{"id":330171,"date":"2020-09-03T00:59:48","date_gmt":"2020-09-03T03:59:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=330171"},"modified":"2020-09-02T07:07:44","modified_gmt":"2020-09-02T10:07:44","slug":"oito-coisas-que-nos-parecem-muito-modernas-mas-que-os-romanos-antigos-ja-faziam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/oito-coisas-que-nos-parecem-muito-modernas-mas-que-os-romanos-antigos-ja-faziam\/","title":{"rendered":"Oito coisas que nos parecem muito modernas, mas que os romanos antigos j\u00e1 faziam"},"content":{"rendered":"<nav class=\"t_n\">\n<div class=\"gh_c\">\n<div class=\"global-header global-header__article   | flex_grid no_gutter_mobile color_gray_dark relative background_white\">\n<div class=\"header_middle-bar | row relative border_top border_1 border_gray_ultra_light border_bottom\">\n<div class=\"header_collapsed | fixed z_index_highest breakout flex height_full width_full\">\n<div class=\"middle-bar | col row breakin align_items_center   align_items_center flex\">\n<div class=\"section-header | flex flex_2 hidden_mobile height_full overflow_hidden justify_center\"><strong>Romanos j\u00e1 pintavam grafites, compravam comida de rua e difundiam \u2019fake news\u2019&#8230;<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/nav>\n<article class=\"a | flex_grid background_white\">\n<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/U9oeFoDGHJb_O3KigJWovKs8dlc=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/CTTNBEFGWBXV56YMJESLMRMZUE.jpg\" alt=\"O Imperador Augusto, representado com o v\u00e9u de pont\u00edfice m\u00e1ximo, em uma est\u00e1tua do Museu Nacional Romano.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">O Imperador Augusto, representado com o v\u00e9u de pont\u00edfice m\u00e1ximo, em uma est\u00e1tua do Museu Nacional Romano.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">HERITAGE IMAGES \/ GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jaime Rubio Hancock\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jaime-rubio-hancock\/\">JAIME RUBIO HANCOCK<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">N\u00f3s, os ocidentais, nos consideramos herdeiros, pelo menos em parte, dos romanos antigos. Fundaram muitas de nossas cidades, nossa l\u00edngua vem do latim e inclusive estradas e rodovias, em muitos pa\u00edses europeus, foram\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/11\/album\/1484157450_586187.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">constru\u00eddas sobre antigas estradas romanas<\/a>. Embora \u00e0s vezes tamb\u00e9m nos sintamos, felizmente, distantes de muitos aspectos de sua cultura, como as guerras de conquista e as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/05\/ciencia\/1536142770_672955.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">lutas de gladiadores<\/a>. Como lembra ao EL PA\u00cdS o\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/antigua_roma\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">historiador N\u00e9stor F. Marqu\u00e9s<\/a>, quando examinamos os conceitos que existem por tr\u00e1s de algumas dessas manifesta\u00e7\u00f5es culturais vemos que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil encontrar paralelos entre muitas de suas atitudes e as nossas.<\/p>\n<p class=\"\">Reunimos algumas dessas atividades e costumes que podem parecer mais ou menos modernos, mas que j\u00e1 eram feitos, \u00e0 sua maneira, pelos romanos da Rep\u00fablica e do Imp\u00e9rio. Com uma advert\u00eancia do pr\u00f3prio historiador ouvido pela reportagem: n\u00e3o se deve cair no \u201cpresentismo\u201d. Em outras palavras, uma coisa \u00e9 comparar e estabelecer analogias para nos ajudar a entender melhor o passado (e nosso presente) e outra, bem diferente, \u00e9 \u201cintroduzir nossos vieses\u201d para justificar cren\u00e7as e opini\u00f5es que nem sempre t\u00eam muito a ver com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">hist\u00f3ria<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\"><b>1. Pintar grafites.<\/b>\u00a0Deixar mensagens nas paredes \u201cdeve ter sido bastante comum nas grandes cidades\u201d, nos contou Ana Mayorgas, professora do departamento de Hist\u00f3ria Antiga da Universidade Complutense de Madri, com quem conversamos para um artigo sobre os\u00a0<a href=\"https:\/\/verne.elpais.com\/verne\/2018\/10\/22\/articulo\/1540202645_138654.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">grafites de Pompeia<\/a>. Esta cidade tinha entre 10.000 e 20.000 habitantes\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/13\/ciencia\/1568367630_243262.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">quando foi sepultada pela erup\u00e7\u00e3o do Ves\u00favio<\/a>\u00a0no ano 79, e mais de 11.000 grafites est\u00e3o preservados em suas paredes. Na verdade, o fato de essas inscri\u00e7\u00f5es serem t\u00e3o frequentes, explicou Mayorgas, \u00e9 um dos indicadores de que \u201camplas camadas da popula\u00e7\u00e3o tinham a capacidade de ler pelo menos algumas frases\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">E o que os romanos escreviam? Textos muito curtos e mensagens muito diretas. Al\u00e9m dos \u201cSatura esteve aqui\u201d e similares, h\u00e1 mensagens de cunho amoroso e sexual, an\u00fancios de vendedores de barracas e lojas, bem como slogans eleitorais. Outro grupo importante \u00e9 o da reprodu\u00e7\u00e3o de versos conhecidos, especialmente da\u00a0<i>Eneida<\/i>. Tamb\u00e9m havia algo bem ao estilo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/tripadvisor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Tripadvisor<\/a>\u00a0cl\u00e1ssico (\u201cPagar\u00e1s pelos teus truques, estalajadeiro. Voc\u00ea nos vende \u00e1gua e fica com o bom vinho para voc\u00ea\u201d). E N\u00e9stor F. Marqu\u00e9s aponta uma que o faz lembrar o Twitter: \u201cMe admiro, parede, que voc\u00ea n\u00e3o tenha desabado, tendo que aguentar tantas bobagens escritas sobre voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p class=\"\"><b>2. Difundir not\u00edcias falsas.<\/b>\u00a0O historiador explica que algumas dessas inscri\u00e7\u00f5es nas paredes eram compar\u00e1veis aos boatos que vemos no mural do<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/facebook\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0Facebook<\/a>. Por exemplo, um desses grafites afirmava que \u201co sindicato dos ladr\u00f5es e das prostitutas\u201d apoiava um candidato \u00e0s elei\u00e7\u00f5es locais. Talvez, como nos boatos atuais, muita gente n\u00e3o acreditasse, mas \u00e9 claro que a difama\u00e7\u00e3o (e a zombaria) n\u00e3o s\u00e3o uma arma pol\u00edtica apenas de nossa hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p class=\"\">Marqu\u00e9s \u00e9 precisamente o autor do livro\u00a0<i>Fake News de la Antigua Roma<\/i>\u00a0e explica por telefone outros casos de destaque de campanhas difamat\u00f3rias.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/08\/cultura\/1528467298_389944.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Por exemplo, muitas das hist\u00f3rias que chegaram at\u00e9 n\u00f3s<\/a>\u00a0sobre os imperadores, como os excessos de Cal\u00edgula, Nero e Domiciano. Em geral, os imperadores assassinados eram demonizados ap\u00f3s sua morte. Em vez disso, como Mary Beard escreve em\u00a0<i>SPQR<\/i>, aqueles que conseguiam morrer na cama e organizar sua sucess\u00e3o eram lembrados como generosos e devotados a Roma.<\/p>\n<p class=\"\">O professor lembra que a hist\u00f3ria \u00e9 escrita pelos vencedores. Tanto Suet\u00f4nio, autor de\u00a0<i>Vidas dos Doze C\u00e9sares<\/i>, quanto T\u00e1cito, autor dos\u00a0<i>Anais<\/i>, trabalharam para o imperador Trajano. E que melhor maneira de fazer este imperador parecer bom do que falar mal dos anteriores? Por exemplo, Marqu\u00e9s conta que Domiciano, recordado como um tirano cruel, foi um imperador \u201cmuito eficiente, bom administrador, perfeccionista e justo\u201d. A t\u00edtulo de exemplo, as moedas de prata e ouro de seu reinado tinham 99% de pureza, o que significava que as contas estavam saneadas.<\/p>\n<p class=\"\"><b>3. Organizar campanhas eleitorais<\/b>. J\u00e1 mencionamos que havia elei\u00e7\u00f5es: os romanos podiam se dedicar \u00e0 carreira pol\u00edtica e judici\u00e1ria, com cargos sujeitos a elei\u00e7\u00f5es. Principalmente durante a Rep\u00fablica, embora durante o Imp\u00e9rio tamb\u00e9m houvesse vota\u00e7\u00f5es anuais para cargos locais. Claro, n\u00e3o havia sal\u00e1rio, raz\u00e3o pela qual s\u00f3 privilegiados podiam se dedicar a essa carreira.<\/p>\n<p class=\"\">De fato, custavam dinheiro. Marqu\u00e9s explica que os candidatos pagavam obras p\u00fablicas, como a nova pavimenta\u00e7\u00e3o de uma pra\u00e7a, por exemplo. Candidatar-se a uma elei\u00e7\u00e3o para cargos como pretor ou c\u00f4nsul inclu\u00eda um n\u00edvel de generosidade que \u00e0s vezes \u201cnem sempre era f\u00e1cil de distinguir do suborno\u201d, escreve Beard, acrescentando que os pol\u00edticos romanos contavam recuperar o que tinham investido (e algo mais) durante o exerc\u00edcio do cargo.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/dhkaWLMtrCqQa0ThdCs-jwGhtjE=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/CZAUO2BKKVUHJ5PWE7O24X46TY.jpg\" alt=\"C\u00edcero denunciando Catilina no Senado, em um afresco de Cesare Maccari (1899).\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">C\u00edcero denunciando Catilina no Senado, em um afresco de Cesare Maccari (1899).<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Algo semelhante a com\u00edcios tamb\u00e9m era realizado: as\u00a0<i>contiones<\/i>, que eram organizadas antes das assembleias e nas quais os candidatos tentavam atrair o voto dos cidad\u00e3os com discursos e debates (C\u00edcero fez seu segundo e quarto discurso contra Catilina em\u00a0<i>contiones<\/i>, explica Beard em seu livro). Havia at\u00e9 \u201ccolagem de cartazes\u201d, diz Marqu\u00e9s. Durante a campanha, os candidatos mandavam pintar slogans a seu favor nas paredes da cidade. Esses trabalhadores (ou seguidores) sa\u00edam \u00e0 noite em grupos com diferentes tarefas: um deles caiava a parede, outro desenhava as letras e um terceiro segurava uma lamparina a \u00f3leo.<\/p>\n<p class=\"\"><b>4. Admirar atletas famosos.<\/b>\u00a0Os gladiadores e, principalmente, os cocheiros de bigas e quadrigas (aqueles ve\u00edculos antigos puxados por cavalos) eram admirados pelos f\u00e3s de jogos e corridas. O Circo M\u00e1ximo, onde aconteciam corridas de quadrigas, podia acomodar cerca de 250.000 espectadores, em uma cidade de um milh\u00e3o de habitantes no s\u00e9culo I. O historiador especialista em Roma Antiga, que compara essas corridas \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/formula-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">F\u00f3rmula 1<\/a>, d\u00e1 como exemplo Caio Apuleio Diocles, cocheiro lusitano cuja carreira esportiva foi gravada numa l\u00e1pide erguida por seus admiradores. Diocles se aposentou tendo acumulado uma fortuna que, segundo algumas estimativas, o tornaria o atleta mais bem pago da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"\">Juvenal (o mesmo que criticou o \u201cp\u00e3o e circo\u201d) acreditava que os romanos admiravam demais os gladiadores. Um pouco como quando algu\u00e9m se queixa da aten\u00e7\u00e3o que damos a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/cristiano-ronaldo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Cristiano Ronaldo<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/lionel-messi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Messi<\/a>. Escreve com desprezo em uma de suas\u00a0<i>S\u00e1tiras<\/i>\u00a0sobre Eppia, a mulher de um senador que teve um caso com um gladiador chamado Sergio. Este lutador tinha um bra\u00e7o ferido e o rosto cheio de cicatrizes: \u201cMas era um gladiador! (&#8230;) Por isso o preferia aos irm\u00e3os e ao marido: \u00e9 da espada que elas gostam\u201d. Marqu\u00e9s acrescenta que os gladiadores eram vistos como pessoas diferentes e incr\u00edveis. Havia at\u00e9 lendas urbanas, como a de que seu sangue era afrodis\u00edaco.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/ap_YQ7wnQFDZBbWpjXV94vYIJYo=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/W5ENZTZD637CGXMXYZG6VN6PI4.jpg\" alt=\"As ru\u00ednas do Circo M\u00e1ximo.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">As ru\u00ednas do Circo M\u00e1ximo.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">ELIZABETH BEARD \/ GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\"><b>5. Comportar-se como esnobe em rela\u00e7\u00e3o a vinhos<\/b>. Como explica Mark Forsyth em\u00a0<i>Uma Breve Hist\u00f3ria da Bebedeira<\/i>, os romanos foram os primeiros a se preocupar com a origem, a variedade e o ano de colheita dos vinhos. Marqu\u00e9s cita, por exemplo, um cartaz publicit\u00e1rio de uma taberna de Herculano no qual aparecem v\u00e1rias jarras, cada uma com um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/08\/19\/cultura\/1471627012_768392.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pre\u00e7o diferente de acordo com sua qualidade e idade<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/uRGKCJBPNa6CO-FvgxkVsRK6cUg=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/MGEL7XMUGYLDSUCAUNN646QVWY.jpg\" alt=\"Cartaz com publicidade de diferentes tipos de vinho, em Herculano.  \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Cartaz com publicidade de diferentes tipos de vinho, em Herculano.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">WERNER FORMAN ARCHIVE \/ GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Um dos mais bem avaliados era o do monte Falerno, perto da atual N\u00e1poles, um vinho branco que era envelhecido durante dez anos. E a colheita mais famosa foi a de 121 a.C., o falerno opimiano, que leva o nome de Op\u00edmio, o c\u00f4nsul da \u00e9poca (as colheitas eram designadas com o nome do c\u00f4nsul, que mudava a cada ano). Sup\u00f5e-se que tenha sido bebido por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/28\/cultura\/1514469132_803437.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">J\u00falio C\u00e9sar (cerca de 60 anos mais tarde) e Cal\u00edgula<\/a>\u00a0(160 anos depois). O poeta Marcial qualificou esse vinho de \u201cimortal\u201d, mas dificilmente seria algo trag\u00e1vel depois de tantas d\u00e9cadas. Na verdade, como Forsyth tamb\u00e9m conta, muitos dos antigos lacres de vinho eram provavelmente falsos.<\/p>\n<p class=\"\"><b>6. Reclamar do senhorio.<\/b>\u00a0Os edif\u00edcios de apartamentos (<i>insulae<\/i>, ou ilhas) eram muito comuns em Roma. Como Mary Beard escreve em\u00a0<i>SPQR<\/i>, eram \u201coportunidades de investimento atraentes para seus propriet\u00e1rios\u201d. Como o pr\u00f3prio C\u00edcero, que em uma carta comentou que um de seus edif\u00edcios estava a ponto de desabar e \u201cn\u00e3o s\u00f3 os inquilinos, mas tamb\u00e9m os ratos\u201d tinham ido embora. Segundo Beard, ele n\u00e3o escreveu isso envergonhado, mas com esc\u00e1rnio e superioridade.<\/p>\n<p class=\"\">Nesses edif\u00edcios, as moradias menos confort\u00e1veis e espa\u00e7osas ficavam nos andares superiores, sem espa\u00e7o para cozinhar ou lavar. E, o que \u00e9 pior, com uma rota de fuga muito dif\u00edcil em caso de inc\u00eandio, algo frequente. Em outra de suas s\u00e1tiras Juvenal escreve que a cidade \u201cem sua maior parte se apoia em uma fr\u00e1gil viga, porque com ela o senhorio evita a queda e, uma vez que cobriu a abertura de uma velha fenda, nos aconselha a dormir tranquilos antes do desabamento iminente\u201d. Embora as leis de moradia tenham mudado muito desde ent\u00e3o, alguns ler\u00e3o estas linhas escritas h\u00e1 mais de 1900 anos e se lembrar\u00e3o do \u00faltimo remendo feito pelo senhorio: \u201cEst\u00e1 como novo. Deixe um balde aqui para a \u00e1gua, n\u00e3o fale muito alto e melhor n\u00e3o abrir a janela \u00e0 tarde. Mas est\u00e1 como novo\u201d.<\/p>\n<p class=\"\"><b>7. Comprar comida de rua.<\/b>\u00a0Os romanos que tinham boa situa\u00e7\u00e3o podiam cozinhar e comer em casa; para o resto, como vimos na se\u00e7\u00e3o anterior, era mais dif\u00edcil: no caso de querer algo que n\u00e3o fosse equivalente a um sandu\u00edche, tinha de ir a bares e tabernas.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/seUzMHGQ1M8UxZ9S5aQUNhP0Nc8=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/L5CQKUDC5Y6YQCQB6FXHX54L64.jpg\" alt=\"Termop\u00f3lio em Pompeia. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Termop\u00f3lio em Pompeia.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">PHAS \/ GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Al\u00e9m de sentar nesses estabelecimentos, em cidades como Pompeia e Herculano ainda est\u00e3o de p\u00e9 os termop\u00f3lios, estabelecimentos onde se podia comprar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-07-29\/os-sabores-e-saberes-das-mulheres-da-america-latina-em-uma-serie-de-tv.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">comida pronta para viagem<\/a>. Tinham um balc\u00e3o com buracos nos quais eram colocados recipientes de barro com comida quente ou fria. Marqu\u00e9s lembra que ao meio-dia era habitual comer pouco e rapidamente na rua se, por exemplo, n\u00e3o havia tempo de voltar para casa. A refei\u00e7\u00e3o importante era o jantar (\u00e0s cinco ou seis da tarde, ou \u00e0s sete se fosse um banquete). Quem podia, certamente tirava um\u00a0<i>meridiatum<\/i>, ou seja, uma sesta.<\/p>\n<p class=\"\"><b>8. Ler um jornal.<\/b>\u00a0Um dos pequenos prazeres da vida moderna \u00e9 sair para passear (agora, com m\u00e1scara),\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-08-30\/renata-lo-prete-celebra-a-rotina-de-fazer-bom-jornalismo-com-um-cada-pe-em-uma-canoa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">comprar o jornal e l\u00ea-lo em um terra\u00e7o<\/a>, respeitando a dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a. At\u00e9 o s\u00e9culo XVIII n\u00e3o havia jornais, mas os romanos tinham algo semelhante \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. Podiam se aproximar do f\u00f3rum, onde todos os dias uma c\u00f3pia da\u00a0<i>Acta diurna populi romani<\/i>\u00a0(os fatos di\u00e1rios do povo de Roma) era pendurada.<\/p>\n<p class=\"\">Na\u00a0<i>Acta<\/i>, que alguns mandavam copiar \u00e0 m\u00e3o para enviar e distribuir em todas as prov\u00edncias, havia propostas de leis, fragmentos de discursos e resumos do que aconteceu no Senado. A decis\u00e3o de pendurar esse di\u00e1rio foi de J\u00falio C\u00e9sar. Ele n\u00e3o o fez para aproximar as decis\u00f5es pol\u00edticas do povo. Como explica Tom Standage em\u00a0<i>Writing on the Wall<\/i>, seu objetivo era mostrar como os senadores se opunham \u00e0s suas pol\u00edticas populistas, para ter o apoio dos cidad\u00e3os e cimentar suas ambi\u00e7\u00f5es de se consolidar como ditador.<\/p>\n<p class=\"\">Depois de alguns anos, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-07\/o-retorno-da-aischropolis-a-cidade-feia-e-sua-democracia-agonizante.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Acta<\/i>\u00a0come\u00e7ou a incluir informa\u00e7\u00f5es al\u00e9m da pol\u00edtica,<\/a>\u00a0como funerais e div\u00f3rcios, al\u00e9m de fatos curiosos que Pl\u00ednio, o Velho, compilaria em sua\u00a0<i>Hist\u00f3ria Natural<\/i>. Por exemplo, uma hist\u00f3ria que hoje continua sendo publicada de vez em quando, embora com outros protagonistas, \u00e9 claro: um cachorro se recusou a abandonar o cad\u00e1ver de seu dono, chegando at\u00e9 a tentar resgat\u00e1-lo quando foi lan\u00e7ado no rio Tibre.<\/p>\n<p class=\"\">Al\u00e9m da\u00a0<i>Acta<\/i>, Marqu\u00e9s lembra o papel dos porta-vozes e pregoeiros (<i>praeco<\/i>). Eram funcion\u00e1rios do Estado que informavam no f\u00f3rum as not\u00edcias do dia e que tamb\u00e9m podiam anunciar as horas, atuando como rel\u00f3gios humanos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Romanos j\u00e1 pintavam grafites, compravam comida de rua e difundiam \u2019fake news\u2019&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":330172,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-330171","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/romano-arena.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/330171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=330171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/330171\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/330172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=330171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=330171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=330171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}