{"id":331368,"date":"2020-09-14T03:15:41","date_gmt":"2020-09-14T06:15:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=331368"},"modified":"2020-09-14T03:15:41","modified_gmt":"2020-09-14T06:15:41","slug":"o-cemiterio-das-almas-perdidas-entrevista-com-rodrigo-aragao-e-mayra-alarcon-por-filippo-pitanga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-cemiterio-das-almas-perdidas-entrevista-com-rodrigo-aragao-e-mayra-alarcon-por-filippo-pitanga\/","title":{"rendered":"O Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas: Entrevista com Rodrigo Arag\u00e3o e Mayra Alarc\u00f3n, por Filippo Pitanga"},"content":{"rendered":"<div id=\"tdi_78_205\" class=\"tdc-row stretch_row_1200 td-stretch-content\">\n<div class=\"vc_row tdi_79_0f8  wpb_row td-pb-row\">\n<div class=\"vc_column tdi_81_8ff  wpb_column vc_column_container tdc-column td-pb-span12\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"td_block_wrap tdb_title tdi_83_e82 tdb-single-title td-pb-border-top td_block_template_2\" data-td-block-uid=\"tdi_83_e82\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<h1 class=\"tdb-title-text\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_subtitle tdi_84_580 td-pb-border-top td_block_template_2\" style=\"text-align: justify;\" data-td-block-uid=\"tdi_84_580\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<p><strong>Uma conversa exclusiva com o casal de maior representatividade no cinema de g\u00eanero e de terror para celebrar a homenagem do 10\u00ba CineFantasy<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_author tdi_85_7e5 td-pb-border-top td_block_template_2 tdb-post-meta\" style=\"text-align: justify;\" data-td-block-uid=\"tdi_85_7e5\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<div class=\"tdb-author-name-wrap\"><span class=\"tdb-author-by\">Por <\/span>Reda\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"tdi_88_127\" class=\"tdc-row stretch_row_1200 td-stretch-content\">\n<div class=\"vc_row tdi_89_af0 td-ss-row wpb_row td-pb-row\">\n<div class=\"vc_column tdi_91_272  wpb_column vc_column_container tdc-column td-pb-span8\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"clearfix\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_featured_image tdi_92_c07 tdb-content-horiz-left td-pb-border-top td_block_template_2\" style=\"text-align: justify;\" data-td-block-uid=\"tdi_92_c07\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"entry-thumb lazyautosizes ls-is-cached lazyloaded\" title=\"Cinema\" src=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg\" sizes=\"auto, 784px\" srcset=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg 601w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg 1202w\" alt=\"\" width=\"601\" height=\"338\" data-src=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg\" data-srcset=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg 601w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/whatsapp-image-2020-09-13-at-12.13.23.jpeg 1202w\" data-sizes=\"auto\" \/><figcaption class=\"tdb-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_content tdi_93_755 td-pb-border-top td_block_template_2 td-post-content tagdiv-type\" data-td-block-uid=\"tdi_93_755\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>POR FILIPPO PITANGA*<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEste momento que estamos passando \u00e9 um roteiro clich\u00ea e ruim. Tudo j\u00e1 foi feito v\u00e1rias vezes. S\u00e3o p\u00e9ssimos vil\u00f5es. S\u00e3o caricatos. Porque \u00e9 tanto \u00f3dio e sem justificativa, e tantas pessoas com atitudes rid\u00edculas, que se voc\u00ea coloca num roteiro que algu\u00e9m faria um protesto para n\u00e3o usar m\u00e1scara, ou que n\u00e3o quer vacina, o roteirista seria esculhambado\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A edi\u00e7\u00e3o corrente de anivers\u00e1rio do 10\u00ba CineFantasy \u2013 International Fantasy Film Festival, que est\u00e1 acontecendo de 07 a 20 de setembro na plataforma online do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.belasartesalacarte.com.br\/10o-festival-cinefantasy-longas-metragem\">Petra Belas Artes \u00e0 La Carte<\/a>, trouxe uma retrospectiva completa dos longas-metragens do casal de maior representatividade no cinema de g\u00eanero e de terror: o cineasta Rodrigo Arag\u00e3o e a atriz e produtora executiva Mayra Alarc\u00f3n. Para celebrar a homenagem e a reprise do novo filme na plataforma este domingo, trouxemos uma entrevista completa e exclusiva com a dupla.<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-21 ai-viewport-1 ai-viewport-2\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ad-box w728\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1597965191190-0\" data-google-query-id=\"CKmEsNn-5-sCFZUFuQYd7ZYPxw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/96014957\/novo_artigo_02_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi ver a estreia do filme \u201cO Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas\u201d no 10\u00ba CineFantasy t\u00e3o aclamada, tanto no drive-in quanto no online, que ocorreu justo no dia 07 de setembro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rodrigo Arag\u00e3o<\/strong>: Depois de tantos anos sonhando com este filme, pensando em poder assistir isso com o p\u00fablico numa grande tela de cinema, eu acho que \u00e9 o meu filme mais bem acabado, foi feito para uma sala de cinema, e \u00e9 um filme de 2020 em que o mundo est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo e temos outro momento que as pessoas n\u00e3o v\u00e3o ver na sala de cinema e ao mesmo tempo \u00e9 um momento que leva a gente pra internet e abre o leque de poder ver no pa\u00eds inteiro. Uma experi\u00eancia nova, diferente, e no dia 07 de setembro, em que este filme fecha um ciclo na minha filmografia, e acho que este \u00e9 um momento muito necess\u00e1rio. Eu fa\u00e7o cinema pelos filmes que eu vi na minha juventude, e eu fa\u00e7o cinema fant\u00e1stico para as pessoas poderem sair um pouquinho da nossa realidade. E eu acho que neste momento poder ver um filme fant\u00e1stico brasileiro, com cenas de a\u00e7\u00e3o, e principalmente de ver um povo nativo, ind\u00edgenas, negros, mesti\u00e7os, artistas dando porrada em colonizadores que s\u00e3o falsos profetas tamb\u00e9m, eu acho que \u00e9 algo divertido e que as pessoas est\u00e3o precisando dessa catarse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mayra Alarc\u00f3n<\/strong>: Combina bem com o dia da independ\u00eancia, n\u00e9?<\/p>\n<div class=\"code-block code-block-22 ai-viewport-1 ai-viewport-2\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"ad-box w728\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1597965255820-0\" data-google-query-id=\"CMzum9r-5-sCFcsBuQYdXGYAFg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/96014957\/novo_artigo_3_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi viabilizar esse projeto, desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 o financiamento? E as parcerias capixabas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: At\u00e9 chegar no Cemit\u00e9rio teve 5 longas antes\u2026 E \u201cO Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas\u201d \u00e9 um sonho que est\u00e1 escrito desde 2002. Lan\u00e7amos os quatro primeiros longas sem nenhum tipo de incentivo (\u201cMangue Negro\u201d; \u201cA Noite dos Chupacabras\u201d; \u201cMar Negro\u201d; \u201cAs F\u00e1bulas Negras\u201d), com ajuda do nosso produtor executivo Hermann Pidner, e depois disso a gente come\u00e7ou na \u00e9poca de \u201cAs F\u00e1bulas Negras\u201d, ou um pouco antes, a flertar com as leis de incentivo do nosso estado, da Secretaria de Cultura, a gente ganhou dois editais para fazer um Festival de Cinema, uma Mostra de terror na praia. E a\u00ed nos sentimos mais seguros de apresentar um longa, o \u201cF\u00e1bulas Negras\u201d, que n\u00e3o passou. Mas uma outra produtora capixaba, Fin\u00f3rdia, se apaixonou tamb\u00e9m pelo projeto, se tornou coprodutora e nos ensinou o caminho das pedras do Fundo Setorial Audiovisual. E a\u00ed conseguimos na \u00e9poca o Prodecine 5 e produzimos \u201cA Mata Negra\u201d. Com \u201cO Cemit\u00e9rio das Almas Perdidas\u201d a gente apresentou tamb\u00e9m um projeto na Secretaria de Audiovisual aqui do Esp\u00edrito Santo de desenvolvimento de roteiro, e desenvolvemos o projeto para apresentar \u00e0 Ancine, ao Fundo Setorial e \u00e0 Secretaria de Cultura. Acabou que ganhamos os dois editais: o de Secretaria do Estado em conjunto com os Arranjos Regionais e o Prodecine 1 do Fundo Setorial. Foi a primeira vez que um filme capixaba ganhou o Prodecine 1. Ficamos muito felizes, conseguimos os 2 milh\u00f5es de reais e fizemos este filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Uma coisa que acho importante acrescentar \u00e9 que no Brasil n\u00e3o se costuma fazer esse tipo de filme. O cinema do Esp\u00edrito Santo ainda n\u00e3o \u00e9 uma grande ind\u00fastria como o de Rio e S\u00e3o Paulo. E pra fazer um filme t\u00e3o diferente, n\u00f3s come\u00e7amos do princ\u00edpio, na forma\u00e7\u00e3o de profissionais. Ent\u00e3o, a gente deu oficinas de efeitos especiais e maquiagem, pegamos pessoas da constru\u00e7\u00e3o civil e demos oficinas de cenografia, ensinamos a trabalhar com isopor, pintura de envelhecimento\u2026 Ent\u00e3o, um filme que deixa um legado, al\u00e9m de ter movimentado a economia da cidade, foram quase 200 profissionais que trabalharam neste filme ao longo desses anos\u2026 Acho que se algu\u00e9m for fazer um filme nessa linha hoje, o Esp\u00edrito Santo \u00e9 um bom lugar por ter um leque de profissionais preparados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas respiram hist\u00f3ria, tanto do povo, de diversidade, mas tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria de cinema. Mas temos certa ingratid\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria, vide a Cinemateca brasileira. O quanto est\u00e1 presente no projeto que voc\u00eas concebem essa hist\u00f3ria de cinema?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Meu alicerce cinematogr\u00e1fico est\u00e1 ali nos anos 80\u2026 Como todo cineasta que faz cinema fant\u00e1stico cont\u00e9m uma crian\u00e7a interna que sobreviveu. Eu pude ver todos estes filmes que me impressionaram muito, como \u201cCa\u00e7a-Fantasmas\u201d, \u201cStar Wars\u201d, \u201cUm Lobisomem Americano em Londres\u201d, \u201cA Noite do Arrepio\u201d\u2026 E, al\u00e9m disso, eu tive a refer\u00eancia de ser um cara que mora no interior do Brasil, numa aldeia de pescadores, conhecendo muitas hist\u00f3rias interessantes. E sempre me incomodou essas duas pontas nunca se encontrarem, que \u00e9 a terra onde eu vivo e o tipo de cinema que eu gosto, porque o cinema que eu gosto sempre acontecia nos EUA ou na Europa, locais que as casas s\u00e3o diferentes, e a cara das pessoas tamb\u00e9m\u2026 Eu sempre brinco que todas as coisas divertidas acontecem em NY: Cai meteoro, vem alien\u00edgena, monstro gigante ataca\u2026 Nada divertido vem pro lado de c\u00e1. Meu alicerce de fazer cinema \u00e9 isso: fazer um tipo de cinema que eu amo com o cen\u00e1rio que eu conhe\u00e7o com esse Brasil. E eu penso\u2026tem uma coisa muito bacana que o Sergio Leone fala de cinema de g\u00eanero que o western dele no caso \u00e9 o envelope muito bonito, e ele coloca as mensagens ali dentro. Se o cinema for s\u00f3 a mensagem pela mensagem muitas vezes voc\u00ea n\u00e3o consegue chegar na popula\u00e7\u00e3o que acha o filme chato. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante voc\u00ea divertir as pessoas e fazer se reconhecer no filme e ao seu imagin\u00e1rio popular, e ali dentro tem uma sementinha pra ligar pontinhos e divertir um pouquinho. N\u00e3o \u00e9 por ser fantasia que \u00e9 vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 criar os seus efeitos especiais caseiros\/artesanais, que v\u00e3o desde criaturas fant\u00e1sticas a transformar o folclore local em fant\u00e1stico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: No fundo, eu fa\u00e7o filme para fazer esses efeitos. Eu me lembro de \u201cA Mata Negra\u201d que a gente tinha colocado que ia fazer um filme s\u00e9rio, mais mercadol\u00f3gico (\u201ceu me lembro desta parte\u201d, acrescenta Mayra, brincando). E o dia que eu cheguei com o pinto dem\u00f4nio de silicone no set\u2026 \u201cMas n\u00e3o era s\u00e9rio, Rodrigo?\u201d\u2026 \u201cPoxa, mas \u00e9 t\u00e3o legal, vamos testar\u201d. \u00c9 legal tamb\u00e9m esse lado infantil. E em rela\u00e7\u00e3o aos artistas em cena, sempre damos prioridade a atores capixabas, mas acho o interc\u00e2mbio incr\u00edvel. E pra mim \u00e9 muito importante que todos numa equipe de um filme fant\u00e1stico comprem a ideia. Precisa ter uma cumplicidade\/afinidade com o g\u00eanero, porque trabalhar com efeito especial \u00e9 muito dif\u00edcil, \u00e9 longo, demorado. E tanto o Francisco Gaspar quanto a Clarissa Pinheiro s\u00e3o bons exemplos de artistas que tive a oportunidade de conhecer em eventos fora do Esp\u00edrito Santo, e eles verbalizarem isso \u201cSe tiver uma oportunidade, eu quero fazer um filme de terror\u201d. E eu sempre falo: \u00e9 roubada, voc\u00ea vai passar frio, vai receber mal e vai morrer no final do filme. Mas eles dizem que querem, ent\u00e3o digo: vem a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar em grandes artistas, para al\u00e9m de contar com uma retrospectiva de seus longas anteriores, o 10\u00ba CineFantasy est\u00e1 homenageando uma das maiores atrizes do g\u00eanero, Gilda Nomacce, e soubemos que houve uma parceria dela contigo recentemente. Como foi?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Bem, eu fui convidado para dirigir um dos contos do epis\u00f3dio da s\u00e9rie \u201cNoturnos\u201d, que \u00e9 capitaneada pelo Marco Dutra, um \u00edcone do terror brasileiro, pro Canal Brasil, e pelo Caetano Gotardo. Um trabalho muito interessante pra mim, a primeira dire\u00e7\u00e3o no mercado de SP, e tive a grata surpresa de Gilda estar no elenco. Ela \u00e9 a grande dama do cinema fant\u00e1stico brasileiro, uma mulher que trabalha tanto em super produ\u00e7\u00f5es quanto em filmes independentes, de diretores estreantes, uma militante, e uma pessoa extremamente f\u00e1cil de trabalhar tanto pelo seu talento quanto pelo seu cora\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 uma pessoa muito bacana. Eu j\u00e1 era f\u00e3 dela e passei a ser mais f\u00e1 ainda depois de ter trabalhado com ela, e espero realmente poder fazer outras produ\u00e7\u00f5es com ela, pois a mulher \u00e9 incr\u00edvel. Merecida essa homenagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando a falar do cinema de g\u00eanero, voc\u00eas come\u00e7aram abrasileirando o cinema de zumbi, um tema pol\u00edtico. Como foi adapt\u00e1-lo para o mangue, algo t\u00e3o brasileiro, e como esse primeiro contato ditou uma assinatura como linguagem na carreira?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Eu sempre fui f\u00e3 de zumbi, principalmente o dos anos 80 e 90. \u201cFome Animal\u201d e \u201cA Volta dos Mortos-Vivos\u201d s\u00e3o meus favoritos. Hoje \u00e9 um g\u00eanero muito desgastado. Para fazer algum sentido hoje tem que ter algo diferente. E o que eu posso oferecer de mais original, \u00e9 ser o mais brasileiro e regional poss\u00edvel, porque isso ningu\u00e9m fez. O manguezal sempre foi um cen\u00e1rio que me encantou desde a minha inf\u00e2ncia, sempre pensei em fazer um filme de terror l\u00e1, e sempre me intrigou por que as pessoas n\u00e3o faziam mais filmes l\u00e1 se ele \u00e9 t\u00e3o grandioso. Quando voc\u00ea vai filmar l\u00e1 voc\u00ea descobre por que as pessoas n\u00e3o filmam mais\u2026 \u00c9 terr\u00edvel filmar l\u00e1. \u00c9 um lugar muito in\u00f3spito, principalmente para o equipamento. Mas eu gostaria de um dia poder voltar ao Manguezal e mostrar aquilo em ultra HD, j\u00e1 que o \u201cMangue Negro\u201d foi um filme muito prec\u00e1rio\u2026 E gostaria de mostrar aquilo para que as pessoas tivessem uma no\u00e7\u00e3o de o qu\u00e3o grandioso e lindo aquilo \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Ampliando a fala de Rodrigo, aproveitando que os zumbis podem ser pol\u00edticos, no \u201cMangue Negro\u201d tem uma fala muito importante do protagonista que ele observa que tudo ao redor est\u00e1 apodrecendo\u2026 E a partir deste filme fomos apelidados por um tempo de \u201cterror ecol\u00f3gico\u201d, porque seria a partir da degrada\u00e7\u00e3o do manguezal que surgiriam os zumbis. O eco-terror. O cen\u00e1rio que a gente filmou n\u00e3o existem mais. Pra mim foi uma grande descoberta porque quando comecei a trabalhar no filme, e conheci o Rodrigo, eu morava no Brasil h\u00e1 apenas uns 6 meses, e eu n\u00e3o sabia o que era manguezal ou que sequer existia. Eu fui conhecer cheio de zumbi (\u201ctratamento de choque\u201d), e eu era a \u00fanica mulher no set na produ\u00e7\u00e3o. Meu trabalho era ser produtora do set e era tudo cheio de \u00e1gua e lama at\u00e9 a cintura literalmente e n\u00e3o tinha banheiro nem nada. (\u201cPor isso que eu casei\u201d, acrescentou Rodrigo). E foi a\u00ed que conheci o mangue e fui entender por que o Rodrigo quis fazer um filme de zumbis ali contando essa hist\u00f3ria \u201cfeia\u201d, digamos, pois fora a grandiosidade do mangue, voc\u00ea v\u00ea o esgoto jogado, ou at\u00e9 mesmo sof\u00e1 que as pessoas n\u00e3o querem mais tamb\u00e9m jogavam ali\u2026 Ent\u00e3o, voc\u00ea v\u00ea um cen\u00e1rio lindo com esta polui\u00e7\u00e3o rid\u00edcula.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Num pa\u00eds onde os recursos s\u00e3o escassos ou cassados, limita\u00e7\u00e3o \u00e9 criatividade. Ent\u00e3o, como a comunica\u00e7\u00e3o entre a dire\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o j\u00e1 conseguiu gerar novas ideias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Aqui o di\u00e1logo flui f\u00e1cil. Na verdade, eu sou produtora para facilitar os nossos filmes. O Rodrigo tem sempre uma ideia louca inicial que eu me empolgo e come\u00e7amos a viajar na maionese juntos. Quando v\u00ea, a ideia que era desse tamanho j\u00e1 virou bola gigante e depois disso temos de pegar esse monte de massa de modelar e tornar numa coisa vi\u00e1vel. A gente come\u00e7a com o Rodrigo escrevendo o roteiro e eu vou junto vendo a forma como pode ser viabilizado. Na verdade, como produtora e muito apaixonada pelo cinema que a gente faz, eu sempre falo que o Rodrigo pode escrever tudo o que ele gostaria de ver na tela, e depois, quando chega a hora de ver o quanto esse filme vai custar \u00e9 que a gente come\u00e7a a podar. H\u00e1 produtores que come\u00e7am a podar antes de o roteiro ser escrito, mas eu acredito que seja melhor deixar a criatividade fluir, porque o trabalho do produtor n\u00e3o \u00e9 cortar recursos e sim viabilizar um filme, independente \u201cdo recurso\u201d. Se voc\u00ea consegue imaginar o filme, imagina como aquilo \u00e9 poss\u00edvel de ser feito dentro de um or\u00e7amento que voc\u00ea tem \u00e0s vezes 10 mil reais, 100 reais\u2026 Voc\u00ea tem que ver do or\u00e7amento o que voc\u00ea consegue fazer do roteiro. \u00c0s vezes t\u00eam cenas que caem. \u00c0s vezes tem coisas que s\u00e3o modificadas. O Rodrigo j\u00e1 quis explodir uma represa (\u201cn\u00e3o deu certo\u201d, brinca ele)\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Mas tem uma coisa interessante a\u00ed\u2026 Sempre que dou oficina de produ\u00e7\u00e3o falo disso: eu sempre me concentrei muito no que \u00e9 poss\u00edvel, desde adolescente sempre quis muito fazer. Sempre projetei minha criatividade pra algo poss\u00edvel, menos no \u201cO Cemit\u00e9rio\u2026\u201d, porque foi escrito numa \u00e9poca dif\u00edcil da minha vida, aquele Teatro Mausol\u00e9u que t\u00ednhamos estava fechando, uma \u00e9poca complicada, e eu escrevi essa hist\u00f3ria como uma v\u00e1lvula, um sonho. Algo como uma terapia pra mim naquela \u00e9poca, e ficou na gaveta por muito tempo. Mas eu sempre tive o acordo de fazer este filme, tanto que o \u00faltimo plano do \u201cMangue Negro\u201d tem o cemiteriozinho l\u00e1 em cima, feito com argila e palito de f\u00f3sforo. Quando entramos no projeto de desenvolvimento que tiro o roteiro da gaveta e a\u00ed come\u00e7ou essa coisa de dizer: o que era poss\u00edvel no mundo real de fazer? A\u00ed come\u00e7amos a peneirar quais cenas eram poss\u00edveis. Foi um processo de descoberta tamb\u00e9m, pois sempre achava esse roteiro imposs\u00edvel de ser feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: E foi muito legal, porque as primeiras ideias a gente ia viajar e chegou a procurar cemit\u00e9rios e igrejas pensando em loca\u00e7\u00f5es, at\u00e9 ter uma ideia de alugar um galp\u00e3o e construir os cen\u00e1rios. E isso fez poss\u00edvel muitas cenas antes imposs\u00edveis, porque ia ser preciso estar no cemit\u00e9rio, entrar numa catacumba, cena de luta\u2026 e pens\u00e1vamos antes \u201cser\u00e1 que algu\u00e9m vai deixar a gente filmar dentro de um cemit\u00e9rio? At\u00e9 que no \u201cA Mata Negra\u201d a gente construiu um cemit\u00e9rio e isso mostrou ao Rodrigo a necessidade de construir um pro novo filme e quando viu que precisava de um est\u00fadio, nossa vida mudou totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O quanto o seu processo criativo vem do sonho enquanto escreve?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Engra\u00e7ado, porque esta semana me veio um curta-metragem atrav\u00e9s de um sonho. (\u201cE eu estou doida pra fazer\u201d, diz Mayra, \u201cj\u00e1 at\u00e9 coloquei t\u00edtulo\u201d). Eu sonho acordado e dormindo. Voc\u00ea vira uma m\u00e1quina ali e \u00e0s ceninhas v\u00eam ou n\u00e3o. Uma cena aqui, uma imagem ali\u2026eu uso bastante. Essa pesquisa em cima do Cemit\u00e9rio eu passei mais de uma d\u00e9cada visitando em toda cidade que eu ia, e deviam pensar que esse cara \u00e9 meio doido\u2026 (\u201cA primeira vez que viajamos para apresenta-lo aos meus pais a gente foi ao Cemit\u00e9rio\u201d, Mayra se diverte). Era a vontade de ver \u00e2ngulos etc\u2026 O Cemit\u00e9rio de Buenos Aires a gente foi v\u00e1rias vezes. E chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o seria nenhum, que eu deveria pegar um pouquinho de nada e construir esta fantasia. A gente come\u00e7ou a pesquisar aldeias e povos ind\u00edgenas, momentos hist\u00f3ricos, toda uma pesquisa pra descobrir que o mais legal que pod\u00edamos fazer era a fantasia. Descobrir que \u00e9 um Brasil com um link na realidade, mas era um mundo imagin\u00e1rio, e isso dava uma liberdade muito interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar nisso, se puder nos deslumbrar dando exemplos de criatividade que j\u00e1 usou e at\u00e9 chegou a lhe surpreender?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Eu j\u00e1 dei mais de 100 oficinas pelo pa\u00eds de efeitos especiais. Muito orgulhoso de passar por muitos profissionais que foram meus alunos, outros que foram alunos de alunos. Eu sempre falo isso: o brasileiro lida com o n\u00edvel hard, o mercado \u00e9 mais dif\u00edcil, a gente n\u00e3o tem acesso ao material correto, quando sim, o material \u00e9 20 vezes mais caro pra gente e recebemos 30 vezes menos que um profissional do exterior. Trabalhamos com o modo dif\u00edcil. Nas minhas oficinas eu ensino isso a\u00ed: fazer maquiagem com trigo, gelatina, algod\u00e3o e cola\u2026 Se voc\u00ea aprende com isso, quando seu cach\u00ea melhorar voc\u00ea vai poder comprar o mais caro e vai tirar de letra. O que voc\u00ea n\u00e3o pode fazer \u00e9 aprender com o caro e achar que s\u00f3 se faz desta maneira. Tem v\u00e1rias alternativas. E acho que na cria\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, de cinema \u00e9 uma coisa parecida. Muita gente me manda roteiro, me manda sinopse, fala que tem interesse\u2026 Eu digo pra tentar direcionar a sua criatividade, olha o que voc\u00ea tem \u00e0 sua volta. Se vai usar amigos como atores, tenta criar personagens que tenha caracter\u00edsticas e conhecimentos parecidos. Veja o que tem de bonito no seu bairro, na sua cidade. Saia do quarto\u2026n\u00e3o fa\u00e7a o filme com a parede branca no fundo. Isso tudo vai deixar o filme muito maior do que ele \u00e9, mais interessante e bonito. Utilizar o que se tem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi trabalhar em \u201cF\u00e1bulas Negras\u201d com o Z\u00e9 do Caix\u00e3o, que se foi logo neste ano catacl\u00edsmico de 2020? O filme com a famosa cena do vaso sanit\u00e1rio\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Vou lhe dizer que aquele \u00e9 o banheiro da minha casa\u2026(risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Aquele dia foi inesquec\u00edvel de muitas maneiras. Dois motivos: tinha gosma at\u00e9 no teto, nas frestinhas que n\u00e3o consegue enxergar, e era pra ser um filme s\u00e9rio (risos). Ele mais uma vez driblou essa diretora dizendo que ia ser um filme comercial\u2026at\u00e9 chegar o dia daquela cena. Mas isso foi em 2014, j\u00e1 nem sofro mais. Quando fala que o filme vai ser comercial eu falo: \u201ctudo bem, pode botar aquela cena cheia de sangue, vai ser divertido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Sobre Mojica (Z\u00e9 do Caix\u00e3o), eu tive muita sorte. Meu primeiro filme foi lan\u00e7ado em 2008, mesmo ano que Mojica lan\u00e7ou seu \u00faltimo longa, \u201cA Encarna\u00e7\u00e3o do Dem\u00f4nio\u201d, ent\u00e3o o primeiro Festival que a gente foi, ele j\u00e1 estava l\u00e1, e ele sempre foi uma aula de humildade, acessibilidade, cordial, extremamente generoso. Nos encontramos em v\u00e1rios Festivais, e confesso que \u201cF\u00e1bulas Negras\u201d era um projeto muito barato, prec\u00e1rio, e eu n\u00e3o tinha coragem de chamar ele pra dirigir, mas eu queria que ele fizesse alguma participa\u00e7\u00e3o, ou apresentar talvez\u2026 Mas quando falei pra ele que tinha um projeto sobre o Saci, ele falou que adorava e sempre quis fazer um filme sobre o Saci, e a\u00ed ofereci a ele o epis\u00f3dio que eu ia dirigir e foi uma aula! Uma das coisas que mais me orgulho na vida \u00e9 isso, ter colocado ele na cadeira de diretor uma \u00faltima vez. Por\u00e9m, ao mesmo tempo que \u00e9 um pouco triste pensar que essa lenda viva do cinema estava pela \u00faltima vez fazendo um filme t\u00e3o prec\u00e1rio, ele se divertiu horrores, adorou o set pequenino. Diz ele que lembrou muito o come\u00e7o de carreira dele, apesar de a tecnologia ser diferente. Era n\u00edtido o quanto a energia do set alimentava ele e acho que ele saiu mais jovem. Ele chegou e eu entendi o que era um mestre. Eu entendi que Mojica dirigia no tom da \u201cA\u00e7\u00e3o!\u201d. Quando era uma cena mais de suspense, pro ator andar mais devargazinho, ele recitava baixinho: \u201cAten\u00e7\u00e3o, c\u00e2mera e\u2026.a\u00e7\u00e3oooooo\u201d (bem suave). E o ator vai no ritmo do \u201cA\u00e7\u00e3o!\u201d dele. Quando era uma cena de mais impacto, ele falava um \u201cA\u00e7\u00e3o!\u201d mais urgente, e o ator j\u00e1 ia no embalo\u2026 Ele era um maestro mesmo, ele regia. Foi muito empolgante pra gente, nunca vi uma equipe t\u00e3o feliz. Tem uma cena em que eu, Joel Caetano e Marcelo Castanheira (diretor de fotografia) estavam diante do cen\u00e1rio que fizeram, uma casa bem pequena, com v\u00e1rios problemas, e fizeram debate de 15 minutos (Mayra diz que foram uns 30 minutos) e acharam um enquadramento perfeito. A\u00ed vem Mojica com o cafezinho dele, todo tranquilo, e aponta que a c\u00e2mera tinha de estar justamente no lugar que eles demoraram tanto pra deliberar (eles quase choraram de emo\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Eu era total assistente do Mojica. O Joel era assistente de dire\u00e7\u00e3o e eu era assistente do pr\u00f3prio. Tinha que cuidar de tudo que precisasse, e ele me chamava de \u201cprincesa\u201d. E, por exemplo, pro set ficar calado n\u00e3o era o Joel quem tinha de fazer isso, era eu, inclusive conversar com os atores, as atrizes principalmente, que ele tinha mais cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como muitas coisas no terror, muitas vezes o antagonismo est\u00e1 por tr\u00e1s da vilania, ent\u00e3o, como mostrar aquilo que n\u00e3o se v\u00ea? E os novos tempos de corona invis\u00edvel, v\u00e3o inspirar novas hist\u00f3rias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Cada filme \u00e9 um desafio diferente. No caso do Mojica, do Saci, ele assumiu isso pra ele, e estava super aberto \u00e0s novas possibilidades. Foi raro na carreira dele criaturas. Ele teve \u00f3timos trabalhos de maquiagem, especialmente nos primeiros trabalhos. Mas ter tido um boneco pra trabalhar, no caso do Saci, foi uma experi\u00eancia diferente pra ele tamb\u00e9m. J\u00e1 no caso da pandemia, eu falo que \u00e9 um roteiro ruim. Este momento que estamos passando \u00e9 um roteiro clich\u00ea e ruim. Tudo j\u00e1 foi feito v\u00e1rias vezes. (\u201cE as pessoas do governo s\u00e3o p\u00e9ssimos vil\u00f5es\u201d). S\u00e3o caricatos. Se voc\u00ea coloca isso em qualquer roteiro, \u00e9 um roteiro ruim, porque \u00e9 tanto \u00f3dio e sem justificativa, e tantas pessoas com atitudes rid\u00edculas, que se voc\u00ea coloca num roteiro que algu\u00e9m faria um protesto para n\u00e3o usar m\u00e1scara, ou que n\u00e3o quer vacina, o roteirista seria esculhambado\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Ou um filme de pandemia onde a \u00fanica coisa que voc\u00ea n\u00e3o pode fazer \u00e9 ir pra rua e est\u00e1 todo mundo na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Estou louco para que esse momento acabe e n\u00e3o quero escrever sobre ele. Quero que isso passe e acho que as pessoas n\u00e3o v\u00e3o querer ouvir falar disso mais\u2026 Quero fazer outros monstros de mentira. \u00c9 a minha vontade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual seria a mensagem para quem est\u00e1 fazendo ou consumindo cinema sobre a linguagem de g\u00eanero e a criatividade que a precariedade pode trazer?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RA<\/strong>: Pro cinema de um pa\u00eds ser importante tem que ter todos os g\u00eaneros, e o cinema fant\u00e1stico e de terror n\u00e3o s\u00e3o g\u00eaneros menores, n\u00e3o s\u00e3o g\u00eaneros de bordas. Ele \u00e9 a grande coisa do cinema, de poder extrapolar a nossa realidade. Essa \u00e9 pra mim a grande beleza do cinema. Das 10 maiores bilheterias do mundo, 8 s\u00e3o de cinema fant\u00e1stico e \u00e9 muito interessante podermos trabalhar com o que temos na m\u00e3o. A gente fala: George Lucas em \u201cStar Wars\u201d j\u00e1 usou cotonetes pra fazer multid\u00f5es ou barbeador para fazer comunicadores espaciais, isso tendo centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares dispon\u00edveis. A criatividade, o reciclar n\u00e3o \u00e9 algo menor, ele te engrandece. Ent\u00e3o, pegue sua c\u00e2mera, pegue suas ideias, e fa\u00e7a um filme divertido, porque estamos precisando de filmes divertidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MA<\/strong>: Se abrace, abrace aquilo que voc\u00ea ame, que voc\u00ea gosta, que voc\u00ea n\u00e3o gosta, e abrace a sua precariedade tamb\u00e9m para poder a partir dela criar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assista \u00e0 entrevista na \u00edntegra em v\u00eddeo\u00a0<a href=\"https:\/\/youtu.be\/4H_v5B2lmRk\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>*Filippo Pitanga \u00e9 jornalista e advogado, cr\u00edtico, curador e professor de cinema<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEste momento que estamos passando \u00e9 um roteiro clich\u00ea e ruim. Tudo j\u00e1 foi feito v\u00e1rias vezes. S\u00e3o p\u00e9ssimos vil\u00f5es. S\u00e3o caricatos. 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