{"id":331868,"date":"2020-09-17T11:25:13","date_gmt":"2020-09-17T14:25:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=331868"},"modified":"2020-09-17T11:25:13","modified_gmt":"2020-09-17T14:25:13","slug":"martin-luther-king-um-lider-moral-ou-um-adultero-mentiroso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/martin-luther-king-um-lider-moral-ou-um-adultero-mentiroso\/","title":{"rendered":"Martin Luther King, um l\u00edder moral ou um ad\u00faltero mentiroso"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Document\u00e1rio \u2018MLK\/FBI\u2019, que estreou no Festival de Toronto, exp\u00f5e a campanha de difama\u00e7\u00e3o contra o ativista realizada pelo FBI com o apoio da Casa Branca<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Irene Crespo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/irene-crespo\/\">IRENE CRESPO<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/qLbPWFioygS8P4gYuepZ6GVAGQw=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/3BHC3WO24JGRBNF2IY3XX75F3A.jpg\" alt=\"Imagem do document\u00e1rio \u2018MLK\/FBI\u2019, de Sam Pollard.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Imagem do document\u00e1rio \u2018MLK\/FBI\u2019, de Sam Pollard.<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em 28 de agosto de 1963, o movimento pelos direitos civis nos EUA deu o grande salto. Tomou Washington em uma marcha hist\u00f3rica que tirou a luta das cidades do sul e a tornou uma exig\u00eancia nacional e internacional.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/martin-luther-king\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Martin Luther King<\/a>\u00a0fez seu famoso discurso\u00a0<i>I have a dream<\/i>\u00a0naquele dia, e enquanto isso, n\u00e3o muito longe dali, era observado com muito receio.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/edgar-j-hoover\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">J. Edgar Hoover<\/a>, que foi diretor do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/fbi-oficina-federal-investigacion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">FBI<\/a> durante 48 anos, h\u00e1 muito temia o aparecimento de \u201cum messias negro\u201d e naquele dia isso se cumpriu.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O bra\u00e7o direito de Hoover, chefe da intelig\u00eancia nacional,\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/William_C._Sullivan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">William C. Sullivan<\/a>, declarou e deixou por escrito na \u00e9poca que Martin Luther King Jr. \u201cera o homem negro mais perigoso da Am\u00e9rica\u201d. \u201cTemos que usar todos os nossos recursos para destru\u00ed-lo.\u201d A m\u00e1quina do FBI foi colocada em funcionamento e teve in\u00edcio uma campanha de descr\u00e9dito contra o ativista, uma persegui\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou grampeando seus telefones e os de seus aliados, continuou colocando microfones onde quer que fosse e acabou com uma longa rede de confidentes de seu c\u00edrculo mais \u00edntimo, entre eles seu fot\u00f3grafo\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/2007\/10\/23\/necrologicas\/1193090402_850215.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Ernest C. Withers<\/a>. \u201cA tal ponto que no dia em que o assassinaram j\u00e1 n\u00e3o estavam mais grampeando seus telefones porque tinham uma cobertura de informantes muito boa\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0689498\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Sam Pollard<\/a>, diretor do document\u00e1rio\u00a0<i>MLK\/FBI<\/i>, que estreou no Festival de Toronto. O filme exp\u00f5e esse obscuro epis\u00f3dio da intelig\u00eancia norte-americana\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/04\/internacional\/1509764588_682722.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">apoiando-se em documentos desclassificados recentemente<\/a>, que confirmaram a obsess\u00e3o pessoal de Hoover por King.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Apresentado por meio de material audiovisual de arquivo, incluindo imagens nunca vistas, como algumas da hist\u00f3rica marcha ou pessoais da vida de King, o document\u00e1rio quer ser, nas palavras de seu diretor, \u201cuma chamada de aten\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 uma apresenta\u00e7\u00e3o de duas faces dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/estados-unidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Estados Unidos<\/a>: a de Hoover e a de King. Dois homens que se projetavam como her\u00f3is e l\u00edderes morais, que representavam duas formas de entender a liberdade e o que significava e significa ser americano. Uma mensagem que ressoa hoje em meio ao novo ressurgimento do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/movimiento-black-lives-matter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Black Lives Matter<\/a>\u00a0em conflito com o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/donald-trump\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Governo Trump<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\u201cO filme \u00e9 extremamente oportuno, mas eu diria que sempre o ser\u00e1 no\u00a0<i>zeitgeist\u00a0<\/i>americano, porque os problemas raciais nunca ir\u00e3o embora\u201d, diz Pollard. \u201cSomos um pa\u00eds que est\u00e1 sempre lutando contra problemas raciais porque est\u00e1 fundado nas costas de escravos negros\u201d.<\/p>\n<div class=\"raw_html\" style=\"text-align: justify;\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/f8HoXQfuImE\" width=\"660\" height=\"371\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em plena\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/guerra-fria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Guerra Fria<\/a>, em sua luta aberta contra o comunismo, o primeiro ponto fraco que encontraram contra Martin Luther King foi seu amigo e assessor, o advogado Stanley Levison. O pr\u00f3prio procurador-geral dos EUA,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/04\/internacional\/1528103809_410628.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Bobby Kennedy<\/a>, que em p\u00fablico defendia o ativista, aprovou as escutas telef\u00f4nicas para revelar essa poss\u00edvel motiva\u00e7\u00e3o comunista no movimento pelos direitos civis. E seu irm\u00e3o, o presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/john-fitzgerald-kennedy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">John F. Kennedy<\/a>, tamb\u00e9m estava ciente. Mas o que nenhum dos dois sabia \u00e9 que gra\u00e7as a essa instala\u00e7\u00e3o de espionagem logo tiveram que descartar a conex\u00e3o comunista e encontraram outra suculenta fraqueza: a vida privada do pastor.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Foi na casa de um de seus colaboradores mais pr\u00f3ximos, que tamb\u00e9m \u00e9 um dos entrevistados no document\u00e1rio,\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Clarence_B._Jones\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Clarence Jones<\/a>. Seus telefones tamb\u00e9m tinham sido grampeados e l\u00e1 descobriram a rela\u00e7\u00e3o extraconjugal de King. Para Hoover aquilo desacreditava por completo a moralidade do l\u00edder pacifista e ampliou a persegui\u00e7\u00e3o: o observavam em quartos de hotel onde se encontrava com outras mulheres, o seguiam por todo o pa\u00eds, e os agentes federais que descobriam algo sobre sua vida ad\u00faltera eram recompensados.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No entanto, por mais que Hoover e seus homens mandassem relat\u00f3rios a outros ativistas, \u00e0 imprensa, nada vinha \u00e0 tona. Nervosos, quando ganhou o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/nobel-paz\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Nobel da Paz<\/a>\u00a0chegaram a enviar-lhe uma carta amea\u00e7adora, chantageando-o com a publica\u00e7\u00e3o de tudo se n\u00e3o sa\u00edsse do caminho.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Hoover o chamou de \u201co maior mentiroso do mundo\u201d, King se defendeu e a disputa p\u00fablica acabou no \u00fanico encontro f\u00edsico que tiveram a portas fechadas. Nem as escutas telef\u00f4nicas acabaram nem o ativista interrompeu sua luta. Mas uma pesquisa realizada na \u00e9poca sobre a popularidade de ambos os l\u00edderes deixou bem claro o c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/01\/03\/internacional\/1420261274_922018.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">onservadorismo ainda reinante no pa\u00eds<\/a>: Hoover alcan\u00e7ou 50% de apoio e MLK, apenas 15%. Era aquela ideia popularizada do FBI como her\u00f3i e salvador dos EUA diante de um homem que queria revolucionar o pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O FBI continuou t\u00e3o empenhado em acabar com Martin Luther King que nunca cumpriu sua fun\u00e7\u00e3o protetora. N\u00e3o o avisava das amea\u00e7as e inclusive,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/03\/internacional\/1522748570_422069.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">depois de seu assassinato<\/a>, Hoover s\u00f3 concordou em fazer uma investiga\u00e7\u00e3o depois de forte press\u00e3o. De fato, de acordo com os historiadores entrevistados em\u00a0<i>MLK\/FBI<\/i>, sua obsess\u00e3o pessoal com o pastor reduz a credibilidade dos documentos oficiais.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Pollard encarou o document\u00e1rio refletindo sobre se o surgimento das provas da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/09\/economia\/1565341268_621357.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">vida ad\u00faltera<\/a>\u00a0de King, sua prov\u00e1vel presen\u00e7a em um estupro, poderia alterar seu legado, sabendo que as grava\u00e7\u00f5es feitas pelo FBI poder\u00e3o ser ouvidas em 2027. Isso mudar\u00e1 a ideia do autor de\u00a0<i>I have a dream<\/i>? \u201cN\u00e3o existem seres humanos perfeitos, as pessoas s\u00e3o complexas e isso n\u00e3o tirar\u00e1 o valor de todas as coisas boas que fez\u201d, responde no document\u00e1rio\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/James_Comey\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">James Comey<\/a>, o diretor do FBI que durante sua gest\u00e3o teve sobre sua mesa a peti\u00e7\u00e3o original de Hoover a Kennedy para iniciar as escutas de King. Um lembrete do mau uso e abuso de poder.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoover o chamou de \u201co maior mentiroso do mundo\u201d, King se defendeu e a disputa p\u00fablica acabou no \u00fanico encontro f\u00edsico que tiveram a portas fechadas. Nem as escutas telef\u00f4nicas acabaram nem o ativista interrompeu sua luta. 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