{"id":330627,"date":"2020-09-07T06:18:12","date_gmt":"2020-09-07T09:18:12","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=330627"},"modified":"2020-09-08T07:13:06","modified_gmt":"2020-09-08T10:13:06","slug":"dia-da-independencia-do-brasil-a-longa-viagem-de-dom-pedro-1o-que-culminou-no-grito-do-ipiranga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/dia-da-independencia-do-brasil-a-longa-viagem-de-dom-pedro-1o-que-culminou-no-grito-do-ipiranga\/","title":{"rendered":"Dia da Independ\u00eancia do Brasil: A longa viagem de Dom Pedro 1\u00ba que culminou no Grito do Ipiranga"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><strong><span class=\"byline__name\">Edison Veiga<\/span><\/strong><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/830F\/production\/_103315533_museuimperial.jpg\" alt=\"Dom Pedro 1\u00ba em retrato do pintor Simpl\u00edcio Rodrigues de S\u00e1, o \u00faltimo dele em vida\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Dom Pedro passou longos dias na estrada antes de chegar a S\u00e3o Paulo, onde declarou a independ\u00eancia<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Que &#8220;ouviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas&#8221; voc\u00ea j\u00e1 sabe, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preciso dizer que o epis\u00f3dio que entraria para a hist\u00f3ria do Brasil como a Independ\u00eancia, em 7 de setembro de 1822, ocorreu em S\u00e3o Paulo \u2014 no hoje bairro do Ipiranga, \u00e0s margens do c\u00f3rrego do Ipiranga \u2014 e n\u00e3o no Rio de Janeiro, sede do governo \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que fazia o intr\u00e9pido dom Pedro pelas bandas paulistas? Por que essa viagem, a cavalo e mula, do Rio at\u00e9 S\u00e3o Paulo, pelo Vale do Para\u00edba, culminou no Grito do Ipiranga? O que fez o jovem nobre pelo caminho, neste p\u00e9riplo que ele iniciou como pr\u00edncipe e terminou como imperador?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em busca dessas respostas, o pesquisador Paulo Rezzutti refez o trajeto, baseado no relato escrito em 1864 por um dos membros da comitiva de Dom Pedro, o major reformado Francisco de Castro do Canto e Melo, irm\u00e3o da Marquesa de Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Foram seis dias em que percorremos 1,3 mil km&#8221;, conta Rezzutti, que \u00e9 autor, entre outros, de\u00a0<i>D. Pedro: A Hist\u00f3ria N\u00e3o Contada<\/i>, biografia do primeiro imperador do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem de Dom Pedro\u2014 que se estenderia por quase um m\u00eas \u2014 era importante do ponto de vista pol\u00edtico. A prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo vivia um momento conturbado, com um princ\u00edpio de motim em que parte da elite amea\u00e7ava se recusar a cumprir ordens da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Dom Pedro veio firmar alian\u00e7as com os fazendeiros, apaziguar o cen\u00e1rio e preparar terreno para a Independ\u00eancia&#8221;, afirma Rezzutti.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/43F9\/production\/_103310471_4-1.jpg\" alt=\"Hotel-fazenda em Bananal, na \u00e9poca uma casa de fazenda onde d. Pedro passou\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Dom Pedro passou por regi\u00e3o onde hoje funciona hotel-fazenda em Bananal, no interior de S\u00e3o Paulo<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A vinda de Dom Pedro para a Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo era estrat\u00e9gica. A uni\u00e3o do Brasil era um tema que estava sendo muito pensado e discutido depois que Dom Jo\u00e3o 6\u00ba retornou a Portugal. O risco da fragmenta\u00e7\u00e3o do Brasil em pequenas rep\u00fablicas, como ocorreu na Am\u00e9rica Espanhola, era poss\u00edvel&#8221;, aponta o historiador Diego Amaro de Almeida, pesquisador do Centro Salesiano de Pesquisas Regionais e vice-presidente do Instituto de Estudos Valeparaibanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Para evitar a submiss\u00e3o do Brasil a Portugal ou a desfragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, Dom Pedro precisava se mostrar um l\u00edder capaz de realizar um plano ambicioso de independ\u00eancia de um territ\u00f3rio de propor\u00e7\u00f5es continentais. E ainda precisava de apoio financeiro.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17891\/production\/_103310469_3-1.jpg\" alt=\"Monumento alusivo \u00e0 passagem de D. Pedro em Pindamonhangaba\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Pontos por onde Dom Pedro passou foram marcados por monumentos, como este obelisco em Pindamonhangaba<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, o Vale do Para\u00edba era um dos motores econ\u00f4micos do Pa\u00eds. &#8220;Todos aqueles que produziam o caf\u00e9 prosperavam, e de maneira r\u00e1pida&#8221;, lembra Almeida. &#8220;Ou seja: era o lugar ideal para firmar alian\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fato de Canto e Melo ter integrado essa comitiva \u00e9 um sinal do momento complicado. O militar integrava o grupo chamado de &#8220;leais paulistanos&#8221;, uma tropa de correligion\u00e1rios da prov\u00edncia que foi montada em janeiro de 1822, na \u00e9poca do epis\u00f3dio hist\u00f3rico conhecido como Dia do Fico, para manifestar apoio ao ent\u00e3o pr\u00edncipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No total, 1,1 mil homens participavam dessa guarda especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o foi f\u00e1cil para o jovem pr\u00edncipe e futuro imperador do Brasil enfrentar os diferentes caminhos que os membros da elite do pa\u00eds pretendiam trilhar. As influ\u00eancias externas eram muitas, mas os brasileiros, a ampla maioria, n\u00e3o desejavam voltar a ser col\u00f4nia de Portugal&#8221;, afirma Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, diz o historiador, havia tr\u00eas possibilidades apontadas por lideran\u00e7as. Uma era formada por portugueses que desejavam que Dom Pedro 1\u00ba retornasse a Portugal e que todas as leis que possibilitavam ao Brasil algum tipo de emancipa\u00e7\u00e3o fossem derrubadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro grupo, liderado por Joaquim Gon\u00e7alves Ledo, queria que o Brasil se tornasse independente. Mas desejava, contudo, que o pa\u00eds seguisse o rumo da Am\u00e9rica Espanhola, e as prov\u00edncias se tornassem rep\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o modelo que prevaleceu foi o defendido por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, que propunha que o Brasil se separasse de Portugal, mas que mantivesse a manuten\u00e7\u00e3o do regime mon\u00e1rquico constitucional, com a finalidade de preservar a unidade pol\u00edtica e territorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O especialista contextualiza assim o cen\u00e1rio que pressionava Pedro 1\u00ba. &#8220;Ele herdava um pa\u00eds com in\u00fameros problemas financeiros, pol\u00edticos e sociais. Precisava e ansiava por todo apoio que pudesse, o que tamb\u00e9m exigiu um certo esfor\u00e7o de algu\u00e9m que come\u00e7ava a compreender o tamanho de suas responsabilidades&#8221;, diz.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">A viagem<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00edncipe saiu da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro em 14 de agosto de 1822. Tinha uma comitiva de 30 homens e um roteiro pr\u00e9-determinado, com paradas estrat\u00e9gicas ao longo da rota at\u00e9 S\u00e3o Paulo. &#8220;Entre os membros da comitiva, estava Francisco Gomes da Silva, tamb\u00e9m conhecido como o Chala\u00e7a ou a Sombra do Imperador&#8221;, cita Almeida.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8FC1\/production\/_103310863_1-1.jpg\" alt=\"Placa alusiva \u00e0 passagem de D. Pedro em Aparecida\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>O pr\u00edncipe tinha uma comitiva de 30 homens e um roteiro pr\u00e9-determinado, com paradas estrat\u00e9gicas ao longo da rota at\u00e9 S\u00e3o Paulo<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira parada, apenas para pernoitar, foi na Fazenda de Santa Cruz, de propriedade da fam\u00edlia imperial, ainda no Rio. &#8220;Existia, mesmo que de forma prec\u00e1ria, uma log\u00edstica para essas viagens, nas quais eram levadas certas quantidades de alimentos e \u00e1gua para os per\u00edodos mais longos&#8221;, afirma o historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E, por meio de mensageiros que acabavam partindo dos lugarejos antes da comitiva real, a pr\u00f3xima &#8216;parada&#8217; j\u00e1 era anunciada com certa anteced\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia seguinte, a comitiva adentrava terras paulistas. O futuro imperador visitou o capit\u00e3o Hil\u00e1rio Gomes de Almeida em suas terras, a ent\u00e3o Fazenda Tr\u00eas Barras, em Bananal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Rezzutti, o aristocrata estava doente e acamado. A conversa com o imperador, portanto, teria ocorrido em seu pr\u00f3prio quarto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casar\u00e3o ainda existe, apesar de ter passado por muitas reformas que o descaracterizaram. No local hoje funciona um hotel-fazenda. Uma das su\u00edtes, exatamente a que, acredita-se, tenha abrigado Dom Pedro, chama-se &#8220;imperial&#8221;, em homenagem ao passado hist\u00f3rico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parada seguinte, na Fazenda Pau D&#8217;Alho, em S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, se tornaria folcl\u00f3rica. Isto porque Dom Pedro, conforme os relatos da \u00e9poca, teria apostado corrida com os demais membros da comitiva e chegado antes do previsto, sozinho, \u00e0 fazenda, ent\u00e3o do Coronel Jo\u00e3o Ferreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele bateu palmas e, sem se identificar como pr\u00edncipe, pediu comida para a propriet\u00e1ria da casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela o atendeu, mas pediu para que comesse na cozinha &#8220;porque a sala de jantar estava sendo preparada com toda a pompa e circunst\u00e2ncia para receber o pr\u00edncipe regente&#8221;, como conta Rezzutti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Dom Pedro se fartou de assados e guisados, na companhia de escravas e mucamas&#8221;, pontua o historiador Almeida. Este epis\u00f3dio teria ocorrido em 17 de agosto de 1822.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo dia, a comitiva do pr\u00edncipe chegou \u00e0 casa do capit\u00e3o-mor Domingos da Silva, em Areias. O im\u00f3vel ainda existe e, hoje, ali funciona um hotel. No dia seguinte, uma parada r\u00e1pida, apenas para almo\u00e7o, em Porto Cachoeira, hoje Cachoeira Paulista. Na noite do dia 18, Dom Pedro chegou a Lorena.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DDE1\/production\/_103310865_5-1.jpg\" alt=\"Antiga Igreja de Aparecida\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Antiga Igreja de Aparecida, por onde Dom Pedro passou<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um parada importante do ponto de vista pol\u00edtico, pois ali o pr\u00edncipe se hospedaria na casa do capit\u00e3o-mor Ventura Jos\u00e9 de Abreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futuro imperador cumpriu uma esp\u00e9cie de agenda p\u00fablica na cidade. Teria plantado uma palmeira no que se tornaria a rua das Palmeiras, no centro do munic\u00edpio, visitado a antiga Casa de C\u00e2mara e Cadeia e a Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Homens Pretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 19 de agosto, o grupo partiu para Guaratinguet\u00e1, onde Pedro foi h\u00f3spede do capit\u00e3o-mor Manoel Jos\u00e9 de Melo. &#8220;O im\u00f3vel n\u00e3o foi preservado&#8221;, conta Rezzutti. Ali, conforme apurou o pesquisador, a comitiva teria aumentado, com a ades\u00e3o de novos seguidores, em uma esp\u00e9cie de guarda de honra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dom Pedro tinha novo compromisso p\u00fablico: visitar a ent\u00e3o capela de Nossa Senhora Aparecida, hoje no munic\u00edpio de Aparecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratava-se de um importante ponto de peregrina\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, pois o pequeno templo havia sido erguido justamente para abrigar a imagem da santa, chamada de Nossa Senhora Aparecida, encontrada ali na regi\u00e3o em 1717 e, depois, proclamada padroeira do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rezzutti conta que antigos relatos afirmam que Dom Pedro teria rezado na igrejinha e feito uma promessa: se tudo corresse bem, ele faria de Nossa Senhora Aparecida a padroeira do Brasil independente. Na realidade, depois de se tornar imperador, Pedro 1\u00ba escolheu S\u00e3o Pedro de Alc\u00e2ntara como padroeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1, a comitiva partiu para Pindamonhangaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali, o pr\u00edncipe se encontrou com o influente major Domingos Marcondes de Andrade. &#8220;Dentre as muitas hist\u00f3rias registradas em di\u00e1rios, conta-se que Domingos Marcondes de Andrade estava montando em um garboso cavalo. Dom Pedro, ao ver o belo animal, come\u00e7ou a elogi\u00e1-lo, como que esperando a rea\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio&#8221;, narra o historiador Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando mais o pr\u00edncipe elogiava o cavalo, mais Marcondes de Andrade ficava mudo. Por fim, quando Dom Pedro foi mais incisivo, dizendo que lhe agradaria possuir um cavalo como aquele, Domingos Marcondes prop\u00f4s um acordo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O major teria dito ao nobre que todos sabiam ser costume de Dom Pedro dar aos cavalos que ganhava o nome de seu propriet\u00e1rio anterior. &#8220;Mas, enfatizou o homem, nenhum Marcondes at\u00e9 aquela data tinha sido cavalgado por ningu\u00e9m. Ent\u00e3o ele daria, sim, o cavalo ao pr\u00edncipe, desde que ele escolhesse outro nome para o animal&#8221;, conta o historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Pindamonhangaba, dom Pedro se hospedou no sobrado do monsenhor Ign\u00e1cio Marcondes de Oliveira Cabral, irm\u00e3o do ent\u00e3o capit\u00e3o-mor. A resid\u00eancia n\u00e3o existe mais. Ali, foram tantos os que se ofereceram a integrar a comitiva, na chamada guarda de honra do pr\u00edncipe, que h\u00e1 um monumento na pra\u00e7a central da cidade em alus\u00e3o a este fato. E a igreja de S\u00e3o Jos\u00e9 guarda um pante\u00e3o onde est\u00e3o enterrados todos os pindamonhangabenses que integraram a guarda do nobre.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12C01\/production\/_103310867_2-1.jpg\" alt=\"Monumento alusivo \u00e0 passagem de D. Pedro em Pindamonhangaba\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Em Pindamonhangaba, Dom Pedro se hospedou no sobrado do monsenhor Ign\u00e1cio Marcondes de Oliveira Cabral<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 21 de agosto, Dom Pedro chegou a Taubat\u00e9, onde seria recebido na casa do c\u00f4nego Ant\u00f4nio Moreira da Costa \u2013 constru\u00e7\u00e3o esta que n\u00e3o existe mais. Na cidade, visitou o convento de Santa Clara e a Igreja do Pilar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parada seguinte seria Jacare\u00ed. Na \u00e9poca, havia uma balsa que ligava os dois munic\u00edpios, em travessia pelo Rio Para\u00edba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E ent\u00e3o h\u00e1 uma outra anedota: a de que Dom Pedro, impaciente, n\u00e3o quis esperar a balsa e atravessou o rio a cavalo. Do outro lado, uma multid\u00e3o o esperava, e ele, Pedro, sem pestanejar, saiu procurando algu\u00e9m que usasse cal\u00e7as do mesmo tamanho que as dele, para propor a troca&#8221;, relata o pesquisador Rezzutti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme esses relatos, o &#8220;m\u00e9rito&#8221; de ceder as cal\u00e7as ao futuro imperador teria ficado com um jovem pindamonhangabense, depois integrante da guarda de honra, chamado Adriano Gomes Vieira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Jacare\u00ed, Dom Pedro ficou hospedado na casa do capit\u00e3o-mor Cl\u00e1udio Jos\u00e9 Machado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Mogi das Cruzes, onde a comitiva chegou em 23 de agosto, Dom Pedro hospedou-se na casa do capit\u00e3o-mor Francisco de Mello e assistiu \u00e0 missa na ent\u00e3o Igreja de Sant&#8217;Ana, hoje catedral hom\u00f4nima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penha de Fran\u00e7a, hoje parte do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, foi a \u00faltima parada antes da capital paulista. Dom Pedro dormiu ali uma noite, do dia 24 para o dia 25, e assistiu a outra missa na igreja matriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo chegou a S\u00e3o Paulo na manh\u00e3 do dia 25 de agosto. Houve uma entrada oficial. Dom Pedro foi recebido por vereadores, religiosos e a popula\u00e7\u00e3o em frente \u00e0 Igreja do Carmo. De acordo com Rezzutti, a Igreja da Ordem Terceira \u00e9 a \u00fanica coisa que restou dessa passagem do pr\u00edncipe pelo local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram dias de muito trabalho at\u00e9 o 7 de setembro hist\u00f3rico. Na capital paulista, Dom Pedro convocou novas elei\u00e7\u00f5es e governou a prov\u00edncia interinamente, recompondo o poder que andava amea\u00e7ado.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Princesa Leopoldina<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Dom Pedro sa\u00eda em viagens, quem assumia o comando do Pa\u00eds era a princesa \u2013 depois imperatriz \u2013 Leopoldina. Que, conforme o pr\u00f3prio Rezzutti detalha no livro\u00a0<i>D. Leopoldina: A Hist\u00f3ria N\u00e3o Contada &#8211; A Mulher Que Arquitetou a Independ\u00eancia do Brasil<\/i>, biografia da primeira mulher de dom Pedro, n\u00e3o tinha nada da figura caricata e passiva que acabou sendo eternizada nos folhetins.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Justamente enquanto Dom Pedro viajava pelo Vale do Para\u00edba, Leopoldina arquitetava a separa\u00e7\u00e3o de Portugal. Em agosto de 1822, ela escreveu uma carta para sua irm\u00e3 na qual dizia que &#8220;o Brasil \u00e9 grande demais, poderoso e, conhecendo sua for\u00e7a pol\u00edtica, incapaz de ser col\u00f4nia de uma corte pequena&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo per\u00edodo, remeteu tamb\u00e9m uma mensagem ao seu pai, na qual afirmou que &#8220;o nobre esp\u00edrito do povo brasileiro se mostrou de todas as formas poss\u00edveis e seria a maior ingratid\u00e3o e erro pol\u00edtico crass\u00edssimo se nosso empenho n\u00e3o fosse manter e fomentar a sensata liberdade e consci\u00eancia de for\u00e7a e grandeza deste lindo e pr\u00f3spero reino, que nunca poder\u00e1 ser subjugado pela Europa&#8221;. Na correspond\u00eancia, a princesa chamou Portugal de &#8220;p\u00e1tria m\u00e3e infiel&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Leopoldina foi importante e brilhante no processo de Independ\u00eancia do Brasil. Fosse ao assumir o papel da reg\u00eancia enquanto o pr\u00edncipe apaziguava os \u00e2nimos dos brasileiros, fosse na negocia\u00e7\u00e3o para a separa\u00e7\u00e3o de Portugal&#8221;, acredita Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Nas poucas cartas que temos deste momento s\u00e3o evidentes a vontade e participa\u00e7\u00e3o desta mulher que, juntamente com Dom Pedro I, tinham se unido no objetivo de separar o Brasil.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Leopoldina foi importante e brilhante no processo de Independ\u00eancia do Brasil. 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