{"id":327729,"date":"2020-08-09T10:53:09","date_gmt":"2020-08-09T13:53:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=327729"},"modified":"2020-08-09T10:53:09","modified_gmt":"2020-08-09T13:53:09","slug":"em-busca-do-misterio-da-vida-nos-oceanos-de-luas-distantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-busca-do-misterio-da-vida-nos-oceanos-de-luas-distantes\/","title":{"rendered":"Em busca do mist\u00e9rio da vida nos oceanos de luas distantes"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"intro\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Algumas das 200 luas do sistema solar t\u00eam oceanos sob a superf\u00edcie, potencialmente cheios de vida. H\u00e1 miss\u00f5es programadas para l\u00e1 nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, e, com sorte, desvendar\u00e3o um pouco mais sobre a origem da vida.<\/strong><\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\" style=\"text-align: justify;\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/em-busca-do-mist%C3%A9rio-da-vida-nos-oceanos-de-luas-distantes\/a-54424675#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"G\u00eaiseres e colunas de vapor jorram da superf\u00edcie da lua de J\u00fapiter Europa\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/51330291_303.jpg\" alt=\"G\u00eaiseres e colunas de vapor jorram da superf\u00edcie da lua de J\u00fapiter Europa\" \/><\/a>G\u00eaiseres e colunas de vapor jorram da superf\u00edcie da lua de J\u00fapiter Europa<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o temos uma defini\u00e7\u00e3o da vida&#8221;, admite o cientista Kevin Peter Hand, da Calif\u00f3rnia, quando conversamos via v\u00eddeo, cedo da manh\u00e3. &#8220;Na verdade, n\u00e3o sabemos o que \u00e9 a vida.&#8221; Ele diz isso entre dois goles de caf\u00e9, como se fosse perfeitamente \u00f3bvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas devem estar realmente entediados \u2013 at\u00e9 irritados \u2013 de tanto os jornalistas perguntarem como sua pesquisa fundamental no espa\u00e7o pode se aplicar ao mundo real. Mesmo assim, \u00e9 uma quest\u00e3o que vale a pena colocar. Sobretudo quando \u00e9 algu\u00e9m que diz estar procurando uma &#8220;segunda origem da vida&#8221;. N\u00e3o h\u00e1 como deixar de perguntar por qu\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por sorte, o diretor do Ocean Worlds Lab da Nasa \u00e9 simp\u00e1tico e paciente ao explicar sua fascina\u00e7\u00e3o com o que denomina &#8220;oceanos alien\u00edgenas&#8221;, tanto na Terra quanto em mundos aqu\u00e1ticos distantes, como Europa, uma das luas de J\u00fapiter, Enceladus, de Saturno, ou Triton, um objeto &#8220;bizarro&#8221; que gira na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 de seu planeta-hospedeiro, Netuno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Temos numerosas hip\u00f3teses sobre a origem da vida na Terra. Por exemplo, pode ter se originado nas fontes hidrotermais do oceano; ou em po\u00e7as mornas de mar\u00e9 nos continentes do antigo planeta; ou talvez de descargas el\u00e9tricas de rel\u00e2mpagos na atmosfera e a precipita\u00e7\u00e3o de compostos org\u00e2nicos unidos para formar vida. Mas at\u00e9 o momento, nada saiu rastejando do laborat\u00f3rio.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Europa, Enceladus, e Triton s\u00e3o apenas tr\u00eas das mais de 200 luas de nosso sistema solar. Mas s\u00e3o especiais, pois parecem ter ambientes aqu\u00e1ticos l\u00edquidos vivos sob sua superf\u00edcie congelada. &#8220;S\u00e3o oceanos globais l\u00edquidos cobertos de gelo&#8221;, explica Hand.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E se formos a Europa ou Enceladus, mundos em que podem existir fontes hidrot\u00e9rmicas, mas onde n\u00e3o h\u00e1 continentes nem atmosfera, e encontrarmos vida l\u00e1, com quase certeza isso indicaria as chamin\u00e9s hidrotermais como origem da vida.&#8221; E isso pode revelar mais sobre a vida na Terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fontes ou chamin\u00e9s hidrot\u00e9rmicas s\u00e3o encontradas em profundidades extremas, a cerca de 6\u00a0mil quil\u00f4metros, em vastas trincheiras abaixo do pr\u00f3prio oceano terrestre. At\u00e9 n\u00e3o muito tempo atr\u00e1s, acreditava-se que esses fossos eram escuros demais para conter qualquer forma de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, gra\u00e7as \u00e0 pesquisa oceanogr\u00e1fica e prospectores comerciais buscando minerais raros, como n\u00f3dulos de mangan\u00eas, descobriu-se que nas chamin\u00e9s hidrot\u00e9rmicas a vida microbiana pulula. Ent\u00e3o o mesmo pode se aplicar a uma lua distante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso n\u00e3o quer dizer que poderemos descartar o potencial das po\u00e7as de mar\u00e9 da antiga Terra como origem da vida, mas se encontr\u00e1ssemos vida nas fontes hidrot\u00e9rmicas dessas luas, ter\u00edamos ao menos mais ou ponto de dados&#8221;, precisa Hand.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biologia, ou vida org\u00e2nica como a conhecemos, talvez seja a pe\u00e7a final num quebra-cabe\u00e7as para cientistas espaciais. Gra\u00e7as a Galileu Galilei, sabe-se que as leis da f\u00edsica vigoram para al\u00e9m da Terra \u2013 assim como os princ\u00edpios da qu\u00edmica e geologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas n\u00e3o sabemos se esse fen\u00f4meno chamado &#8216;vida&#8217; ocorreu numa segunda \u00e9poca, independente da vida aqui na Terra. E por isso a quest\u00e3o de uma segunda origem da vida \u00e9 t\u00e3o intrigante.&#8221; E \u00e9 essencial que essa segunda origem seja descoberta \u2013 se o for \u2013 em planetas, luas ou outros corpos celestes nas profundezas do sistema solar, longe demais da Terra para ter vindo ou sido &#8220;contaminada&#8221; por ela.<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/em-busca-do-mist%C3%A9rio-da-vida-nos-oceanos-de-luas-distantes\/a-54424675#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Animal submarino\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/53680352_401.jpg\" alt=\"Animal submarino\" \/><\/a>Cientistas encontraram vida a profundidades inesperadas nos oceanos<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Seria dif\u00edcil uma rocha chegar l\u00e1 com micr\u00f3bios terrestres e semear aqueles oceanos com vida \u00e0 base de DNA&#8221;, afirma o cientista da Nasa. &#8220;Ent\u00e3o, se encontrarmos vida nesses mundos, ser\u00e1 uma segunda origem da vida, independente. E assim eles nos contar\u00e3o sobre a diversidade da vida, n\u00e3o s\u00f3 no sistema solar, mas no universo como um todo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No momento, Hand se concentra na lua jupiteriana Europa. Um de seus projetos atuais \u00e9 a miss\u00e3o Europa Clipper, que executar\u00e1 45\u00a0<em>flybys<\/em>, ou voos pr\u00f3ximos ao sat\u00e9lite. Ainda sem data do lan\u00e7amento marcada, o plano \u00e9 que ela fa\u00e7a imagens de alta resolu\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie de Europa, numa escala entre 50 cent\u00edmetros e dezenas de metros por pixel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Munida de um radar que atravessa o gelo, a nave procurar\u00e1 subst\u00e2ncias org\u00e2nicas e sais. Espectr\u00f4metros lhe permitir\u00e3o &#8220;sentir o gosto&#8221; de qualquer coluna de vapor ou fuma\u00e7a que emane da lua de J\u00fapiter. &#8220;Ela vai voar atrav\u00e9s das colunas e captar parte do material, para que possamos analis\u00e1-lo diretamente. Vai ser fenomenal, mas n\u00e3o nos levar\u00e1 at\u00e9 a superf\u00edcie&#8221;, ressalva. Por isso, sua equipe j\u00e1 trabalha numa outra miss\u00e3o que tamb\u00e9m aterrissar\u00e1 em Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m de J\u00fapiter<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse \u00ednterim, o Discovery Program da Nasa est\u00e1 estudando duas outras miss\u00f5es rumo a luas do sistema solar exterior, isto \u00e9, para al\u00e9m de J\u00fapiter. Caso seja levada adiante, a miss\u00e3o chamada Trident investigar\u00e1 a lua netuniana Triton, partindo em 2026 para uma viagem de 12 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima nave espacial que explorou Triton foi a Voyager 2, lan\u00e7ada em 1977. Ela chegou at\u00e9 40\u00a0mil quil\u00f4metros do sat\u00e9lite, enquanto a Trident se aproximaria a at\u00e9 500 quil\u00f4metros, em dois\u00a0<em>flybys<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A Voyager nos deu fotos em que se veem g\u00eaiseres e colunas de vapor em Triton, e isso foi 30 anos atr\u00e1s, 50 anos antes da Trident&#8221;, explica Yohai Kaspi, professor de din\u00e2mica atmosf\u00e9rica e ci\u00eancia planet\u00e1ria no Instituto Weizman de Israel. &#8220;Mas com a tecnologia e fotografia de hoje em dia, pode ser muito melhor.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele e seus colegas est\u00e3o contribuindo para o projeto com um instrumento especial, o Ultra-Stable Oscillator (USO), com que esperam medir a densidade e temperatura da atmosfera de Triton. Trata-se basicamente de um rel\u00f3gio de quartzo, mantido dentro de uma esp\u00e9cie de miniforno \u00e0 temperatura extremamente est\u00e1vel de um mulikelvin, a fim de proteg\u00ea-lo de todas as varia\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A espa\u00e7onave estar\u00e1 conectada com a Terra por um sinal constante r\u00e1dio, tanto para o experimento de Kaspi quanto para usos gerais, como navega\u00e7\u00e3o. No entanto, a velocidade com que esse sinal viaja de volta \u00e0 Terra mudar\u00e1, \u00e0 medida que a nave entre e se mova na atmosfera de Triton, a qual funciona como uma esp\u00e9cie de filtro. Medir e comparar essa diferen\u00e7a de tempo permitir\u00e1 calcular a densidade da atmosfera da lua e tra\u00e7ar um perfil de sua temperatura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atmosfera da lua &#8220;bizarra&#8221; de Netuno a torna \u00fanica, conta Kaspi. &#8220;Enceladus \u00e9 pequena demais para ter uma atmosfera, e Europa quase n\u00e3o tem. A atmosfera de Triton n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o densa quanto a da Terra, mas \u00e9 suficiente para transportar material. Al\u00e9m disso, \u00e9 prov\u00e1vel que Triton nem tenha se formado em nosso sistema solar. Ent\u00e3o, \u00e9 uma oportunidade real.&#8221;<\/p>\n<div class=\"picBox full\nrechts\n\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/em-busca-do-mist%C3%A9rio-da-vida-nos-oceanos-de-luas-distantes\/a-54424675#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Simula\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o Europa Clipper\" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/54391737_401.jpg\" alt=\"Simula\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o Europa Clipper\" \/><\/a>Europa Clipper explorar\u00e1 uma das luas de J\u00fapiter<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a miss\u00e3o for levada a cabo, poder\u00e1 ser tamb\u00e9m uma oportunidade para compreender melhor a intera\u00e7\u00e3o entre oceanos profundos \u2013 ou o &#8220;interior&#8221; das luas \u2013 e suas atmosferas, que s\u00e3o importantes para manter a vida, como a \u00e1gua o \u00e9 para origin\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vemos essas colunas vindo do interior, e elas s\u00e3o transportadas para a atmosfera; vemos esses g\u00eaiseres ativos e essas raias no planeta, e todas est\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o deduzimos que haja um vento indo de um lado para o outro. A Voyager observou isso, mas \u00e9 tudo o que sabemos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o se sabe, segundo Kaspi, \u00e9 quanto da atmosfera de Triton se originou de seu interior, ou se o oceano subterr\u00e2neo pode se comunicar ou interagir com o mundo externo. Os instrumentos na Trident visam descobrir como todo o sistema funciona, com o potencial de at\u00e9 mesmo revelar um pouco mais da fugidia defini\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Espero que, talvez daqui a 400 anos, nossos descendentes possam ver as inova\u00e7\u00f5es e descobertas que fizemos e dizerem: &#8216;Nossa, acredita que eles discutiram a import\u00e2ncia de procurar vida al\u00e9m da Terra, e para que serviria?'&#8221;, antecipa Kevi Hand, da Nasa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E talvez eles possam rir, do mesmo jeito que olhamos para Galileu e dizemos: &#8216;Claro, o trabalho dele foi essencial em mudar o modo como pensamos o universo. E tudo o que deriva da\u00ed, at\u00e9 essa conversa por computador que estamos tendo agora.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas das 200 luas do sistema solar t\u00eam oceanos sob a superf\u00edcie, potencialmente cheios de vida. 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