{"id":328130,"date":"2020-08-13T00:02:41","date_gmt":"2020-08-13T03:02:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=328130"},"modified":"2020-08-12T17:05:14","modified_gmt":"2020-08-12T20:05:14","slug":"quem-matou-a-sobrinha-do-hitler-o-misterio-ignorado-ha-decadas-e-que-poderia-ter-mudado-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-matou-a-sobrinha-do-hitler-o-misterio-ignorado-ha-decadas-e-que-poderia-ter-mudado-a-historia\/","title":{"rendered":"Quem matou a sobrinha do Hitler? O mist\u00e9rio ignorado h\u00e1 d\u00e9cadas e que poderia ter mudado a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Ap\u00f3s anos de investiga\u00e7\u00e3o, o italiano Fabiano Massimi lan\u00e7a romance em que narra o destino fatal de Geli Raubal<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/rNQSVV6PolA1eJkx2MpbR7bzrnY=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/LY6JIRI5HVFJFHIQSDHTNNSQAI.jpg\" alt=\"Geli Raubal, sentada entre Goebbels e Hitler numa reuni\u00e3o em Munique, noticiada na imprensa local.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Geli Raubal, sentada entre Goebbels e Hitler numa reuni\u00e3o em Munique, noticiada na imprensa local.<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan Carlos Galindo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan-carlos-galindo\/\">JUAN CARLOS GALINDO<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Em 18 de setembro de 1931, em um quarto fechado no segundo andar do n\u00famero 16 da Prinzregentenplatz, em Munique, era achado sem vida o corpo da jovem Geli Raubal. As primeiras per\u00edcias no local e a aut\u00f3psia levaram \u00e0 conclus\u00e3o de que ela havia se suicidado com um tiro no peito, usando a pistola Walther G.35 de seu tio\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/adolf-hitler\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><b>Adolf Hitler<\/b><\/a>, dono do apartamento e com quem tinha mantido uma \u00e1spera discuss\u00e3o horas antes. Tinha 23 anos. Segundo algumas testemunhas, o corpo apresentava ferimentos por agress\u00f5es e tinha o rosto destro\u00e7ado. A investiga\u00e7\u00e3o foi conclu\u00edda em oito horas, o corpo foi cremado, e o laudo do cad\u00e1ver sumiu.<\/p>\n<p class=\"\">Quem estaria t\u00e3o interessado em enterrar o caso? Por que a hist\u00f3ria quase nunca tratou desse assunto, ocorrido em plena\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/26\/cultura\/1564148647_990100.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">ascens\u00e3o dos nazistas ao poder<\/a>? \u201cTentei entender por que isso ficou fora da cultura universal. N\u00e3o h\u00e1 nenhum filme, nenhum ensaio, nenhuma pe\u00e7a de teatro sobre isso em nenhum idioma. E, entretanto, na Alemanha nazista todo mundo conhecia o destino da sobrinha de Hitler: o esc\u00e2ndalo da sua morte era grande demais para ser ignorado. Acredito que tenha havido um desejo de esquecer como o direito de justi\u00e7a para uma jovem foi sacrificado em nome de aplainar o terreno para uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A morte de Geli Raubal foi um ensaio geral dos erros que viriam depois\u201d, afirma o escritor Fabiano Massimi, que aborda o caso no romance\u00a0<i>L\u2019Angelo di Monaco<\/i>\u00a0(\u201co anjo de Munique\u201d, in\u00e9dito no Brasil), baseado em toneladas de documentos.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\"><\/div>\n<p class=\"\">Raubal estava muito presente na vida do Partido Nacional-Socialista no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1930. Seu tio, que sempre teve um retrato dela por perto, a levava inclusive a reuni\u00f5es e festas, raz\u00e3o pela qual Hitler,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2012\/06\/16\/cultura\/1339866035_965881.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Goebbels<\/a>\u00a0e Goering s\u00e3o personagens do livro, e todos estiveram envolvidos de uma maneira ou outra na investiga\u00e7\u00e3o. \u201cEu a amava. Ela me amava. \u00c9 a \u00fanica mulher com quem teria me casado. A partir de agora, minha esposa ser\u00e1 a Alemanha.\u201d Tanto estas palavras de Hitler como tudo o que dizem os personagens hist\u00f3ricos foi tirado diretamente de mem\u00f3rias, registros, declara\u00e7\u00f5es, di\u00e1rios, cartas e biografias. Massimi (Modena, 43 anos) trata, assim, de n\u00e3o tomar partido em assuntos espinhosos, como as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-04-30\/o-suicidio-de-hitler-e-os-75-anos-do-tiro-mais-importante-da-segunda-guerra-mundial.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">parafilias do l\u00edder nazista<\/a>\u00a0ou seu envolvimento na morte de Raubal. \u201cN\u00e3o podemos nos esquecer de que achamos saber tudo sobre as pervers\u00f5es de Hitler, apesar de n\u00e3o termos provas conclusivas. Na novela re\u00fano tudo o que se disse ou se publicou sobre essa que sem d\u00favida foi uma uni\u00e3o peculiar entre Geli e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/01\/28\/eps\/1580208588_592783.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">seu \u2018tio Alf\u2019<\/a>, como ela chamava o seu tutor\u201d, comenta Massimi por email.<\/p>\n<p class=\"\">O romance funciona como um\u00a0<i>thriller<\/i>\u00a0ambientado naqueles dias de 1931 e que poderiam ter causado uma reviravolta na hist\u00f3ria. Os delegados Siegfried Sauer e Mutti Forster \u2014que assumem os sobrenomes dos policiais que apuraram o caso, mas, de resto, s\u00e3o personagens de fic\u00e7\u00e3o\u2014 topam em sua investiga\u00e7\u00e3o, contada em ritmo de policial cl\u00e1ssico por Massimi, com um muro burocr\u00e1tico, testemunhas manipuladas, provas que desaparecem, armadilhas, amea\u00e7as de morte e chantagens. \u201cO partido convocou uma reuni\u00e3o urgente depois da morte de Geli para discutir o que diria \u00e0 imprensa e quem ia assumir as r\u00e9deas do partido se Hitler n\u00e3o sobrevivesse ao esc\u00e2ndalo\u201d, relata Massimi. \u201cDurante alguns dias, a hist\u00f3ria trilhou um caminho muito delicado. Se Geli tivesse recebido a justi\u00e7a que merecia, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/02\/28\/cultura\/1519832097_149422.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">s\u00e9culo XX poderia ter tomado um rumo diferente<\/a>.\u201d<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/hGahdrYu9iyiU5bVa_ZaaS1OISA=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/AE2OX6N5EVE4FPTTWYWWGRY4YA.jpg\" alt=\"O escritor italiano Fabiano Massimi.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">O escritor italiano Fabiano Massimi.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Essa proposta \u00e9 um campo f\u00e9rtil para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/15\/actualidad\/1563182296_849004.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">teorias conspirat\u00f3rias<\/a>. Mas o fato \u00e9 que havia duas pessoas que tinham dados fundamentais sobre o que ocorreu realmente naquele luxuoso apartamento de Munique, e ambas morreram assim que os nazistas chegaram ao poder. Por um lado est\u00e1 Gregor Strasser, nazista de primeira hora e designado sucessor de Hitler em 1931 se o l\u00edder sucumbisse ao esc\u00e2ndalo. Os documentos sobre o caso que estavam em poder dele desapareceram junto com centenas de provas sobre outros muitos crimes, que os nazistas eliminaram para apagar os rastros de seus \u201canos de luta\u201d. E, por outro, o rep\u00f3rter Fritz Gerlich, um dos melhores exemplos de jornalismo comprometido na Rep\u00fablica do Weimar e cujo dossi\u00ea sobre a morte de Raubal nunca chegou a ser publicado e continua perdido. Ambos foram executados na chamada Noite das Facas Longas, em 30 de junho de 1934 \u2014 Gerlich \u00e0quela altura havia passado mais de um ano em um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/campos-concentracion-nazis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">campo de concentra\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">Em\u00a0<i>L\u2019Angelo di Monaco<\/i>, o caso \u00e9 resolvido, ou ao menos o leitor fica sabendo quem acabou com a vida da jovem. E h\u00e1 at\u00e9 um motivo. \u00c9 o t\u00edpico do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/01\/27\/cultura\/1453917653_876731.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">romance policial<\/a>, da sua fun\u00e7\u00e3o reparadora. A realidade e a verdade s\u00e3o, entretanto, inacess\u00edveis, e a morte de Raubal continua sem autor conhecido. \u201cQual \u00e9 a verdade? Este processo intermin\u00e1vel de acumula\u00e7\u00e3o e contra-an\u00e1lise enriquece nosso conhecimento sobre o passado, mas nos deixa com a convic\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 algo que se possa chamar de\u00a0<i>fato<\/i>. No final, tudo s\u00e3o fragmentos, pontos de vista e tergiversa\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m nunca saber\u00e1 com toda certeza o que aconteceu naquele quarto\u201d, reflete Massimi, satisfeito por ter pelo menos recuperado a hist\u00f3ria de Geli Raubal.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\"><\/div>\n<section class=\"link_list inset | background_gray_ultra_light margin_bottom_lg \">\n<h3 class=\"title | color_gray_ultra_dark font_secondary uppercase\">UM MIST\u00c9RIO CL\u00c1SSICO, UMA HIST\u00d3RIA INABARC\u00c1VEL<\/h3>\n<p>&#8216;L\u2019Angelo di Monaco&#8217; cont\u00e9m em suas p\u00e1ginas um romance hist\u00f3rico, um poss\u00edvel crime passional, um mist\u00e9rio de porta fechada e certos procedimentos cl\u00e1ssicos. \u201cO caso \u00e9 muito misterioso, muito surpreendente, muito essencial, muito delicado, muito tudo. Minha ideia era: procuremos a maneira de colocar tudo isto em um romance de 400 p\u00e1ginas, intenso e r\u00e1pido. Ao final fracassei: s\u00e3o 500 e tive que deixar coisas de fora. Poderia ter escrito 1.000 e ainda sobrariam elementos para contar\u201d, afirma Massimi. O autor italiano, que trabalhou no mundo editorial, comenta, aos risos, como a It\u00e1lia virou um \u201cpa\u00eds de delegados\u201d, dada a prolifera\u00e7\u00e3o de personagens desse estilo, e como, depois de criticar isso, acabou escrevendo um romance \u201cn\u00e3o com um, mas com dois delegados\u201d. Os personagens, ancorados na fecunda tradi\u00e7\u00e3o das duplas de investigadores, est\u00e3o entre o que h\u00e1 de melhor no livro. Suas contraposi\u00e7\u00f5es, seu passado sombrio e seus conflitos morais completam com sentido narrativo a parte mais hist\u00f3rica.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<aside class=\"a_tp | border_top_dotted border_bottom_dotted border_gray border_1 border_top border_bottom\">\n<div class=\"a_tp_w | flex container_column_mobile justify_space_between\">\n<div class=\"a_tp_c | flex align_items_center justify_center\">Adere a<\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 18 de setembro de 1931, em um quarto fechado no segundo andar do n\u00famero 16 da Prinzregentenplatz, em Munique, era achado sem vida o corpo da jovem Geli Raubal. As primeiras per\u00edcias no local e a aut\u00f3psia levaram \u00e0 conclus\u00e3o de que ela havia se suicidado com um tiro no peito, usando a pistola Walther G.35 de seu tio\u00a0Adolf Hitler, dono do apartamento e com quem tinha mantido uma \u00e1spera discuss\u00e3o horas antes. Tinha 23 anos. 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