{"id":330602,"date":"2020-09-07T00:27:56","date_gmt":"2020-09-07T03:27:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=330602"},"modified":"2020-09-08T02:53:33","modified_gmt":"2020-09-08T05:53:33","slug":"identitarismo-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/identitarismo-branco\/","title":{"rendered":"Identitarismo branco"},"content":{"rendered":"<div class=\"kl-blog-single-head-wrapper\" style=\"text-align: justify;\">\n<p><a class=\"hoverBorder pull-left full-width kl-blog-post-img\" href=\"http:\/\/www.fundacaoastrojildo.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/XIR5VCTUAFFFLKH4724XXQYRJA.jpg\" data-lightbox=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" lazyloaded\" title=\"XIR5VCTUAFFFLKH4724XXQYRJA\" src=\"http:\/\/www.fundacaoastrojildo.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/XIR5VCTUAFFFLKH4724XXQYRJA.jpg\" alt=\"\" width=\"1140\" height=\"680\" data-src=\"http:\/\/www.fundacaoastrojildo.com.br\/2015\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/XIR5VCTUAFFFLKH4724XXQYRJA.jpg\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"kl-blog-post-header\">\n<div class=\"kl-blog-post-details clearfix\">\n<div class=\"pull-right hg-postlove-container\"><\/div>\n<div class=\"kl-blog-post-details-author\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-330603 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-620x370.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"370\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-620x370.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-300x179.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-768x458.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-160x95.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire-640x382.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"itemBody kl-blog-post-body kl-blog-cols-1\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Demorou muito tempo at\u00e9 que eu percebesse o quanto a pretensa especificidade da filosofia ocidental era um dos mais brutais dispositivos coloniais j\u00e1 inventados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A no\u00e7\u00e3o de \u201cidentidade\u201d conseguiu colocar-se no centro dos embates pol\u00edticos de nossa \u00e9poca. Ela trouxe novos problemas e novas sensibilidades com as quais precisaremos lidar no interior das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-14\/nao-se-pode-pensar-a-democracia-real-no-brasil-se-o-racismo-nao-for-um-ponto-central.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">lutas sociais contempor\u00e2neas<\/a>\u00a0por reconhecimento. Para ela, convergem quest\u00f5es pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas complexas que concernem a integralidades dos sujeitos, pois\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2019-12-23\/amigues-da-linguagem-inclusiva.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tocam a gram\u00e1tica social<\/a>\u00a0naquilo que ela tem de mais estruturador, a saber, em suas din\u00e2micas de rela\u00e7\u00e3o e de unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos utilizam \u201cidentidade\u201d para desqualificar lutas que questionam\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-07-30\/retorno-as-rotas-de-pessoas-escravizadas-que-forjaram-o-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">pr\u00e1ticas seculares de exclus\u00e3o<\/a>\u00a0naturalizadas sob as vestes de discursos universalistas. Assim, na perspectiva desses cr\u00edticos, as lutas ligadas a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/06\/opinion\/1541544431_898684.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">movimentos feministas, negros, LGBT+<\/a>\u00a0seriam em larga medida \u201cidentit\u00e1rias\u201d porque visariam, na verdade, criar uma nova geografia estanque de lugares de poder. Lugares esses indexados por identidades espec\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos dos sujeitos organicamente vinculados a tais lutas lembram, no entanto, que at\u00e9 para n\u00e3o crist\u00e3o vale o dito do Evangelho: \u201cTira primeiro a trave do teu olho, e ent\u00e3o poder\u00e1s ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irm\u00e3o\u201d. Ou seja, antes de acusar qualquer um de regress\u00e3o identit\u00e1ria seria o caso de come\u00e7ar por se perguntar sobre o identitarismo naturalizado pela hegemonia de uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2020-06-12\/estatuas-de-colombo-sao-o-novo-alvo-do-movimento-revisionista-nos-eua.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">hist\u00f3ria violenta de conquistas<\/a>\u00a0e sujei\u00e7\u00e3o operada, majoritariamente, por brancos europeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa coloca\u00e7\u00e3o \u00e9 astuta e irrefut\u00e1vel. Ela n\u00e3o afirma que a naturaliza\u00e7\u00e3o de identidades e suas fronteiras \u00e9 o horizonte efetivo das lutas que nos atravessam, mas que falar em qualquer experi\u00eancia de universalidade concreta est\u00e1 interditada at\u00e9 que o foco mais forte de identidade seja deposto, e esse foco encontra-se normalmente do lado dos que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/06\/20\/opinion\/1560984612_250759.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">atacam certas lutas sociais<\/a>\u00a0por serem \u201cidentit\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se me permitem, gostaria de usar a primeira pessoa do singular para descrever um aspecto desse problema, pois h\u00e1 v\u00e1rios outros que dever\u00e3o ser acrescidos. Quando ainda era\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/05\/09\/cultura\/1557411080_605702.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudante de filosofia<\/a>, lembro de um colega perguntar a um professor sobre a raz\u00e3o pela qual\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/17\/cultura\/1545063946_645737.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">n\u00e3o estudar\u00edamos, em nosso curso, filosofia chinesa, indiana, africana<\/a>, entre outros. \u201cSimplesmente porque n\u00e3o h\u00e1\u201d, foi a resposta. Em todo lugar que n\u00e3o tivesse sido marcado pelo \u201cmilagre grego\u201d o que haveria era a preval\u00eancia do mito. Raz\u00e3o,\u00a0<em>logos<\/em>, era uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-05-07\/o-retorno-da-aischropolis-a-cidade-feia-e-sua-democracia-agonizante.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">inven\u00e7\u00e3o grega<\/a>\u00a0que nos havia salvo, \u201cn\u00f3s, os ocidentais\u201d, da cegueira do pensamento m\u00edtico e de seus limites \u00e0 autorreflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa raz\u00e3o, esse\u00a0<em>logos<\/em>\u00a0seria n\u00e3o apenas uma capacidade argumentativa de dar e reconhecer raz\u00f5es, mas uma forma de vida capaz de racionalizar processos sociais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre composta por sujeitos aut\u00f4nomos (\u201cautonomia\u201d: mais uma inven\u00e7\u00e3o pretensamente grega). Assim, n\u00e3o apenas a raz\u00e3o seria o presente do ocidente ao mundo, mas tamb\u00e9m a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Demorou muito tempo at\u00e9 que eu fosse capaz de perceber o quanto essa pretensa especificidade da filosofia no ocidente era um dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/19\/cultura\/1566230138_634355.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mais brutais dispositivos coloniais j\u00e1 inventados<\/a>, era o n\u00facleo de um dos mais resilientes processos identit\u00e1rios que conhecemos. Pois, se a Europa com sua matriz grega era um mar de filosofia cercada de mito por todos os lados, ent\u00e3o qual destino ter\u00edamos todos a n\u00e3o ser querermos nos tornar \u201cbons europeus\u201d e a abra\u00e7ar os processos de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d que come\u00e7aram em seu solo, a nos abrirmos \u00e0 \u201cmaturidade\u201d de sua forma de vida? Outras formas de pensamento poderiam nos oferecer belos mitos, ensinamentos morais edificantes, mas muito pouco a respeito de processos concretos de emancipa\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o racional com o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, se assim fosse, havia uma conta que teimava em n\u00e3o fechar. Quando chegaram \u00e0 Am\u00e9rica, v\u00e1rios jesu\u00edtas ficaram estarrecidos com o que encontraram entre v\u00e1rios\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/03\/31\/ciencia\/1459446271_454060.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">povos amer\u00edndios<\/a>. N\u00e3o foi canibalismo ou a pretensa selvageria que os estarreceram. Deixemos falar um desses jesu\u00edtas, que escreveu em 1642 sobre um povo que habitava o atual Quebec: \u201cOs Neskapi imaginam que eles devem, por direito de nascimento, gozar da liberdade dos burros selvagens, sem respeitar a quem quer que seja, salvo quando sintam vontade. Eles me criticaram cem vezes por termos medo de nossos capit\u00e3es, enquanto eles riem e zombam dos seus. Toda a autoridade de seus chefes est\u00e1 no dom\u00ednio da l\u00edngua, pois eles s\u00e3o potentes na medida em que s\u00e3o eloquentes, e mesmo se eles morrem de falar, eles s\u00f3 ser\u00e3o obedecidos se agradarem aos selvagens\u201d. Povos sem medo, cujas rela\u00e7\u00f5es a autoridades se fundam na eloqu\u00eancia, ou seja, na capacidade cont\u00ednua de argumenta\u00e7\u00e3o racional e persuas\u00e3o. N\u00e3o era estranho encontrar gente como o padre Lallemant em 1644, dizendo a respeito dos Wendats do Quebec: \u201cN\u00e3o creio que existam pessoas sobre a terra mais livres que eles\u201d. Sua\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2019-12-24\/o-cerebro-nos-impede-de-ver-a-forca-dos-argumentos-que-nos-contradizem.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o<\/a>, diz o padre, era maior do que a de um franc\u00eas m\u00e9dio, j\u00e1 que eles viviam em sociedades nas quais o poder precisa a todo momento dar e reconhecer raz\u00f5es para agir. Era isso que efetivamente estarreciam os jesu\u00edtas, a saber, a descoberta de que eles eram mais livres do que \u201cn\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou seja, quando algu\u00e9m como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/thomas-hobbes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Thomas Hobbes<\/a>\u00a0dizia, na mesma \u00e9poca, que no estado de natureza encontr\u00e1vamos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/09\/28\/ciencia\/1475057376_740285.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201co homem como lobo do homem\u201d<\/a>, para completar lembrando: \u201cos povos selvagens de muitos lugares da Am\u00e9rica, com exce\u00e7\u00e3o do governo de pequenas fam\u00edlias, cuja conc\u00f3rdia depende da concupisc\u00eancia natural, n\u00e3o possuem nenhuma esp\u00e9cie de governo, e vivem nos nossos dias daquela maneira brutal que antes referi\u201d, isso s\u00f3 se sustentava como, digamos, uma \u201cfake news\u201d. Bastava ler o padre Lallemant. E quando o \u201ctolerante\u201d\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/tag-john-locke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Locke<\/a>\u00a0dizia que, mesmo sendo livres, faltava a esses povos seguran\u00e7a porque lhes faltavam Estado e outras institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas nossas, algu\u00e9m deveria ter lembrando a Locke que termos como \u201cestado\u201d, \u201cna\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cpovo\u201d s\u00f3 tem algum sentido quando nos perguntamos contra quem eles s\u00e3o mobilizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, todos esses dispositivos de pensamento eram pe\u00e7as de um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019-11-30\/lourenco-cardosotemos-potencial-para-abolir-o-racismo-e-todas-as-outras-formas-de-opressao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">profundo identitarismo branco<\/a>\u00a0que visava n\u00e3o apenas jogar na invisibilidade formas outras de vida, mas principalmente impedir que essa experi\u00eancia de descentramento produzida pelo contato com a alteridade implicasse um processo efetivo de transforma\u00e7\u00e3o. O pretenso universalismo dessas formas de pensar era, na verdade, um sistema defensivo contra a for\u00e7a de descentramento pr\u00f3pria a um mundo em expans\u00e3o potencia\u0142.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrar desses momentos da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/18\/cultura\/1539859862_392943.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">filosofia ocidental<\/a>\u00a0\u00e9 apenas uma forma de insistir como a universalidade efetiva nunca existiu e como tudo feito em seu nome foi marcado pelo saque e pelo roubo. Foi apenas quando ela se voltou contra si mesma e contra os horizontes sociais que a produziram que a experi\u00eancia ocidental do pensamento esteve a altura de seu objeto. Mas, fora desses momentos, processos de segrega\u00e7\u00e3o e silenciamento foram a verdadeira norma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o haveria outra forma de terminar esse artigo que n\u00e3o se lembrando de um dos maiores acontecimentos hist\u00f3ricos que conhecemos, a saber, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/12\/26\/album\/1577356824_240898.html#foto_gal_6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">revolu\u00e7\u00e3o haitiana que se inicia em 1791<\/a>. Ela marca a luta de liberta\u00e7\u00e3o daqueles que at\u00e9 ent\u00e3o tinham sido colocados na condi\u00e7\u00e3o de \u201ccoisas\u201d, de \u201cescravos\u201d pelo poder colonial. Em 1804, quando a liberta\u00e7\u00e3o estava consolidada, os haitianos promulgam uma impressionante constitui\u00e7\u00e3o. Vale a pena lembrar aqui dos artigos 12, 13 e 14. O primeiro afirma: \u201cNenhum branco, independente de sua na\u00e7\u00e3o, colocar\u00e1 o p\u00e9 neste territ\u00f3rio a t\u00edtulo de senhor ou propriet\u00e1rio, e n\u00e3o poder\u00e1 no futuro adquirir propriedade alguma\u201d. Mas o artigo 13 produz uma especifica\u00e7\u00e3o: \u201cO artigo precedente n\u00e3o tem efeito algum para as mulheres brancas naturalizadas haitianas pelo Governo, nem para as crian\u00e7as nascidas ou a nascer delas. Est\u00e3o ainda compreendidos neste presente artigo, os alem\u00e3es e poloneses naturalizados pelo Governo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, ao tentar reescravizar os haitianos,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/napoleon-bonaparte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Napole\u00e3o<\/a>\u00a0enviou tropas nas quais havia uma legi\u00e3o de 5.200 poloneses. Ao chegar no campo de batalha, eles descobriram que n\u00e3o se tratava de uma revolta de prisioneiros, como os franceses haviam lhes contado, mas uma insurrei\u00e7\u00e3o pela liberdade. Muitos soldados ent\u00e3o desertaram e come\u00e7aram a lutar ao lado dos haitianos. Eles foram para o Haiti acreditando que estavam a defender os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/25\/eps\/1524679056_056165.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cideais iluministas\u201d<\/a>, mas logo compreenderam que tais ideias estavam, de fato, do outro lado do campo de batalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed o sentido do artigo 14 da Constitui\u00e7\u00e3o haitiana: \u201cToda acep\u00e7\u00e3o de cor dentre as crian\u00e7as de uma mesma fam\u00edlia, cujo chefe de Estado \u00e9 o pai, deve necessariamente cessar. Os haitianos ser\u00e3o conhecidos apenas atrav\u00e9s da denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de Pretos\u201d. Ou seja, a extrema intelig\u00eancia pol\u00edtica dos haitianos lhes permitiu fazer de um termo at\u00e9 ent\u00e3o usado como marca de exclus\u00e3o o nome de uma verdadeira universalidade por vir. O nome de algo que indica o vetor efetivo de uma sociedade em revolu\u00e7\u00e3o. Para os haitianos, pretos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-23\/negro-continuara-sendo-oprimido-enquanto-o-brasil-nao-se-assumir-racista-dizem-especialistas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ser\u00e3o tamb\u00e9m aqueles que lutaram a seu lado<\/a>\u00a0por uma sociedade radicalmente livre e igualit\u00e1ria, que n\u00e3o querem mais defender essa sociedade marcada pela espolia\u00e7\u00e3o, silenciamento e segrega\u00e7\u00e3o, mesmo que eles sejam brancos como um polon\u00eas.Adere a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte:\u00a0<\/strong>El Pa\u00eds<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-09-04\/identitarismo-branco.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-09-04\/identitarismo-branco.html<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demorou muito tempo at\u00e9 que eu percebesse o quanto a pretensa especificidade da filosofia ocidental era um dos mais brutais dispositivos coloniais j\u00e1 inventados<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":330603,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-330602","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/voltaire.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/330602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=330602"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/330602\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/330603"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=330602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=330602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=330602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}