar nenhum filme recente dela. No aspecto pessoal, adotou individualmente outros dois filhos. No profissional, na \u00faltima d\u00e9cada teve pap\u00e9is secund\u00e1rios em filmes bem avaliados pela cr\u00edtica (<i>Lovelace, Artista do Desastre<\/i>) e trabalhou frequentemente na televis\u00e3o, \u00e0s vezes com resultados decepcionantes (<i>Agent X<\/i>), \u00e0s vezes com algumas das melhores cr\u00edticas de sua carreira, como com\u00a0<i>Mosaic<\/i>, sob a dire\u00e7\u00e3o de Steven Soderbergh.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Sob a batuta de Ryan Murphy em\u00a0<i>Ratched<\/i>, prequela de\u00a0<i>Um Estranho no Ninho<\/i>, que a Netflix estreia em 18 de setembro, isso poderia voltar a ocorrer. Afinal de contas, Murphy j\u00e1 deu segundas (e terceiras e quartas) oportunidades a outras grandes lendas do passado, como Jessica Lange em\u00a0<i>American Horror Story<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Feud<\/i>. Atribui-se a Lange uma frase numa entrevista sobre sua carreira que, talvez, Sharon pudesse tatuar no interior das p\u00e1lpebras: \u201cQuando aprendi a n\u00e3o desejar as coisas com tanto afinco, as alcancei\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFui tratada de um modo que foi brutalmente pouco am\u00e1vel\u201d, recordou anos depois, durante um evento beneficente para conscientizar sobre as doen\u00e7as cardiovasculares. \u201cDe outras mulheres na minha pr\u00f3pria profiss\u00e3o at\u00e9 a ju\u00edza que me tirou a cust\u00f3dia do meu filho, acredito que<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":327283,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-327282","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/stone.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327282\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327283"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}