{"id":327671,"date":"2020-08-09T00:51:54","date_gmt":"2020-08-09T03:51:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=327671"},"modified":"2020-08-10T02:51:45","modified_gmt":"2020-08-10T05:51:45","slug":"igreja-catolica-apoiou-fuga-de-nazista-para-america-do-sul-apos-2a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/igreja-catolica-apoiou-fuga-de-nazista-para-america-do-sul-apos-2a-guerra\/","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica apoiou fuga de nazista para Am\u00e9rica do Sul ap\u00f3s 2\u00aa Guerra"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\">Como eram as rotas de fuga pelas quais muitos nazistas escaparam para a Am\u00e9rica do Sul ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra<\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Veronica Smink<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/12A7A\/production\/_113601467_1-1.jpg\" alt=\"Soldados americanos capturam cidade alem\u00e3 de Saar, em 1945\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Ap\u00f3s a queda do Terceiro Reich, milhares de nazistas fugiram por meio das ratlines.<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira vista, a palavra em ingl\u00eas &#8220;ratlines&#8221; (linha de rato, em tradu\u00e7\u00e3o livre) \u2014 como eram chamadas as rotas clandestinas usadas por muitos nazistas para escapar da Europa ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra Mundial \u2014 parece se referir a uma fila de roedores em fuga debaixo da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora esse termo possa ser apropriado para imaginar a debandada de milhares de fugitivos da justi\u00e7a, incluindo alguns dos maiores criminosos de guerra da hist\u00f3ria, na realidade, &#8220;ratline&#8221; n\u00e3o tem a ver com ratos, mas com navios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No jarg\u00e3o n\u00e1utico, esse \u00e9 o nome dos pequenos peda\u00e7os de corda colocados horizontalmente, que servem como degraus de escada, para que se possa subir no mastro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No passado, subir no mastro usando essas cordas era o \u00faltimo recurso desesperado que um marinheiro tinha para evitar o afogamento se seu navio afundasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esta raz\u00e3o, ratline se tornou sin\u00f4nimo de a &#8220;\u00faltima rota de fuga&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para muitos funcion\u00e1rios do alto escal\u00e3o do regime nazista que tentaram fugir das m\u00e3os dos Aliados ap\u00f3s a queda da Alemanha de Adolf Hitler, em 1945, essa &#8220;\u00faltima rota de fuga&#8221; assumiu a forma de uma viagem transatl\u00e2ntica de navio, raz\u00e3o pela qual a origem n\u00e1utica se revelou ironicamente adequada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essas &#8220;rotas de ratos&#8221; n\u00e3o eram fugas improvisadas de fugitivos desesperados. Eram viagens planejadas e organizadas por pessoas de poder, dedicadas a proteger fugitivos n\u00e3o s\u00f3 alem\u00e3es, mas tamb\u00e9m croatas, eslovacos e austr\u00edacos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E n\u00e3o teriam tido sucesso sem a colabora\u00e7\u00e3o, por vezes involunt\u00e1ria, de duas das institui\u00e7\u00f5es internacionais mais associadas \u00e0 ajuda humanit\u00e1ria: a Igreja Cat\u00f3lica e a Cruz Vermelha.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1518A\/production\/_113601468_2-1.jpg\" alt=\"Ratlines de um barco\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Ratlines \u00e9 originalmente um jarg\u00e3o n\u00e1utico<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas rotas, um destino<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">As tr\u00eas ratlines mais utilizadas eram rotas que cruzavam diferentes pa\u00edses europeus com um \u00fanico prop\u00f3sito: chegar a um porto e l\u00e1 escapar de barco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada &#8220;rota n\u00f3rdica&#8221; passava pela Dinamarca at\u00e9 a Su\u00e9cia, de onde se embarcava rumo \u00e0s Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a &#8220;rota ib\u00e9rica&#8221; foi organizada por colaboradores nazistas que viviam na Espanha e utilizavam portos como os da Gal\u00edcia, presumivelmente com a aprova\u00e7\u00e3o do ditador espanhol Francisco Franco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas acredita-se que at\u00e9 90% dos nazistas que fugiram da Europa continental o fizeram pela It\u00e1lia, principal aliada da Alemanha durante a guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora alguns tenham escapado para o Reino Unido, Canad\u00e1, Estados Unidos, Austr\u00e1lia e Oriente M\u00e9dio, a maioria fugiu para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E naquele continente havia um pa\u00eds que atraiu mais fugitivos nazistas do que qualquer outro: a Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ironicamente, o pa\u00eds tamb\u00e9m recebeu milhares de judeus e possui at\u00e9 hoje uma das maiores comunidades judaicas do mundo fora de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Documentos secretos nazistas revelados em 2012 por autoridades alem\u00e3s indicaram que cerca de 9 mil militares e colaboradores do Terceiro Reich fugiram para a Am\u00e9rica do Sul ap\u00f3s a guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destes, cerca de 5 mil ficaram na Argentina, apelidada de &#8220;Cabo da \u00daltima Esperan\u00e7a&#8221; pelo famoso &#8220;ca\u00e7ador de nazistas&#8221; Simon Wiesenthal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos dos que acabaram em outros pa\u00edses, como o Brasil (que acolheu de 1,5 mil a 2 mil criminosos de guerra), o Chile (que recebeu entre 500 e mil) e outras na\u00e7\u00f5es com menor n\u00famero, como Paraguai, Bol\u00edvia e Equador, viajaram para l\u00e1 depois de ter desembarcado na Argentina.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1789A\/production\/_113601469_3-1.jpg\" alt=\"Juan Domingo Per\u00f3n com sua mulher, Evita\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Governo de P\u00e9ron permitiu entrada de milhares de nazistas na Argentina.<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Por que a Argentina<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos atribuem a escolha da Argentina como pa\u00eds de destino \u00e0 franca simpatia que o ent\u00e3o governante daquela na\u00e7\u00e3o, Juan Domingo Per\u00f3n (que se tornou presidente em 1946), tinha com o Terceiro Reich.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o jornalista argentino Uki Go\u00f1i, uma das pessoas que mais investigaram a chegada de criminosos nazistas a seu pa\u00eds, afirma que a liga\u00e7\u00e3o entre a Argentina e a Alemanha de Hitler \u00e9 anterior \u00e0 chegada de Per\u00f3n ao poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Go\u00f1i, desde 1943 existia um acordo secreto entre a Schutzstaffel, as for\u00e7as de seguran\u00e7a alem\u00e3s, mais conhecidas como SS, e o servi\u00e7o secreto da Marinha argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esse acordo, agentes secretos das SS recebiam documentos de identifica\u00e7\u00e3o argentinos para que pudessem circular livremente pela Am\u00e9rica do Sul, onde operavam uma grande rede de espionagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em troca, o pa\u00eds latino-americano recebeu informa\u00e7\u00f5es confidenciais sobre seus vizinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em livro que publicou em 2002, onde descreve em detalhes a &#8220;fuga nazista para a Argentina&#8221;, Go\u00f1i lembra que, depois que a Alemanha perdeu a guerra, os argentinos mantiveram o acordo de coopera\u00e7\u00e3o e continuaram a dar documenta\u00e7\u00e3o falsa aos agentes nazistas, mas com a inten\u00e7\u00e3o de resgat\u00e1-los.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1CF2\/production\/_113601470_4-1.jpg\" alt=\"Capa do livro de jornalista argentino Uki Go\u00f1i, &quot;La Aut\u00e9ntica Odessa - Fuga nazi a Argentina&quot;\" width=\"976\" height=\"1049\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Livro de jornalista argentino Uki Go\u00f1i versa sobre Odessa, organiza\u00e7\u00e3o que teria planejado ratlines<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Odessa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro de Go\u00f1i \u00e9 intitulado\u00a0<i>La Aut\u00e9ntica Odessa &#8211; Fuga nazi a Argentina<\/i>\u00a0(&#8220;Odessa Aut\u00eantica &#8211; Fuga nazista \u00e0 Argentina, em tradu\u00e7\u00e3o livre&#8221;), em refer\u00eancia ao acr\u00f4nimo pelo qual o principal grupo que teria planejado as ratlines era conhecido: a Organisation der ehemaligen SS-Angeh\u00f6rigen ou &#8216;Organiza\u00e7\u00e3o de ex-membros das SS&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa organiza\u00e7\u00e3o ganhou fama gra\u00e7as a uma obra de fic\u00e7\u00e3o baseada em alguns acontecimentos reais: o thriller\u00a0<i>The Odessa File<\/i>\u00a0(&#8220;O Dossi\u00ea Odessa&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), de Frederick Forsyth, publicado em 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse livro, Odessa aparece como uma organiza\u00e7\u00e3o internacional nazista criada antes da derrota da Alemanha com o prop\u00f3sito de proteger ex-membros da SS ap\u00f3s a guerra. O livro de fic\u00e7\u00e3o postula que, ap\u00f3s atingir esse objetivo, os ex-nazistas agrupados em Odessa planejaram eliminar o Estado de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, muitos historiadores questionam a exist\u00eancia de uma rede da magnitude e poder que Odessa supostamente tinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ratline n\u00e3o era um plano estruturado, mas consistia em muitos componentes individuais&#8221;, explica o historiador Daniel Stahl, do Departamento de Hist\u00f3ria Moderna e Contempor\u00e2nea da Universidade Friedrich Schiller, \u00e0 emissora alem\u00e3 Deutsche Welle (DW).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bill Niven, professor de Hist\u00f3ria Alem\u00e3 Contempor\u00e2nea na Universidade Nottingham Trent (Inglaterra), concorda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias convincentes de que tal organiza\u00e7\u00e3o (Odessa) existiu&#8221;, escreveu ele em mar\u00e7o passado em artigo publicado no site da BBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Provavelmente havia grupos nazistas menores e em grande parte independentes operando para garantir a fuga (de criminosos de guerra)&#8221;, acrescentou ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um desses grupos era supostamente &#8216;The Spider&#8217;, que envolvia o l\u00edder da unidade de assalto das SS Otto Skorzeny, famoso por resgatar o ditador italiano Benito Mussolini da pris\u00e3o na regi\u00e3o Gran Sasso, no sul da It\u00e1lia, em 1943.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Niven enfatizou que n\u00e3o foram apenas os nazistas que coordenaram as ratlines, mas tamb\u00e9m as for\u00e7as de intelig\u00eancia dos Estados Unidos e do Reino Unido, que ajudaram seus informantes nazistas e dezenas de cientistas alem\u00e3es a escaparem para colaborar com eles em sua luta contra o comunismo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4402\/production\/_113601471_5-1.jpg\" alt=\"Otto Skorzeny com Benito Mussolini, ap\u00f3s sua liberta\u00e7\u00e3o\" width=\"976\" height=\"649\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Otto Skorzeny, famoso por ter resgatado Benito Mussolini ap\u00f3s sua pris\u00e3o na It\u00e1lia, organizou uma das ratlines.<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">&#8216;A rota do Vaticano&#8217;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi esse medo de uma invas\u00e3o sovi\u00e9tica da Europa e a preocupa\u00e7\u00e3o com a ascens\u00e3o do comunismo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial que teria levado ao que muitos consideram o aspecto mais escandaloso por tr\u00e1s das ratlines: o papel fundamental desempenhado pela Igreja Cat\u00f3lica na fuga de fugitivos nazistas para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chamada &#8220;rota do Vaticano&#8221;, via Roma e G\u00eanova, foi a mais utilizada pelos nazistas que fugiram do continente europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tamb\u00e9m conhecida como &#8220;a rota dos mosteiros&#8221;, j\u00e1 que o voo, pelos Alpes para a It\u00e1lia, incluiu escalas em mosteiros do Tirol do Sul, Merano e Bolzano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns dos fugitivos permaneceram nesses locais por anos, muitas vezes ao lado das v\u00edtimas de seus crimes, em particular judeus que viajavam para a regi\u00e3o da Palestina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, os fugitivos tiveram que primeiro passar por Roma, onde receberam documentos de identidade falsos da Comiss\u00e3o de Refugiados do Vaticano ou, em alguns casos, diretamente do alto clero da Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A etapa final foi o passaporte que receberam do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que lhes permitiu viajar usando sua nova identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pressionada pelos milh\u00f5es de refugiados deixados pela guerra, a Cruz Vermelha confiou no Vaticano para distribuir passaportes. Posteriormente, a ag\u00eancia reconheceu que n\u00e3o conseguiu evitar que alguns criminosos de guerra aproveitassem o caos para fugir sem serem detectados.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/E042\/production\/_113601475_8-1.jpg\" alt=\"Pio 12\" width=\"976\" height=\"849\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Documentos desclassificados este ano pelo Vaticano podem revelar o quanto o papa Pio 12 sabia sobre as ratlines<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os que conseguiram escapar para a Am\u00e9rica do Sul com passaportes da Cruz Vermelha (sob nomes falsos) estavam alguns dos principais l\u00edderes nazistas, como Josef Mengele, Klaus Barbie, Franz Stangl, Walter Rauff e Adolf Eichmann.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns, como Mengele, que morreu no Brasil, e Rauff, que morreu no Chile, conseguiram escapar da Justi\u00e7a por toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso mais famoso foi o do chamado &#8220;arquiteto do Holocausto&#8221;, Adolf Eichmann, que foi capturado em Buenos Aires em 1960 pela ag\u00eancia de intelig\u00eancia israelense, o Mossad, e transferido para Jerusal\u00e9m, onde foi julgado, condenado e executado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Cumplicidade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os historiadores ainda debatem hoje se a cumplicidade da Igreja Cat\u00f3lica com os nazistas foi institucional ou se foram casos isolados dentro do Vaticano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro\u00a0<i>Ratlines<\/i>, publicado em 1991, os autores Mark Aarons e John Loftus argumentam que o primeiro sacerdote a se preparar para planejar ratlines para os nazistas foi o bispo austr\u00edaco Alois Hudal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hudal residiu em Roma, onde foi reitor de um col\u00e9gio austro-alem\u00e3o, e em 1937 escreveu um livro,\u00a0<i>The Foundations of National Socialism<\/i>\u00a0(&#8220;As Funda\u00e7\u00f5es do Nacional-Socialismo&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), no qual elogiava Hitler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns at\u00e9 o acusaram de ser um informante da intelig\u00eancia alem\u00e3.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B932\/production\/_113601474_7-1.jpg\" alt=\"Vaticano em 1946\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Muitos fugitivos nazistas obtiveram documenta\u00e7\u00e3o falsa com ajuda do Vaticano, embora n\u00e3o se saiba quanto a Igreja Cat\u00f3lica estava ciente disso.<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a ratline organizada pelo bispo austr\u00edaco na sede do Vaticano que permitiu a fuga de v\u00e1rios dos fugitivos do alto escal\u00e3o do regime nazista, incluindo Eichmann, Mengele e Eduard Roschmann, o chamado &#8220;a\u00e7ougueiro de Riga&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Franz Stangl, que havia comandado o campo de exterm\u00ednio de Treblinka, disse \u00e0 jornalista austr\u00edaca-brit\u00e2nica Gitta Sereny ap\u00f3s sua captura que Hudal n\u00e3o apenas lhe deu documentos falsos, mas tamb\u00e9m providenciou para que ele ficasse em Roma enquanto esperava por seus documentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro padre que ficou famoso por organizar ratlines de Roma foi o croata-b\u00f3snio Krunoslav Draganovic, que ajudou os l\u00edderes da organiza\u00e7\u00e3o nacionalista croata Ustacha, aliada do nazismo, a escapar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundador do movimento, Ante Paveli\u0107, foi um dos muitos fugitivos que acabaram na Argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro, Uki Go\u00f1i destaca o papel que o cardeal argentino Antonio Caggiano desempenhou na chegada dos nazistas \u00e0quele pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz que, por ordem do governo Per\u00f3n, Caggiano se reuniu em 1946 no Vaticano com seu hom\u00f3logo franc\u00eas Eug\u00e8ne Tisserant. Este foi informado de que a Argentina estaria disposta a receber os franceses que colaborassem com o nazismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, diz Go\u00f1i, come\u00e7ou o esquema envolvendo a fuga de criminosos de guerra para o pa\u00eds sul-americano.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Pio 12<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o de alguns membros da Igreja, o que muitos se perguntam \u00e9 o quanto o Papa Pio 12 sabia sobre as ratlines.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pont\u00edfice, que assumira o cargo meses antes da eclos\u00e3o da 2\u00aa Guerra Mundial, foi acusado de fechar os olhos ao assassinato sistem\u00e1tico de judeus, por seu sil\u00eancio durante o Holocausto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora em 1998 o Vaticano tenha se desculpado publicamente por sua in\u00e9rcia durante o regime nazista, sempre defendeu o papel de Pio 12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o verdadeiro veredicto sobre a responsabilidade do papa pode vir em breve.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6B12\/production\/_113601472_6-1.jpg\" alt=\"Passaportes da Cruz Vermelha, com nomes falsos, usados \u200b\u200bpor Josef Mengele, Klaus Barbie e Adolf Eichmann\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Passaportes da Cruz Vermelha, com nomes falsos, usados \u200b\u200bpor Josef Mengele, Klaus Barbie e Adolf Eichmann.<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o passado, o atual l\u00edder da Igreja, o papa Francisco, de origem argentina, autorizou que sejam abertos todos os arquivos de Pio 12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos que revisar\u00e3o as centenas de milhares de documentos ser\u00e1 o historiador eclesi\u00e1stico alem\u00e3o Hubert Wolf.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wolf disse \u00e0 DW que, embora possa levar anos, finalmente saberemos se Pio 12 &#8220;deu instru\u00e7\u00f5es diretas&#8221; para ajudar os fugitivos nazistas a escaparem para &#8220;combater o perigo comunista&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou se &#8220;o Papa n\u00e3o soube da ajuda concreta e algumas pessoas ao seu redor se aproveitaram disso&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption body-width\"><\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como eram as rotas de fuga pelas quais muitos nazistas escaparam para a Am\u00e9rica do Sul ap\u00f3s a 2\u00aa Guerra<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":327672,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-327671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/nazista-com-bandeira.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/327671\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/327672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}